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Eliseu F. Mota Jr.
Analisando
as diferentes condições econômicas em que os homens se encontram na face da
Terra, alguns detendo verdadeiros impérios ao lado de outros morrendo na
miséria, muitas pessoas costumam questionar a justiça divina, sugerindo que
Deus poderia distribuir melhor as riquezas, fazendo desaparecer as diferenças
entre ricos e pobres.
Apenas
o Espiritismo oferece solução possível e racional para este e muitos outros
problemas sociais aparentemente insolúveis, estudando as leis morais da vida, a
reencarnação e outros princípios básicos que já abordamos neste espaço.
Mas
qual será a verdadeira propriedade do homem? Será que após a morte os ricos
continuarão ricos e os pobres continuarão pobres? Essa questão, que interessa a
todos indistintamente, foi tratada pelo Espírito Pascal em uma brilhante
comunicação dada em Genebra no ano de 1860, que Allan Kardec inseriu no
capítulo XVI de O Evangelho Segundo o
Espiritismo (“Não de pode servir a
Deus e a Mamon”), de onde extraímos respostas para as seguintes indagações:
P.
O homem é realmente dono das suas
riquezas?
R.
“O homem só possui em plena propriedade aquilo que lhe é dado levar deste
mundo. Do que encontra ao chegar e deixa ao partir goza ele enquanto aqui
permanece. Forçado, porém, que é a abandonar tudo isso, não tem das suas
riquezas a posse real, mas simplesmente o usufruto.”
P.
Que é então que ele possui?
R.
“Nada do que é de uso do corpo; tudo o que é de uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as
qualidades morais (grifamos). Isso o que ele traz e leva consigo, o que
ninguém lhe pode arrebatar, o que lhe será de muito mais utilidade no outro
mundo do que neste. Depende dele ser mais rico ao partir do que ao chegar,
visto como, do que tiver adquirido em bem, resultará a sua posição futura.
Quando alguém vai a um país distante, constitui a sua bagagem de objetos
utilizáveis nesse país; não se preocupa com os que ali lhe seriam inúteis.
Procedei do mesmo modo com relação à vida futura; aprovisionai-vos de tudo o de
que lá vos possais servir.”
P.
Qual o destino de cada um no mundo dos
Espíritos?
R. “Ao
viajante que chega a um albergue, bom alojamento é dado, se o pode pagar. A
outro, de parcos recursos, toca um menos agradável. Quanto ao que nada tenha de
seu, vai dormir numa enxerga. O mesmo sucede ao homem, à sua chegada no mundo
dos Espíritos: depende dos seus haveres o lugar para onde vá. Não será,
todavia, com o seu ouro que ele o pagará. Ninguém lhe perguntará: Quanto tinhas
na Terra? Que posição ocupavas? Eras príncipe ou operário? Perguntar-lhe-ão:
Que trazes contigo? Não se lhe avaliarão
os bens, nem os títulos, mas a soma das virtudes que possua. Ora, sob esse
aspecto, pode o operário ser mais rico do que o príncipe. Em vão alegará que
antes de partir da Terra pagou a peso de ouro a sua entrada
no outro mundo. Responder-lhe-ão: Os lugares aqui não se compram: conquistam-se
por meio da prática do bem. Com a moeda terrestre, hás podido comprar campos,
casas, palácios; aqui, tudo se paga com as qualidades da alma. És rico dessas
qualidades? Sê bem-vindo e vai para um dos lugares da primeira categoria, onde
te esperam todas as venturas. És pobre delas? Vai para um dos da última, onde
serás tratado de acordo com os teus haveres.”
Fonte:
O Clarim - Janeiro/1998
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