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Nascida no dia 28 de
agosto de 1890, Aurora Silveira era filha do brasileiro José Fabrício dos Santos
e da espanhola Petrona Tejera. De família com poucos recursos financeiros, ela
morava no departamento da Rivera, na República Oriental do Uruguai e só cursou
um ao da escola primária.
Sua vida sempre foi
repleta de árduos desafios, tanto em relação a família como nos trabalhos agrícolas.
Manifestou sua mediunidade muito cedo e seus pais por desconhecerem o fenômeno
e com medo da filha enlouquecer, reprimiam essas manifestações.
Casou-se duas vezes e
foi mãe amorosa e dedicada de sete filhos.
No anos de 1933, seu
segundo marido, Gervásio Silveira desencarnou deixando a família no mais
completo abandono, sem recursos para subsistência o que os levou a um período
de extremos desafios.
Foi nesta fase que
conheceu uma senhora de nome Valentina, que lhe deu alguns folhetos e revistas
espíritas. A leitura dessas publicações abriu-lhe um mundo novo, enchendo-a de
novo alento e fortalecendo-a para seguir adiante.
Com ânimo renovado,
Aurora começou a freqüentar junto com seus filhos os centros espíritas que
existiam nas cidades de Rivera e Livramento, na fronteira entre o Brasil e o
Uruguai e passou a dedicar-se a leitura de "O Evangelho Segundo o
Espiritismo".
Em 5 de junho de
1935, buscando melhores condições de financeiras, mudou-se para Montevidéu onde
passou a trabalhar como costureira. Certo dia, em que estava particularmente
cansada e aflita, pediu ao filho Baltazar para ler um trecho de "O
Evangelho Segundo o Espiritismo", neste momento Aurora incorporou um espírito
que disse para o seu assustado filho: "Não temais, venho para
ajudar-vos", então solicitou que procurassem reunir três ou quatro
pessoas, quando então voltaria. Ao despertar, Baltazar informou a mãe tudo que
tinha acontecido e, no dia seguinte
promoveu a reunião, segundo a vontade expressa do espírito comunicante, que deu
o nome de "Bon Ajou".
Depois desse dia a
mediunidade de Aurora desabrochou e ela passou a realizar curas fabulosas de
cegos, paralíticos, cancerosos e de uma série de pessoas desenganadas pela
medicina oficial. Através desses fatos sua fama espalhou-se rapidamente e
pessoas de todos os lugares passaram a procurá-la em busca de cura para seus
males.
Em função da propagação
desses fatos, Aurora foi acusada de exercer ilegalmente a medicina e foi presa,
passando seis meses numa prisão feminina. Seus filhos foram levados para os
mais diversos lugares, inclusive orfanatos.
Após o cumprimento da
pena, Aurora estava debilitada e abatida, entretanto em poucos dias estava de
volta ao mesmo lugar e reiniciou o seu trabalho de ajudar os mais necessitados
e de divulgar a Doutrina Espírita.
Depois de um período de
grandes lutas conseguiu realizar o seu sonho de obter personalidade jurídica para uma instituição
que fundou, o "Centro Evangélico Espiritual Hacia la Verdad",
sociedade beneficente cuja inauguração ocorreu em 31 de maio de 1944, e cuja
sede própria foi levantada em 1950, na Avenida General Flores, 4.689, em Montevidéu.
Tudo isso através do seu esforço, coadjuvado por um livro e um Espírito amigo.
O movimento espirita
uruguaio deve muito a essa mulher idealista, que através do seu exemplo,
dedicação e esforço superou todos os obstáculos e contribuiu para fazer
germinar, naquela nação, a semente generosa da Doutrina dos Espíritos.
Aurora
A. dos Santos de Silveira desencarnou no dia 10 de agosto de 1969, em
Montevidéu.
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