|
Elaine Curti Ramazzini
Se visamos ao atendimento do homem
integral em trabalhos assistenciais, é indispensável prepará-lo para as
condições do mundo em que vivemos, responsabilizando-o pela sua própria vida e
pelo seu crescimento, favorecendo-lhe condições para que ele se utilize de suas
próprias ferramentas interiores e se construa num sentido crístico.
A família é a fonte e o alicerce da saúde
mental da criatura e responsável pela sustentação e equilíbrio da sociedade. Em
atividades do serviço assistencial espírita, a constelação familiar é
priorizada no trabalho de atendimento ao carente, pois ela é a responsável pela
constituição dos laços emocionais e pela formação da estrutura psicológica de
cada ser.
A Doutrina Espírita amplia esta visão,
enfatizando que é no lar que reatamos e ampliamos os laços eternos com aqueles
que, na condição de desafetos e afetos passados, assumimos compromissos de
resgate, aprendizado e amor.
Compreender os compromissos da maternidade e
da paternidade, segundo Emmanuel, é participar da obra divina no encaminhamento
de espíritos necessitados de orientação e amparo. Além do mais, é através das
relações da criança com seus pais que surge a percepção de si própria e dos
outros, assim como se aprende o modo e capacidade de amar e de interagir com a
vida.
É no contexto familiar que cada um adquire
as bases do comportamento, da identidade sexual, das noções de direitos e
deveres e as maneiras de lidar com afetos e emoções.
O homem sobrevive em grupos e isto é
inerente à condição humana. "O homem não foi feito para viver só. " -
lecionam os Mensageiros do Senhor, em "O Livro dos Espíritos".
Os hábitos desenvolvidos durante toda a vida
física prosseguem na vida espiritual e os hábitos familiares, se alicerçados no
apreço, na consideração e no amor, sedimentarão relações seguras que projetarão
no campo social mais amplo exemplos de dignidade e respeito, influenciando
beneficamente outros espíritos necessitados de rumo seguro, firme, para os grandes
cometimentos.
Se visamos ao atendimento do homem integral
em trabalhos assistenciais, é indispensável prepará-lo para as condições do
mundo em que vivemos, responsabilizando-o pela sua própria vida e pelo seu
crescimento. Isto é o mesmo que lhe favorecer condições para que ele se utilize
de suas próprias ferramentas interiores e se construa num sentido crístico.
A Terra - todos sabemos - é planeta de
expiação e provas e a humanidade toda se ajusta a problemas dos mais variados
gamas. Uma rajada de tristeza e insatisfação pervaga todas as esferas da vida,
não só nas classes sociais paupérrimas. Há no homem um desejo incessante de
algo mais, que não se refere apenas ao atendimento de suas necessidades
primárias (aqui entendidas como o alimento, a água e o repouso...), porém
transcende a elas.
Elaborar esses conteúdos com o carente é
transmitir-lhe uma nova percepção da vida, clareando-lhe o mundo sombrio em que
ele se debate e procurando despertar-lhe a razão, o sentimento e a ação para
que, bem direcionados, o auxiliem na concretização de seus objetivos maiores.
Sinalizar-lhe quanto à finalidade do lar, na
realização espiritual de cada ser que a Misericórdia Divina colocou-lhe nas
mãos é o que de mais extraordinário podemos fazer para a elevação do espírito.
Apontar-lhe ainda que seu lar é o lugar sagrado por Deus, concedido às
criaturas para que elas, aproximando-se e reaproximando-se numa existência
comum e limitada, tenham condições de construir os elos do amor - real
sentimento e significado do Evangelho de Jesus -, representa tarefa sublime com
a qual todos nós, em Doutrina Espírita, estamos compromissados.
Fonte: Dirigente Espírita Nº 54
|