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YAMAS

Yamas, os Valores Fundamentais na Prática de Asanas
por Joseph e Lilian Le Page
Os Yoga Sutras de Patanjali são geralmente vistos como a base filosófica do Yoga. Os Sutras também oferecem uma estrutura para a prática de asana, pranayama, mudra, bandha e meditação, além de transmitirem de forma clara, como praticar e o por quê da prática dessas diferentes ferramentas. Os Yamas formam o primeiro ramo dos Oito Ramos do Yoga de Patanjali, e servem de fundação para os outros sete. Os Yamas são formados por cinco valores essenciais, conhecidos como os códigos de ética, de conduta do praticante de Yoga. A vivência dos cinco Yamas na prática de Yoga exerce um papel fundamental no cultivo dos valores essenciais para uma prática saudável e equilibrada como veículo para o auto-conhecimento. Este artigo tem como objetivo aprofundar o entendimento e a vivência dos Yamas na prática de Yoga como um todo, mais especificamente na prática dos asanas.

1. Ahimsa – não-violência: em relação a si próprio, aos outros e ao mundo. O cultivo da não-violência em relação a si próprio é essencial para que a não-violência com relação ao mundo possa de fato se tornar uma realidade. A seguir, citamos alguns exemplos do não cumprimento de ahimsa associada à prática de Yoga:
• Beneficiar-se da prática dos asanas em relação a um aspecto, enquanto há prejuízo em outro aspecto. Por exemplo: uma prática vigorosa que alivia o estresse, mas que prejudica as articulações corporais a longo prazo.
• Supervalorizar uma das dimensões da prática dos asanas em detrimento de outras. Por exemplo: Enfocar apenas o aspecto físico da prática, sem integrar os outros aspectos do ser.

2. Satya – verdade: inclui falar a verdade e, mais fundamentalmente, conhecer a verdade mais profunda que permeia toda a criação: unidade para além de toda diversidade e multiplicidade; fonte única de energia e inteligência como base de toda a manifestação. Alinhar nossas prioridades e estilos de vida à essa verdade essencial de unidade é cultivar satya na vida do dia-a-dia. Com relação à prática de Yoga, satya é o esclarecimento de nossos objetivos e intenções por trás da prática. Esses objetivos são tanto relativos, como absolutos. Os objetivos relativos podem incluir, por exemplo: alívio do estresse, cura de problemas crônicos de saúde, reequilíbrio hormonal, desenvolvimento de auto-confiança, etc. Já o objetivo absoluto do Yoga é sempre a liberdade. Portanto, para que a prática de Yoga seja verdadeira, deve-se estar ciente desses objetivos que delineiam o caminho a ser seguido, assim como ajudam a definir e a adequar os meios a serem utilizados.

3. Asteya – não-roubar, cultivo da integridade, obter e usar somente o necessário. A palavra integridade tem a mesma raiz de integral e integrativo. A partir do reconhecimento desta totalidade, plenitude, unidade, como nossa verdadeira natureza, todas as ações que executamos passam a se irradiar a partir desse conhecimento de que fazemos parte do Todo. Nesse estado de integridade, tomamos do universo, do planeta, das outras pessoas, apenas aquilo que é necessário. Para ter clareza quanto aquilo que é necessário, aquilo que é suficiente, o que realmente precisamos, devemos entrar em alinhamento com o valor da não-violência, em primeiro lugar, e com o valor da verdade, em segundo.

Com relação à prática de Yoga, asteya significa desenvolver discernimento para utilizar somente as práticas, as ferramentas necessárias para alcançarmos nossos objetivos, tanto os relativos e, principalmente, o objetivo absoluto da liberdade. Quando passamos a “colecionar práticas espirituais” como posses ou quando nos utilizamos de práticas que têm como objetivo a liberdade espiritual, mas as usamos para auto-promoção, fama ou fortuna, não estamos praticando asteya. A prática de Yoga não precisa ser acumulada, porque o estado de Yoga é nossa própria natureza.

4. Brahmacharya – conservação de energia, referindo-se, especificamente, à conservação de energia sexual. Brahma corresponde ao aspecto da trindade hindu responsável pela criação. Brahmacharya é o reconhecimento de que nossa energia de vida é preciosa, um presente, uma bênção, estando conseqüentemente relacionado à conservação desta energia preciosa e à sua canalização para a jornada do autoconhecimento. Com relação à prática de Yoga, Brahmacharya significa conservar e canalizar a energia vital de forma que não se gaste mais do que o necessário, e assim se obtenha os benefícios máximos. A prática de Yoga que cultiva Brahmacharya é aquela que nos proporciona mais energia do que despendemos. Quanto à prática dos asanas, por exemplo, aprendemos a relaxar os músculos que não são necessários para manter as posturas, utilizando somente aqueles que sustentam os alinhamentos corporais adequados para que a energia vital possa se expandir.

5. Aparigraha – não-cobiçar, não-possessividade, não-apego. À medida que passamos a compreender que tudo no universo é compartilhado em algum nível, que não somos separados das pessoas, da natureza, do mundo, a identificação com a propriedade pessoal começa a ser amenizada. Com relação à prática de Yoga, Aparigraha é dissolver a idéia de “minha prática”, “minhas posturas”, “meus benefícios”, é o cultivo do valor da prática para o Todo, o entendimento de que a prática de Yoga é universal por natureza. Desta forma, estamos sempre praticando com todo o universo e entregando os benefícios para todo o universo, que somos nós. Ao compreendermos o sentido de Aparigraha, percebemos que há somente um yogue, uma só prática de Yoga.

 

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Pensamento

"Nas trevas que cegam entram aqueles que adoram a ignorância.
Em trevas ainda mais escuras caem
aqueles que se apegam ao conhecimento...

Conhecimento e ignorância: quem conhece ambos,
atravessando a morte pela ignorância,
alcança a imortalidade através do conhecimento.

Nas trevas que cegam entram aqueles que adoram a destruição.
Em trevas ainda mais escuras caem
aqueles que se apegam à criação...

Criação e destruição: quem conhece ambas,
atravessando a morte pela destruição,
alcança a imortalidade através da criação."

  Íshá Upanishad

 

 

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