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Adriano Rodrigues da Nóbrega
São muitas as
imperfeições que ainda envolvem o ser humano no seu engatinhar evolutivo.
Ambição, avareza,
luxúria, inveja, ciúme, maledicência, cólera, orgulho, enfim, uma multidão de
mazelas perturbam seu relacionamento com o próximo, com Deus e com si mesmo,
por extrapolarem os limites estabelecidos pelas leis morais.
A doutrina espírita
nos elucida que todos esses males, e tantos outros, decorrem de uma única
fonte, impura e extremamente virulenta, o EGOÍSMO.
Por desconhecer a si
mesmo, enquanto Espírito eterno, tendente à perfeição, o homem afasta-se da
regra do bem-viver - amor ao próximo, enclausurando-se num mundo fantasioso e
ilusório, onde a renúncia é proibida e o bem deve ser conquistado a qualquer
custo, exclusivamente para si, ainda que em detrimento dos seus semelhantes.
Desse vil
entendimento, derivam os mais escusos modelos de relação social vigentes,
sustentados, no alto dos pedestais da soberba, pelos egoesclerosados do mundo,
edificando os impérios da espoliação, do autoritarismo, da escravidão, da
opressão e da discriminação de toda ordem – social, político-partidária,
sexual, religiosa, etc.
As elites religiosas,
que deveriam, enquanto supostos representantes de Deus, trabalhar em prol da
erradicação dessa moléstia social, ainda se encontram distantes desse
propósito, sendo, algumas vezes, os responsáveis pelo surgimento de dissenções
oriundas do nefasto exercício do orgulho religioso, defendidos por fanáticos da
fé, os quais, à margem da filosofia cristã, insistem em segregar a humanidade
em diferentes castas, que se julgam proprietárias da verdade absoluta, quando o
Universo reclama harmonia, equilíbrio e união.
Se alguns dos
sintomas dessa enfermidade moral saltam aos nossos olhos, outros tantos são
mais discretos e sutis, e, por isso mesmo, pela aparente inexistência, mais destruidores,
tais como as fofocas, as críticas infundadas e improdutivas, o extremismo, a
imposição de pontos de vista, comentários irascíveis, e, principalmente, o desrespeito
ao semelhante.
Diante dessa
conjuntura cruel , reputamos relevante, na busca de encontrarmos elementos
indutores de nossa reforma íntima, recorrermos a uma recomendação proferida por
um irmão mais velho, cuja autoridade moral autentica a veracidade de suas prédicas:
"...Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus...."
A afirmativa de Jesus
é imperiosa, ao reclamar a necessidade de, individualmente, higienizarmos nossa
alma, se pretendemos conhecermos o Pai, através do auto-conhecimento - a tarefa
da "hora".
A mente plasma, o dedo tecla, as mãos modelam, a boca fala do que está cheio o
coração, por isso, tratemos de lavar nossos corações, com o suor produzido no
serviço cristão, para nos vermos livres das impurezas próprias da acidez do
verbo, da crítica mordaz, das inferências injuriosas, da intolerância, do
espírito segregacionista, do personalismo egotista...
Não estamos no
educandário terreno sozinhos!
Em função da
dinamicidade da lei do progresso, não somos, maiores ou menores, melhores ou
piores do que ninguém, apenas estamos...
Cumpre-nos, portanto,
atentar, a todo instante, para a imensa ponte que nos une ao Criador: nosso
próximo, o substrato divino sob a qual devemos direcionar nossos impulsos
fraternos, herança amorosa do Pai.
Urge aprendermos, em
benefício próprio, o difícil exercício da renúncia de nossos interesses
individuais em favor do outro, condição imprescindível à convivência fraterna,
tão desejada por todos que buscam edificar a Família Universal, sob a égide da
Lei de Amor.
E conviver fraternalmente,
conforme exemplicou o Mestre Nazareno, é aceitar diferenças, acolher casuais
dessemelhanças, admitir divergência de entendimentos, sem a vaidosa pretensão
de mudarmos, quem quer que seja, na condição de guias, líderes ou gurus, mas,
simplesmente, nos humildando, respeitando, ajudando e amando, incondicionalmente.
Fonte: Universo
Espírita - www.universoespirita.org.br
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