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Este cavalheiro insolente, agressivo, que parece dominador, e que, tomando o
caminho, investe contra os teus direitos, encontra-se gravemente enfermo, não
tendo dimensão do mal que o consome.
Aquela dama, frívola e irreverente, que parece desejar submeter o mundo aos
pés, assinalada pelo excesso de jóias e tecidos caros, tem o coração dilacerado
por terríveis frustrações, que não consegue superar.
Esse jovem rebelde, que desdenha as leis a assoma na tua senda com o cinismo
afivelado à face, padece conflitos íntimos que o vergastam e aos quais não pode
fugir.
Estoutro senhor, de cenho carrancudo a aspecto amargo, que não logra
dissimular a arrogância de que se vê objeto, tem medo de ser conhecido pelas
fraquezas morais que carrega interiormente.
Esta moça, quase despida, que exibe o corpo e a alma ao comércio da luxúria,
invejada por uns e por outros malsinada, viva ralada pela carência de um amor
verdadeiro que a dulcifique e felicite.
O rapaz que expõe o corpo, para o jogo exaustivo dos prazeres fáceis,
símbolo e modelo de beleza, vive aturdido na timidez que o neurotiza, obrigado
a uma exteriorização que o aniquila a pouco e pouco.
No festival dos sorrisos humanos, no banquete dos triunfos sociais a na
passarela da fama as criaturas não são o que demonstram, mas, sim, um simulacro
do que não conseguem tornar-se.
É certo que há exceções, como não poderia deixar de ser, o que mais afirma a
regra geral.
A pobreza andrajosa, a polidez da face de bom comportamento, a voz melíflua,
suave, certamente não significam personalidades humildes e resignadas, a um
passo do triunfo sobre as vicissitudes.
Muitas provêm de incontida revolta, de sentimentos desesperados, de vidas em
estiolamento pela mágoa e pela rebeldia.
Por isto, não julgues ninguém pela aparência, ou melhor, não te arvores a
julgamento algum com desconhecimento da causa reta.
Torna-te tolerante, embora sem conivir.
O problema de cada um, a cada qual pertence.
Sê um momento de esperança para quem te busque, ou uma oportunidade de
renovação para quem te perturbe ou desafie, mantendo-te em paz contigo mesmo em
qualquer situação.
Da mesma forma que o teu exterior não te reflete a realidade interna, os
passantes pelo teu caminho, igualmente, vivem essa dicotomia de comportamento.
Jesus, que identificava a causa das aflições humanas e penetrava o âmago dos
corações, por isto mesmo não julgava, não condenava, não desconsiderava
ninguém.
Seguindo-Lhe o exemplo e exercendo misericórdia para com o teu próximo,
quando, por tua vez, necessites de apoio, não te faltarão o socorro da
compreensão e da amizade que alguém te dispensará.
Franco, Divaldo Pereira. Da
obra: Momentos de Coragem. Ditado pelo Espírito Joanna de Angelis.
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