1-Como você enveredou pela hierolinguística, que livros utilizou
como autodidata e o que recomenda para quem deseja seguir suas pegadas
(exemplo)...
Resposta: Tenho 36 anos e estudo Cabala desde os 14. Com 17 anos estudei
com um poliglota gaúcho de origem judaica a língua hebraica. A partir daí,
comecei a estudar outras línguas antigas através de gramáticas e dicionários,
muitas vezes só disponíveis em inglês. Então, aprendi inglês e as línguas
antigas que me interessavam (hebraico, aramaico, sânscrito, tibetano, iorubá,
etc.). Atualmente estou estudando um pouco de sumério. Sempre busquei o sagrado
ao estudar estas línguas e, exatamente por isso, acabei desenvolvendo o conceito
de uma HIEROLINGÜÍSTICA, uma ciência para estudar as línguas e linguagens
sagradas. É um modo de colocar em moldes mais científicos a lingüística
comparada, a mitologia comparada e mesmo o estudo comparado das religiões,
incentivado por Helena Blavatsky. As obras dela são meus livros de cabeceira
desde meus 18 anos. Quanto ao que posso recomendar para quem deseja seguir o
mesmo caminho, meu principal conselho é: estudem muito, com mente aberta e sem
preconceitos. O preconceito embota a mente e cega a visão da realidade. Ele
impede que vejamos verdades que podem estar bem na nossa frente. Como hoje o
acesso à informação é bem maior do que quando comecei meus estudos, em 1984,
podemos conseguir praticamente qualquer livro na internet, e muitas vezes
gratuitamente. Contudo, apenas 10% deles está em português. Uns 20% já estão em
espanhol. A esmagadora maioria está em inglês. Então, somos obrigados a estudar
esta língua para poder ler materiais raros e indispensáveis ao estudo do
sagrado.
2-Na tua opinião, os livros de Helena Blavatsky carecem de apoio
quanto à história da Humanidade antiga ou do tempo da construção das pirâmides
do Egito (mais de 70 mil anos)?
Resposta: Respondendo a segunda dúvida primeiro, é muito difícil que as
pirâmides do Egito, mesmo a de Quéops, tenham mais de 70 mil anos. Não quero ser
preconceituoso, mas realmente é difícil. Sou fã dos livros de Blavatsky, mas
isso não me tornou um fanático, obcecado em provar que as obras dela não contêm
erros, como se fossem "a Bíblia da Teosofia". Não vejo Teosofia como uma
doutrina, mas como a Sabedoria Eterna da Mente Divina. Sua visão distorcida como
"doutrina", como um "teosofismo", que foi muito criticado por René Guénon, para
mim não é Teosofia verdadeira. É um pálido eco - e deturpado - do que ela seja
realmente. Os escritos de Besant e Leadbeater parecem ser os maiores
responsáveis pela divulgação deste equívoco. Mesmo assim, gosto dos livros
deles. Mas, como disse, não sou um fanático e contesto sempre que acho que há um
contrasenso. Não foi isso pregado pelo Buddha e mesmo por Blavatsky?
Quanto ao apoio que os livros de Blavatsky tenham quanto à história antiga
da Humanidade, a única coisa que posso dizer é que a base dela em seus livros
são as informações transmitidas pelos "Mestres" ou"Adeptos" da Fraternidade
Branca. Não são informações científicas, com toda certeza, são algo em que se
pode crer ou não. Portanto, é uma idéia, uma proposta, não ciência. Mas isso
também não significa que as informações dos livros de Blavatsky são sem valor.
Têm muito valor, mas devem ser confirmadas por pesquisas futuras. Até lá, devem
ficar "de molho". Este é o status das obras de Blavatsky em minha mente no
momento. Contudo, acho primordial que se leia as obra dela nesta busca pelo
sagrado e pelo espiritual.
3-Que fatos, que estão sendo estudados mudariam a estrutura da
humanidade atual, se confirmados?
Resposta: Muita coisa. A questão é que a história, junto com a lingüística
e a arqueologia, esbarram numa dificuldade que não pode ser culpa dos
pesquisadores: a falta de registros materiais que confirmem a antigüidade do
homem, das construções e mesmo de certas línguas do passado. Isso pode impedir
mesmo que se diga que Blavatsky estava errada, mas também impedirá que se diga
que estava certa. Ela era convicta de suas opiniões e devia ter suas razões de
foro íntimo. Para aqueles que acham que as afirmações dela eram muito
extraordinárias, lembro que hoje têm surgido milhares de livros com idéias muito
mais estapafúrdias ainda, misturando "Mestres" com "ETs", "Anjos" que pilotam
"Discos Voadores" e até "Exus extraterrestres" (?), como já tive oportunidade de
presenciar. É o famoso "Samba do Crioulo doido". Ela, pelo menos, procurou
cercar-se do que havia de mais científico em sua época para argumentar em favor
de suas afirmações. Mas estes absurdos de hoje raramente oferecem algum tipo de
argumentação inteligente!
Atualmente estou ajudando na decifração das inscrições encontradas em
Visoko, na Bósnia, junto a um conjunto arqueológico que já ficou conhecido como
as "Pirâmides da Bósnia". Não sei se há mesmo pirâmides ali, mas já tive acesso
às inscrições encontradas. Ainda não posso liberá-las porque a pesquisa está em
curso. Espero poder fazê-lo em breve. Mas o pesquisador-chefe do projeto, o Sr.
Semir Osmanagic, é desconsiderado pela ciência oficial porque acredita em livros
como os de Blavatsky, acredita na Atlântida e em ETs. Qual é o problema? Desde
que ele use métodos científicos transparentes para confirmar suas teses, ele
pode acreditar no que quiser! Cheguei a ser procurado por seus opositores
bósnios ortodoxos, que diziam ter provas de atos inadequados dele mas, quando li
tais argumentos, se tratava apenas de preconceito quanto às idéias
místico-espirituais do Sr. Osmanagic. Naquele momento me vi no mesmo barco do
colega bósnio: todos nós que, mesmo sendo espiritualistas, pesquisamos de modo
científico, somos indesejados pela ciência acadêmica. É o mesmo caso do
arqueólogo dos EUA, Michael Cremo, que acaba de me conceder uma entrevista para
a Revista Horizonte - Leitura Holística, que edito mensalmente. Ele também é
atacado pelos cientistas ortodoxos e deixou isso bem claro em sua entrevista. E
ele é também um espiritualista, ligado à Sociedade Hare Krishna.
Se as pesquisas de pessoas como Osmanagic, Cremo e eu fossem confirmadas,
realmente mudariam a visão da história sobre o passado da humanidade. Mas, se
isso chegar a ocorrer, deve demorar ainda algumas décadas.
4-E os Extraterrestres, onde entram no estudos da História do
Homem e seu destino ?
Resposta: Este é um terreno lodoso. Os maiores desvarios em idéias e
teorias está no campo do que se chama de Ufologia e ramos de pesquisa afins. Há
muita fraude, mistificação e gente dizendo que "canaliza" ETs. Outros dizem que
os ETs são os salvadores da humanidade e que a Terra vai colapsar frente a
grandes catástrofes, que seriam iminentes. Acredito que a coisa está ruim e que
teremos conseqüências, como as das mudanças climáticas, por exemplo, mas não
acredito no fim do mundo nem no fim da civilização, pelo menos para agora.
Erich von Däniken e, mais recentemente, o russo Zecharia Sitchin, acreditam
em influência ET no passado da Terra. Sitchin tem mais base científica que
Däniken (que é só um jornalista), pois é arqueólogo, e um dos poucos existentes
capaz de decifrar a escrita cuneiforme suméria. Já foi ligado à NASA. Mas suas
idéias são vistas como ridículas pelo mundo científico. Gosto dos argumentos
dele, mas não os considero científicos realmente. São idéias, crenças até, e
precisam ser confirmadas pela pesquisa futura. O que não podemos é confundir
crenças científicas ou idéias fantásticas que nos pareçam agradáveis com
ciência. Isso traria como prejuízo uma incapacidade de separar a ilusão da
realidade. E não é isso que pregava Blavatsky, nem Buddha, nem qualquer
Mestre do passado. Sou um pesquisador curioso e sempre insatisfeito que uso
todos os métodos possíveis para descobrir a verdade. Me permito crer em tudo e
ter todas as idéias até chegar o momento da confirmação. Aí, seleciono o que é
viável e descarto - ou apenas ponho "de molho" - o que é difícil de comprovar.
Não nego que existam realidades desconhecidas pela humanidade; ao contrário,
creio que elas existem mesmo! Mas não posso me sentir satisfeito apenas com a
crença, como parece acontecer com muitos irmãos que se consideram "teósofos".
Dizem estar "estudando", mas estão, na verdade, apenas reforçando suas crenças,
não seu conhecimento e muito menos sua sabedoria.
5-Quais são seus projetos atuais e quais as suas conclusões até o
momento?
Resposta: Em nível de pesquisa tenho dois projetos. O primeiro é o da
decifração da escrita encontrada em Glozel (França) em 1924, o "glozélico". O
Museu de Glozel acaba de publicar meus artigos referentes à decifração no seu
site oficial (http://www.museedeglozel.com/Stekel.htm ). Eles estão em
inglês e podem ser baixados gratuitamente. Devo preparar material em português
para breve, incluindo um livro. A pesquisa publicada neste site francês é o
coroamento de 12 anos de pesquisas sobre as inscrições de Glozel. Mas a pesquisa
não deve parar por aí. Considero ter encerrado apenas a primeira fase.
O segundo projeto é o da decifração da escrita encontrada na Bósnia, junto à
suposta pirâmide do sol, em Visoko, numa montanha chamada Visocica. A escrita
foi batizada de "Proto-Script Visoko" [Proto-escrita de Visoko] e seus sinais
lembram muito a escrita de Glozel. Por isso me inseri no projeto. Há ali um
projeto multidisciplinar de escavação e pesquisa sobre as tais "pirâmides" e os
materiais arqueológicos encontrados no local. são até agora 21 cientistas. O
único do continente americano sou eu, que fui convidado por Semir e seu pai, o
Dr. Muris Osmanagic, para integrar o staff de sete líderes do projeto, que foi
apresentado em fevereiro ao governo bósnio, solicitando permissão para 20 anos
de excavações e alguma verba, com certeza. É um projeto para muitos anos, mas já
identifiquei que a escrita de Visoko tem 55,5% de semelhança com a de Glozel, o
que foi considerado muito importante para a evolução da pesquisa. Entre os 21
cientistas há geólogos, arqueólogos, lingüistas, etc. Sou o único que não tem
formação universitária. Sou um autodidata à antiga, como faziam os buscadores do
passado, onde o que valia era o conhecimento verdadeiro, não o validado por um
diploma. Tenho vivido assim até hoje e não me arrependo. Pretendo ser a prova de
que o conhecimento vale mais que um diploma! Os cientistas bósnios entenderam
isso e me descobriram. Os franceses também entenderam e me descobriram. Os
brasileiros estão um pouco atrasados neste aspecto. Mas sou um brasileiro
orgulhoso de meu país, e levo o nome dele em meus trabalhos internacionais. Mas
lembro que, antes de ser brasileiro, sou um cidadão do planeta Terra. Defendo o
planeta e seus habitantes antes de defender meu país, porque entendo que nenhum
ser humano vale mais ou menos que outro, independente do seu país de origem. Não
enalteço meu país diminuindo o país dos outros. Seria um nacionalismo xenófobo e
preconceituoso, o que não se encaixa na palavra "espiritualidade".

Texto reconstituído: "Gnate ela zade pame kêjla teta rege omaçe kapja
îza gowâ takja dala nupe sgama gyôrî kraksê kî-ôyte owû onaça reypjo magne
kî-eqa para tama dala papa taga spîye eme kama gazye dâga respoçî datja kaka
mutône jala maga qaseu."
Tradução literária: “[Tabuleta
oferecida] para o filho que se adianta para a realização; para a bebida, o
companheiro do Rei Teta; para a gordura das tripas obter o comando d[o deus]
Gow, que estrangula e divide. Nupe ilumina as pedras de Gyôra. Para o juramento
feito sobre as ovelhas carregadas para o grande de Reypja, embora o movimento
procure a morte [delas]. A parte de Papa agrada à minha esperança. Para o
devorador Kama sejas bem intencionado na resposta. A doação para o perverso
Mutôna: o inchamento [do órgão sexual masculino?] aumenta pelos movimentos
violentos.”
Como se pode constatar, o texto cita diversos
deuses. A tabuleta é uma oferenda a eles. O texto das demais tabuletas também é
de caráter religioso e ritualístico. Como dissemos anteriormente, acreditamos
que a escrita “glozélica” tenha nascido entre 1500 e 1000 a.C., ou mesmo antes.
Pode ser anterior à escrita fenícia e mesmo a sua origem. Mas não é de
representação consonantal. Nem apresenta todos os 22 Princípios Fonológicos,
como demonstramos no Cap. XV. Mas é uma escrita muito antiga e tem conexões com
palavras Senzar tanto quanto o grego, o latim e o sânscrito, sendo provavelmente
mais antigo que os dois primeiros, pelo menos.