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Valdomiro Halvei Barcellos
Vemos já em grande alarde o
advento da clonagem de seres humanos. Ora, a Ciência é Divina e se as
possibilidades de clonagem começam a aparecer é porque a Providencia de Deus
foi oferecida aos nossos Cérebros...
XEROX DE GENTE
História (verídica) que
começou a desenrolar–se em setembro de 1973, narrada pelo escritor David M.
Rorvik, especializado em assuntos de ciência, que recebeu, na sua residência
campestre em Montana USA, um enigmático interurbano de NY. Os contatos o
aproximaram de um Sr Max, ‘very big’ em determinado ramo industrial, residente
em San Francisco, que alegou ter 67 anos. Numa exposição detalhada e franca das
suas motivações, Max contou, com algum embaraço, um pouco de sua história
pessoal e do mistério das suas origens. Órfão ou abandonado pelos pais,
passara, em criança, por uma serie de lares adotivos. Achava que ter um filho
era coisa muito importante–‘ pelo menos tão importante como dirigir um carro’,
para o que se exige permissão e habilitação específicas, como declarou Francis
Crick, o Premio Nobel. Ele queria um herdeiro, mas não desejava expo–lo aos
azares da genética. Em suma: morreria em paz (expressão que usou mais de uma
vez) se pudesse ser o primeiro ser humano a ‘reconstruir–se’, ou seja, ‘nascer
de novo’ num outro ser que teria assim, a origem bem definida que lhe faltara.
Estaria disponibilizando $ 1 milhão de dólares. Acreditava que, dessa maneira,
sua identidade poderia ser transferida para o seu rebento clonal.
Considerava, também, a possibilidade
de conseguir, dessa maneira,m ‘enganar o destino’ e, “possivelmente, estender
sua consciência além das fronteiras que a natureza parece ter imposto”.
Percebe–se que Max estava
pensando em sobreviver à morte na pessoa de um “XEROX” de si mesmo. Aliás, é o
que deixa consignado Rorvik neste trecho:
Tem sido aventada a idéia de
que os participantes de uma só clonização poderiam experimentar uma desusada
empatia, quase telepática e presciente. Admitiu–se mesmo a idéia mística de que
a noção consciente do mundo poderia, de certa maneira, sobreviver à morte do
corpo, localizando–se na consciência clonizada. Em outras palavras: uma vez
conseguida a reprodução clonizada de várias pessoas, todos os que integrassem
aquele conjunto de indivíduos da mesma origem biológica estariam intimamente
ligados entre si, como se se utilizassem uma só mente repartida entre eles.(In
His Image–À Sua Imagem -, de David M. Rorvik, Ed Hamish Hamilton Ltd, Londres,
1978, e First Sphere Books, 1978).
O Autor do Artigo examina “mais
de perto o problema da clonização”.
Basta o leitor recorrer à sua
biologia ginasial para saber que quase todas as células do corpo humano têm no
núcleo um jogo completo de 46 cromossomos nos quais está gravado o código
genético do indivíduo. Quase todas e não todas porque as células específicas da
reprodução– o óvulo, na mulher, e o espermatozóide, no homem–têm apenas metade
dos cromossomos, isto é 23, motivo pelo qual o mecanismo da geração de um novo
ser somente é ativado quando essas duas células se unem. A não ser, pois, estas
células, digamos incompletas, todas as demais dispõem da informação necessária
para reproduzir um corpo físico.
Daí a hipótese de que se for
possível, por um processo delicadíssimo de micro-cirurgia, retirar o núcleo de
uma célula–qualquer célula, menos a sexual–sem danifica–lo e coloca–lo dentro
de um óvulo, do qual também houver sido extraído o respectivo núcleo, estaremos
ante a probabilidade de desencadear o processo reprodutivo. Naturalmente que o
ser resultante seria geneticamente idêntico ao doador do núcleo implantado, sem
nenhuma herança genética da mulher que doou o óvulo, pois o código se acha
gravado no núcleo da célula, onde se encontram os genes, e não no citoplasma. A
contribuição genética da mãe se tornaria, nesse caso, desnecessária, porque o
núcleo retirado do doador já traz a programação completa nos seus 46
cromossomos.
Daí partiram as especulações
mais fantásticas. J. B. S. Haldane, considerado um dos mais brilhantes
cientistas do séc XX, imaginou clonizar gente com algumas ‘características
desejáveis especiais’, como insensibilidade à dor, capacidade, capacidade de
excluir seletivamente da audição os ultra–sons, visão noturna, estatura
diminuta, etc. tudo, como se vê, com finalidades estratégicas–militares. (Ninguém
imagina criar, por exemplo, um indivíduo mais compassivo, mais resistente ao
mal, e assim por diante).
Jean Rostand, famoso
biologista francês, acha que a clonização poderia ser usada para promover a
imortalidade através de uma série de indivíduos que iriam sendo substituídos
como exemplares usados de um livro por uma nova edição do mesmo livro.
O Dr. Jopshua Lederberg,
Prêmio Nobel, achou possível eliminar o hiato das gerações (generation gap), de
vez que, em virtude da similaridade das células neurológicas entre doadores e
clonizados, seria possível passar o conhecimento diretamente de uns para
outros. O Dr. Elof Axel Carlson, da UCLA, sugeriu a clonização de alguns mortos
importantes, a fim de traze–los de volta à vida. Acha mesmo viável ‘reconstruir’
o Faraó Tutancâmon a partir de DNA residual ainda existente em sua múmia.
O Dr. James Danielli sugere
colocar em ambientes diversos cópias idênticas do mesmo indivíduo, a fim de
dirimir a velha controvérsia acadêmica que arde em torno do dilema: seria o
caráter produto do meio ou da hereditariedade?
O Dr. James Watson, outro
prêmio Nobel, acha que a clonização humana será o fim da civilização ocidental
se não forem tomadas providências para impedi–la.
Tais especulações adquiriram
impulso no princípio da década de 60, quando o Prof. F. C. Steward e seus
colegas da Cornell conseguiram obter brotos e raízes minúsculas a partir de
células individuais retiradas da cenoura. Colocados na terra esses brotos e
raízes vingaram e produziram cenouras perfeitamente normais*. · Clonização
deriva do termo grego KLON, broto, ramo, galho. É, portanto, basicamente, um
processo de enxertia.
Daí se admitiu que, sendo
possível clonizar legume, nada impede que, em teoria, seja também possível
clonizar gente. Tanto quanto sabemos, ninguém até o momento, está cogitando do
Espírito. Todos esses geniais cientistas estão convictos de que o ser humano é
apenas conjunto de acasos evolutivo e mantido por um processo meramente
bioquímico, ainda que da mais alta complexidade.
Em conseqüência, alguns
apologistas da clonização fizerem um levantamento, indicando certas aplicações
vantajosas para o método. Vejamos umas poucas: Reprodução de indivíduos geniais
ou excepcionalmente belos, a fim de melhorar a espécie humana e ‘tornar a vida
mais agradável’.
Reprodução dos mais sadios,
visando a excluir o risco das doenças genéticas implícito na ‘loteria da
recombinação sexual’.
Obtenção de amplas quantidades
de seres humanos geneticamente idênticos, de modo a permitir o estudo da
influência do meio na formação do caráter.
Obtenção de filhos pelos
casais inférteis.
Obtenção de crianças
previamente especificadas à escolha dos seus responsáveis–genes de alguém
famoso, de um parente morto, de um só dos esposos, etc.
Controle do sexo dos filhos.
Produção de seres idênticos
para tarefas especiais que exijam comunicação de natureza telepática ‘na paz e
na guerra (não excluindo a espionagem)’.
Produção de réplicas
embrionárias de cada pessoa e que, armazenadas em congelador, serviriam par uso
de eventual como ‘ peças de reposição’ em transplantes.
Suplantação dos russos e
chineses, de modo a prevenir o hiato clonal (‘cloning gap’).
Retornando a narrativa: Em
princípio, toda a tecnologia necessária a clonização de um ser humano já
existia ou estava a um passo de ser criada. Max queria um herdeiro masculino
clonizado, cópia fiel de si mesmo, e assegurava que dinheiro não seria
problema. Cabia, portanto, Rorvik reunir a equipe capaz de realizar a proeza
que consistiria, esquematicamente, no seguinte: Conseguir um óvulo sadio. (Max
desejava que a mulher fosse jovem, bonita e virgem).
Extrair–lhe o núcleo e
substituí–lo por um núcleo de uma célula não–sexual de Max.
Conseguida a fecundação in
vitro, isto é, em laboratório, reimplantar o ovo, já em desdobramento celular,
no organismo da mesma jovem ou de outra, desde que o ciclo reprodutivo
estivesse na fase certa.
Acompanhar cuidadosamente a
gestação.
Fazer o parto.
Depois de muitos contactos,
marchas e contramarchas, Rorvik conseguiu persuadir um grande nome da ciência
médica a aceitar o encargo. Como sua identidade também teve de ser preservada
no anonimato, Rorvik chama–o simplesmente (e significativamente) de Darwin.
Em reunião realizada no rancho
de Max no sul da Califórnia (ele tem uma coleção de residências pelo mundo a
fora), o assunto foi exaustivamente debatido. Impraticável seria para nós
examinarmos todas as idéias ‘atiradas à mesa’.
Não resisto, porém, ao apelo
íntimo de abrir uma exceção para destacar um dos aspectos abordados.
O médico que Rorvik chama de
Darwin não acha que a clonização seja um processo natural. Segundo ele afirma,
o mundo está cheio de partenogenones** e a maioria deles surge sem a ajuda do
homem. Tais seres, cuja formação não é muito diferente da que produz clones,
resultam dos chamados partos virginais (virgin births), ou seja, criaturas
geradas exclusivamente pela mãe. O fenômeno tem sido observado em muitas
espécies e foi até mesmo induzido artificialmente em mamíferos no princípio da
década de 30 pelo Dr. Gregory Pincus, que mais tarde se tornaria famoso como um
dos pais da pílula anticoncepcional.
Segundo Darwin, há certa
quantidade de partenogenones humanos. A Dra. Helen Spurway, especialista em
Eugenia e Biometria do University College, de Londres, assegurou que uma em
cada um milhão ou dois de mulheres seria provavelmente nascida de mães virgens
por autofecundação do óvulo sem interferência do fator masculino.
Convém lembrar, para
esclarecer, que somente a célula reprodutiva masculina contém o cromossomo Y,
capaz de criar um ser do sexo masculino. No óvulo, em vez da dupla XY do homem,
existem dois X(XX).
Continuando. Em local não
identificado, com pessoas não identificadas, por meios não claramente
descritos, tudo isso por óbvias razões de proteger o anonimato, começou a
desenrolar–se o drama da criação clonal de um ser humano. Num país que suponho
(não me perguntem como nem por quê) ser localizado no sudeste asiático, foi
montado um moderníssimo laboratório de pesquisa anexo ao hospital ali mantido
pela organização agroindustrial de propriedade de Max. Darwin e uma dupla de
assistentes conseguiram um dia–cerca de dois anos e alguns milhões de dólares
depois–chegar às condições desejadas e ansiosamente esperadas.
O óvulo de uma jovem sob o
belo nome–código de Sparrow (Andorinha) aceitou o núcleo de uma célula de Max
(sem nenhum contato sexual naturalmente). Não me ficou bem claro, mas o núcleo
parece ter sido extraído de uma célula cancerosa que, pela sua maior velocidade
de reprodução mais facilmente se sincronizaria com o ritmo duplicador da célula
sexual. O ovo começou a duplicar–se normalmente em ambiente de cultura
apropriado. Em seguida, no ponto certo, foi reimplantado no útero da jovem que
também o aceitou sem rejeição e a gestação prosseguiu tranqüila, sob a mais
intensa vigilância da equipe. Com a necessária antecipação, a moça foi levada
para algum ponto dos Estados Unidos, onde a criança nasceu em dezembro de 1976.
Sparrow, uma jovem de grande
beleza e não menos marcante personalidade e inteligência, não permitiu que se
filmasse o evento, como queriam, pois seria imodesto fazê–lo. Concordou, porém,
em que um gravador ficasse ligado para documentar o primeiro vagido do primeiro
ser humano clonizado.
Seria impraticável, a meu ver,
descrever a cena final da aventura milionária sem reproduzir literalmente as
palavras de David Rorvik:
Sparrow disse que desejara que
a criança chegasse no Natal – que ainda esta a duas semanas. Max sentia–se
visivelmente feliz de houvesse acontecido tudo aquilo em 1976–sua contribuição
ao bicentenário americano, disse ele. Darwin estava radiante. Mary (assistente
de Darwin) parecia quase beatífica. Max sentara–se à beira da cama de Sparrow.
Ela segurava a criança envolvida num pequeno cobertor, junto ao seio. Não era,
pensei eu, exatamente um núcleo familiar. Mas era uma cena emocionante, aquele
velho, aquela menina e aquele estranho bebê. Fiquei a imaginar o que aquela
enrugada criaturinha estaria a ver. E o que poderia saber. E se seria um bravo.
Como se observa uma loucura
total, em clima de autêntica ficção científica, da mais aterradora, tudo no
pressuposto de que o ser humano é apenas matéria. Dentro desse esquema, para o
qual só uma palavra seria adequada – diabólico -, seríamos todas criaturas sem
alma, sem compromissos espirituais, programáveis em computadores e manipuláveis
à vontade, segundo fantasias e a estranha moral dos brilhantíssimos mestres da
engenharia genética.
Já há mesmo quem especule
sobre a existência futura de exagerada demanda para genes especialmente
desejáveis, com os de Mick Jagger, John Kennedy e outros.
Um pedaço de pele – escreve
Rorvik – poderia, de repente, valer uma fortuna no mercado negro da clonização.
Dessas especulações e de
inúmeras outras ainda mais desvairadas, emergiu um novo ramo de especialização
intelectual: a Bioética, que tem por finalidade discutir e, eventualmente,
disciplinar, já que não teria poderes para prevenir, ou impedir, o inevitável
envolvimento da pesquisa com os aspectos éticos da vida. Como por exemplo: o
cientista é livre para tentar qualquer experiência, mesmo que contenha
implicações de impacto previsivelmente negativo nos mecanismos que o processo
evolutivo construiu ao longo dos milênios? E se criar um monstro? Ou um bacilo
rebelde a qualquer droga inibidora? Ou uma mutação totalmente indesejável no
ser humano?
Uma palavra final para
concluir.
De minha parte, aceito, em boa
fé, a realidade desse menino. Seria injurioso tomar o livro de Rorvik como
disfarçada ficção científica escrita de maneira especial para criar as
aparências de realidade. E mais correto é inevitável aceita–la como realidade
imitando a ficção mais imaginosa. Suas implicações são tremendas e,
infelizmente, muitos milhões de seres estão despreparados para absorver esse
impacto sem grandes abalos. Aqueles que continuam a pensar obstinadamente que o
ser humano não passa de uma construção meramente bioquímica, ainda que
terrivelmente complexa vão achar que a ciência acaba de confirmar o
materialismo biológico. Mais uma vez, pensarão, o homem agiu como Deus e criou
a vida...
O menino clonizado é, sem
dúvida, uma ‘xerox’ humana de Max, gerado no organismo de Sparrow, a partir de
um núcleo celular extraído do corpo de seu pai (Pai). Max acha que ele será
também igual a ele, idêntico, psicológico, moral e intelectualmente e que, no bebê
clonizado, ele, o velho Max, vai sobreviver na consciência partilhada.
Darwin e creio que até Rorvik
hão de admitir esses conceitos ou coisa muito semelhante, pois vivem todos
dentro do mesmo contexto materialista. Não é sem razão que o livro se chama À
Sua Imagem.
Não sei o que pensa Sparrow. O
livro reproduz dela um mero retrato falado, mesmo assim, bastante
impressionante. Sinto no seu espírito insuspeitadas profundidades e não seria
surpresa se um dia viéssemos, a saber, que ela é senhora de milenar sabedoria.
Eis a esperança.
Quanto ao seu filho (Filho?),
não há dúvida: ali está um Espírito que, encontrando reunidas as condições
mínimas exigidas pelas Leis Divinas, reencarnou–se para uma importante tarefa,
qual seja, a de demonstrar quão misteriosos são os desígnios de Deus e infinita
a Sua Sabedoria que por toda parte criou alternativas para o maravilhoso
processo de renovação da vida.
Não há nada que a natureza
tanto deseje – disse Darwin a certa altura - quanto um bebê.
Um dia, quando o homem descobrir
que nem a sua arrogância é maior do que a misericórdia de Deus, ele perceberá
que, em vez de criar um ser inteligente, apenas descobriu um método que Deus
havia criado para nos oferecer o maior número possível de opções entre as
muitas que deixou abertas para que possamos chegar de volta a Ele.
- Dom gratuito de Deus é a
vida eterna – disse Paulo aos Romanos (6:23).
** O autor do artigo afirma
desconhecer o termo partenogenone. Há em português, como em inglês,
partenogenético, que, evidentemente, não é a mesma coisa. Partenogenone é o ser
nascido de mulher virgem, sem contacto masculino.
Fonte:
Portal do Espírito - www.espirito.org.br
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