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São
muitos os crentes que gastam tempo e energia em longas e estéreis discussões
sobre a natureza íntima de Jesus e a substância divina dos seus ensinos. Para
uns, o Cristo não passa de um grande mago, de um guru especial enviado por Deus
para passar a uma casta privilegiada de crentes uma receita com fórmulas
milagrosas de felicidade. Para outros, é o próprio Deus encarnado que num dado
momento da criação resolveu abandonar o governo do universo e localizar-se na
pequenina terra, com alguns assessores, para aí criar e chefiar, em carne e
osso, uma religião salvacionista. Há os
que buscam decifrar no Galileu um enigma extra-terrestre, emissário de
longínquas galáxias que viveu disfarçado entre os homens que lhe impuseram o
calvário, alarmados, quando o descobriram. E há também partidários da pesquisa
e da experimentação da fé, mais presunçosos do que sinceros, que altercam,
vaidosos, sobre o corpo etéreo de Jesus, insatisfeitos com a versão do seu
desaparecimento do sepulcro, em Jerusalém. Para estes, Jesus não foi além de um
agênere que teria protagonizado não mais que uma encenação no teatro da Judéia,
pois materializado em corpo fluídico não teria sentido os sofrimentos e dores
que lhe impôs o drama do calvário.
Perdidas
nessa discussão sem resultados práticos, os homens terminam esquecendo o Cristo
verdadeiro que continua vivendo nos fundamentos da sua mensagem, desperdiçando
as oportunidades de se reformarem moralmente pelos seus ensinos e exemplos que
falam da felicidade não como uma graça ou um privilégio sem os méritos do
esforço, mas como uma conquista paulatina que requer suor, sacrifício e
renúncia, da qual a cruz é o símbolo, e o calvário, o caminho. Até hoje há os
que duvidam da real existência de gênios como Sócrates e Shakespeare,
simplesmente porque não conseguem aceitar a idéia de que criaturas especiais
como eles possam ter encarnado personalidades tão sábias, mas também tão
simples e tão puras, como se revelam nas suas obras. No entanto, são obras que
continuam vencendo o tempo e aumentando o número dos seus admiradores,
independentemente dos quês acreditem ou não terem eles existido como homens.
Os
crentes precisam considerar acima de todas as discussões as obras de Jesus.
Nelas o seu espírito superior se revela com toda a sua sabedoria e
simplicidade. O importante não é interpretá-lo do ponto de vista da ciência
acadêmica nem dos dogmas políticos. O mundo não precisa de um Jesus
tecnológico, precisa sim dos seus ensinamentos, de forma a colocar em prática
aquilo que se constitui o mais perfeito código de moral e ética que é o seu
Evangelho. Os espíritos advertem sobre a ação solapadora de falanges que lutam
contra a consolidação do Espiritismo que esclarece e liberta os homens dos
males que os escravizam. Para tanto recorrem à vaidade do falso espírito de
ciência, tentando sufocar no coração dos espíritas sinceros as sementes da fé
simples e verdadeira. Fomentam a linguagem metodológica de comparação e
pesquisa no exame dos fatos mais elementares da doutrina, exaltando os rótulos
para subestimar a essência. Na questão 104 de O Livro dos Espíritos, Allan
Kardec fala dos espíritos pseudo-sábios, “que crêem saber mais do que realmente
sabem”. Cuidado porque eles costumam colorir erros absurdos com verdades
aparentes. A ciência sim, mas não o espírito científico presunçoso que
desfigura a interpretação do Evangelho. Lembremos que em mensagem no Capítulo
VI, item 5, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, o Espírito de Verdade coloca
o amor como primeiro ensinamento da Doutrina e o conhecimento, como segundo. A
ciência sem amor é como o cérebro sem o coração num corpo vazio de sentimentos.
Com
a paz de Jesus, o Mestre em amor.
Pereira, Wanderley. Ditado pelo Espírito Deocleciano.
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