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Eliseu F. Mota Jr
Estudando as obras básicas
da Doutrina Espírita, nota-se que os objetivos de um Centro Espírita são: a) o estudo da Doutrina Espírita; b) a divulgação da Doutrina Espírita; c) a prática da mediunidade para fins de
desobsessão, e, d) a prática da
caridade.
Como já abordamos nesta
coluna o passe, a caridade e a assistência social, desta vez vamos analisar as
sessões práticas de comunicação que são realizadas nos Centros Espíritas, que
muitas vezes ficam limitadas a conversas estéreis com Espíritos, que, além de
não acrescentarem nada de útil para o esclarecimento das pessoas, ainda
apresentam o inconveniente de agravar alguns casos de obsessão que deveriam
curar, ou, o que é ainda pior, podem
suscitar novas obsessões entre os freqüentadores das sessões mediúnicas.
A comunicação com os Espíritos é uma
ciência, e, como toda ciência, exige conhecimentos específicos para a sua
prática. Com efeito, se uma pessoa, que nunca estudou e nem conhece química,
entrar em um laboratório e logo começar a fazer experiências com produtos
químicos, correrá grande risco de fazer explodir o local, podendo ferir-se
gravemente e até morrer. Guardadas as devidas proporções, perigo semelhante
correrá aquele que, sem conhecer a Doutrina Espírita e a prática da mediunidade,
puser-se a fazer experiências com Espíritos, porque certamente cairá nas garras
de entidades malfazejas, que estabelecem os casos mais complicados de obsessão.
Desse modo, como entendemos que a prática
mediúnica é uma das finalidades da Casa Espírita, sobretudo para
fins de desobsessão, retiramos de O
Livro dos Médiuns e de O Evangelho
Segundo o Espiritismo as respostas para as seguintes indagações:
P. O que é a obsessão?
R. “A obsessão é a ação
persistente de um mau Espírito sobre uma pessoa. Apresenta características
muito diversas, desde a simples influência de ordem moral, sem sinais
exteriores perceptíveis, até a completa perturbação do organismo e das
faculdades mentais.”
P. Quais as causas principais da obsessão?
R. “Assim como as doenças são
o resultado das imperfeições físicas, que tornam o corpo acessível às
influências perniciosas do exterior, a obsessão é sempre o resultado de uma
imperfeição moral, que dá acesso a um mau Espírito. (...) A obsessão é quase
sempre a ação vingativa de um Espírito e na maioria das vezes tem sua origem
nas relações do obsedado com o obsessor em existência anterior.”
P. Como podemos combater a obsessão?
R. “A uma causa física
opõe-se uma força física; a uma causa moral, é necessário opor uma força moral.
Para preservar das doenças, fortifica-se o corpo; para garantir contra a
obsessão, é necessário fortificar a alma. Disso resulta que o obsedado precisa
trabalhar pela sua própria melhoria, o que na maioria das vezes é suficiente
para se livrar do obsessor, sem socorrer-se de outras pessoas. Esse socorro se
torna necessário quando a obsessão degenera em subjugação e em possessão,
porque o paciente perde, por vezes, a sua vontade própria e o seu
livre-arbítrio.”
P. O que deve fazer o obsediado para afastar o Espírito obsessor?
R. “Duas coisas essenciais
se têm que fazer nesse caso: provar ao Espírito que não está iludido por ele e
que lhe é impossível enganar; depois,
cansar-lhe a paciência, demonstrando paciência para com ele. Desde que se
convença de que está a perder o tempo, retirar-se-á, como fazem os importunos a
quem não se dá ouvidos.
“Isto, porém, nem sempre
basta e pode levar muito tempo, porquanto Espíritos há tenazes, para os quais
meses e anos nada são. Além disso, portanto, deve o médium dirigir um apelo
fervoroso ao seu anjo bom, assim como aos bons Espíritos que lhe são
simpáticos, pedindo-lhes que o assistam. Quanto ao Espírito obsessor, por mau
que seja, deve tratá-lo com severidade, mas com benevolência e vencê-lo pelos
bons processos, orando por ele. Se for realmente perverso, a princípio zombará
desses meios; porém, moralizado com perseverança, acabará por emendar-se. É uma
conversão a empreender, tarefa muitas vezes penosa, ingrata, mesmo
desagradável, mas cujo mérito está na dificuldade que ofereça e que, se bem
desempenhada, dá sempre a satisfação de se ter-se reconduzido ao bom caminho
uma alma perdida.”
P. Qual é o objetivo de uma reunião de comunicação com Espíritos?
R. “O objetivo de uma reunião séria
deve consistir em afastar os Espíritos mentirosos. Incorreria em erro, se se
supusesse ao abrigo deles, pelos seus fins e pela qualidade de seus médiuns.
Não o estará, enquanto não se achar em condições favoráveis. (...) Imagine-se
que cada indivíduo está cercado de certo número de acólitos invisíveis, que se
lhe identificam com o caráter, com os gostos e com os pendores. Assim sendo,
todo aquele que entra numa reunião traz consigo Espíritos que lhe são
simpáticos. Conforme o número e a natureza deles, podem esses acólitos exercer
sobre a assembléia e sobre as comunicações influência boa ou má. Perfeita seria
a reunião em que todos os assistentes, possuídos de igual amor ao bem, consigo
só trouxessem bons Espíritos. Em falta da perfeição, a melhor será aquela em
que o bem suplante o mal. Muito lógica é esta proposição, para que precisemos
insistir.”
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