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 Eurípedes Barsanulfo

 

 

  

Em 1º de Maio de 1.880, nasceu em Sacramento, Minas Gerais, um exemplo de amor ao próximo, o Dr. Eurípedes Barsanulfo, cujo nome esta Fraternidade homenageia e sob cuja tutela se coloca. Dr. Eurípedes foi a personificação da caridade e da bondade.

Recordemos alguns traços de sua biografia.

Espírito evoluído afeiçoa-se a todos, e seu coração era uma fonte de compaixão, daí ter recebido o cognome de “Apóstolo do Triângulo Mineiro”.

Foi jornalista, vereador, professor e secretário da Irmandade de São Vicente de Paulo, mantendo esse ritmo até os 25 anos de idade (1.905), ocasião em que a espiritualidade lhe enseja um encontro com o Espiritismo.

A primeira obra espírita com a qual teve contato foi “Depois da Morte”, de Léon Denis, que provocou nele drásticas alterações íntimas. Aceitara os princípios espíritas sem lhes opor barreiras. Alguns dias depois, no lugarejo de Santa Maria, na residência do seu tio, Sr. Honorato Ferreira da Cunha, as suas convicções se consolidaram ao receber uma mensagem do Dr. Bezerra de Menezes, através do médium Mariano da Cunha, seguida de outra ditada pelo espírito de São Vicente de Paulo, que se confessava ser seu mentor.

Ato contínuo comunica-se com o Padre Maia, informando que deixara a fé católica, fato que lhe valeu a alcunha de “endemoninhado”.

Fundou o Colégio Allan Kardec em 1907, em uma região onde os recursos eram precários, e a maioria dos estudantes não tendo recursos, recebiam educação gratuitamente. Dr. Eurípedes lecionava várias matérias.

Fundou, ainda, a Farmácia, onde preparava remédios, a maioria psicografados por Dr. Bezerra de Menezes, distribuídos pelo Brasil inteiro, para a cura e o alívio de muitos doentes. Dr. Eurípedes era um auto – didata, e não tinha curso superior.

Médium, com diversas mediunidades, realizou as primeiras operações cirúrgicas sem anestesia da História do Espiritismo no Brasil.

Foi processado pelo exercício ilegal da Medicina, mas seu processo prescreveu, por não encontrar juiz que o quisesse condenar.

No Grupo Espírita Esperança e Caridade, com sua mediunidade curadora, não poupava esforços em assistir os enfermos, e, por isso, a cidade humilde de Sacramento, tornou-se famosa. Nela desembarcavam diariamente, centenas de enfermos, a maioria trazida em velhas carroças puxadas por bois ou no lombo de animais de carga.

Seus alunos, vindos de todas as partes da região, tornaram-se grandes propagadores do Espiritismo, tendo um deles, inclusive, fundado uma cidade no interior de Goiás, o Sr. Cândido Gomide, a cidade de Palmelo.

Em 1.918, lutou bravamente contra a gripe espanhola, que atingiu todo o Brasil, inclusive Sacramento. Atendeu gratuitamente centenas de pessoas, e acabou em 1º de Novembro de 1.918, por desencarnar, com suas forças esgotadas, com apenas 38 anos de idade.

Muitas foram as homenagens “post-mortem”, inclusive um busto erguido no Pátio do Colégio Allan Kardec, com o agradecimento de toda a família espírita de Sacramento. Morreu pobre, não deixou bens, nem herdeiros. Sua vida foi dedicada à pobreza, com quem se “casou”.

Algumas anotações

 

01. Nasceu em Sacramento, MG, em 01/05/1880.

02. Desencarnou em Sacramento, em 01/11/1.918, com pouco mais de 38 anos.

03. Filho de Hermógenes de Araújo “seu Mogico” e de Jeronima Pereira de Almeida “dona Meca”.

04. Terceiro filho de numerosa família mineira de 15 irmãos.

05. Fisicamente franzino, teve uma infância muito pobre.

06. Sua mãe era o centro de sua atenção, e por sofrer insidiosa enfermidade com crises periódicas constituía sua maior preocupação, apesar da pouca idade.

07. Já demonstrava grande interesse e respeito pelos mais velhos, relato nos informa que cuidava de uma tia, também muito doente, até seu decesso.

08. Freqüentou a escola primária do sr. Joaquim Vaz de Melo, onde rapidamente aprendeu a ler e a fazer contas.

09. Morou com a família durante algum tempo na vila da Estação do Cipó, da Estrada de Ferro Mogiana.

10. Quando retornou a Sacramento ingressou no Colégio Miranda que lá se instalara, sob a orientação do prof. João Darwil de Miranda e do prof. Inácio Gomes de Mello. Tornou-se brilhante aluno, e foi promovido a instrutor de turmas e finalmente professor.

11. Seu interesse pela Medicina vinha da primeira infância, lembra-se que em 1.889, com apenas 9 anos de idade, numa consulta que sua genitora realizara no consultório do dr. Onofre Ribeiro, na sala de espera, ficou lendo com atenção diversos livros de Medicina da época.

12. A infância e a juventude foi de pessoa religiosa e cumpridora de suas obrigações para com o catolicismo, que seguia com devoção.

13. Ajudava o pai na contabilidade de suas lojas no comércio, e todos seus recursos iam para ajudar no sustento da numerosa família, e quando não para socorrer pessoas carentes.

14. Ainda jovem ajudou a fundar o Grêmio Dramático Sacramentano, onde figurou como ator e eram apresentadas diversas peças clássicas.

15. Em 1.901 seguiu para o Rio de Janeiro, com o pai para se informar e procurar matricula na escola preparatória de medicina da marinha. Mas de retorno a Sacramento desiste da idéia pelo estado de saúde de sua mãe.

16. Eurípedes tornou-se um autodidata, e aprendeu nos livros aquilo que não pode fazer nas faculdades. Desenvolveu amplos conhecimentos da língua francesa, do latim, apegou-se a Geografia e Astronomia, adquiriu  muitos conhecimentos de Farmácia e Medicina da época.

17. Eurípedes era um grande amigo da leitura, tratava com grande respeito os velhos e as crianças e se via brotar nele as qualidades que o transformariam no grande missionário que foi.

18. Graças a sua grande memória, participava de encontros culturais, onde era dado a declamação de longos e belos poemas, a todos impressionando pela sensibilidade e arte que apresentava.

19. Mas, tinha uma preocupação obsedante, obter a cura de sua mãe, que já percorrera vários médicos, com diferentes diagnósticos, uns diziam-na epilética, outros, histérica, tornando-se Eurípedes um enfermeiro voluntário da mãe em suas crises.

20. Tornou-se amigo de Ormênio Gomes, que vindo a residir em Sacramento trouxe para lá preciosa biblioteca de livros homeopáticos, a qual  teve acesso e absorveu vasta informação.

21. Além da motivação da doença de sua mãe, o coração piedoso de Eurípedes queria ajudar os mais pobres, pois, naquela época, médicos eram um luxo que poucos poderiam se dar.

22. Eurípedes nunca faltou a um compromisso e nas reuniões era sempre o primeiro a chegar.

23. Para ele, brancos e pretos, velhos e crianças, pobres e ricos eram todos iguais, e a todos tratava por ‘senhor’, ‘senhora”, inclusive os próprios irmãos.

24. Essa dignidade transparecia em seu modo de trajar, usava sobrecasaca que lhe descia até os joelhos, colarinho alto, gravata borboleta, chapéu coco.

25. Moço culto, educado e bem apessoado, evidentemente falavam de casamento, e ele respondia: “casar, não posso, estou casado com a pobreza”.

26. Antes de completar 20 anos, era co-fundador da irmandade de São Vicente de Paulo, já possuía pequena farmácia e visitava os lugares pobres de Sacramento, levando alimentos, remédios, roupas, palavras de estímulo e orientação.

27. Aos 21 anos lançou a ‘Gazeta de Sacramento”, e como jornalista tinha a esperança de ajudar o povo culturalmente, e abrir um espaço aos interessados nas letras e informações.

28. Aos 22 anos, com ilustres figuras da cidade, fundou em 31 de janeiro de 1.902 o “Liceu Sacramentano”, onde se tornou professor de diversas matérias, entre elas o Francês e Geografia.

29. Após muita relutância, aceitou e se tornou vereador em 1.902, ocupando então 04 postos, com grande carga de trabalho: jornalista, professor, vereador e secretário da Irmandade de São Vicente de Paulo. Foi vereador até 1.910, quando renunciou a uma prorrogação de mandato por discordar do autoritarismo do então presidente do estado de minas gerais.

30. Sua vida se manteve neste ritmo até os vinte e cinco anos de idade, 1.905, quando a espiritualidade marcava seu encontro com a doutrina espírita.

31. Antes de sua conversão, alguns parentes seus realizavam sessões mediúnicas em Santa Maria, a 14 km. de sacramento. As reuniões eram realizadas na casa do sr. Honorato Ferreira da Cunha (tio de Eurípedes). Ali, em 28 de agosto de 1.900, foi fundado o Centro Espírita “Fé e Amor”. Vários médiuns notáveis trabalhavam a serviço do povo, com passes e remédios homeopáticos, através de receitas, psicografia, etc. Eurípedes sabia disso, mas dava pouca importância.

32. Entre os freqüentadores do centro havia porem um ao qual dr. Eurípedes tinha a maior estima, seu tio, Mariano da Cunha Junior, que antes de espírita havia sido materialista.

33. Numa visita à casa de Eurípedes o sr. Mariano emprestou um livro ao mesmo: “Depois da Morte”, de Leon Denis, ao qual Eurípedes deu uma rápida olhada e logo se interessou.

34. Leu a noite toda, impressionou-se com o estilo fluente, surpreendeu-se com as revelações espirituais e por ver algumas de suas dúvidas serem discutidas com naturalidade, fluência e sabedoria pelo autor.

35. Ganhando o livro do tio, leu mais demoradamente e consolidou sua impressão. Conceitos sobre a vida e a morte, a reencarnação, o destino do ser humano após a morte, tudo isso abalou sua alma estudiosa e sequiosa de conhecimentos.

36. A primeira sessão mediúnica que eurípedes assiste é em Santa Maria, e através do seu tio Mariano, em transe, ouve as primeiras e inesquecíveis palavras do dr. Bezerra de Menezes, que o saúda alegremente. A seguir, noutra incorporação ouve, Eurípedes, surpreso, uma comunicação do seu espírito protetor, São Vicente de Paulo, que lhe faz revelações de seu passado espiritual e da nova missão que deveria desempenhar a partir de agora. Vicente de Paulo o aconselha deixar a Irmandade Vicentina e se afastar da Igreja Católica, abraçando o Espiritismo.

37. Noutra incorporação Eurípedes, através de um médium humilde, ouve uma mensagem em francês, esclarecendo-o sobre o sermão da montanha, de Jesus, identificando-se o Espírito como João Evangelista.

38. Finalmente o próprio Eurípedes sofre o desdobramento de sua mediunidade e recebe as revelações de sua missão: caridade e cura.

39. Estes acontecimentos espíritas tocaram profundamente a alma de Eurípedes, e em companhia de seu tio, Mariano, vai visitar Carlos, o leproso, a quem abraça comovidamente, desfazendo antigo preconceito contra a doença.

40. O retorno a Sacramento marca mudanças na vida de Eurípedes: possuído de nova fé, tem que enfrentar o Padre Maia, e a própria família, católica praticante. Mas, com toda serenidade afasta-se da Irmandade Vicentina, suportando toda a pressão, e ao comunicar o fato à sua mãe, ela cai, em nova crise. Neste momento Eurípedes percebe que a doença de sua genitora era obsessão, pois vê o espírito que a perturba. Em companhia de seu tio Sinhô (Mariano da Cunha) evoca tal espírito e ao afastá-lo de sua mãe consegue a cura tão pretendida de uma doença antiga.

41. Inicia Eurípedes suas pregações públicas no bairro da Zagaia, falando aos pobres e enfermos. Sua voz crescia e o povo o ouvia comovido comunicar as grandes novas do espiritismo.

42. Como era esperado, cresceu contra ele uma campanha de descrédito, promovida pelos religiosos, seus antigos companheiros da igreja e da irmandade.

43. Na noite de 27 de janeiro de 1.905, fundava em sua residência o Grupo Espírita Esperança e Caridade, onde se realizaria grande trabalho de doutrinação e esclarecimento de espíritos endurecidos, ocorrendo cura para muitas pessoas perturbadas.

44. Amplia eurípedes o trabalho de sua farmácia, passando a atender intensivamente e gratuitamente a população local e pessoas vindas de outros locais. Pela mediunidade recebe de dr. Bezerra de Menezes grande receituário,  promovendo o completo restabelecimento de muitos doentes. Sob a supervisão do mesmo Bezerra realiza as primeiras cirurgias, sem assepsia previa ou anestesia, e tudo isso é, uma resposta à campanha difamatória da Igreja local.

45. Forçado a sair do Liceu Sacramentano, e renunciando a vereança, volta-se inteiramente para as atividades espíritas.

46. Em março de 1.907, fundou o Colégio Allan Kardec, que se tornaria com o tempo modelar instituição de ensino, oferecendo aos estudantes pobres de sacramento e região uma nova opção. O ensino ia do primário ao colegial, oferecendo metodologia moderna e eficiente. Visitado e inspecionado por autoridades de ensino, ganhou elogios e citações favoráveis. Eurípedes mostrava-se com um grande educador. Adotou o método de Pestalozzi, como grande novidade para aquele tempo.

47. Ia se delineando a missão de Eurípedes nos seguintes campos:- educacional, médico e farmacêutico, e como espírita nas atividades do grupo de desobsessão, transformando sacramento num centro de tratamento de doenças mentais, e trabalhando como médium e divulgador da doutrina.

48. Cartas do Brasil inteiro, solicitando receituário e remédios chegam a Sacramento e Eurípedes completa o ciclo de suas mediunidades com psicografia, psicofonia, vidência, clauri-audiência, bi-corporiedade, transporte e cura.

49. A farmácia torna-se núcleo de assistência de centenas de necessitados, e é mantida pela ajuda de alguns idealistas, pois não há cobrança aos enfermos.

50. Jorge Rizzini, cita em livro, mais de 35 casos autênticos de pessoas operadas por Eurípedes com instrumentos cirúrgicos rudimentares e até improvisados. Eurípedes fica famoso por assistir centenas de partos, inclusive casos de gravidez de alto risco, em que usando os recursos que o plano espiritual coloca ao seu dispor, preserva a saúde das mães e presencia o nascimento de muitos bebês sadios.

51. Sofre Eurípedes, intensa campanha dos padres contra o seu trabalho, e suas idéias espíritas o levam a enfrentar em praça pública um debate com o famoso padre jesuíta Yague, de Campinas, a quem trata respeitosamente. Este debate foi assistido por mais de 2.000 pessoas, e Eurípedes tratou de convencer o povo que o assistia que o Espiritismo nada tinha de diabólico ou ateu.  Sai,   apesar   de   sua   humildade, Eurípedes carregado pela multidão, ficando o tal padre Yague em grande desconforto pela habilidade da argumentação de seu opositor.

52. Pela imprensa, sustenta polêmica sobre a natureza de Deus e Jesus, esclarecendo seus leitores que eram pai e filho, ao contrário do dogma da “santíssima trindade”.

53. Em abril de 1.917, chega a Sacramento, de Igarapava, o Cel. Azarias Arantes, que acometido de grave enfermidade, foi completamente curado pelo dr. Bezerra através de Eurípedes. A retumbância desta cura e todas as outras levaram algumas pessoas a promoverem contra o médium indecoroso processo penal.

54. Sofre Eurípedes o processo por exercício ilegal da Medicina, o qual causa grande apreensão e sofrimento para os espíritas de Sacramento. Mas depois de um ano de idas e vindas, não encontrando juiz que o queira julgar, o tal processo é arquivado e o réu “impronunciado”.

55. Durante o processo recebe Eurípedes o apoio de muitos homens ilustres e inclusive de outros estados. A prescrição do processo é festejada em Sacramento com um enterro simbólico do mesmo, na noite de 9 de maio de 1.918.

56. Chegamos a 1.918, e a gripe espanhola chega a Sacramento, fazendo inúmeras vítimas e sobrecarregando o trabalho de Eurípedes e da farmácia.

57. Esgotado materialmente, acometido da mesma gripe, em 1o. de novembro de 1.918, retorna Eurípedes ao plano espiritual após 38 anos de vida produtiva.

58. A missão de Eurípedes e seus reflexos para o movimento espírita podem ser sentidos nas palavras de Zeus Wantuil no livro ‘grandes espíritas do Brasil’:-

‘Eurípedes foi um trabalhador esforçado, foi um dos maiores espíritas do estado de minas gerais... E o povo em peso, chorando, acompanhou seus despojos mortais ao cemitério.”

59. O apóstolo do triangulo mineiro, como foi cognominado pelo jornal “Lavoura e Comércio”, de Uberaba, fez o seguinte comentário: “foi o apóstolo do bem, ao seu lado nenhuma lágrima ficou sem consolo e, sem bálsamo, dor nenhuma...”.

60. Em 1.929, 1o. De maio, os espíritas de Sacramento inauguraram no jardim do Colégio Allan Kardec, uma herma em memória do grande benfeitor Eurípedes Barsanulfo, tendo o Juiz de Direito da Comarca  de Sacramento, dr. Francisco Candido da Gama Júnior, proferido na ocasião, como orador oficial da festa, um belo e emocionante discurso.

61. Muitos ex-alunos do colégio compareceram com ilustres espíritas de outros estados àquela festa do coração, destacando, em vibrantes e sentidas orações, a personalidade valorosa do homenageado.

62. Sobre um pedestal de granito, cor rosa, repousa o busto em bronze do saudoso companheiro, de autoria do escultor italiano Prof. Armando Zago, inscrita em letras de bronze a seguinte frase: “à Eurípedes Barsanulfo, homenagem da família espírita”.

63. Mas, Eurípedes, continuou no plano espiritual a sua obra. Narram-se vidências e as curas de pessoas doentes continuaram, marcando manifestações de seu espírito.

64. Francisco Candido Xavier, em algumas ocasiões psicografou mensagens de eurípedes, revelando o mesmo o carinho e o brilho de suas atividades no plano espiritual, onde continua ativo educador e orientador. Muitas obras foram construídas em seu nome, como lares infantis, sanatórios, centros espíritas, mocidades, e em seu nome se distribuem alimentos, remédios, assistência material e espiritual.

65. Os seguidores de Eurípedes se espalharam pelo Brasil inteiro e muitas obras se ergueram em homenagem ao seu nome. Em sacramento mesmo no ano de 1.959 (1o. De maio) deu-se a inauguração do Lar de Eurípedes, instituição destinada ao  amparo   de   crianças,   quando     o espírito de Eurípedes, pela mediunidade de Chico Xavier psicografou a seguinte mensagem:-

“Senhor Jesus!

Esta é a casa que nos deste por tua benção.

Ajuda-nos a encontrar dentro dela, não apenas um abrigo de pedra e cal, mas acima de tudo, o teu próprio coração em forma de lar, pulsando de amor.

Construíste-nos um santuário.

Clareia-nos a fé.

Ergueste-nos uma escola.

Conduze-nos a lição.

No trabalho, sê nosso guia.

Em nossa debilidade, sê nossa força.

Ante o esplendor desta hora que só a ti pode ser tributada, debalde procuro palavras para exprimir-te gratidão, porque encontro apenas as lágrimas de alegria que me vertem do peito. ...

E quanto a mim que sou, nesta casa, o último dos últimos servos a quem tudo tens dado e que nada te deu ainda, trazido pelos amigos para algo dizer-te, não tenho outro recurso senão lembrar o cego de Jericó e rojar-me diante de tua bondade e de tua glória, a fim de pedir-te em pranto:

- “senhor, que eu veja!

Que eu veja a tua vontade para que eu saiba servir.”

 

Enviado por: Adalgiza Pacheco

 

Eurípedes Barsanulfo

 

“As obras, ou seja, o produto da atividade construtiva do homem representa assim o testemunho de sua fé racional em si mesmo, no seu próximo, na humildade, no futuro e em Deus”.

(Allan Kardec).

 

            Eurípides Barsanulfo conhecido carinhosamente como “O Apóstolo da Caridade”, nasceu na cidade de Sacramento estado de Minas Gerais, a 1º de maio de 1880, e aí faleceu a 1º de novembro de 1918, com 38 anos de idade. Foram seus pais Hermógenes Ernesto de Araújo e Jerônima Pereira de Almeida, a principio pobríssimo de haveres materiais, mais riquíssimos de virtudes cristãs, as quais enchiam o lar honrado de alegria e paz. Nos fins do século que se passou a pequenina cidade de Sacramento, mal despontava para o progresso. A estação da estrada de ferro Mogiana (mais conhecida como estação do Cipó), distava quatorze quilômetros do centro. Para Uberaba e Franca se fazia necessário uma viagem a cavalo que durava horas a fio. O comércio era precário e as mercadorias, era transportada a cidadezinha de Sacramento em carros atrelados a boi, esse percurso durava uma imensidão, cabendo ao comerciante uma despesa alta cujo valor na época chegava a cifra de dez réis por quilos. Como todas as pequenas cidades faltavam-lhe infra-estrutura e a presença de um médico José Onofre Muniz Ribeiro coroava com o bom atendimento do profissional de saúde que visava mais a caridade, do que fazer fortuna com a profissão. A combinação perfeita médico e farmácia (Manoel Gordo o proprietário) de um para uma. Com o falecimento de Manoel seu filho Clemente assumiu as rédeas da direção da fornecedora de medicamentos da cidade. Duas parteiras se revezavam na arte de fazer nascer ou ajudar no nascimento das novas crianças que iriam somar-se as demais do pequeno lugarejo. Um acidente fatal foi à causa do fechamento da farmácia, o senhor Clemente queimou-se com álcool e desencarnou.

            A vida em Sacramento era pacata como eram as pequenas cidades interioranas. Foi neste ambiente de tranqüilidade e pobreza que nasceu e viveu Eurípides Barsanulfo, coincidentemente com o dia do trabalho. Logo que Pôde manifestar os nobres sentimentos de que era dotado, revelou-se um menino admirável pela sua inteligência precoce, pela sua dedicação ao trabalho e ao estudo. Sua juventude não foi excepcional apesar de seus dotes, muito jovem ainda, teve de enfrentar as vicissitudes do lar, promovendo os meios de auxiliá-lo. Cresceu e viveu sempre ao lado de seus progenitores, para os quais foi um verdadeiro arrimo. No Colégio Miranda onde estudou, auxiliava os professores, lecionando os seus condiscípulos, e tal era a sua inteligência ou queda para os estudos e o magistério que se tornou o professor de seus próprios irmãos. João Derwil Miranda era o dono do colégio e gostava muito de seu discente Barsanulfo. Era dedicado aos livros e a leitura, os mestres não escondiam a admiração que tinham por seu talento e pelo caráter reto do jovem estudante. De tudo queria saber e foi através dessa curiosidade que em poucos anos conseguiu uma sólida e primorosa cultura. Trabalhou como guarda-livros no escritório de seu pai. Em janeiro de 1902, com seus professores, Dr. João Gomes Vieira de Melo, Inácio Martins de Melo, e com seu colega José Martins Borges, secundado por outros elementos, fundou o Liceu Sacramento, instituto de ensino primário e secundário, onde exerceu a cátedra, por cinco anos seguidos, com raro brilhantismo, lecionando quando se fazia necessário, todas as matérias do curso. Redigiu sempre aos domingos a “Gazeta de Sacramento”, hebdomadário por dois anos.

Fez sua estréia como jornalista, escrevendo artigos sobre economia política, direito público, métodos educacionais, literatura e filosofia. Foi colaborador de outros jornais. Além desses atributos era autodidata em medicina e direito. Gostava de astronomia, filosofia, matemática, ciências físicas e naturais, literatura, com a mais extraordinária segurança e sem possuir nenhum diploma de curso superior. Voltando ainda a adolescência, Eurípides viveu-a, assim, dentro de um clima sadio, jamais participou de ruidosa boemia dos jovens. Nunca fumou e jamais experimentou bebidas alcoólicas. A par da aguda inteligência, tendo sob sua responsabilidade a formação cultural de seus irmãos, era Barsanulfo também dotado de uma bondade comovedora; bondade banhada de religiosidade. Extravasava seu sentimento religioso na igreja, onde ajudava aos domingos o padre Paixão na parte Litúrgica e entre as famílias paupérrimas de Sacramento distribuído palavras de fé e consolo; e a maior parte do salário que percebia de seu pai. Espírito evoluído afeiçoava-se a todos; inclusive, aos animais e pássaros. Seu coração era uma fonte de bondade, e nesta frase não entra o menor resquício de exagero! Para que se tenha uma idéia de sua sensibilidade afetiva, narremos um fato como ilustração.

O jovem Eurípides possuía no quintal um belo pássaro: um mutum, muito manso e que vivia solto. Um dia, ele voou para o quintal do coronel José Afonso de Almeida, que o matou com um tiro no peito e o comeu. Mais tarde, sabendo que o pássaro era de propriedade de Eurípides Barsanulfo, o coronel procura-o, a fim de desculpar-se. Eurípides recebeu a noticia com água nos olhos. (Sempre afirmava casar não posso, pois já estou casado com a pobreza, Foi co-fundador da Irmandade de São Vicente de Paulo; instituição católica com objetivo de ajuda aos pobres). A sua juventude foi luminosa e bondosa. Converteu-se ao Espiritismo, mas antes alguns parentes seus já realizavam sessões mediúnicas em Santa Maria, lugarejo que distava quatorze quilômetros do centro de Sacramento, uma região montanhosa com terra vermelha e algumas casas rústicas. As sessões eram realizadas na casa de seu tio Honorato Ferreira da Cunha situada na fazenda Santa Maria, de propriedade do capitão Joaquim Gonçalves de são Roque e sua esposa Ana Petronilha de Araújo; tios de “seu” Mogico e, pois, tios-avós de Eurípides. Espírito livre, talhado para os grandes surtos da espiritualidade, era fatal o abandono futuro da religião que recebera no berço.

E, assim certo dia, tendo conhecimento de espantosas curas realizadas no campo do Espiritismo, resolveu saber o que de verdade havia nesses relatos. Como seus parentes já estavam na doutrina, rumou para ali, no propósito de investigar os fatos. A tipologia foi o fenômeno que mais observou, comunicações de altas expressões filosóficas, curas maravilhosas, estudaram-as cuidadosamente como fez Allan Kardec, e, de volta, à sua terra natal, trouxe consigo as obras Kardequianas, que o levaram, afinal em 1905, a converter-se ao Espiritismo. Tornou-se o maior propagandista naquela região do estado de Minas Gerais. Durante 12 anos e sete meses foi presidente do Grupo Espírita Esperança e Caridade por ele fundada. Dependendo deste Grupo, surgiu em dois de abril de 1907 o magnífico e grande Colégio Allan Kardec, cuja matrícula chegou a 200alunos. Existem muitos enobrecedores desta grande figura do Espiritismo no Brasil, narrar todos os fatos precisaríamos construir uma grande enciclopédia. Em abril de 1917, chegou a Sacramento, de Igarapava, o coronel Azarias Arantes, acometido de grave enfermidade, a qual foi radicalmente curada pelo Espírito Bezerra de Menezes, servindo de médium Barsanulfo.

A retumbância dessa cura levou algumas pessoas interessadas no combate ao Espiritismo, a moverem contra o médium um indecoroso processo penal por exercício ilegal da medicina. Acabou sendo arquivado e prescrito, por que o juiz queria pronunciar o caridoso Barsanulfo. Foi grande o delírio e entusiasmo que o povo de Sacramento realizou a nove de maio de 1918. Trabalhador esforçado foi um dos maiores espíritas do estado de Minas Gerais. No dia 1º de novembro de 1918, falecia em sua cidade natal, vítima de pandemia de gripe. O povo, em peso, chorando, acompanhou os despojos mortais ao cemitério. “Cognominado O “Apóstolo do Triangulo Mineiro” sobre ele assim se externou a “Lavoura e Comércio de Uberaba:” Foi o apóstolo do Bem: ao seu lado nenhuma lágrima ficou sem consolo e, sem bálsamo, dor nenhuma”. “O Borá”, folha que se publicava em Sacramento, deu, em seu número de 17 de novembro de 1918, excelente notícia sobre a personalidade do respeitado e benemérito sacramentano. Em 1929, 1º de maio, os espíritas de Sacramento faziam inaugurar, no jardim do colégio “Allan Kardec”, uma herma em memória do grande benfeitor Eurípides Barsanulfo, tendo o juiz de Direito da Comarca de Sacramento, Dr. Francisco Cândido da Gama Júnior, proferido, na ocasião, como orador oficial da festa, um belo e emocionante discurso.

 

Enviado por: Antônio Paiva Rodrigues - Estudante de Jornalismo, oficial superior da polícia Militar, acadêmico da ALLOMERCE.

 

 

 

 

Pensamentos

 

O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier

 

 

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