|
Waldehir Bezerra de Almeida
Há
urgência de se qualificar trabalhadores dispostos ao
exercício da recepção nas casas espíritas. Essa atividade encontra seus
fundamentos no Evangelho e na Codificação Kardequiana.
À
Casa Espírita não basta abrir suas portas ao público para nela simplesmente
entrar quem assim desejar. É necessário que se desenvolva um trabalho de
acolhimento, com calor humano e atendimento fraternal aos que ali chegam pela
primeira vez, para que voltem outras vezes. Este setor de trabalho é a
Recepção, que encontra fundamentos no Evangelho e nas obras Doutrinárias.
Citamos apenas três deles.
1º) O compromisso com Jesus para recepcionar, com
fraternidade e interesse, todos aqueles que são por Ele enviados à sua Casa, ou
seja, o Centro Espírita. (“Se alguém
receber o que eu enviar, me recebe a mim, e quem me recebe a mim recebe aquele
que me enviou” - João 13:20).
2º) Prática da caridade com a Doutrina Espírita,
usando todos meios lícitos e convenientes para a sua comunicação. (“Dois
elementos hão de concorrer para o progresso do Espiritismo: o estabelecimento
teórico da doutrina e os meios de a popularizar” - Obras Póstumas. Projeto
1868).
3º) Amor pela Casa Espírita, demonstrado no esforço
de preservar-lhe a boa imagem diante daqueles que a buscam para seu
esclarecimento e consolo. (“E se
algum lugar (Casa Espírita) não vos receber (com fraternidade) nem vos quiser ouvir (com
atenção), ao partirdes de lá, sacudi o pó de debaixo dos vossos pés em
testemunho contra eles” - Marcos
6:11).
O Centro Espírita, antes de ser dos
homens, é dos Espíritos que trabalham sob a égide do Cristo. Receber com amor
aqueles que lhe batem à porta, reconhecendo que ali chegam enviados pelo Médico
das Almas é de fundamental importância. A Recepção como setor de trabalho do
Centro Espírita, é um meio de popularizar o Espiritismo. Humanizada e
eficiente, conquistará para o Cristo o companheiro que dele se aproxima, na
esperança de ser acolhido com fraternidade.
Lembremos o conselho de Jesus aos seus apóstolos,
quando os enviou à pregação da Boa Nova, dizendo que se não fossem bem
recebidos deveriam testemunhar contra os maus recepcionistas. Ora, os que procuram
o Centro Espírita e não são bem recebidos também irão testemunhar contra ele,
sem dúvida, e terão dificuldade em aceitar a afirmativa de que seus membros
trabalham em nome do Senhor.
O serviço de recepção na Casa Espírita deve
aperfeiçoar-se cada vez mais, não somente na área técnico-administrativa,
qualificando seus colaboradores e dotando-a de instrumentos racionais que
favoreçam um desempenho eficiente dos recepcionistas, mas, sobretudo, no campo
do amor. Amor ao trabalho que se faz e a quem dele se beneficia. Todos os
recursos que a ciência e a tecnologia nos oferecem devemos deles fazer uso em
nossa Casa para que, de maneira mais prática, chegue a todos a mensagem da Boa
Nova, clarificada pela lógica da Doutrina Espírita. Nada, no entanto, substitui
a vibração humana da conversação fraterna, o convite indeclinável do sorriso e
da atenção amiga, àquele que fala, e a força do sentimento de solidariedade
expressado no desejo sincero de ajudar a quem se sente desamparado, abandonado,
confuso e desiludido.
Na boa recepção começa a assistência espiritual que a
Casa oferece. Os irmãos que atendem aos que a ela chegam pela primeira vez têm
a responsabilidade de informar pelos gestos, sentimento e palavras, que a Casa
é de todos os homens de boa vontade, desejosos em confraternizar, aprender e
trabalhar na Seara do Senhor. O irmão recepcionado sem alarido, mas com
alegria, respeito e atenção, sente-se confiante, admitindo que procurou a lugar
certo para o esclarecimento que busca a respeito dos “problemas do ser, do
destino e da dor” que o angustiam.
Sabemos que os Espíritos da Seara do
Cristo, no desempenho de sua tarefa de amparo aos necessitados encaminham das
ruas, dos bares, dos ambientes de serviços tumultuados, dos lares em
desequilíbrio, os irmãos atormentados e seus atormentadores desencarnados,
todos necessitados de orientação, de solidariedade e de amor, para as
organizações religiosas mais próximas, na esperança de que ali sejam auxiliados
nas suas dificuldades. O Centro Espírita, por motivos que muito bem conhecemos,
é sempre o templo ideal para esse atendimento, pois trabalha com a certeza do
interacionismo do mundo visível com o invisível.
Há urgência, portanto, de se
qualificar trabalhadores dispostos ao exercício dessa tarefa básica no Centro
Espírita, para que ele não venha ser somente um templo a mais na Terra, erguido
somente com paredes de tijolos, como tantas que ainda existem, e sim um
santuário do mundo espiritual na Terra, revestido com a argamassa da
fraternidade e sustentado pelas colunas do amor dos corações daqueles que nele
mourejam.
Os irmãos encarregados desse mister serão aqueles que já
detêm um razoável conhecimento do Espiritismo, estão integrados na instituição,
são conhecedores de suas diretrizes, normas administrativas e de suas
atividades. Seu perfil deve ser traçado como alguém simpático, atencioso e
loquaz suficiente para manter um diálogo objetivo e esclarecedor com o
visitante. Recepcioná-lo carinhosamente e encaminhá-lo com segurança ao setor
da instituição pertinente ao caso, oferecendo-lhe as informações preliminares
que necessite. É oportuno lembrar que o recepcionista irá se deparar com uma
diversidade muito grande de irmãos com os mais diferentes problemas e
interesses. A variação vai desde aquele que revela o seu tormento no olhar e no
falar, até àquele que simplesmente deseja assistir a reunião pública e depois
tomar um passe. São necessárias, portanto, ao recepcionista, muita
sensibilidade para uma rápida detectação do quadro apresentado pelo visitante e
maturidade suficiente para tomar decisões com amor, inteligência e energia,
visto que a manutenção da ordem e da disciplina nas adjacências da entrada
principal do Centro estará a seu cargo.
Cremos que assim agindo estaremos recebendo bem aos que
Jesus nos envia, preservando a boa imagem da Sua Casa e popularizando a Sua
Mensagem, o Espiritismo, de uma forma eficiente e fraterna.
(Publicado na Revista Internacional
do Espiritismo, em maio de 2000)
|