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O
homem prossegue na sua viagem de circunavegação para o seu mundo externo.
Antes, ele enfrentava o mistério dos mares em busca dos tesouros, de terras
novas e de civilizações capazes de atender a sua ânsia de conquistas e de
progresso. Foi assim que os portugueses chegaram ao Brasil, há quinhentos anos.
E hoje temos esta jóia de país, com os seus contrastes, suas belezas e suas
esperanças.
E
foi também assim que outras civilizações se encontraram, se confrontaram e se
abraçaram, enfim reunindo-se no mesmo mapa em que hoje se destacam como nações consolidadas ou em processo de
crescimento. Depois que o homem se familiarizou com o desconhecido dos mares,
as viagens se voltaram para os espaços cósmicos, em busca de outros mundos que
flutuam nas regiões siderais até então indevassáveis.
Trocando
as caravelas pelas naves espaciais, eis que o homem pousa na Lua que os antigos
adoravam como deusa. Mas continuando sua viagem para fora de si, o homem já
projeta o pouso em Marte, o deus da guerra de povos primitivos. Temos hoje mais
do que uma frota de foguetes que o homem lançou no espaço em torno da atmosfera
terrestre para espionar de cima o que ele não consegue vasculhar em baixo.
Senhor
da terra e do espaço, o homem viaja também à enorme velocidade pelas entranhas
das próprias células do seu universo corporal, em busca de conquistar mais
tempo e mais qualidade para a vida. Já começa a se aprofundar nos labirintos do
DNA, num esforço de identificar as futuras doenças para se preservar delas. E prosseguindo
sua viagem em torno de si, o homem tem hoje o mundo dentro de casa, graças aos
milagres da comunicação pela Internet. Com todas essas conquistas fantásticas,
o homem não se conhece ainda porque não fez a grande viagem interior, para
dentro de si pelos caminhos da alma humana.
Por
isso, não descobriu ainda a felicidade. Continua enredado nas teias do egoísmo,
pai do orgulho, que gera a ambição, a injustiça e a violência. Chegamos ao ano
2000 dominando o universo externo das nossas aspirações, mas não conseguimos
ainda navegar os mares revoltos de nossas almas deseducadas, viciadas e
imperfeitas. Sem perder de vista as grandes conquistas materiais nos mares que
nos empurram para a praia das ciências, não podemos negligenciar a grande
viagem para dentro de nós, para que o homem comece a descobrir os valores
nobres da solidariedade e da paz, para uma vivência fraterna – antídoto para a
violência.
Wanderley
Pereira
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