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Sâdhana,derivado de sadh, chegar ao objetivo , significa caminho ou disciplina espiritual , pode ser traduzido como meio de se realizar algo.
O objetivo do sadhana, pode ser:
a)- libertação do Samsara ( pode ser descrito como o fluxo incessante de renascimentos através dos mundos isto é , a roda da vida caracterizada por nascer ,morrer , renascer). Esta libertação do Samsara é chamada de moksha ;
b)- ou uma meta estipulada pelo yogi.
A maioria das tradições vê o Samsara de forma pouco positiva , como sendo uma condição a ser superada. Por exemplo, no Budismo e no Vedanta hindu, o Samsara é visto como a ignorância do verdadeiro eu( Brahman )e sua alma é condicionada pelos fenômenos da vida a acreditar como realidade as manifestações do mundo temporal e fenomenal.
O problema básico que atrapalha a libertação dos condiçionamentos que nos oprimem e nos deixam no cárcere da ignorância , são as crenças inquestionáveis que acalentamos , pois ao não questionarmos algo , o aceitamos com verdade indestrutível e ponto final.
Nossa mente tem a capacidade de observar , questionar, experimentar , comparar ,tomar conclusões temporárias, reavaliar e tomar novas conclusões , possibilitando assim, avançar na sabedoria, deixando as trevas da ignorância para trás , agradeçendo a experiência de viver e aprender.
Logo, nossa mente , se bem questionada , pode manifestar a sua natureza fundamental de pureza e transparência , capaz de estar livre das nuvens de conceitos, preconceitos e supertições .
Quando digo "sou raivoso" ou " sou deprimido" , estou identificado com um momento transitório, romando-o como definitivo . Me derroto e me saboto por minha própria ignrância. Quando deixo aberto espaço para questionamentos , logo percebo que pode haver saídas , ainda que estas venham a me exigir deixar minha zona de conforto e segurança.
Se percebe que sadhana (disciplina) só é executada por alguém que realmente está cansado de perambular pelas ruas da ignorância (desconheçimento da verdade) e que agora está resoluto e cheio de coragem de utilizar das armas para combater o bom combate:
-coragem ( de encarar a verdade frente a frente);
-autosacrifício (deixar vícios e ilusões carinhosamente acalentados);
-autorenúncia ( deixar de valorizar a personalidade transitória do EGO psicológico em favor de uma realidade maior e indestrutível , o VERDADEIRO EU);
-auto-abnegação ( não desistir da luta por nada ).
O Mestre Jesus , aconselhava a " buscar o Reino dos Céus com toda força , todo vigor e empenho" ,e que aquele que perseverasse o encontraria ( " e tudo o mais lhe seria acrescentado").
Este homem não pode ser qualquer um , mas antes alguém que passe pelo autoburilamento , desbastando vícios e hábitos preconceituosos até perceber realmente o que é verdade ou mentira em sua vida. A Verdade nem sempre é agradável de se ver ( daí a necessidade de coragem). Como não pode haver pressa na autoconquista, até porque sabemos da imortalidade da centelha divina que somos , é necessário um caminho e ter disciplina (sadhana) neste caminho. Seu fim é a fusão do ego ou alma em evolução (jiva) com a alma Universal (Paramatman).
Até para dar o primeiro passo em direção à libertação (moksha) é necessário primeiro saber observar a mente cheia de desejos e medos. O que vou ganhar? O que me acontecerá? O que vou ganhar? O que vou perder?
Logo o primeiro passo é apenas observar a minha mente , que quer ser independente do meu ser , influenciando-me 24 horas do dia. Mas o "Eu" e a mente não são unos . A mente é um instrumento cuja finalidade é de me posicionar e me fornecer dados para que o "Eu" , ainda não consciente , possa interagir com o universo em derredor. Problema surge é quando o " Eu" ainda ignorante da sua condição de Rei , aceita e identifica-se com as informações da mente (súdita )...
Mas apenas por enquanto fiquemos a meditar na disciplina (sadhana)...realmente desejamos ter o controle em nossas vidas ou o papel que desempehamos nesta peça que é o viver encarnado está suficiente?
Estou disposto a me tornar dono de minha vida e destino ou isso é para pessoas que não têm mais o que fazer com o tempo livre?
Pode sobrar uma pergunta: " disciplina para que?"
Podemos responder : " Apenas para que você descubra e a verdade... e conheçendo a Verdade , você será realmente livre" (parafraseando o Mestre Jesus).
A maioria de nós acredita ser livre apenas porque se desloca para onde deseja ir ( movimento) ou por que pensa o que bem quiser ( liberdade de pensamento) ou ainda porque escolhe este ou aquele destino , estilo de roupa , trabalho , amizades , etc. Mas esta é uma visão reducionista de vida e está baseada mais em reações por atração da lei de menor esforço ou daquilo que aparenta ser agradável do que numa tomada de decisão refletida, ponderada e consciente( quantas vezes já não nos arrependemos de ter tomado uma decisão errada apenas por não termos investido mais tempo em cohjecturas e reflexões?)
Encontramos o convite à disciplina em todos os livros sábios da Antiguidade...mas também "foram muitos os convidados e poucos foram os escolhidos". A maioria tinha apenas desejos de fugir da dor ou de buscar o prazer.Poucos tinham se preparado com a disciplina para obter a sabedoria.A disciplina é essencial não apenas no Yoga e sim em qualquer fato de nossa vida que nos catapulte para um estado superior de conscientização.
A disciplina em essência é achave que abre todas as portas...sem chave , sem saídas ( do samsara).
Autoria : Karlos Vasco
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