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Cornélio Pires nasceu
na cidade de Tietê, Estado de São Paulo, no dia 13 de julho de 1884. Quando
jovem, Cornélio aspirava participar de um concurso de admissão numa Faculdade
de Farmácia. Animado desse propósito viajou de Tietê para S. Paulo, a fim de se
inscrever como candidato a um desses concursos, porém, apesar do seu desempenho
não logrou êxito nesse seu intento. Então, aos 17 anos, tomou então a deliberação
de dedicar-se ao jornalismo, passando a trabalhar na redação do jornal O Comércio
de São Paulo, em cujo cargo desenvolveu um aprendizado bastante estafante.
Nessa mesma época, passou a freqüentar a Igreja Presbiteriana. Sua
personalidade crítica e suas convicções pessoais o afastaram depressa dessa
religião, conduzindo-o a um materialismo declarado. Os dogmas religiosos -
entre eles as penas eternas - e a nítida preferência de Deus pelos praticantes
de determinadas religiões, foram os responsáveis pelo seu afastamento da
Igreja.
Continuou suas
atividades na imprensa e após enfrentar várias dificuldades de um aprendizado
exercido por conta própria, passou a trabalhar para “O São Paulo”., onde chegou
a ocupar o cargo de revisor. posteriormente passou a exercer atividades no
jornal "O Estado de São Paulo", tradicional órgão da imprensa paulista,
onde também desempenhou a função de
revisor.
Em 1910 lançou o
livro “Musa Caipira”, bem recebido pela crítica, tratando de temas bem
brasileiros. Silvio Romero, o critico e intelectual muito respeitado, declarou
sobre a obra: “Apreciei imensamente o chiste, a cor local, a graça, a
espontaneidade de suas produções, que além do seu valor intrínseco, são um
ótimo documento para o estudo dos brasileirismos de nossa linguagem...”.
No ano de 1914 passou
a colaborar também com o jornal “O Pirralho”, veículo que se dedicava a
comentar, com ironia e bom humor, os acontecimentos daquela época. Certo de que
a representação de narrativas humorísticas era sua verdadeira vocação, Cornélio
Pires abandonou o jornalismo e resolveu abraçar a carreira artística. Viajando
pelo Estado de São Paulo e depois por todo o Brasil, firmou-se na condição de
“caipira humorista”. Anos mais tarde, organizou o Teatro Ambulante Cornélio
Pires, tornando-se muito conhecido e admirado em todo o país.
Nessa época ele
desconhecia o que era Espiritismo, entretanto, durante as suas viagens ao
Interior, aconteceram com ele vários fenômenos mediúnicos, inclusive algumas
comunicações do Espírito Emilio de Menezes, as quais muito o impressionaram.
Como conseqüência ele passou a estudar obras espíritas principalmente as de
Allan Kardec, Leon Denis, Albert de Rochas e alguns livros psicografados pelo
médium Francisco Cândido Xavier.
Dali por diante
integrou-se decididamente no Espiritismo, interessando-se muito pelos fenômenos
de efeitos físicos e principalmente materializações. Nos anos de 1944 a 1947
ele escreveu os livros Coisas do Outro Mundo e Onde estás, ó morte?, este último
constando fotos de espíritos materializados.
Num de dos seus
escritos sobre o Espiritismo, dizia ele: “ O Espiritismo, mais cedo ou mais
tarde, fará aos católicos romanos, aos protestantes e aos adeptos de outros credos,
a caridade de robustecer-lhes a Fé, com os fatos que provam a imortalidade da
Alma, que se transforma em Espírito ao deixar o invólucro material” e mais
adiante “Como religião o Espiritismo nos religa a um Pai que é amor e não
chibata, e que, sendo amor não iria matar seu próprio filho Jesus em benefício
de uma humanidade perversa. O
Espiritismo nos proporciona a FÉ RACIOCINADA, nos arrebata ao jugo do dogma e
nos ensina a compreender DEUS como Ele é”.
Anos antes da sua
desencarnação, Cornélio Pires, demonstrando que havia assimilado o preceito de
Jesus Cristo: “ Amai ao próximo como a ti mesmo”, comprou uma chácara nos
arredores da cidade de Tiête, São Paulo, onde nasceu, iniciando a construção da
Granja de Jesus, instituição que pretendia dedicada à criança desamparada. Desencarnou,
no entanto na cidade de S. Paulo, no dia 17 de fevereiro de 1958, antes da
conclusão da obra.
De sua vasta
bibliografia destacamos: Versos Velhos, Cenas e Paisagens de minha Terra,
Monturo, Quem conta um conto, Conversas ao Pé do Fogo, Estrambóticas Aventuras
de Joaquim Bentinho - O Queima Campo, Tragédia Cabocla, Patacoadas, Seleta
Caipira, Almanaque do Saci, Mixórdias, Meu Samburá, Sambas e Cateretês,
Tarrafas, Chorando e Rindo, De Roupa Nova, Só Rindo, Ta no Bocó, Quem conta um
Conto e outros Contos..., Enciclopédia de anedotas e Curiosidades, além dos
dois livros espíritas já citados.
Na atualidade, é
muito conhecido no meio espírita por suas trovas bem humoradas - recebidas
mediunicamente -, que transmitem ensinamentos de grande alcance moral.
Recentemente, por
ocasião da psicografia do livro “Ao entardecer de uma existência”, de sua
autoria, recebido pelo médium Alceu Costa Filho, de Belo Horizonte, Minas Gerais,
Cornélio Pires valeu-se desse recurso poético - a trova - no prefácio da obra:
Tenho visto nesta
vida
Muito burro que não é
muar
Enquanto muito muar
que não é burro
Seu dever bem
executar.
Burro é quem sabe e
não faz
Quem conhece e não
pratica
Deixando crescer,
entre as flores da fé,
Um lindo pé de
tiririca...
Com Jesus,
Cornélio Pires
Bibliografia:
Personagens do Espiritismo (do Brasil e de outras Terras) de Antônio de Souza
Lucena e Paulo Alves Godov - Edições FEESP, S.Paulo, SP
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