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Nasceu em 1º de
janeiro de 1879, no Rio de Janeiro.
Órfã de pai desde
pequena ficou aos cuidados de sua genitora. Aos cinco anos foi acometida de
fortes dores na perna esquerda, que após muitos sofrimentos, passou por várias
cirurgias dolorosas, ficando com uma perna mais curta.
Quando jovem,
rebelou-se com sua deficiência e fragilidade física, dizendo que "nunca
fiz mal a ninguém, por que eu sofro tanto, enquanto tanta gente perversa tem
saúde e vive feliz?"
Aos 17 anos conheceu
Ignácio Barbosa dos Santos, que apaixonou-se pela sua candura, passando a ser
seu par constante, não obstante a enfermidade que a acompanhava, pois a essa
época já havia feito sete cirurgias na perna e sentia dores atrozes. Mesmo
assim, ambos eram apaixonados. Por certo eram espíritos compromissados que se
reencontravam.
Como a sua
enfermidade não cessava, foi levada a um homem que diziam ser curandeiro, e
embora não fosse espírita, era dotado de mediunidade séria. Ao receber passes
desse médium, sentiu grande melhora em seu estado físico, chegando a purgar o
seu perene ferimento. Com novas aplicações de passe, suas dores desapareceram
por completo.
A essa época foi
presenteada com um exemplar de "O Evangelho Segundo o Espiritismo".
Sentindo-se curada,
casou-se com Ignácio, tornando-se esposa e mãe.
Anos mais tarde a
moléstia tornou a manifestar-se. Antes de fazer nova intervenção cirúrgica,
procurou um Centro Espírita para receber novos passes, tornando-se trabalhadora
espírita e tendo, inclusive, a oportunidade de desenvolver sua mediunidade.
Radicalmente curada, ela e o esposo fundaram o Grupo Espírita Cultivadores da
Verdade. Neste grupo integrou-se o conhecido médium Inácio Bittencourt.
Criaram um pequeno
trabalho de assistência aos carentes, embora o desejo do grupo fosse a criação
de um abrigo para as crianças desamparadas. Porém, os recursos eram sempre
muito escassos. O Espírito Teresa de Jesus, que se comunicava ao grupo, estava
sempre acalentando esperanças.
No dia 31 de dezembro
de 1918, os trabalhadores espíritas haviam preparado farnéis para distribuição,
quando alguém bate à porta, entregando um envelope contendo 930 mil réis. Era
muito dinheiro naquela época.
No dia seguinte, 1º
de janeiro de 1917, fez-se a distribuição habitual dos alimentos. À noite, em
reunião mediúnica, comunica-se o Espírito Teresa de Jesus, dizendo: "O dinheiro
que entrou à última hora é a semente para a Casa de Caridade que venho anunciando.
Será para as criancinhas mais pobres que encontrardes. Trabalhai, que eu vos
ajudarei".
A alegria foi geral.
No mesmo dia lavraram a ata de fundação do "Abrigo Teresa de Jesus".
A abnegação e o
espírito de trabalho de Ernestina Ferreira dos Santos junto às crianças e
necessitados de vária ordem, sua alma caridosa e bondade personificada valeram-lhe,
em 1951, o diploma e medalha de honra ao mérito, outorgados pela Radio
Nacional, num programa destinado a agraciar aqueles que mais se empenharam em
prestar benefícios às causas humanitárias.
Ernestina desencarnou
em 16 de novembro de 1953, deixando à sua retaguarda um rastro de luz, seguido
por companheiros que até hoje sustentam sua obra.
Fonte de consulta:
Livro Personagens do Espiritismo, de Antônio de Souza Lucena e Paulo Alves
Godoy - Edições FEESP
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