|
Não passes distraído, diante da dor.
Nesses semblantes, que o sofrimento descoloriu e nessas vozes
fatigadas, em que a tortura plasmou a escala de todos os gemidos,
Jesus, o nosso Mestre Crucificado, continua incompreendido e
desfalecente...
*
Nessas longas multidões de aflitos e infortunados, encontrarás a nossa própria família.
*
Quantos deles albergaram esperanças, iguais àquelas que nos
alimentam os sonhos, sem qualquer oportunidade de realização? Quantos
tentaram atingir a presença da luz, incapazes de vencer a opressão das
trevas?!...
*
Essas crianças, caídas no berço da angústia, esses enrugados
velhinhos sem ninguém, essas criaturas que a ignorância e a provação
mergulharam no poço da enfermidade ou no espinheiro do crime, são
nossos irmãos, à frente do Eterno Pai!...
*
Estende-lhes tua alma, na dádiva que possas oferecer, guardando a
certeza de que, amanhã, provavelmente, estarás também suspirando pelo
bálsamo do socorro, na bênção de um pão ou na luz de uma prece amiga!
*
Recorda que as mãos, hoje, por ti libertadas dos grilhões da
penúria, podem ser aquelas que, amanhã chegarão livres e luminosas, em
teu auxílio!...
*
Ao pé de cada coração desventurado, Jesus nos espera, em silêncio.
*
Socorre, pois, meu irmão, e na doce melodia do bem, ainda mesmo que
dificuldades e sombras te ameacem a luta, ouvirás, no imo do coração, a
voz do Divino Mestre, a encorajar-te, paciente e amoroso: “Tem bom
ânimo! Eu estou aqui”. * * * Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Caridade. Ditado pelo Espírito Meimei. 1978. |