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Valdomiro Halvei Barcellos
“O estudo do sono fornece–nos,
sobre a natureza da personalidade, indicações de grande importância. Em geral
não se aprofunda muito o mistério do sono, o exame atento deste fenômeno, o
estado da alma, da sua forma fluídica durante parte da existência que consagramos
ao descanso, conduzir–nos–ão a uma compreensão mais alta das condições do ser
na vida do além”.
O sono possui não só
propriedades restauradoras (...), mas também um poder de coordenação e
centralização sobre o organismo material. Pode, além, disso, provocar uma
ampliação considerável das percepções psíquicas, maior intensidade do
raciocínio e da memória.
Que é o sono?
É simplesmente a alma que se
desprende, que sai do corpo. Diz–se: o sono é irmão da morte. Estas palavras
exprimem uma verdade profunda. Seqüestrada na carne, no estado de vigília, a
alma recupera, durante o sono, a sua relativa, temporária liberdade, ao mesmo
tempo em que o uso dos seus poderes ocultos. A morte será a sua libertação
completa, definitiva.
Durante o sono, a alma pode,
segundo as necessidades do momento, aplicar–se a recuperar as perdas vitais
causadas pelo trabalho quotidiano e a regenerar o organismo adormecido,
infundindo–lhe as forças tiradas do mundo cósmico, ou, quando está acabado esse
movimento reparador, continua o curso da sua vida superior, pairar sobre a
natureza, exercer suas faculdades de visão a distancia e penetração das coisas.
Nesse estado de atividade independente vive já antecipadamente a vida livre do
espírito: porque essa vida, que é a continuação natural da existência
planetária, espera–a depois da morte, devendo a alma prepara–la não somente com
as obras terrestres, mas também com suas ocupações quando desprendida durante o
sono. É graças ao reflexo da luz do alto, que cintila em nossos sonhos e ilumina
completamente o lado oculto do destino, que podemos entrever as condições do
ser no além.
Se nos fosse possível abranger
com o olhar toda a extensão de nossa existência, reconheceríamos que o estado
de vigília está longe de constituir–lhe a fase essencial, o elemento mais
importante. Vemos aqui a importância do sono para a evolução, as almas que de
nós cuidam do nosso sono para exercitar–nos na vida fluídica e no
desenvolvimento dos nossos sentidos da intuição. Efetua–se, então, um trabalho
completo de iniciação para os homens ávidos de se elevarem.
Os vestígios desse trabalho
encontram–se nos sonhos.
Assim, quando voamos, quando
deslizamos com rapidez pela superfície do solo, significa isso a sensação do
corpo fluídico, ensaiando–se para a vida superior.
Insistimos também na
propriedade misteriosa que tem o sono de fazer-nos senhores, em certos casos,
de camadas mais extensas da memória.
A memória normal é precária e
restrita, não vai além do círculo estreito da vida presente, do conjunto dos
fatos, cujo conhecimento é indispensável por causa do papel que se tem de
desempenhar na terra e do fim que se deve alcançar. A memória profunda abrange
toda a história do ser desde a sua origem, os seus estágios sucessivos, os seus
modos de existência, planetárias ou celestes. Um passado inteiro, feito de
recordações e sensações esquecido, ignorado no estado de vigília, está guardado
em nós. Esse passado só desperta quando o espírito exterioriza durante o sono
natural ou provocado. Uma regra conhecida de todos os experimentadores é que,
nos diferentes estados do sono, à medida que se vai ficando à maior distância
do estado de vigília e da memória normal, há expansão, dilatação da “memória”.
“O sono de ordinário pode ser
considerado como ocupando uma posição que está entre a vida acordada e o sono
hipnótico profundo,” este conceito deve fazer o caro leitor meditar longamente
e se possível pesquisar.” “E parece provável que a memória pertencente ao sono
ordinário liga–se por um lado à que pertence à vida de vigília e, pelo outro, à
que existe no sono hipnótico. Realmente assim é estando os fragmentos da
memória do sono ordinário intercalados nas duas cadeias”.
“À proporção que nos vamos
elevando na ordem dos fenômenos psíquicos, vão se apresentando com maior
clareza, com maior rigor e trazem–nos prova mais decisivas da independência e
da sobrevivência do espírito”.
As percepções da alma no sono
são de duas espécies. Verificamos primeiramente a visão à distância a
clarividência, a lucidez, vem depois um conjunto de fenômenos designados pelos
nomes de telepatia e telestesia (sensações à distância).”Para complementação da
compreensão deste parágrafo sugerimos a leitura da obra de Leon Denis, O
problema do ser, do destino e da dor”.
SONO E DESPRENDIMENTO
“Releva, contudo, assinalar
que, em se iniciando a criatura na produção do pensamento continuo, o sono
adquiriu para ela uma importância que a consciência em processo evolutivo, até
não conhecera.
Usado instintivamente pelo
elemento espiritual, como recurso reparador, no refazimento das células em
serviço, semelhante estado fisiológico carreou novas possibilidades de
realização para quantos se consagrassem ao trabalho mais amplo de desejar e
mentalizar.
Ansiando por livrar–se da
fadiga física depois de determinada quota de tempo no esforço da vigília diária
e, por isso mesmo, entregue ao relaxamento muscular, o homem operante e
indagador adormecia com a idéia fixada a serviço de sua predileção.
Amadurecido para pensar e
lançando de si a substância de seus propósitos mais íntimos, ensaiou pouco a
pouco, tal como aprendera, vagarosamente, o desprendimento definitivo nas
operações da morte, o desprendimento parcial do corpo sutil, durante o sono,
desenfaixando–o do veículo de matéria mais densa, embora sustentando, ligado a
ele, por laços fluídicos–magnéticos a se dilatarem levemente dos plexos e, com
mais segurança, da fossa rombóide.
Encetado o processo de
sonolência, com as reações motoras empobrecidas e impondo mecanicamente a si
mesma o descanso temporário, no auxílio às células fatigadas de tensão, isto
desde as eras remotas em que o pensamento se lhe articulou com fluência e
continuidade, permanece a mente, através do corpo espiritual, na maioria das
vezes, justaposta ao veículo físico, à guisa de um cavaleiro que repousa ao pé
do animal de que necessita para a travessia de grande região, em complicada
viagem, dando–lhe ensejo à recuperação e pastagem, enquanto ele se recolhe ao
próprio íntimo, ensimesmando–se para refletir ou imaginar, de conformidade com
os seus problemas e inquietações, necessidades e desejos.”
ASPECTOS DO DESPRENDIMENTO
“Dessa forma, aliviando o
controle sobre as células que a servem no corpo carnal, a mente se volta, no
sono, para o refugio de si mesma, plasmando na onda constante de suas próprias
idéias as imagens com que se compraz nos sonhos agradáveis em que saca da
memória a essência de seus próprios desejos, retemperando–se na antecipada
contemplação dos painéis ou situações que almeja concretizar”.
Para isso, mobiliza os
recursos do núcleo da visão superior, no diencéfalo, de vez que, ai, as
qualidades essencialmente ópticas do centro coronário lhe acalentam no silêncio
do desnervamento transitório todos os pensamentos que emergem do seio.
Noutras ocasiões, no mesmo
estado de insulamento, recolhe, no curso do sono, os resultados de seus
próprios excessos, padecendo a inquietação das vísceras ou dos nervos
injuriados pela sua rendição à licenciosidade, quando não seja o asfixiante
pesar do remorso por faltas cometidas, cujos reflexos absorvem do arquivo em
que se lhe amontoam as próprias lembranças. Numa e noutra condição, todavia é a
mente suscetível a influenciação dos desencarnados que, evoluídos ou não, lhe
visitam o ser, atraído pelos quadros que se lhe filtram da aura, ofertando–lhe
auxílio suficiente quando se mostre inclinada à ascensão de ordem moral, ou
sugando–lhe as energias e assoprando–lhe sugestões infelizes quando, pela
própria ociosidade ou intenção maligna, adere ao consórcio psíquico de espécie
aviltante, que lhe favorece a estagnação na preguiça ou a envolve nas obsessões
viciosas pelas quais se entrega a temíveis contratos com as forças sombrias.
Mas dessa função de espectador
à função de agente existe apenas um passo.
O pensamento contínuo, em
fluxo insopitável, desloca–lhe a organização celular perispiritual, à maneira
do córrego que em sua passagem desarticula da gleba em que desliza todo um
rosário de seixos. E assim como os seixos soltos seguem a direção da corrente,
lapidando–se no curso dos dias, o corpo espiritual acompanha, de início, o
impulso da corrente mental que por ele extravasa, conscienciando–se muito
vagarosamente no sono, que lhe propicia meia–libertação”.
O estudo do sono relacionado
com a mediunidade poderá ser tratado em outros artigos.
VIDE: Evolução em dois mundos,de
Francisco Xavier/André Luis, espírito.
Interrompemos nosso modesto
estudo sobre o fenômeno do sono; nosso objetivo foi tentar elucidar, de uma
forma simples e castiça a questões comumente a nós formuladas por pessoas
também simples e interessadas em aprender. Muito teríamos que discorrer a
respeito de: sono magnético, sonoterapia, sono e mediunidade, princípio da
exteriorização da alma, sonambulismo, dupla–vista , êxtase. Talvez em outra
oportunidade. Deixemos agora o espaço a outros cooperadores, sugerindo aos
leitores que pesquisem em torno destes assuntos.
Concluímos que tudo está bem
organizado pelo Criador, há harmonia e equilíbrio em tudo, a nossa natureza
esta muito bem estruturada, obviamente. O descanso é uma recompensa da
natureza. O sono é o salário do trabalhador. Vivamos cristamente e estaremos
sempre com a consciência tranqüila.
Bons sonhos.
Fonte:
Portal do Espírito - www.espirito.org.br
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