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Adolfo Bezerra de
Menezes Cavalcanti nasceu no dia 29 de agosto de 1831, na pequena Freguesia do
Riacho do Sangue, onde atualmente está a cidade de Jaguaretama, no Estado do Ceará.
Filho do
tenente-coronel da Guarda Nacional Antônio Bezerra de Menezes e de Fabiana de
Jesus Maria Bezerra, ele foi criado dentro de rígidos padrões militares e
religiosos. Aos sete anos ingressou na escola pública da Vila Frade, onde em
dez meses apenas, preparou- se suficientemente até onde dava o saber do mestre
que lhe dirigia a primeira fase de educação.
Seu pai possuía
grande fortuna, mas em função da política e da ajuda que deu a vários
familiares e amigos acabou comprometendo todo o seu patrimônio. Sendo ele muito
correto, propôs entregar todos os seus bens aos credores, que por sua vez não
quiseram receber, então o Sr. Antônio decidiu ser apenas o administrador de
seus bens e passou de uma vida riqueza para a de privações.
No ano de 1842, em
função de perseguições políticas, sua família mudou para o Rio Grande do Norte,
lá, aos onze anos de idade, ingressou no
curso de Humanidades e dois anos depois conhecia tão bem o latim que
ministrava, a seus companheiros, aulas dessa matéria, substituindo o professor
da classe em seus impedimentos.
Em 1846, a família
retornou ao Ceará, fixando residência em Fortaleza. Bezerra entrou para o Liceu
e completou seus estudos preparatórios como o primeiro aluno do colégio.
No ano de 1851, seu
pai desencarnou, então ele juntou os parcos recursos recebidos de seus parentes
e mudou-se para o Rio de Janeiro, decidido a enfrentar todos os obstáculos para
seguir a medicina. Já no ano seguinte ingressou como praticante interno no
Hospital da Santa Casa de Misericórdia. Como sua família não dispunha de meios
de mantê-lo, ele dava aulas de filosofia e matemática para poder se manter
estudando.
Um dos episódios
dessa fase de estudante de Bezerra de Menezes que merece registro, foi quando ele
estava em sérias dificuldades financeiras, precisando da quantia de cinqüenta
mil réis para pagamento das taxas da Faculdade e para outros gastos indispensáveis
em sua habitação, pois estava ameaçado de despejo. Então sem encontrar solução
para este problemas e em completo desespero, ergueu os olhos ao Alto e apelou
para o socorro de Deus. Poucos dias depois, um moço simpático e de atitudes
polidas procurou-lhe e disse que estava precisando de algumas aulas de
Matemática. À princípio Bezerra recusou alegando ser essa matéria a que mais
detestava, entretanto, o visitante insistiu e por fim, lembrando-se de sua
situação desesperadora, resolveu aceitar. O moço pagou todas as aulas adiantado,
no valor exato de cinqüenta mil réis, e ficou de voltar para as aulas,
entretanto, nunca mais apareceu.
Possuindo grande inteligência e sendo um aluno muito aplicado, Bezerra sempre obtinha
as notas máximas e em 1856 formou-se
pela Faculdade de Medicina, defendendo a tese: "Diagnóstico do cancro".
No ano seguinte
candidatou-se ao quadro de membros titulares da Academia Imperial de Medicina
com a memória "Algumas considerações sobre o cancro, encarado pelo lado do
seu tratamento", sendo empossado em sessão solene no dia 1º de junho de
1857.
Em 1858 concorreu a
uma vaga de professor substituto da Secção de Cirurgia, na Faculdade de
Medicina e por intercessão do mestre Manoel Feliciano Pereira de Carvalho,
então Cirurgião-Mor do Exército, Bezerra de Menezes foi nomeado seu assistente,
no posto de Cirurgião-Tenente.
1858 foi também o ano
em que casou com Maria Cândida de Lacerda e com quem teve dois filhos. Mas o
casamento durou pouco tempo, pois acometida de rápida enfermidade D. Maria
Cândida desencarnou em 24 março de 1863. Um ano mais tarde, casou-se pela
segunda vez com Cândida Augusta Lacerda, irmã por parte de mãe de sua primeira
esposa. Deste novo casamento nasceram cinco filhos.
Em 1861 inicia sua carreira política, foi eleito vereador da cidade do Rio de
Janeiro, mas teve sua candidatura impugnada pelo chefe conservador, Haddock
Lobo que alegou que ele era médico militar. Como seu partido necessitava dele,
para obter maioria na câmara, Bezerra pediu demissão do Corpo de Saúde do
Exército e iniciou sua atividades como vereador desenvolvendo um grande
trabalho em defesa dos humildes e necessitados. Tendo em vista seu excelente
trabalho na câmara, foi reeleito para o período 1864-1868, mas apesar de toda
sua honestidade e retidão de caráter foi vítima de injúrias e ataques de todo
tipo que procuravam denegrir sua imagem, entretanto nunca teve nada que
desabonasse sua conduta.
Em 1867 foi eleito
deputado geral do Rio de Janeiro, mas só pode exercer o cargo por um ano, pois
a câmara foi dissolvida no ano seguinte.
Afastado da política
Bezerra resolveu dedicar-se a atividades
empresariais, criou a Companhia de Estrada de Ferro Macaé a Campos, na então
província do Rio de Janeiro. Depois, dedicou-se a construção da via férrea de
S. Antônio de Pádua, etapa necessária ao seu desejo, não concretizado, de
levá-la até o Rio Doce. E em 1872, era um dos diretores da Companhia
Arquitetônica que,abriu o "Boulevard 28 de Setembro", no então bairro
de Vila Isabel, cujo topônimo prestava homenagem à Princesa Isabel. Em 1875,
era presidente da Companhia Carril de S. Cristóvão.
Após um período de
ausência, Bezerra retornou a política sendo eleito vereador em 1876, foi ainda
presidente da câmara e deputado geral pela província do Rio de Janeiro.
Em 1875 recebeu um
exemplar de O Livro dos Espíritos de seu amigo Dr. Joaquim Carlos Travassos,
que havia traduzido o mesmo para o português. Ao lê-lo Bezerra sentiu-se
encantado, pois todo o conteúdo, embora novo para ele, já lhe parecia
conhecido.
Bezerra de Menezes
apoiou ainda a campanha pela libertação dos escravos, tendo inclusive escrito
"A escravidão no Brasil e as medidas que convém tomar para extinguí-la sem
danos para a Nação".
No dia 16 de agosto
de 1886, perante um auditório de cerca de duas mil pessoas da melhor sociedade que
encheu a sala de honra da Guarda Velha, na rua da Guarda Velha, atual Avenida
13 de Maio, no Rio de Janeiro, para ouvir em silêncio, emocionado, atônito, a
palavra sábia do eminente político, do eminente médico, do eminente cidadão, do
eminente católico, Dr. Bezerra de Menezes, que proclamava a sua decidida
conversão ao Espiritismo. Deste momento em diante passou a trabalhar incansavelmente
em favor da Doutrina Espírita.
Em 1893 o Brasil
passou por ruma grande convulsão causada pela revolta armada que ocasionou o
fechamento de todas as sociedades, espíritas ou não. Neste período as instituições
espíritas estavam muito isoladas umas das outras, desenvolvendo atividades autônomas.
No ano de 1894, em função das dissenções pelas quais o movimento espírita passava
e devido a melhora no clima do país, foi convidado pelo Dr. Bittencourt Sampaio
para assumir a presidência da Federação Espírita Brasileira (FEB), por considerá-lo
o único capaz de unificar o movimento espírita. Aceitando a incumbência,
Em Dezembro de 1899
foi acometido de uma grave congestão cerebral, que levou ao seu desencarne às
11:00 horas e 30 minutos do dia 11 de Abril de 1900.
Durante sua existência
terrena, Bezerra de Menezes viveu de forma modesta e enfrentou muitas adversidades,
mas isto nunca o esmoreceu. Perseverou sempre para viver conforme os
ensinamentos de Jesus, sempre procurando auxiliar os mais sofridos e carentes, mesmo
esquecendo das próprias necessidades. Sua bondade e espírito de abnegação renderam-lhe
o título de médico dos pobres.
A medicina sempre foi
para ele mais do que uma profissão, era um verdaediro sacerdócio. Certa vez ele
declarou: "Um médico não tem o direito de terminar uma refeição, nem de
perguntar se é longe ou perto, quando um aflito qualquer lhe bate à porta. O
que não acode por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar- se
fatigado, ou por ser alta hora da noite, mau o caminho ou o tempo, ficar longe
ou no morro, o que sobretudo pede um carro a quem não tem com que pagar a
receita, ou diz a quem lhe chora à porta que procure outro -- esse não é
médico, é negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros
dos gastos de formatura. Esse é um desgraçado, que manda para outro o anjo da
caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a única espórtula que podia
saciar a sede de riqueza do seu Espírito, a única que jamais se perderá nos
vaivéns da vida."
Bezerra
de Menezes também escreveu vários livros, antes e após a sua conversão ao Espiritismo,
constam os seguintes trabalhos: "A Escravidão no Brasil e as medidas que
convém tomar para extingui- la sem dano para a Nação", "Breves considerações
sobre as secas do Norte", "A Casa Assombrada", "A Loucura
sob Novo Prisma", "A Doutrina Espírita como Filosofia
Teogônica", "Casamento e Mortalha", "Pérola Negra",
"Lázaro -- o Leproso", "História de um Sonho", "Evangelho
do Futuro". Escreveu ainda várias biografias de homens célebres, como o
Visconde do Uruguai, o Visconde de Carvalas, etc. Foi um dos redatores de
"A Reforma", órgão liberal da Corte, e redator do jornal "Sentinela
da Liberdade".
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