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Jornal Universo Espírita
O
que fazemos quando dormimos?
Por
onde andamos?
Na questão 401 de O Livro dos Espíritos,
aprendemos que durante o sono os laços que unem o Espírito ao corpo se relaxam,
permitindo àquele percorrer o espaço e entrar em relação mais direta com outros
Espíritos.
Isso já não é novidade para o espírita.
Se dormimos cerca de 6 a 8 horas por dia.
resulta que passamos grande parte da nossa existência em sono fisiológico
reparador.
Será que sabemos o que fazemos nessas largas
horas de desprendimento? O que seriam os sonhos que trazemos na lembrança?
Consultemos Joanna de Angelis:
- Para onde vai o Espírito ao desprender-se
do corpo físico e como isto ocorre?
- "Quando ocorre o fenômeno do sono e
se afrouxam os liames que prendem o Espírito ao invólucro corporal, funcionando
este sem a necessidade da sua permanência, o Espírito desloca-se, atraído pelas
poderosas correntes de interesses que o prendem às vibrações que cultiva, sendo
levado, compulsivamente, aos lugares onde se compraz em permanecer."
- Todos nós sonhamos?
- "Todos os homens sonham, mesmo quando
não se recordam ao recobrar a lucidez mental, no ato de despertar. Ninguém
suportaria a vilegiatura no corpo, se não fruísse desses interregnos
abençoados, nos quais volvem ao passado, reatando ligações de afetividade,
evocando reminiscências queridas, restabelecendo acordos de elevação e
liberdade... Outrossim, nesses estados retempera-se o animo, na comunhão com os
Protetores Espirituais que aguardam a criatura no Além, bem como os amores que
a seguem com carinho entre as expectativas dos seus triunfos e dos receios de
malogros, que tudo fazem por impedir, já que retardariam os cometimentos
felizes em tais programações para o futuro."
- Uma vez desprendidos do corpo físico,
conseguimos nos dar conta do que está ocorrendo?
- "No estado do repouso físico o
Espírito recobra o controle das potencialidades, podendo, não somente recordar
o passado, como algumas vezes, dependendo do seu estado de maior ou menor
evolução, penetrar nos arcanos do futuro, graças às percepções que se Ihe
acentuam, conseguindo adentrar-se na informação dos acontecimentos mais ou
menos delineados..."
- O que ocorre nesses encontros com os
Protetores Espirituais?
- "Nos desprendimentos naturais e parciais
facultados pelo sono, o ser reencarnado se comunica mais facilmente com os
Espíritos, dos quais recebe instruções e diretrizes que o auxiliam na escala
evolutiva. Pode melhormente desnudar os problemas e revelar as apreensões
angustiantes que o atemorizam, recebendo palavras de conforto e esclarecimento
com as quais firma propósitos de ascensão, admitindo de bom grado as rudes
provações por conscientizar-se de que, da boa condução delas, pode retirar
valioso proveito para si e para aqueles que Ihe são o tesouro querido.
Participa de reuniões de elevado teor, ouve aulas de cultura nobre, inteira-se
de planos superiores que logo mais se corporificarão no mundo, instrui-se em
conferências momentosas, em que os temas da atualidade são enfocados sem as
paixões de seitas, nem de grupos, de interesses personalistas nem mesquinhos,
adestra-se para vôos mais altos e difíceis."
- Isso ocorre com todas as criaturas?
- "Os Espíritos mais embrutecidos pelas
paixões dissolventes, no estado de emancipação parcial, deixam-se arrastar às
regiões inferiores, onde fixam os seus ideais mais grosseiros, de que fruem as
sensações mais brutalizantes, vivendo as alegrias desordenadas que decorrem dos
gozos selvagens ou as apreensões torturantes das falsas necessidades que agasalham
com volúpia enlouquecedora. Comumente explorados por outros Espíritos
inferiores que se Ihes afinizam pelo estreito conúbio das permutas de
idiossincrasias infelizes, defrontam-nos e receiam-nos, transmitindo ao cérebro
em forma de sonhos extravagantes, de pesadelos hórridos os receios e fugas que
empreendem, em tentativas de se libertarem vãmente dos comparsas desencarnados.
A mente é o centro de atração e repulsa que
imana ou desprende aqueles com os quais alguém se afina pelo processo da
similitude ou não de cogitações."
- Guardamos a lembrança disso?
- "A larga faixa dos que se demoram
anestesiados pelo imediatismo das expressões sensoriais, com dificuldade
recobra a lucidez, demorando-se no denso e tóxico vapor que exalam das
viciações e vinculações subalternas, padecendo as injunções obsessivas, sem que
a consciência registre as lembranças desses encontros espirituais, tal a
inconsciência que desses infelizes se apossa, quando adormecem."
- O que ocorre, efetivamente, com o Espírito
emancipado, nessas ocasiões?
- "Os que vivem submissos aos vícios
perturbantes são conduzidos pelos cômpares desencarnados ao submundo das
misérias morais, aos baixos redutos de teor vibratório pestilencial, onde mais
se encharcam da psicosfera carregada, que os amolenta e vence, criando neles,
fixando ou reacendendo os impulsos que os levam a buscar os seus equivalentes
humanos, quando volvem ao corpo. Nesses cometimentos sofrem hipnose bem urdida
por aqueles que os dominam e pretendem prosseguir utilizando-se das suas fraquezas
de caráter em obsessões formidandas, vampirizações escorchantes e
aniquiladoras... Defrontam ali os que Ihes são antipáticos, porque o amor, como
o ódio, extrapolam-se, dentro do conceito de que "os extremos se tocam no
infinito", atraídos pela animosidade que os vitaliza durante as horas de
lucidez física."
- Esses acontecimentos infelizes no mundo
espiritual inferior desgastam o corpo físico?
- "Há milhões, de criaturas que se
dizem mais cansadas quando despertam. Isto é perfeitamente razoável, graças ao
comportamento vivido no período de desprendimento das amarras orgânicas."
- O que devemos fazer para evitar essas
vinculações?
- "Imprescindível que, precedendo o
momento do sono natural, que é de vital importância, o homem se arme dos
pensamentos salutares e das disposições superiores que o colocam em faixa
vibratória impeditiva aos ataques dos levianos desencarnados, sempre à espreita
de ociosos e negligentes quanto eles mesmos e que se comprazem nos intercâmbios
prejudiciais de que se nutrem, se divertem e mais se infelicitam. É claro que a
melhor e mais eficiente precaução resulta da boa conduta, da vida mental
equilibrada, dos propósitos edificantes acalentados. No entanto, absorvido
pelos deveres e sucumbido ante as tribulações do cotidiano, restam-lhe os
intervalos da oração, das leituras referentes, das meditações e reflexões
renovadoras nas quais se haurem forças para recompor os passos equivocados,
recomeçar os serviços interrompidos, dispor-se aos novos empreendimentos de
santificação."
- Uma vida equilibrada ajuda na recordação
dos sonhos?
- "Naqueles que se adestram pela vida
mental e moral para os problemas do Espírito, a lucidez se faz de tal porte sem
jaça, que conseguem, visualizando as ocorrências futuras, guardar a lembrança
nítida do estado espiritual e dos sucessos ocorridos. João, em Patmos,
convocado por Jesus, através do desprendimento pelo sono, anotou a visão dos
acontecimentos futuros da Humanidade, mediante os símbolos que Ihe foram
apresentados, oferecendo aos estudiosos de todos os tempos a insuperável
mensagem do Apocalipse."
- O que faz, muitas vezes, nossos sonhos
parecerem tão sem nexo?
- "Ocorre, normalmente, que à visão
descortinada, no estado de desprendimento da alma, se somam as imagens
arquivadas na memória, produzindo, quando de volta ao corpo, um estado de
confusão e desordem que nenhuma lógica apresenta."
- Como podemos melhorar nossa compreensão
dos sonhos?
- "Uma metódica disciplina mental logra
resultados positivos, impedindo que as coisas do dia-a-dia interfiram nas
paisagens penetradas durante o período dos sonhos."
- Como podemos aproveitar os conselhos e
ensinamentos dados pelos Amigos Espirituais, se, muitas vezes, não trazemos
conosco a recordação?
- "O esquecimento dos conselhos,
advertências, lições que se recebem no estado de sonho, de forma alguma se
tornam inúteis, porquanto realizam 0 seu papel de predispor, harmonizar
intimamente, fortalecer a alma para que esta se possa desincumbir com maior
segurança dos compromissos assumidos para com a vida."
- Para que tenhamos sempre "bons
sonhos", 0 que nos aconselha?
- "Sendo predominante a vida
espiritual, porque preexistente e sobrevivente ao corpo, compete ao homem
pensar e agir como se cada momento da sua vida fosse o seu último instante, que
merecesse ser aproveitado com sabedoria, a fim de que, na emancipação pelo
sono, possa gozar por antecipação do estado que defrontará, quando se libertar
em definitivo do envoltório material sob o impositivo da morte física."
(Fonte de pesquisa: No Limiar do Infinito - Divaldo Pereira
Franco Espirito Joanna de Angelis)
Em 1929, o norte-americano
Sylvan Muldoon, que se considerava um "viajante astral", escreveu o
livro Projeção do Corpo Astral e o ilustrou com estes desenhos, a fim de
mostrar o caminho percorrido pelo "corpo astral" durante a projeção.
Começando abaixo, o espírito liberta-se e
flutua um pouco acima do corpo físico. Depois eleva-se na horizontal e vira,
para ficar de pé. Quando retorna ao corpo físico o processo é revertido e as
duas formas se reunificam. Nesse período, os corpos permanecem conectados por
um elástico cabo prateado.
Fonte:
Jornal Universo Espírita – set/1998
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