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O nome filosofia vem do grego
e significa “amor à sabedoria”. A Filosofia, segundo o novo Dicionário Aurélio,
“é um estudo que se caracteriza pela
intenção de ampliar incessantemente a compreensão da realidade (...)”.
O filósofo era na antiguidade
o representante da busca pelo saber. E o que ele estudava? No entender dos
filósofos: “tudo”. A Filosofia é um
estudo que tem por finalidade ampliar o nosso conhecimento da realidade, e tem
por objeto de estudo o homem e o universo. A diferença entre a Filosofia e a
Ciência é que enquanto a Ciência busca conhecer muito sobre um tema específico,
a Filosofia avalia toda uma vastidão de conhecimentos para encontrar uma
síntese desses fenômenos. A Filosofia pode também ser diferenciada pelo
instrumento de pesquisa, pelo método e pela finalidade.
Enquanto a Ciência utiliza-se dos mais
variados instrumentos, como, telescópios, microscópios, computadores, etc. A
Filosofia utiliza basicamente a razão, o raciocínio puro, como instrumento de
pesquisa da verdade.
O método em sua essência se
utiliza da indução e da dedução. O primeiro, através dos fatos, descobre os
princípios primeiros; o segundo ilumina os fatos com os princípios primeiros,
para compreendê-los melhor.
A Filosofia não está voltada
para fins práticos como a Ciência. Ela tem como único objetivo o conhecimento e
por extensão, a verdade em si mesma.
Apesar de todas as coisas
serem suscetíveis de pesquisa filosófica, alguns problemas são de preferência,
estudadas pela Filosofia: a Lógica (se ocupa do problema da exatidão do
raciocínio); a Epistemologia (o valor do conhecimento); a Metafísica (do
fundamento último das coisas em geral); a Ética (a origem e natureza da lei
moral, da virtude e da felicidade); A Teologia (da existência e natureza de
Deus e das relações com os homens); a Estética (do problema do belo e da
natureza e função da arte); e a Axiologia (o problema dos valores); Cosmologia
(a constituição essencial das coisas materiais, da sua origem e de seu devir).
As teses fundamentais que
integram a Doutrina Espírita encontram-se no “O Livro dos Espíritos”, as quais podem ser identificadas com as
principais categorias filosóficas.
A Filosofia Espírita apesar
de se encaixar dentro dessas categorias, não é propriamente um saber clássico.
Em muitas de suas facetas ela é um assunto novo e vibrante. Primeiramente, o
Espiritismo aborda um Universo dual, com um componente material e outro
espiritual. Com isto se abre diante de nós toda uma gama de possibilidades de
estudo. Neste Universo espiritual habitam espíritos, que são criados simples e
puros, para evoluírem e aprenderem com seus próprios erros e experiências,
trilhando um longo caminho até compreender a relação entre Deus e o Homem, alcançando
uma harmonia entre o conhecimento, a moral e a inteligência. O espírito e o
espiritual, certamente não fazem parte desta filosofia tradicional, por isso
podemos falar de uma nova filosofia que se nos mostra: “a Filosofia Espírita”,
possuidora de uma cosmologia, uma metafísica e uma ética próprias, apesar de
baseada na ética cristã.
Para Jon Aizpúrua (2000) o
Espiritismo é:
-
Uma filosofia
deísta, porque reconhece a existência de Deus como força inteligente e causa
primária de todas as coisas;
-
Uma filosofia
espiritualista, porque afirma a existência do espírito como princípio
independente da matéria, assim como sua sobrevivência após a morte;
-
Uma filosofia
evolucionista, porque admite que a evolução é a lei que rege o Universo,
presidindo todas as transformações, tanto de ordem física como de ordem
espiritual;
-
Uma filosofia
científica, uma filosofia racionalista e humanista, porque coloca o ser humano
e as suas necessidades no centro de suas atenções.
Devemos nos lembrar que a
Filosofia Espírita não é um alimento somente para o intelecto, mas também para
a alma que sente e sofre, que presencia a alegria mas às vezes sucumbe à
tristeza. Lembremos o que disse Kardec (1995, p.483):
“Mesmo os que nenhum fenômeno têm testemunhado, dizem:
à parte esses fenômenos, há a filosofia, que me explica o que NENHUMA OUTRA me
havia explicado. Nela encontro, por meio unicamente do raciocínio, uma solução racional para os problemas que no mais alto
grau interessam ao meu futuro. Ela me dá calma, firmeza, confiança; livra-me do
tormento da incerteza. Ao lado de tudo isto, secundária se torna a questão dos
fatos materiais.”
Jorge
Cordeiro
Bibliografia:
Aizpúra, Jon (2000). Os
fundamentos do espiritismo. São Paulo, CEJB.
Ferreira, Aurélio (1999). Novo Aurélio – século XXI. Rio
de Janeiro, Editora Nova Fronteira.
Kardec, Allan (1995). O Livro
dos Espíritos. Rio de Janeiro, FEB.
Mondin, B. (1987). Introdução
à Filosofia. São Paulo, Edições Paulinas.
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