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Marcelo Henrique Pereira
Paternidade Espírita! Mas, o que é isto? Já
vamos explicar... Trata-se, em verdade, da atitude consciente de todo aquele
Espírito que se propõe a passar adiante os ensinamentos espíritas a seus
filhos, dando-lhes, em verdade, a grandiosa oportunidade de crescimento
individual e de qualificação de suas vidas.
Em nossa tarefa junto aos Núcleos de
Evangelização Infanto-Juvenil, no trabalho com educadores, pais e responsáveis
por crianças, adolescentes e jovens, temos insistido na questão de condução dos
mesmos às reuniões específicas, onde é possível instruir o Espírito na
linguagem propícia à faixa etária que ele vivencia.
Mais do que levar crianças ou jovens às
Casas Espíritas, geralmente no horário de exposição doutrinária, é imperioso
conduzi-los à Instituição nos horários específicos para evangelização ou
educação espírita. Ali, o participante - certamente - encontrará pessoas
talhadas para a função, que receberão com carinho e entusiasmo o novo
integrante, e, através de diversificadas e cativantes dinâmicas de grupo ou
técnicas de estudo, que envolvem o debate orientado, a expressão corporal, a
música, a poesia, o teatro, a dança, a introspecção e a meditação - para ficar
somente nas principais vertentes da atividade - serão apresentados os conteúdos
essenciais do entendimento espírita da vida, do homem e do universo.
Evidentemente a maioria das crianças e, até
mesmo, dos jovens, não chega por vontade própria à reunião de evangelização.
Trazido pela mão, algumas vezes emburrado, contrariado, ou, no mínimo,
ressabiado, desconfiado, ele não sabe o que vai encontrar... Imagina tratar-se
de alguma "escola de moral evangélica", onde algum adulto irá lhe dar
lição de moral, impor-lhe disciplina e tocar em suas feridas, seus defeitos...
É natural que se pense assim... Afinal, a
imagem tradicional das religiões conduz a este raciocínio.
Surpreende-se, o novo freqüentador,
provavelmente já na primeira reunião. O cenário e o conteúdo são bem diferentes
disto! Percebe que o coordenador não é tão velho assim (talvez, não tanto em
idade cronológica, mas em postura), empolga-se com as novidades (que são
muitas, em termos de conteúdo), percebe o entusiasmo no olhar e na fala de cada
um dos seus novos amigos - que já participavam da reunião - e... quer voltar!
Chega em casa contando maravilhas, com
aquele brilho característico nos olhos... Felizmente!
Vai, aos poucos, se enturmando, vencendo
barreiras, domando a timidez e os medos tão característicos, para, mais à
frente, ser tão comunicativo, ou mais do que os seus pares... Estamos
acostumados a ver isso...
O coordenador ou orientador, passa a ser,
então, um modelo, um exemplo, um grande amigo, um "novo" pai... Não
que ele vá substituir o(s) pai(s) biológico(s). Longe disso! Apenas estará à
disposição do jovem para atendê-lo em seus anseios, responder suas dúvidas,
compreender seus problemas. Com ele - e com o grupo, também - será mais fácil
falar sobre certos assuntos, seus conflitos e dificuldades, suas esperanças e
sonhos.
Ele vai querer que a semana passe logo, para
reencontrar a "turma", a nova "família". O horário da
reunião, então, vai ser cada vez mais insuficiente, para tanto entusiasmo,
tanta vontade, tanta capacidade criadora.
Logo, logo, existirão - além do espaço
tradicional de reunião - outras atividades: passeios, visitas, encontros,
confraternizações, gincanas, retiros... Que bom, não é mesmo?
A maioria dos pais encara com alegria esta
nova rotina do filho, e acompanha de perto os trabalhos, às vezes com desconfiança
ou zelo, para saber efetivamente o que o mesmo faz em tais
"reuniões", por que ele se entusiasma tanto, etc. Outros começam a
sentir um pouquinho de ciúme - natural porque, afinal de contas, o filho
acabará preferindo muito mais o convívio com o grupo do que as opções (anteriores)
de vivência familiar. Esperamos que ambos consigam dialogar para mesclar as
coisas, para vivenciarem ambas as situações, porque elas são válidas e
altamente necessárias.
E, quanto mais cedo o ser despertar para
tais necessidades, encontrando atrativo no conhecimento da verdade espiritual,
em núcleos específicos e propícios ao seu aprendizado, melhores serão os frutos
a serem colhidos na trajetória. A conscientização, o desabrochar dos valores, a
luta contra as imperfeições terá iniciado bem cedo, despertando o ser para o
seu real objetivo nesta oportunidade encarnatória: evoluir!
Valiosa e fundamental, por isso, terá sido a
participação dos pais neste processo. Afinal, ao tomarem contato com o
Espiritismo, terão, por certo, se maravilhado ante o novo conhecimento,
encontrado respostas para questões antes insolúveis, explicações racionais para
os fenômenos da vida e, certamente, terão aprendido a cultivar a esperança em
suas vidas.
Então, da mesma forma que "não se oferecem
pedras aos filhos quando estes pedem pão", perceberam a necessidade de
estender aos filhos a oportunidade de (logo) conhecerem a Doutrina Espírita e
sentirem seus reflexos nos pensamentos, palavras e ações, rumo à libertação do
ser.
Todavia, o processo não acaba aí. Permanece
com o acompanhamento do desenvolvimento da criança ou do jovem no meio
espírita, porque é dever do pai responsável inteirar-se do que o filho faz, o
que é tratado em cada reunião, que informações novas podem ser compartilhadas
e, até mesmo, discutidas no âmbito familiar.
E, como o processo tem via dupla, o
desenvolvimento dos potenciais e do conhecimento espiritual de um - o filho -
terá de ser acompanhado pelo outro - os pais - que precisarão ler, conhecer,
estudar e participar mais das atividades espíritas. Senão, ficarão para trás,
inexoravelmente. Terão enormes dificuldades para compreender certos assuntos,
não podendo, inclusive, avaliar o que é ensinado às crianças e jovens e,
também, para perceber quando - sob algum aspecto - a informação disponibilizada
aos filhos corresponde, real e fielmente, aos postulados espíritas.
Você
está disposto a isto? Você está acompanhando o desenvolvimento espírita de seu filho?
Esperamos que sim. Afinal, sabemos que você é um pai espírita responsável,
não é mesmo.
Fonte: Fundação Espírita André
Luiz - www.feal.com.br
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