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Nascida
em 11 de janeiro de 1874, na cidade de Natal, capital do estado do Rio grande
do Norte, Adelaide Augusta Câmara, foi uma das mais importantes personagens
femininas do Espiritismo brasileira, tendo se notabilizado sob o pseudônimo de
Aura Celeste.
Em
janeiro de 1896, Adelaide mudou-se para o Rio de Janeiro, então capital do
país, para lecionar no colégio Ram Williams, emprego que conseguiu graças a
ajuda de alguns militantes do Protestantismo, religião a qual estava vinculada.
Desenvolveu sua tarefa com desenvoltura, até que resolveu criar em sua própria
casa um curso primário, por onde passaram muitas figuras importantes do cenário
nacional.
No
ano de 1898, começou a sentir os primeiros sinais de sua mediunidade. Sendo uma
pessoa que estava sempre em busca do conhecimento, encontrou certa vez no
jornal "O Paiz" as crônicas escritas pelo Dr. Bezerra de Menezes e
passou a lê-las regularmente. Encantada pela nova descoberta, resolve conhecer
mais de perto o Espiritismo e sob a sábia orientação do apóstolo Bezerra de
menezes, que na época era presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB),
começou a desenvolver sua mediunidade e iniciou o trabalho como psicógrafa no
Centro Espírita Ismael. Posteriormente ela desenvolveu a audiência e começou a
proferir palestras e receitar.
No
ano de 1906 Adelaide casou-se e teve que se afastar das atividades do centro em
função dos compromissos matrimoniais e da criação dos filhos, entretanto não
parou completamente, durante os intervalos das suas atividades domésticas,
conseguiu através da sua psicografia escrever a séria "Do Além", em
21 fascículos e o livro "Orvalho do Céu". Foi aí que adotou o nome de
Aura Celeste, pelo qual ficaria conhecida em todo o país.
Somente
após 14 anos, no ano de 1920, foi que Aura retornou a plena atividade, tanto
através das palestras quanto dos trabalhos mediúnicos. O seu entusiasmo foi
tanto que sua frágil constituição física se ressentiu do esforço. Mas isso não
a deteve, através do médico espiritual Dr. Joaquim Murtinho, iniciou vasto
trabalho de diagnóstico e cura de enfermos que lhe batiam a porta em grande
quantidade.
Com
o desenvolvimento do seu trabalho, as faculdades mediúnicas foram forma se
ampliando, e ela possuía: mediunidade de incorporação, audição, vidência,
psicográfica, de cura, intuitiva, além da extraordinária faculdade da bilocação,
tendo inclusive realizado muitas curas em diferentes lugares do Brasil, aos
quais se transportava através de “desdobramento fluídico”, sendo visível o seu
corpo perispirítico, como aconteceu em Juiz de Fora e Corumbá (fato
constatado por enfermos que, sob os seus
cuidados, a viram aplicar-lhes “passes”).
Aura
também utilizou seus talentos como poetisa, oradora e educadora, tendo deixado,
deixou excelentes obras lítero-doutrinárias, em prosa e verso, assinando-os
geralmente com o seu pseudônimo. Desse trabalho surgiram as obras: “Vozes
d”Alma”, versos; “Sentimentais”, versos; “Aspectos da Alma”, contos; “Palavras
Espíritas”, palestras; “Rumo à Verdade” e “Luz do Alto”. Alémd de várias
poesias e artigos doutrinários em revistas e jornais espíritas.
No
ano de 1924 Adelaide desperta o interesse para a assistência às crianças órfãs
e aos idosos desamparados. Decide então trabalhar para construir uma instituição
para abrigar e cuidar destes necessitados. Após três anos de infrutíferos esforços,
encontrou o confrade João Carlos de Carvalho que estava arrecadando fundos para
atender a igual objetivo e que lhe entregou uma lista de donativos para que ela
pudesse colaborar com a arrecadação. Poucos dias depois, João Carvalho
desencarna, e ela sem saber o que fazer, ficou de posse da lista e do dinheiro
angariado.
Alguns
meses se passaram, até que um Senhor, chamado Lopes, proprietário da Casa
Lopes, e que estava estudando a Doutrina mostrou interesse em fundar uma
instituição de auxílio e amparo aos órfãos. Ao saber disso Adelaide lhe informa
da existência da lista de donativos. O Sr. Lopes recebeu a informação com
entusiasmo e, em 13 de março de 1927, os dois fundaram o Asilo Espírita João
Evangelista, sendo Aura a sua primeira diretora.
Deste
dia em diante Aura passou a dedicar todo o seu tempo a esta instituição,
aplicando seu talento de educadora e orientadora em prol das daqueles que ali
acorriam em busca de amparo.
A vida
de Adelaide Câmara foi um testemunho de amor. Médium dedicada, honesta e sem
vaidade, oradora convincente e escritora talentosa, nunca se valeu dos seu talentos
para proveito próprio. Sempre trabalhou em prol dos carentes, necessitados e
desvalidos, vivenciando exemplarmente o amor ao próximo. Desencarnou no Rio de Janeiro, em 25 de Outubro de 1944.
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