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Não
deve existir nenhuma interpretação oficial obrigatória, dogmática, da mensagem
de Jesus. Nenhuma instituição humana foi por Ele investida de autoridade
especial ou de procuração particular para interpretar e ministrar com exclusividade
os ensinos do Mestre. Se assim fosse, Jesus teria deixado aos homens não um
código de moral e ética de livre acesso e uso geral de todos os povos, mas um
instrumento particular de força e dominação em poder de grupos privilegiados,
em nome da fé.
A
única autorização que se conhece está explícita nos Evangelhos, através de Suas
próprias palavras quando disse: “Onde houver duas ou mais pessoas reunidas em
meu nome, aí também estarei”. Logo, os ensinos do Cristo não formam compêndio
particular de ninguém, nem a sua interpretação se submete ao espírito de seita
ou de religião em conflitos nas disputas pela pretensa posse das verdades
eternas. Ninguém está proibido de buscar o tesouro moral dos Evangelhos para
partilhá-lo com os necessitados do pão da alma, recolhendo-lhe a interpretação
que melhor assimile os princípios da lógica e da razão nele contidos.
E
a razão nos diz que as lições do Mestre não podem conflitar com o caráter
divino da sua missão. Não se pode abster-se de considerar nelas o fundo moral
de Suas idéias, a essência do Seu pensamento superior formulados em linguagem
inerente à cultura da época e da região. Assim é que em narrativas como a da
Ressurreição de Lázaro, a interpretação não deve se ater à forma literária
própria do evangelista para detalhar o acontecimento. A amplitude psicológica
do episódio em si, os ensinamentos nele sinalizados limitaram a capacidade
interpretativa do escritor que se restringiu mais aos aspectos formais, às
emoções do fato, fruto do nível de percepção.
O
mais importante, porém, nesse episódio como noutros semelhantes, é a leitura
dos sinais embutidos na mensagem. Eles falam mais do que o fato em si. É deles
que devemos recolher, como o garimpeiro na bateia, as pedras preciosas das
verdades do Cristo, em prol da transformação real dos homens. Visto por esse
prisma, o Lázaro das Escrituras somos todos nós que ainda estamos enfaixados
nas próprias imperfeições, imobilizados pela morte da ignorância e da rebeldia,
à espera da ressurreição que não virá enquanto não removermos a pedra que nos
impede a saída de nós. Na ressurreição de Lázaro, Jesus pede que se retire a
pedra para que Lázaro volte à vida. É uma alusão às dificuldades, aos empeços
que criamos a toda hora contra a nossa própria libertação dos males em que nos
enredamos.
Continuamos
retidos por essas pedras que se expressam na forma de dores e sofrimentos,
sepultando-nos sonhos e esperanças. Permanecemos moucos ao chamamento do Cristo
que nos convida a deixar o túmulo das nossas ilusões, desfazendo-se, como
Lázaro, das ataduras da morte que nos paralisa a vontade e nos impede de
acordar para uma vida nova, alçando vôos mais altos pelos espaços infinitos de
nossos anseios de felicidade e paz – rumo à verdadeira vida!
Com
as bênçãos do Divino médico Jesus,
Deocleciano
Pereira, Wanderley. Ditado pelo Espírito Deocleciano.
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