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Teoria da criação
O
Senhor Krishna disse: Ó Arjuna, este corpo físico, um universo em miniatura,
pode ser chamado de campo ou criação. Aquele que conhece a criação é chamado o
criador (ou o Espírito, Atma), pelos videntes da verdade (13.01).
Qualquer coisa que está aqui no corpo está, também, no cosmos; seja o
que for que esteja lá é o mesmo aqui (KaU 4.10). O corpo humano, o microcosmos,
é uma réplica do universo, o macrocosmo. O corpo é chamado de campo das
atividades para a alma. O corpo ou criação é diferente da alma ou do Criador.
Para experimentar esta diferença é que explica aqui o conhecimento metafísico.
Ó
Arjuna, saiba que Eu sou o criador de todas as criaturas. Eu considero o
verdadeiro entendimento, de que tanto o criador como a criação são o
conhecimento transcendental (13.02).
O
corpo (ou criação), e Espírito (o criador) são distintos um do outro. Ainda
assim, o ignorante não é capaz de distinguir entre os dois, e qual o
conhecimento é o verdadeiro conhecimento, o qual nos torna aptos para fazer uma
clara distinção entre o corpo e o espírito. O corpo é chamado o campo (ou o
meio) das atividades do Espírito. O corpo humano é o meio pelo qual a alma
individual desfruta o mundo material, ficando confusa, e no final alcança a
liberação. A alma dentro do corpo sabe de todas as atividades do seu próprio
corpo, isto é, por tanto, chamado de o conhecedor do campo de atividades. A
Superalma conhece todos os corpos, enquanto a alma individual conhece apenas seu
próprio corpo. Quando alguém entende claramente a diferença entre o corpo, a
alma individual dentro do corpo, e a Superalma, diz-se que se tem o conhecimento
real.
O que
é a criação; como ela é; quais são as suas transformações; em que lugar a
criação se origina; quem é o criador, e o que é o Seu poder? brevemente, escute
todas estas coisas de Mim (13.03).
Os
sábios têm, separadamente, descrito a criação e o criador em diferentes caminhos
nos hinos védicos e, também, nos conclusivos e convincentes versos de outras
escrituras (13.04).
O
Gita também esclarece a verdade de outras escrituras. Todas as escrituras, bem
com os santos e sábios de todas as religiões, coletam a água da verdade do mesmo
oceano do Espírito. O ênfase deles varia conforme as necessidades individuais e
social no tempo.
A
energia primária material, o intelecto cósmico, "Eu" a consciência ou o ego, os
cinco elementos básicos, os dez órgãos, a mente, os cinco objetos dos sentidos e
o desejo, ódio, prazer, dor, o corpo físico, consciência e resolução - assim,
foi brevemente descrito o campo inteiro com suas transformações (veja, também,
7.04) (13.05-06).
De
acordo com a doutrina do Sankhya (BP 3.26.10-18; 11.22.1016), o Espírito passa
por vinte e cinco transformações básicas na seguinte ordem: Ser Espiritual e as
seguintes vinte e quatro transformações da Energia Total: mente, intelecto,
ondas de pensamento, e a concepção de individualidade; os cinco elementos
básicos ou ingrediente rudes, na substância sutil ou grosseira: éter ou
substância sutil, ar fogo, água e terra); os cinco objetos dos sentidos:
audição, tato, visão, gustação e olfação; os cinco órgãos dos sentidos: orelha,
pele, olhos, língua e nariz; e os cinco órgão de ação: boca, mãos, pernas, anus
e uretra.
O
Intelecto Supremo é conhecido por vários nomes, baseado nas funções realizadas
no corpo. Ele chama-se mente quanto sente e pensa; intelecto, quando raciocina;
onda de pensamentos quando realiza o ato de lembrar-se e vaguear de um
pensamento a outro, e de ego quando ele tem o sentimento de atente executor e
individualidade. Os sentidos sutis consiste em todos os quatro: mente,
intelecto, onda de pensamentos, e ego. Eles são as impressões kármicas que
atualmente tomam a decisão final com a ajuda da mente e do intelecto. Quando o
poder cósmico realiza as funções do corpo, ele é chamado de bioimpulso (força
vital; Prana). O Espírito Supremo ou Consciência manifesta-se em si mesma tanto
como energia e matéria. Matéria e energia nada mais são do que formas
condensadas de consciência. De acordo com Einstein, tanto mente como matéria são
energias (prana). Ramana Maharishi disse: a mente é uma forma de energia;
manifesta-se em si mesma como o mundo.
As
Quatro Nobres Verdades como Meios do Nirvana
Humildade, modéstia, não-violência, perdão, honestidade, serviço ao guru,
pureza de pensamentos, palavras, obras e ações, regularidade, auto-controle,
aversão pelos objetos dos sentidos, ausência do ego, constante reflexão sobre a
dor, e o sofrimento inerente no nascimento, velhice, doença e morte (13.07-08).
O
verso 13.08 do Gita formula o fundamento do Budismo. A contemplação constante e
o entendimento de que a agonia e o sofrimento são inerentes no nascimento,
velhice, doença e morte, são chamados da compreensão da quádrupla Nobre verdade
do Budismo. Um entendimento claro desta verdade é necessário antes de iniciar a
jornada espiritual. Um desgosto e descontentamento por menor que seja e a falta
de realidade no mundo, e de seus objetos, se transformam numa espécie de
prelúdio para a jornada espiritual. Como os pássaros buscam proteção numa árvore
quando cansados, de modo semelhante, os seres humanos procuram pela proteção
divina após descobrirem as frustrações e a tristeza na existência material.
Desapego dos membros da família, da casa, etc.; tranqüilidade incessante
diante desejável e do indesejável, e devoção inabalável, através da contemplação
sincera, para Comigo; gostar da solidão; desinteresse por encontros sociais e
fofocas; estabilidade na aquisição do conhecimento do Ser, e ver a onipresença
do Ser Supremo em todos os lugares - diz-se que isto é o que é para ser
conhecido. O que é contrário a isto é ignorância (13.09-11).
O
cultivar das virtudes descritas nos versos 13.08-11, irá nos habilitar para
percebermos o corpo com as diferenças do Ser. Assim, alcançamos o
auto-conhecimento. Portanto, estas virtudes são chamadas de conhecimento.
Aqueles que não possuem estas virtudes não podem conseguir o verdadeiro
conhecimento do Ser, e permanecerão na escuridão da consciência corporal ou
ignorância.
Quando nos tornamos firmemente convencidos de que Deus por si só é
tudo - pai, mãe, irmão, amigo, inimigo, sustentador, destruidor e refúgio - e
que não há nada mais elevado do que Ele para alcançar, não se pensando em
qualquer outro objetivo, diz-se que se desenvolveu inabalável devoção pelo o
Senhor pela sincera contemplação. Neste estado da mente o buscador e o procurado
tornam-se qualitativamente unos a mesma coisa.
O
Supremo pode ser Descrito pelas Parábolas, e não por Qualquer Outro Meio.
Eu
descreverei plenamente o Ser Supremo - o objeto do conhecimento. Por conhecê-lO
alcança-se a imortalidade. É dito que o Ser Supremo, sem princípio (sem começo),
não é eterno nem temporário (Veja, também, 9.19, 11.37 e 15.18) (13.12).
No
princípio não havia nem seres eternos nem Temporários - nem céu, nem ar, nem
dia, nem noite. Não havia nada mais seja o que for do que o Supremo Ser Absoluto
(RV 10.129.01; AiU 1.010). O Absoluto está além tanto dos Seres Temporais
(controladores celeste; Devas) como o Ser Eterno (Espírito) (verso 15.18).
portanto, Ele não é nem temporário nem eterno. O Ser Supremo ou o Absoluto é
também tanto temporário como eterno (verso 9.19), e além do temporário e do
eterno (versos 11.37; 15.18), porque Ele está em todo o lugar, em tudo, e além
de tudo. Então, o Absoluto é o todo três - não é tanto temporário como eterno,
bem como é ambos, eterno e temporário, ao mesmo tempo .
O Ser
Supremo possui suas mãos, pés, olhos, cabeças, bocas e orelhas em todo o lugar,
porque Ele é todo-penetrante e onipresente (13.13).
Ele é
quem apercebe todos os objetos dos sentidos sem os órgãos dos sentidos;
independente, e, mesmo assim, sustenta a todos, devido aos três modos da
natureza material e, ainda mais, é o desfrutador dos modos da natureza material
pela transformação das entidades vivas (13.14).
O
Ser anda sem pernas, ouve sem ouvidos, executa muitas ações sem as mãos, sente o
cheiro sem um nariz, vê sem os olhos, fala sem a boca, e desfruta todos os
sabores sem a língua. Todas Suas ações são, portanto, maravilhosas para aquele
que procura Sua absoluta grandiosidade além do que é descrito (TR 1.117.03-040).
O Ser Supremo pode ser descrito somente por parábolas e paradoxos, e não de
outro modo (veja, também, ShU 3.19). O Ser se expande em Si mesmo como entidade
viva para desfrutar dos três modos da natureza material.
Deus não possui um corpo como um ser comum. Todos os Seus sentidos são
transcendentais, ou seja, não são deste mundo. Suas potências são de muitas
formas. Qualquer um dos Seus sentidos pode agir num outro sentido (ouvir um
cheiro, ver um gosto, etc.; nota do tradutor). Todos os Seus feitos são
automaticamente executados como uma conseqüência natural.
Ele
está dentro bem como fora de todos os seres, animados e inanimados. Ele é
incompreensível por causa de Sua sutileza. E por causa de Sua onipresença, Ele
está muito próximo, residindo na nossa psique interior, bem como longe, na Sua
Morada Suprema (13.15).
Ele é
indivisível, mas apesar disto mostra-se como existente dividindo-Se nos seres.
Ele é o objeto do conhecimento e aparece como o criador (Brahmaa), o sustentador
(Vishnu), e o destruidor (Shiva) de todos os seres (veja, também, 11.13 e 18.20)
(13.16).
O
Planeta Terra mostra-se repartido por muitos paises; alguns países aparecem
repartidos em vários estados; alguns estados aparecem divididos em regiões, e
assim por diante, de modo semelhante, a Realidade uma aparece como sendo muitas.
Estas são divisões aparentes, porque elas possuem a mesma ordem da realidade. O
termo "Deus" é utilizado para designar os aspectos Gerador, Controlador, e
Destruidor do Ser.
O Ser
Supremo é a origem de todas as luzes. Diz-se que Ele está além da escuridão da
ignorância. Ele é o auto-conhecimento, o objeto do auto-conhecimento, e está
sentado na psique interior como consciência (veja o verso 18. 61) de todos os
seres; e Ele é o que deve ser realizado pelo auto-conhecimento (13.17).
Eu
sou a luz do conhecimento do mundo. Quem quer que Me siga terá a luz da vida e
jamais irá caminhar na escuridão da ignorância (João 8.12). Aquele que conhece o
Todo-poderoso como sendo muito mais radiante do que o Sol e que está além da
escuridão da realidade material, transcende a morte. Não há outro caminho
(YV31.18; SVB 3.08). O Supremo está além do alcance dos sentidos e da mente. Ele
não pode ser descrito ou definido por palavras. Os diferentes meios de alcançar
o Supremo continuam abaixo:
Eu,
assim, brevemente, descrevi a criação bem como o conhecimento, e o objeto do
conhecimento. Conhecendo isto, Meu devoto alcança a Minha Morada Suprema
(13.18).
O
Conhecimento do Espírito Supremo, Espírito, Natureza Material, e as Almas
Individuais
Saiba
que tanto a natureza material como o Ser Espiritual não têm princípio. Todas as
manifestações e as três ordens da mente e da matéria, chamadas de modos ou Guna,
nascem da natureza material. A natureza material é dita que é a causa da
produção do corpo físico e dos órgãos das percepção e da ação. Espírito (ou
consciência) é dito que é a causa da experimentação da dor e do prazer
(13.19-20).
O Ser
Espiritual desfruta dos três modos da natureza material pela associação com a
natureza material. O apego aos três modos da natureza material (devido a
ignorância causada pelo karma anterior) é a causa do nascimento da entidade viva
em bons ou maus ventres (13.21).
O
Espírito não é afetado pela natureza material, assim como os reflexos do sol na
água não afetam as propriedades da água. O Espírito, por causa da Sua natureza,
ao associar-se com as seis faculdades dos sentidos, e o ego da natureza
material, torna-se apegado, esquecendo Sua real natureza, realizando boas e más
ações, tendo perda da independência e transmigrando como entidade viva (alma
individual, Jiva) (BP 3.27.01-03). A entidade viva não conhece a energia
ilusória divina (Maya), bem como o Controlador Supremo como sendo sua própria e
real natureza. A alma individual é um reflexo na lua do espírito no pote d´água
do corpo humano.
O
Espírito no corpo é a testemunha, o guia, o suporte, o desfrutador, e o
controlador de todos os acontecimentos (13.22).
Dois pássaros - entidade viva e o Controlador divino - vivem na psique
interior na árvore do corpo. A entidade vivia, estando cativada pelos frutos da
árvore, se torna apegada pela natureza material, experimentando dor e prazer na
gratificação dos sentidos, estando sujeita ao cativeiro e a liberação, enquanto
que o Controlador divino, sendo desapegado pela natureza material, permanece
livre como uma testemunha e guia (BP 11.11.06; ver RV 1.164.20; AV 9.09.20; Um
3.01.01; ShU 4.06). O Controlador Supremo permanece não afetado, e desapegado
pelos modos da natureza material, assim como um folha de lótus permanece não
afetada pela água.
O
Espírito é consciente, a natureza material é inconsciente. A natureza material,
com a ajuda do Espírito, produz cinco bioimpulsos (força vital; prana), e os
três modos. O Espírito, residindo como o Controlador divino no corpo físico, que
é a casa com nove portões, e é feito dos vinte e quatro elementos da natureza
material, desfruta dos objetos dos sentidos pela associação com os modos da
natureza material. O Espírito esquece-se da sua real natureza sob a influência
da energia ilusória divina (Maya), sentindo dor e prazer, fazendo boas e más
ações, caindo no cativeiro do trabalho, resultado do livre desejo devido a
ignorância, e procura por salvação. Quando a entidade viva renuncia os objetos
dos sentidos e se eleva acima dos modos da natureza material, ela alcança a
salvação.
A
mente, favorecida com poder infinito, cria um corpo para residir e realizar os
seus desejos latentes. A entidade viva torna-se, de bom grado, confusa - e sofre
como um bicho da seda no seu próprio casulo - e não pode sair daqui. A entidade
viva torna-se cativa pelo seu próprio Karma e transmigra. Todas as ações, boas
ou más, produzem cativeiro se realizadas com egoísmo. As boas ações são algemas
de ouro, e as más ações são as de ferro. Ambas são correntes. A algema de ouro
não é um bracelete.
A
entidade viva é como um lavrador que lhe foi dado um pedaço de terra como sendo
seu corpo. O lavrador deverá retirar as ervas daninhas da luxúria, ira, e
avareza a terra, cultivando a agricultura de um intenso desejo de amor por Deus.
Dependendo da intensidade do desejo e do grau da fé, a semeadura da devoção
brotará no devido curso do tempo. Esta semeadura deve ser continua e
constantemente irrigada com a água da meditação, na forma escolhida de Deus
personalizado. A tendência de esquecimento da real natureza das entidades
desaparece com o florescer das flores do auto-conhecimento e desapego. As flores
sustentam os frutos da auto-realização e visão de Deus, conduzindo para a
liberação da reencarnação.
Aqueles que verdadeiramente entendem o Espírito, e a natureza material
com os seus três modos (como descritos acima), não voltam a nascer novamente,
apesar de seus estilos de vida (13.23).
Alguns percebem a Superalma, em sua psique interior, através da mente e
do intelecto, tendo-os purificado através da meditação ou pelo conhecimento
metafísico, ou pelo serviço sem egoísmo (13.24).
Fé
e Devoção Também Podem Conduzir ao Nirvana
Outros, entretanto, não conhecem o Yoga da meditação; do conhecimento, e
do serviço sem egoísmo; mas eles realizam adoração à deidade, com firme fé, amor
e devoção, como mencionado nas escrituras pelos santos e sábios. Eles, também,
transcendem à morte pela virtude de suas fés firmes, que eles têm nos seus
corações (13.25).
Abençoados sejam os que não possuem entendimento, mas apesar disto
eles têm fé (Mateus, 21.22). Não é necessário entender completamente a Deus para
obter a Sua graça, Seu amor, e para alcançá-lO. Qualquer prática espiritual
feita sem fé é como um exercício fútil. O intelecto coloca-se no caminho como
uma obstrução para a fé.
Tudo
o que é criado - animado ou inanimado - saiba, Ó Arjuna, que eles nascem da
união do Espírito e da matéria (veja, também, 7.06) (13.26).
Aquele que vê o mesmo e eterno Senhor Supremo, residindo como Espírito,
igualmente em todos os seres mortais, de fato vê (13.27).
Quando alguém contempla o uno, e o mesmo Ser, igualmente em cada ser, não
faz nenhum dano a ninguém, porque considera tudo como o próprio Ser, e, por
isso, alcança a Morada Suprema (13.28).
Aquele que percebe que todos os trabalhos (ações) são feitos pelos
poderes da natureza material, verdadeiramente entendem, e não consideram a si
mesmos como os fazedores (ver, também, 3.27; 5.09, e 14.19) (13.29).
No
instante em que se descobre a diversa variedade de seres, e suas diferentes
idéias, habitando o Uno, revelando-se somente Neste, alcança-se o Ser Supremo
(13.30).
Atributos do Espirito (Brahm)
Por
ser sem-começo, e não ser afetada pelos três modos da natureza material, a
Superalma eterna - mesmo que residindo no corpo como uma entidade viva - jamais
faz qualquer coisa, nem fica maculada pelo Karma, Ó Arjuna (13.31).
A
eterna Superalma é dita como sem atributos, porque Ela não possui os três
atributos da natureza material. A expressão "sem atributos" é geralmente
confundida com "sem-forma". Sem-atributos refere-se somente a ausência de forma
material, e a característica dita como a mente humana. O senhor possui
personalidade incomparável e qualidades transcendentais.
Assim
como o espaço que a tudo interpenetra não é maculado, por causa de sua sutileza,
similarmente, o Espírito que habita o corpo não é maculado por ele (13.32).
O
Espírito está presente em todo o lugar. Ele está presente dentro do corpo, fora
do corpo, bem como ao redor de todo o corpo. Realmente, o Espírito está dentro e
fora de tudo o que existe na criação.
Assim
como o sol ilumina o mundo inteiro, similarmente, o Espírito dá a vida para a
criação inteira, Ó Arjuna (13.33).
De
acordo com Shankara, vemos a criação mas não o Criador por detrás da criação,
devido à ignorância, assim como uma pessoa na escuridão da noite enxerga a cobra
e não a corda que sustenta a falsa noção de uma cobra. Se qualquer outro objeto,
que não o Espírito, parece ter existência, ele é irreal como uma miragem, um
sonho, ou a existência de uma cobra na corda. O monismo absoluto, que nega todas
as manifestações como um sonho do mundo, não é totalmente verdadeiro. De acordo
com os Vedas, Deus é tanto transcendente como imanente num só. A ilustração do
mundo como um sonho é uma metáfora que tem em vista apenas ilustrar certos
pontos, e não deve ser expandida demais ou tomada literalmente. Se o mundo é um
sonho ele é um sonho lindo, realmente, do sonhador cósmico, que deve, também,
ser extraordinariamente lindo.
Alcança o Supremo, quem percebe - com os olhos do auto-conhecimento - a
diferença entre criação (ou o corpo) e o criador (ou o Espírito), bem como
conhece as técnicas de liberação (ver os versos 13.24-25) da entidade viva da
armadilha da divina energia ilusória (Maya; Prakriti) (13.34).
O
Espírito emite o seu poder (Maya) como o sol emite sua luz, o fogo emite seu
calor, e a lua dá os raios refrescantes (DB 7.32.050). Maya é o inexplicável
poder divino do Espírito, que não existe aparte do Espírito, o dono do poder.
Maya possui o poder da criação. Maya também ilude a entidade viva pela criação
da identidade com o corpo, desfrutando dos três modos da natureza material, e
esquecendo-se da sua real natureza como Espírito, a base do universo inteiro,
visível e invisível. A criação é como uma revelação parcial do poder do Espírito
e é chamada de irreal como um sonho do mundo porque ela está sujeita a trocas e
destruição. O barro é real, mas o pote é irreal por causa da existência anterior
do barro ao pote, conquanto o pote existe e depois é destruído.
A
criação é um projeto natural sem esforços dos poderes do Espírito e é, portanto,
sem finalidade (MuU 1.01.07). A atividade criativa do Senhor é um mero
passatempo do divino poder (Maya) sem qualquer motivo ou propósito (BS 2.01.33).
Ela não é nada mais do que uma modificação aparente natural da Sua infinita e
ilimitada energia (E) dentro da matéria (m) e vice e versa (E=mc2 de Einstein)
feito como um mero passatempo. A criação, com efeito, relaciona-se com o
Criador, a causa, como a peça de tecido está relacionada com o algodão. No caso
do tecido, de qualquer forma, o tecedor não está incubado em cada fio do tecido,
mas na criação a causa eficiente e material a mesma coisa, um divino mistério,
realmente! Tudo no universo está conectado com tudo. A criação não é uma
construção mecânica ou de engenharia. Ela é o suprema, o fenômeno espiritual
revelando seu esplendor divino. A criação é feita pelo Senhor, do Senhor e para
o Senhor.
*
Nota do tradutor para o Português:
A
versão do Bhagavad-gita de Ramananda Prasad parte contando do segundo verso
deste capítulo como se fosse o primeiro. Mantive a versão original do autor, e
recebi por um e-mail a resposta de que eu fizesse conforme achasse melhor. No
Bhagavad-gita traduzido por Sua Santidade Swami Sivananda, e em grande parte de
tradutores do mundo, aparece o seguinte verso como sendo o primeiro:
Arjuna Uvaacha: Prakritim purusham chaiva kshetram kshetrajnameva
cha; Etadveditumicchaami jnaanam jneyam cha keshava.
Traduzindo: "Arjuna disse: eu gostaria de aprender sobre a natureza
(matéria) e do Espírito (alma); sobre o campo e o conhecedor do campo, o
conhecimento, e o que deve ser conhecido (13.01)".
Entendi que este verso é necessário para que o leitor não se perca do
enredo do diálogo entre Arjuna e Krishna. Apesar da pequena diferença entre uma
versão e outra, isto não lhe altera o sentido, mas, gostaria que o leitor
soubesse disto para não descaracterizar uma ou outra versão por causa de
detalhes desta natureza.

Dr. Ramananda Prasad (American/ International Gita Society) Translated in Portuguese by. Tradução de Sriman Ojasvi Dasa Vyasa, President, The Divine Life Society Brazil.Bhagavad Gita por Ramananda Prasad © Tradução de Sriman Ojasvi dasa vyasa (Olavo Desimon) Direitos autorais de tradução para língua portuguesa inteiramente reservados ao tradutor. Nenhuma parte desta obra pode ser copiada sem que o autor e tradutor sejam citados.
FONTES:
1.www.casadobruxo.com.br
2.equipe terraespiritual
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