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Vera Meire Bestene
Se
o ensino moral fosse discutido, as religiões teriam encontrado a resposta de
que precisariam ser menos místicas, valorizando muito mais o aspecto moral que
existe em cada qual. Daí a necessidade de observar a essência de cada uma para
que sejam produzidas mais regras de conduta e menos misticismo, pois que a
conduta abrange todas as formas de exercício da vida, que nada mais são que o
princípio básico de todas as relações naturais. A promoção desta avaliação e do
exercício moral mais evidente, proporcionará, certamente, uma produção muito
maior da justiça o que será reconhecido instantaneamente por Deus.
Parece
óbvia, esta nossa observação, mas não é.
Todas
as religiões cristãs apreciam a moral evangélica. Todas sublimam a sua
necessidade.
Muitos
se apóiam em algumas máximas que se tornaram proverbiais. Muito poucos procuram
conhecê-la a fundo. Menos ainda são os que conseguem tirar proveito dela.
O
questionamento do porque disto está resumido na dificuldade das pessoas em
compreender a leitura que se faz do Evangelho, embora que seja inteligível para
a maioria.
Há,
entretanto, uma forma alegoria, mística, na linguagem que acarreta com que
muitos o leiam de forma a simplesmente tirar de si o sentimento de culpa de não
o fazer, portanto, meramente por obrigação. Estes esquecem que o Evangelho está
recheado de preceitos morais a serem seguidos, que passam pelas narrativas e
ali estão para serem seguidos.
Muitas
passagens da Bíblia e do Evangelho são de forma quase ininteligível pois que
até as mensagens de Jesus através de parábolas precisam da necessária análise
de seu real sentido para que não pareçam absurdas e se possa compreender todo o
aspecto moral que elas encerram.
A
Doutrina Espírita, através do Evangelho Segundo o Espiritismo procura mostrar a
melhor forma de tirar os meios de fazer uma melhor adequação da moral de cada
um com a moral cristã.
Graças
as comunicações recebidas através de Espíritos Superiores a Lei Evangélica foi
“desnudada” pelos Espíritos que nos proporcionam forma simples e absolutamente
compreensível de toda moral do Cristo, posto que a humanidade, os seres humanos
individualmente, não teria a possibilidade de encerrar em si a verdade
absoluta, daí a necessidade do auxílio da espiritualidade que faz com que se
tenha noção exata das entrelinhas e do que encerra, realmente, a moral evangeliza.
Deus,
inicialmente, utilizou a Lei Mosaica para que chegasse aos homens a necessidade
de manutenção da moral. Esta lei veio na proporção exata das possibilidades de
compreensão da época. Conforme o povo foi evoluindo houve a necessidade de mais
uma intervenção, ou seja, foi-nos enviado Jesus, não para modificar a Lei
Mosaica, mas para ampliá-la e fazer compreender melhor toda a abrangência moral
que nela se consubstanciava. Praticamente dois mil anos passados dos
ensinamentos do Cristo, houve a necessidade de uma terceira revelação que
deveria chegar aos homens de uma maneira mais rápida e de forma mais autêntica.
Razão porque foi dado aos Espíritos a autorização de levar aos quatro cantos do
mundo, manifestando-se por toda parte, de forma a que fosse a verdade universal
escutada, não dando a ninguém individualmente a tarefa de clarear a verdade da
moral cristã. Os Espíritos, assim, comunicando-se por toda a parte, garante com
que se possa avaliar as comunicações posto que um homem pode ser enganado
facilmente mas um bom número deles não. Se milhões vêem e ouvem a mesma coisa,
está configurada a verdade, e é aí que se afirma a verdade do Espiritismo pois
que ela está absolutamente embasada na ciência da observação e não se toma como
verdade qualquer informação mediúnica, mas tão somente quando ela é uma
informação universal, ou seja, confirmada por ser igual, transmitida através de
vários médiuns. Se houvesse um único intérprete por melhor que ele fosse não
poderia ser considerado como verdade pois que qualquer que fosse a categoria
deste ser provocaria a prevenção de muitos. Os Espíritos, desta forma,
comunicam-se de várias formas e em diversas partes do mundo, pois que o Espírito
não tem nacionalidade, independe de todos os cultos e tampouco se imprime em
nenhuma classe social em particular.
A
universalidade do ensino dos Espíritos faz a força do Espiritismo e garante com
que a voz dos Espíritos seja espalhada rapidamente, pois que muitos escutam
simultaneamente a mesma mensagem.
Sendo
o Espiritismo a expressão da verdade, ele não teme os escolhos das contradições,
pois que a ambição de alguns não pode macular a verdade universal.
Fonte:
Boletim GEAE nº 474 – abril/2004
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