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 Corina Novelino

 

 

 

 

Filha do casal José Gonçalves Novelino e Josefina de Melo Novelino, Corina Novelino nasceu no dia 12 de agosoto de 1912,na pequena cidade de Delfinópolis Estado de Minas Gerais onde passou muito pouco de sua infância pois seus pais se transferiram para a cidade de Sacramento.

Ainda jovem ficou órfã de pai e mãe, passando a residir com o casal Resende e Idalides, que lhe dispensou todo o amor e carinho.

Foi matriculada no Colégio "Allan Kardec", fundado e dirigido por Eurípedes Barsanulfo, tendo o privilégio de ser sua aluna, oportunidade que soube aproveitar seguindo seus exemplos.

Corina Novelino militou durante toda a sua vida no magistério, como professora do Colégio "Allan Kardec" e também do Colégio Estadual de Sacramento. Educou diversas gerações, dando todo seu apoio à juventude em todos os seus empreendimentos, com o mais decidido amparo e orientação.

Desde muito jovem revelou-se um Espírito caritativo, com profundos rasgos de desprendimento, disposto a dar tudo de si em favor dos seus semelhantes.

Com apenas vinte anos de idade, foi convidada por dona Maria Modesto Cravo, para ajudá-la a administrar o "Lar da Criança", na cidade mineira de Uberaba. Em virtude da grande responsabilidade em Sacramento, inclusive no Colégio "Allan Kardec", ficou indecisa e procurou orientação do médium Francisco Cândido Xavier, então residente em Pedro Leopoldo. Devido ao elevado número de pessoas que procurava o médium, não conseguiu entrevistar-se com ele. Manteve-se em prece, rogando a Jesus que abençoasse a todos. Qual não foi a sua surpresa quando, após o culto evangélico, Chico lhe chamou pelo nome (ela não o conhecia ainda). Aproximou-se e o médium entregou-lhe uma mensagem de Eurípedes Barsanulfo, que dizia: "Corina, você é a minha última esperança em Sacramento". Diante do imperativo da mensagem, declinou do convite de D. Maria Modesto e decidiu-se pela permanência em Sacramento.

Assim que retornou, fundou o Clube das Mãezinhas, formado de mães caridosas que se dispunham a costurar para crianças pobres. Semanalmente, faziam entrega das roupas prontas às crianças mais necessitadas. Seu ideal era fazer crescer o entendimento aos necessitados, principalmente aos menores.

No limiar do ano de 1950, deliberou fundar um Lar para crianças abandonadas. Porém, além de faltar- lhe os meios necessários, não sabia onde nem como implantar essa instituição. Daí surgiu a miraculosa idéia de fazer a maior rifa, até então realizada em Sacramento, com a ajuda da bondosa Tia Ruth. Era um carro zero KM como primeiro prêmio, uma máquina de costura Elgin no 2º, e um rádio no 3º. Com o dinheiro arrecadado, ela adquiriu a casa do querido cantor enamorado do Borá, Homilton Wilson. E ali criou o tão esperado “Lar de Eurípedes”.

Vale dizer que o "Lar de Eurípedes" foi mantido, durante muito tempo, quase que às suas expensas, com o ordenado de professora, entretanto, o número de crianças aumentou muito e os recursos tornaram-se assim cada vez mais escassos. A casa havia também se tornado pequena. Animada de decisão inquebrantável, e contando com a ajuda do Alto, decidiu- se a edificar um novo "Lar de Eurípedes". O povo de Sacramento e de regiões vizinhas cooperou no empreendimento e, dentro em pouco, surgia o novo prédio, onde foram amparadas mais de 100 crianças e onde a seareira abnegada passou a ser a "mãe Corina". Devido a falta de recursos financeiro para manutenção  do lar a comunidade  se uniu em apelos e em 1976 o "Lar Eurípedes" foi reconhecido de Utilidade Pública Estadual, pelo Decreto n 18.160, de 03/11/1976, tomando a denominação de "Instituto de Caráter Promocional e Educativo a Menores", amparando mais de 100 crianças pobres. Até então era semi-internato. As crianças passavam o dia recebendo alimentação, vestuários e educação intelectual, moral e cívica, sem distinção de credo religioso.

Corina Novelino, não participou apenas do Lar de Eurípedes; participou ainda, da vida sócio-econômica, religiosa e cultural da comunidade. Como escritora nata e de grandes recursos escreveu os livros "Escuta, meu filho", cuja renda foi revertida inteiramente à manutenção do Lar. Mais recentemente, em 1979, escreveu a obra "Eurípedes, o homem e a missão", dando início aos atos comemorativos do centenário de nascimento daquele grande vulto do Espiritismo. Colaborou em todos os jornais da cidade, desde a "Tribuna", editada por Homilton Wilson, irmão de Eurípedes, até os jornais atuais: "Estado do Triângulo" e "Jornal de Sacramento". Prestou colaboração em outros orgãos de divulgação do Espiritismo, notadamente no "Anuário Espírita", editado em Araras, e uma revista editada em Portugal.

Como professora, muitos filhos de Sacramento passaram por suas mãos, recebendo seus ensinamentos, seu carinho, sua ternura e seus exemplos de humildade e abnegação. O seu trabalho foi grandioso e sempre contou com o apoio de suas colaboradoras constantes e abnegadas; Maria da Cruz, Amália Ferreira de Melo, Carmem Natal e sua irmã Jandira Novelino.

Fez-se querida de toda a comunidade, sendo considerada benemérita educadora e verdadeira dama da caridade, por tudo que realizou em favor daquela cidade.

A desencarnação de Corina Novelino ocorreu no dia 10 de fevereiro de 1980, em Sacramento. Fora internada na Santa Casa de Misericórdia no dia 3 do mesmo mês, acometida de um derrame cerebral. Foi inegavelmente a devotada continuadora da obra de Eurípedes Barsanulfo. Cumprindo até o fim a missão a que se obrigou, com fidelidade ao querido Mestre. Toda a família espírita sentiu o seu desaparecimento da vida física, desfalcada de uma das mais fiéis discípulas de Allan Kardec e de Jesus.

Foram as seguintes as palavras do Presidente da Câmara Municipal de Sacramento, por ocasião do sepultamento do seu corpo físico: "Que o pavilhão de Sacramento cubra o seu ataúde numa demonstração de homenagem maior que o Poder Público presta aos seus grandes filhos. Aqui a gratidão de todo um povo que reconheceu no seu labor humilde e silencioso a "Mãe Corina" de todos. Com o auxílio de suas mãos não foram poucas as vezes que testemunhamos o seu amor, no próprio esquecimento de si mesma, chamando para si a responsabilidade dessa enorme tarefa de promoção do próximo. Foi a Mãe Corina dos pobres, dos sofredores, dos órfãos, dos loucos, dos necessitados, dos abandonados, dos miseráveis... Mãe Corina de todos nós, nosso eterno e imorredouro Muito Obrigado".

 

Fontes: Livro Personagens do Espiritismo, de Antônio de Souza Lucena e Paulo Alves Godoy - Edições FEESP, Revista Internacional de Espiritismo - Abril/1991.

 

 

 

 

 

Pensamentos

 

O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

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Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier

 

 

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