Monica Borine

No Upanishads
– livro milenar e sagrado dos hindus há uma pergunta: "Que deseja o ser humano?"
E a resposta é: Desejamos a felicidade. Tudo o que fazemos, nós o fazemos pela
felicidade e nós a buscamos através do nosso trabalho, dos nossos amigos, da
nossa família, através da arte, da ciência e tudo que nos cerca.
Pela
felicidade realizamos todas as tarefas da nossa vida diária, e esta é a razão
pela qual continuamos a expandir o nosso mundo exterior. É prudente conhecer que
dentro de nós reside uma felicidade, a mesma felicidade que buscamos no mundo
exterior.
Se, ao
pensarmos na alegria que obtemos em diferentes atividades e situações, nos
daremos conta de que vivenciamos a felicidade não nas atividades, mas dentro de
nós mesmos. Vivemos a procura de um néctar em todas as atividades do mundo
exterior.
O que
procuramos na realidade é a Verdade suprema, a integração da nossa consciência
pessoal. Através da meditação podemos experimentar essa Verdade que
vibra no coração em forma de felicidade sublime. O ser humano é magnífico. O que
nos faz pequeno é tão somente nosso entendimento incorreto da nossa verdadeira
natureza, nossa distorção.
Pensamos que
somos o corpo. Cremos que somos uma determinada estrutura física. Pensamos que
somos um homem ou uma mulher e que pertencemos a uma classe ou país
determinados. Nós nos identificamos com nosso pensamento, com nossos talentos,
com nossas ações boas ou más, mas, no entanto, nenhuma dessas coisas é o que
realmente somos. Dentro de nós há um Ser que conhece todas as ações do corpo e
da nossa mente e permanece intocado por elas. Nosso Self, nossa
essência.
No
Bhagavad-Gitã, um poema do Upanishads, o Senhor Krishna (Eu Superior) disse:
"Oh! Arjuna (o guerreiro - Ego), esse corpo se chama o campo e aquele que o
conhece chama-se conhecedor do campo, aquele que conhece o campo tem de ser
diferente do campo. Aquele que vive no corpo, mas existe à parte desse corpo e,
o que o conhece é o nosso verdadeiro Ser. Esse Ser está além do corpo, além da
mente, além das distinções, nome, cor, sexo. É a consciência do Eu puro, do Eu
original, que está conosco desde que viemos a este mundo".
Há muitas
práticas e técnicas que supomos permitir ter acesso a este EU puro, mas, de
todas elas, a meditação é a que é recomendada por todos os sábios,
porque com a meditação podemos perceber diretamente o Ser interior.
"Aquele que vive no coração não pode ser encontrado nos objetos sensórios".
Como esse Ser
é a nossa consciência mais intima, precisamos nos dirigir ao nosso interior para
termos diretamente dele uma experiência.
O Upanishads
diz que todo o universo está em meditação. Pela meditação, os
antigos sábios descobriram as diversas leis da sociedade, os segredos das
ciências e executaram grandes tarefas. Ela é universal, não sendo propriedade de
nenhuma seita, culto ou religião em particular. Ela não é difícil nem estranha.
A meditação é um purificador tão grande que elimina muitas tensões,
stress, e impurezas da mente e da alma humana. Com ela a nossa consciência
interior se expande, a nossa compreensão das coisas internas e externas se faz
progressivamente mais profundas e, acima de tudo, ela acalma a mente que
constantemente divaga e se distrai causando contínuo sofrimento e possibilita
nos levar para um estado de paz interior independente de qualquer fator externo.
A
meditação, mais do que tudo, nos faz conscientes da nossa verdadeira
natureza.
Swami
Muktananda (um mestre hindu) narrou uma história para seus discípulos contando
que na antiga Índia havia um homem chamado Hazrat Bastami, ele era um sufí que
costumava rezar e meditar ininterruptamente. À medida que sua meditação
se aprofundava, alcançava um estado em que supunha a proclamar: "Eu sou Deus".
Quem não experimentou este estado pode achar isso de difícil compreensão.
Então Swami
Muktananda explicou aos seus devotos:
"Pense que a
idéia que tens de ti mesmo muda à medida que muda a sua consciência”. Um
policial, quando é um simples policial dirá: "Eu sou um policial". Quando ele
subir de posto dirá: "Eu sou um capitão" e conseqüentemente, quando subir
novamente, dirá: "Eu sou um general". O mesmo Eu foi quem vivenciou estes
estados.
Quando o rio
flui para o oceano e se incorpora a ele, já não mais é um rio é sim o oceano.
Assim também Bastami alcançou um estado em que se sentia como consciência
onipresente, como a verdade mais elevada e pode gritar: "Eu sou Deus".
Quando foi
indagado ele nos contou que quando estava naquele estado da meditação
ele não era simplesmente Bastami, mas sim era a meta mais elevada, o estágio
mais profundo na meditação, a unidade e a plena felicidade".
Nós podemos
começar a meditar para relaxar, descansar e poderemos experimentar paz interior.
É importante saber que toda dedicação na meditação é considerada útil,
nada é desperdiçado e que, conseqüentemente e gradativamente, essa prática
expandirá nossa consciência, nosso Ser interior.
Pela
meditação poderemos chegar a um lugar que o vento não sopra que o fogo
não fere e este é, certamente, o país da felicidade eterna. Todos que se
estabeleceram neste lugar se libertaram, nada poderá tocá-los, nem a morte, nem
o infortúnio, nenhum medo. Ali se atinge a libertação do espírito.
Então vamos
começar? Que tal nos apropriarmos de alguns minutos durante o dia para
realizarmos a nossa meditação?
Você poderá
escolher um horário ao amanhecer, ao nascer do sol quando ele despontar radiante
ou ao meio do dia como os antigos egípcios faziam, ou ainda ao pôr do sol quando
a quietude e a paz tomam conta do entardecer.
Comece com
apenas cinco minutos. Acomode-se num lugar tranqüilo e se certifique que não
será incomodado. Feche os olhos, solte o corpo e somente sinta a sua respiração,
o ar que entra e sai, procure se concentrar nele. Perceba que, quando inspira,
está deixando o universo entrar dentro de você e quando expira, está deixando o
seu universo interno sair numa suave troca com o universo, num equilíbrio
harmonioso. Tenha certeza que este é o início de uma jornada maravilhosa.