|

Charles
Robert Richet nasceu em Paris em 25 de agosto de 1850. Foi um
homem dedicado à ciência
Conhecido como o
fundador da Metapsíquica, Charles Richet (1850-1935) desempenhou um papel
fundamental no processo de desvendar o desconhecido mundo dos fenômenos
anímicos. Em 1905, então presidente da Sociedade de Investigações Psíquicas -
Londres, propôs o nome de Metapsíquica a este conjunto de conhecimentos.
A Obra
Sua obra mais famosa, Tratado de Metapsíquica, é um verdadeiro arcabouço de
fatos e descrições pormenorizadas de experiências psíquicas, descrições
históricas e classificatórias que muito colaboraram para o seu desenvolvimento.
A sua maior contribuição, sem sombra de dúvida, foi o estudo do ectoplasma,
substância responsável pela viabilidade dos fenômenos ditos objetivos.
Foi ele quem, pela primeira vez, denominou a substância que emanava dos médiuns
de efeitos físicos de ectoplasma, naquele momento referindo-se aos fluidos que
emanavam de Eusápia Paladino (uma das maiores médiuns da história do
Espiritismo): “são as formações difusas que eu chamo de ectoplasmas; porque
elas parecem sair do próprio corpo de Eusápia”.
Numa experiência
transcorrida com a médium Marthe Béraud, Charles Richet e Gabriel Delanne
fizeram com que a “materialização” soprasse o ar de seus pulmões através de uma
solução aquosa de barita, usando um pequeno tubo. O resultado foi o turvamento
do líquido, revelando a presença do gás carbônico, fenômeno peculiar dos
organismos vivos normais.
A Metapsíquica de
Richet era composta pela composição dos seguintes fenômenos: a Criptestesia, a
telecinesia e a ectoplasmia. Para ele, a Metapsíquica estava na flor d’água de
uma nova psicologia. No seu Tratado, Richet classificou a história da fenomenologia
metapsíquica em quatro períodos:
1°) Período Mítico,
que vai das origens históricas até Mesmer, (1776);2°) Período Magnético, que
vai de Mesmer às irmãs Fox, ( 1847);3°) Período Espirítico, que vai das irmãs
Fox, passando por Allan Kardec, a William Crookes (1872);4°) Período
Científico, que vai de Crookes até agora.
Charles Richet
classificou os fenômenos metapsíquicos em dois grupos gerais: Fenômenos
Subjetivos, que ocorrem exclusivamente na área psíquica, sem nenhuma ação
dinâmica sobre os objetos materiais (anos antes, a estes fenômenos Allan Kardec
denominou Inteligentes). E Fenômenos Objetivos, cuja manifestação envolve ação
física sobre os objetos materiais (na linguagem espírita, Fenômenos Físicos).
Esta classificação é
utilizada até os dias de hoje.
Richet e o Espiritismo
Charles Richet nunca
se declarou espírita, mas sim, um estudioso dos fenômenos metapsíquicos. Não
podemos, portanto, classificar Charles Richet como um continuador da obra de
Allan Kardec, já que na verdade Richet reserva um espaço de duas páginas em um
Tratado de mais 700 àquele que poderia ter sido um de seus mestres.
Desvendou um caminho
distinto, sem evidentemente desconhecê-lo tanto, e que o classifica na
categoria de iniciador romântico da Metapsíquica, reconhecendo em Kardec, a
quem se refere como Dr. H. Rivail, algum apreço pela investigação científica,
mas que, no entanto, se levou demais a acreditar que as comunicações dos
Espíritos através dos médiuns eram destituídas de erros, desde que as mesmas
emanassem de bons Espíritos.
Esta crítica, a nosso
ver, não é muito justa porém se assemelha à feita por Arthur Conan Doyle em seu
A História do Espiritualismo,
fazendo-nos, pelo menos, pensar que conhecemos hoje bem melhor a obra de Kardec
do que os quase contemporâneos vizinhos e conterrâneos.
Foi companheiro de
jornada de homens do vulto de um Gustavo Geley, Gabriel Delanne e Ernesto
Bozzano. Este último seu grande amigo e com quem duelaria no campo da ciência.
Bozzano no seu livro “Metapsíquica Humana”, dedica no último capítulo,
denominado: Respostas a algumas objeções de ordem geral; algumas palavras diretamente
contrárias às posições de Charles Richet, são elas: “..não devo ocultar que
entre os que assim pensam está o Prof. Charles Richet, a quem sinceramente
venero e admiro. No Journal of the American for S.P.R. de setembro de 1923, pag
400, a respeito ele escreve:Sou de opinião que, se a Metapsíquica não tem
progredido mais, se deve isto a um defeito de método; quiseram dela fazer uma
religião cheia de ardor, em vez de uma ciência serena e modesta.... Penso ser
de não pequena utilidade destruir essa deplorável prevenção, filha de uma
observação estranhavelmente parcial e superficial do movimento espírita encarado
em seu conjunto. Se é verdade que o Espiritismo seja tomado num sentido
religioso por uma multidão, aliás muito respeitável, de almas simples, não quer
dizer isso que ele seja religioso, mas tão somente que as conclusões
rigorosamente experimentais e, portanto, científicas, a que conduzem as
investigações medianímicas, tem a virtude de reconfortar grande número de almas
atormentadas pela dúvida... “( Ernesto Bozzano, Metapsíquica Humana) e se
refere a tantos sábios, homens de ciência que se dedicaram a estudar os
fenômenos inicialmente de forma materialista, convertendo-se ao Espiritismo
pela conclusão a que chegaram através da pesquisa.
Na introdução do seu
Tratado de Metapsíquica Richet, em sua segunda edição, chega mesmo a citar os
espíritas que já naquela época pouca importância deram a esta obra uma vez que
acreditavam que tudo o que importava já havia sido escrito. Richet escreveu -
se os espíritas fossem justos, reconheceriam que a minha tentativa de fazer entrar
na ordem dos fatos científicos todos os fenômenos que constituem a base de sua
fé, mereceria eu verdadeiramente alguma indulgência.
Vê-se que na época o
movimento espírita francês já estava totalmente dominado pelos ritos,
afastando-se dos ensinamentos de Allan Kardec, salvava-se neste tempo Gabriel
Delanne, que muito doente insistia com a sua Sociedade Francesa de Estudos de Fenômenos
Psíquicos e na revista Le Spiritisme. A rigidez de Richet, com relação à metodologia
científica se explica pelo trabalho profissional do mesmo que, como cientista,
veio a ser merecedor de um Prêmio Nobel.
A Visão do Futuro
Allan Kardec, em A
Gênese escreve: Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será
ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro
acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade
nova se revelar, ele a aceitará. Com estas palavras Kardec colocava todo o seu
gênio que infelizmente só foi seguido por alguns como Camille Flammarion, Léon
Denis, Delanne dentre outros
Desta mesma forma,
Richet declara que o primeiro Tratado de Metapsíquica irá ter a sina comum. Ele
irá logo ficar para trás e cair em desuso, porque os progressos desta nova
ciência serão rápidos.
Assim como Kardec, os
metapsiquistas também acreditavam num rápido progresso das ciências psíquicas,
elas de fato tiveram algum alento com o advento da Parapsicologia de Rhine.
No começo da década
passada, muitos de nós, estudiosos, guardávamos muita esperança de que na União
Soviética existissem centros de pesquisa, a cortina de ferro caiu e o que havia
em termos de psicobiofísica?
A verdade é que
pesquisadores do quilate dos grandes metapsiquistas, incluindo no grupo os
espiritualistas ingleses, já não aparecem com tanta freqüência.Transferimos
nossas expectativas para o século que se avizinha, este sim poderá trazer ao
público em geral aquilo que Kardec, Richet e tantos outros se empenharam tanto
em estudar, classificar e ensinar, mas que não atingiram a universalidade do
conhecimento.
Aos 37 anos de idade foi nomeado lente catedrático
de Filosofia da Faculdade de Medicina de Paris.
Richet, no campo
científico, foi um verdadeiro gênio: além de fisiologista de renome
internacional, foi o descobridor da soroterapia.
Depois de se ocupar
com os fenômenos chamados supra-normais, porém deixando de lado a parte
doutrinária oriunda destes, criou a Metapsíquica, que definiu como sendo uma
"ciência que tem por objeto fenômenos mecânicos ou psicológicos, devido a
forças que parecem inteligentes, ou a poderes desconhecidos, latentes na inteligência
humana".
Suas principais obras
são: "Tratado de Metapsíquica", "A Grande Esperança",
"O Sexto Sentido", "A Porta do Mistério", "O Homem e a
Inteligência", além de outras de caráter científico.
Richet desencarnou em
Paris em 4 de dezembro de 1935
|