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Deolindo Amorim
nasceu na cidade de Baixa Grande no Estado da Bahia, numa família pobre e
católica em 23 de janeiro de 1908.
Foi presbiteriano
fervoroso, mas rompeu com sua igreja e permaneceu muitos anos sem definição
filosófica ou religiosa até que em 1935 descobriu o Espiritismo.
Deolindo mudou-se
para o Rio de Janeiro e na antiga capital do Brasil, formou-se em Sociologia
pela Universidade do Brasil, e possuía os cursos Técnicos de Publicidade e de
Serviços Sociais. Tornou-se jornalista e, posteriormente funcionário público,
tendo galgado elevada posição funcional no Ministério da Fazenda.
Desde que descobriu a Doutrina Espírita, trabalhou com muita dedicação pela
definição específica do que é o Espiritismo lutando contra a corrupção do pensamento
doutrinário e pelo bom entendimento da obra de Allan Kardec.
Deolindo não ficou na teoria, além de escrever livros, editar jornais,
representar periódicos e enviar artigos para muitos jornais e revistas, proferiu
conferências e tomou iniciativas que marcaram o movimento espírita brasileiro,
como por exemplo a realização do I Congresso de Jornalistas e Escritores Espíritas,
realizado na cidade do Rio de Janeiro em 1939.
Esteve também ao lado
de Leopoldo Machado na promoção do I Congresso de Mocidades e Juventudes
Espíritas do Brasil e na criação do Conselho Consultivo de Mocidades Espíritas,
foi parceiro fiel de Aurino Souto, presidente da Liga Espírita do Brasil e fundou
em 7 de dezembro de 1957 O Instituto de Cultura Espírita do Brasil (ICEB), instituição
de grande influência no estudo e divulgação do Espiritismo, com sede no Rio de
Janeiro e que dirigiu até sua desencarnação.
Levou o Espiritismo
ao meio universitário, proferindo bela conferência no Instituto Pinel da
Universidade do Brasil, focalizando o tema: "O Suicídio à luz do
Espiritismo".
Agia sempre e
invariavelmente de forma conciliadora e ponderada, não atacando ninguém,
expondo o Espiritismo sem deformações, extasiando a todos com sua didática
exemplar.
Um dos problemas mais
emergentes relativos ao bom entendimento da Doutrina Espírita foi a constante
tentativa de confundi-lo seja com a Umbanda, o Candomblé, com as religiões
cristãs e doutrinas espiritualistas. Principalmente com os cultos
afro-católicos, as confusões foram muitos grandes. Em 1947 Deolindo publicou
Africanismo e Espiritismo, onde deixa clara a inexistência de ligações
filosóficas, práticas ou doutrinárias entre o Espiritismo e as correntes espiritualistas
apoiadas na cultura africana, trazida pelo escravos e que se converteram em
várias seitas de gosto popular.
Determinado a explanar, didaticamente, as bases da doutrina de Allan Kardec,
ele escreveu, O Espiritismo e os Problemas Humanos, O Espiritismo à Luz da
Crítica, em resposta a um padre que escrevera livro atacando a Doutrina.
Espiritismo e Criminologia, oriundo de uma conferência no Instituto de
Criminologia da Universidade do Rio de Janeiro. Em 1958, lançou O Espiritismo e
as Doutrina Espiritualistas, onde não combate nenhuma corrente ou idéia
espiritualista, como a Teosofia, a Rosacruz, seitas de origem asiática ou
africana. Ele simplesmente define, separa, identifica o que é o Espiritismo,
mostrando a sua independência filosófica, embora ressaltando eventuais coincidências
de pontos filosóficos, devido à base espiritualista desses movimentos.
Foi uma mente aberta ao novo, entendeu perfeitamente o sentido evolucionista do
Espiritismo e recusou-se a aceitar as idéias conservadoras, retrógradas.
Na Introdução de O Espiritismo e as Doutrina Espiritualistas ele diz:
“Escrevemos este trabalho com o sincero propósito de concorrer, embora
despretensiosamente, para que se esclareça cada vez mais a verdadeira posição
do Espiritismo perante as doutrinas e os cultos espiritualistas. Todas as doutrinas,
como todos os credos, sejam quais forem as suas origens, nos merecem o mais
justo respeito. (...) Devemos, porém, dizer claramente o que é e o que não é
Espiritismo, para que não haja confusão nem tomem corpo interpretações
duvidosas.
E reafirma sua posição: “Repetimos que o Espiritismo é universalista, porque os
fatos do espírito são universais, os seus problemas têm o sentido da
universalidade, mas também é oportuno acentuar que o Espiritismo não é uma
forma de sincretismo doutrinário ou religioso, sem unidade nem consistência”.
Sobre a questão religiosa no Espiritismo, sua posição foi bem igual a de
Kardec. Citando as palavras do fundador, concluía que, como qualquer filosofia
espiritualista, o Espiritismo tinha conseqüências religiosas, mas de forma alguma
se tornava uma religião constituída.
Como é comum no movimento espírita, Deolindo foi muito criticado por optar pela
cultura e pela inteligência. Existiu, no Rio de Janeiro, a Faculdade Brasileira
de Estudos Psíquicos que ele não fundou, como às vezes se diz, mas a que
pertenceu e foi seu último presidente. Tornada insubsistente a continuidade da
Faculdade, ele promoveu a criação do Instituto de Cultura Espírita do Brasil
(ICEB) fundado em 7 de dezembro de 1957 e por ele dirigido até sua
desencarnação.
Quanto à questão da unificação do movimento, Deolindo nunca aderiu à Federação
Espírita Brasileira, tanto que aliou-se à Liga Espírita do Brasil, entidade
criada em 1927, por Aurino Souto e da qual Deolindo foi o último 2º
vice-presidente.
Em 1949, com o chamado Pacto Áureo, a Liga Espírita do Brasil, que não tinha
representatividade nacional, deixou de existir, transformando-se numa entidade
federativa estadual. Hoje, depois de várias denominaçòes, é a USERJ - União das
Sociedades Espíritas do Estado do Rio de Janeiro. Deolindo foi contra o acordo.
Admirava muito Léon Denis, de quem disse: “Léon Denis pertence, com inteira
justiça, à galeria dos mais autênticos filósofos espíritas. Discípulo e
continuador de Allan Kardec, ninguém o foi, até hoje, com mais afeição e com
vigor intelectual”.
Mas seu respeito a sua fidelidade ao pensamento de Allan Kardec foi não apenas exemplar,
mas de um tirocínio brilhante e uma defesa inteligente e atuante.
Embora enfermo, bastante debilitado ante a enfermidade que o acometia, não interrompeu
totalmente, nos últimos meses, suas atividades de jornalista e grande conferencista
até que em 24 de abril de 1984, desencarnou no Rio de Janeiro deixando viúva a
companheira Delta dos Santos Amorim, além de três filhos. Fechou-se assim um
ciclo fecundo de pensadores espíritas, dos quais, com justiça ele está num
lugar privilegiado.
Fontes: www.feparana.com.br, http://www.universoespirita.net/grandes_nomes/deolindo_amorim.html,
http://www.espiritnet.com.br/Biografias/biogdeol.htm,
http://www.espiritismogi.com.br/biografias/deolino.htm
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