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Segundo
historiadores, a civilização Celta teve sua origem numa área da Áustria,
próximo ao sul da Alemanha, donde se expandiu por toda a Europa, influenciando
toda em região através da cultura, das artes e da lingüística.
Outra versão para a origem dos Celtas, diz que
eles teriam vindo do continente perdido de Atlântida, migrando para a parte
ocidental da Europa onde se desenvolveram.
Devido
aos poucos registros históricos sobre a civilização Celta e ao caráter, muitas
vezes fantástico, dos textos, é árduo o trabalho de distinguir o que real do
que é lenda, entretanto através da análise de diversos autores é possível
estabelecer certos aspectos que são comuns nas descrições.
Os
celtas foram uma civilização avançada para o seu tempo, possuíam vastos
conhecimentos nos campos da religião, filosofia, geografia e astronomia. Sua
sociedade era muito organizada e bastante igualitária, tanto homens como
mulheres tinham direitos iguais e podiam participar de todas atividades.
No
campo religioso, que é nosso principal foco, podemos dizer que os Celtas tinham
uma compreensão diferente, pois todas as suas atividades possuíam um caráter
religioso, a própria vida era uma experiência religiosa. A religião celta era
rica em simbolismos e rituais e baseava-se no culto a natureza e a deusa mãe, o
que fez com que a sociedade celta fosse esotérico-religiosa e matriarcal.
Os
rituais celtas não se prendiam somente ao lugar, também tinham relação com a
época do ano, sendo que todos os dias sagrados aconteciam nos solstícios,
equinócios e fases lunares, períodos onde a interação entre as energias
individuais e planetárias era mais propícia. Os celtas dividiam os anos em
quatro períodos, de três meses cada, no início dos quais aconteciam os
festivais do fogo (solstícios e equinócios) e coincidiam com o apogeu das
plantações. Cada um desses períodos representava: trabalhar a terra, semear,
crescer e colher. Estes quatro períodos eram:
·
Imbolc - celebrado em 1 de fevereiro e era
associado à deusa Brigit, a Mãe-Deusa protetora da mulher e do nascimento das crianças;
·
Beltane - celebrada em 1 de maio. (também
chamado de Beltine, Beltain, Beal-tine,
Beltan, Bel-tien e Beltein) Significa "brilho do fogo". Esta
cerimônia, muito bonita, era marcada por milhares de fogueiras;
·
Lughnasadh - (também conhecido como Lammas), dedicado ao Deus lugh, celebrado
em 1 de agosto;
·
Samhain - a mais importante das cerimônias,
celebrada em 1 de novembro. Hoje associada com o Hallows Day, celebrado na
noite anterior ao Hallowen.
Pelos seus princípios
de comunhão com a natureza, os celtas celebravam seus festivais ao ar livre, principalmente
em florestas, pois não concebiam o culto à divindade em templos construídos
pelo homem, além disso, não vestiam roupas durante as cerimônias, o que chocava
os católicos, fazendo-os denominar os ritos celtas de satânicos e libidinosos,
o que não tinha nenhum fundamento. Na verdade sendo a religião celta anterior
ao cristianismo, eles não pregavam a existência do Deus cristão e tampouco do
demônio. Seus ensinamentos possuíam três leis principais:
·
Cultuar
os deuses;
·
Não
fazer o mal;
·
Ser forte e corajoso;
Os sacerdotes celtas eram os druidas, possuidores de forte influência na
sociedade celta, eram os herdeiros e guardiões dos princípios religiosos e dos
grandes ensinamentos, que eram transmitidos oralmente, como forma de guardar os
segredos daquele povo.
Durante as cerimônias, que eram realizadas à noite (já que os celtas
contavam o tempo pelas noites), os sacerdotes usavam coroas e chifres, simbolizando
o deus cornudo, que representava a virilidade necessária à fertilidade, não só
das pessoas, mas também da própria Terra. A contrapartida ao deus era a grande
deusa, o lado feminino da natureza, a grande-mãe.
Apesar de algumas práticas que hoje poderíamos considerar primitivas, os
celtas possuíam uma visão religiosa de vanguarda, acreditavam na reencarnação,
como forma de purificação e melhoramento, permitindo as pessoas através das
diversas existências uma evolução moral. Sabiam da existência de um mundo
espiritual, habitado pelos mortos, e da capacidade de certas pessoas de entrar
em contato com este “outro mundo”. Admitiam a lei de causa e efeito (lei do carma) onde cada homem era livre para
agir como quisesse, entretanto teria que se responsabilizar por seus atos, pois
toda ação era livre, mas trazia consigo conseqüências boas ou más, de acordo
com as obras praticadas.
Devido ao rigor e a incompreensão do catolicismo os celtas foram implacavelmente
perseguidos, classificados como bruxos e seguidores de satanás, seus poucos
escritos queimados, o que prejudicou muito o conhecimento sobre este povo. Mas
apesar de todo este esforço da Igreja Católica, algumas contribuições da
cultura celta sobreviveram, como por exemplo, a lenda do rei Arthur e a Távola
Redonda, os princípios ecológicos e até religiosos que hoje inspiram a religião
de Wicca, chamada também de moderna bruxaria (vide Wicca, em religiões).
Como já citamos antes, não é simples determinar o que é fato ou não em
relação aos celtas, a transmissão dos ensinamentos por via oral e as diversas
perseguições, fizeram com que muita coisa se perdesse no tempo, além disso,
como vivemos uma época de espiritualização da humanidade, muita gente aproveita
para criar estórias sobre as tradições deste povo e assim poder vender os mais
diversos produtos, que muitas vezes são mais frutos da imaginação do que da
realidade.
Ao invés de nos atermos a aspectos secundários, procuremos nos concentrar
nas principais contribuições desta fantástica civilização: respeito à natureza,
respeito às mulheres e busca de uma vida mais espiritualizada. Estes sem dúvida
são legados que o tempo nunca irá apagar.
Fontes:
www.misteriosantigos.com/celtas.htm
http://users.hotlink.com.br/egito/celtas.htm
http://usuarios.cultura.com.br/walterb/soc.htm
www.geocities.com/SunsetStrip/Amphitheatre/4683/
www.casacelta.hpg.ig.com.br/home2.htm
Challaye,
Félicien. As Grandes Religiões. (1998). IBRASA.
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