|
Joanna de Ângelis (Espírito)
Dentre os gravames infelizes que
desorganizam a economia social e moral da Terra atual, as drogas alucinógenas
ocupam lugar de destaque, em considerando a facilidade com que dominam as
gerações novas, estrangulando as esperanças humanas em relação ao futuro.
Paisagem humana triste, sombria e
avassaladora, pelos miasmas venenosos que destilam os grupos vencidos pelo uso
desregrado dos tóxicos, constitui evidência do engano a que se permitiram os
educadores do passado: pais ou mestres, sociólogos ou éticos, filósofos ou
religiosos.
Cultivado e difundido o hábito dos
entorpecentes entre povos estiolados pela miséria econômica e moral, foi
adotado pela Civilização Ocidental quando o êxito das conquistas tecnológicas
não conseguiu preencher as lacunas havidas nas aspirações humanas—mais ampla e
profunda integração nos objetivos nobres da vida.
Mais preocupado com o corpo do que com o
espírito, o homem moderno deixou-se engolfar pela comodidade e prazer,
deparando, inesperadamente, o vazio interior que lhe resulta amarga decepção,
após as secundárias conquistas externas.
Acostumado às sensações fortes, passou a
experimentar dificuldade para adaptar-se às sutilezas da percepção psíquica, do
que resultariam aquisições relevantes promotoras de plenitude íntima e
realização transcendente.
Tabulados, no entanto, programados por
aferição externa de valores objetivos, preocuparam-se pouco os encarregados da
Educação em penetrar a problemática intrínseca dos seres, a fim de,
identificando as nascentes das inquietações no espírito imortal, serem solvidos
os efeitos danosos e atormentadores que se exteriorizam como desespero e
angústia.
Estimulado pelo receio de enfrentar
dificuldades, ou motivado pela curiosidade decorrente da falta de madureza
emocional, inicia-se o homem no uso dos estimulantes—sempre de efeitos
tóxicos—, a que se entrega, inerme, deixando-se arrastar desde então, vencido e
desditoso.
Não bastassem a leviandade e intemperança da
maioria das vítimas potenciais da toxicomania, grassam os traficantes inditosos
que se encarregam de arrebanhar catarmas que se lhes submetem ao comércio
nefando, aumentando, cada hora, os índices dos que sucumbem irrecuperáveis.
A má Imprensa, orientada quase sempre de
maneira perturbante, por pessoas atormentadas, colocada para esclarecer o
problema, graças à falta de valor e de maior conhecimento da questão por não se
revestirem os seus responsáveis da necessária segurança moral, tem contribuído
mais para torná-lo natural do que para libertar os escravizados que não são
alcançados pelos "slogans" retumbantes, porém vazios das mensagens,
sem efeito positivo.
O cinema, a televisão, o periodismo dão
destaque desnecessário às tragédias, aumentam a carga das informações que
chegam vorazes às mentes fracas, aparvalhando-as sem as confortar,
empurrando-as para as fugas espetaculares através de meandros dos tóxicos e de
processos outros dissolventes ora em voga. . .
Líderes da comunicação? ases da arte, da
cultura, dos esportes não se pejam de revelar que usam estimulantes que os
sustentam no ápice da fama, e, quando sucumbem, em estúpidas cenas de
auto-destruição consciente ou inconsciente, são transformados em modelos dignos
de imitados, lançados como protótipos da nova era, vendendo as imagens que
enriquecem os que sobrevivem, de certo modo causadores da sua desgraça...
Não pequeno número, incapaz de prosseguir,
apaga as luzes da glória mentirosa nas furnas imundas para onde foge:
presídios, manicômios, sarjetas ali expiando, alucinado, a leviandade que o
mortificou . . .
As mentes jovens despreparadas para as
realidades da guerra que estruge em todo lugar, nos países distantes e nas
praias próximas, como nos intrincados domínios do lar onde grassam a violência,
o desrespeito, o desamor arrojam-se, voluptuosas, insaciáveis, ao prazer
fugidio, à dita de um minuto em detrimento, afirmam, da angustiosa expectativa
demorada de uma felicidade que talvez não fruam. . .
Fixando-se nas estruturas mui sutis do
perispírito, em processo vigoroso, os estupefacientes desagregam a
personalidade, porquanto produzem na memória anterior a liberação do
subconsciente que invade a consciência atual com as imagens torpes e deletérias
das vidas pregressas, que a misericórdia da reencarnação faz jazer
adormecidas... De incursão em incursão no conturbado mundo interior, desorganizam-se
os comandos da consciência, arrojando o viciado nos lôbregos alçapões da
loucura que os absorve, desarticulando os centros do equilíbrio, da saúde, da
vontade, sem possibilidade reversiva, pela dependência que o próprio organismo
físico e mental passa a sofrer, irresistivelmente...
Faz-se a apologia de uns alucinógenos em
detrimento de outros e explica-se que povos primitivos de ontem e remanescentes
de hoje utilizavam-se e usam alguns vegetais portadores de estimulantes para
experiências paranormais de incursão no mundo espiritual, olvidando-se que o
exercício psíquico pela concentração consciente, meditação profunda e prece
conduz a resultados superiores, sem as conseqüências danosas dos recursos
alucinatórios.
A quase totalidade que busca desenvolver a
percepção extra-sensorial, através da usança do estupefaciente, encontra em si
mesmo o substractum do passado espiritual que se transforma em fantasmas, cujas
reminiscências assomam e persistem, passada a experiência, impondo-se a pouco a
pouco, colimando na desarmonização mental do neófito irresponsável. Vale,
ainda, recordar que, adversários desencarnados, que se demoram à espreita das
suas vítimas, utilizam-se dos sonhos e viagens para surgirem na mente do
viciado, no aspeto perverso em que se encontram, causando pavor e fixando
matrizes psíquicas para as futuras obsessões em que se repletarão
emocionalmente, famílias da infelicidade em que se transformam.
A educação moral à luz do Evangelho sem
disfarces nem distorções; a conscientização espiritual sem alardes; a liberdade
e a orientação com bases na responsabilidade; as disciplinas morais desde cedo;
a vigilância carinhosa dos pais e mestres cautelosos; a assistência social e
médica em contribuição fraternal constituem antídotos eficazes para o aberrante
problema dos tóxicos—auto-flagelo que a Humanidade está sofrendo, por haver
trocado os valores reais do amor e da verdade pelos comportamentos irrelevantes
quão insensatos da frivolidade.
O problema, portanto, é de educação na
família cristianizada, na escola enobrecida, na comunidade honrada e não de
repressão policial...
Se és jovem, não te iludas, contaminando-te,
face ao pressuposto de que a cura se dá facilmente.
Se atravessas a idade adulta, não te
concedas sonhos e vivências que pertencem à infância já passada, ansiando por
prazeres que terminam ante a fugaz e enganosa durabilidade do corpo.
Se és mestre, orienta com elevação abordando
a temática sem preconceito, mas com seriedade.
Se és pai ou mãe não penses que o teu lar
estará poupado. Observa o comportamento dos filhos, mantém-te, atento, cuida
deles desde antes da ingerência e do comprometimento nos embalos dos
estupefacientes e alucinógenos, em cuja oportunidade podes auxiliá-los e
preservá-los.
Se, porém, te surpreenderes com o drama que
se adentrou no lar, não fujas dele, procurando ignorá-lo em conivência de
ingenuidade, nem te rebeles, assumindo atitude hostil. Conversa, esclarece,
orienta e assiste os que se hajam tornado vitimas, procurando os recursos
competentes da Medicina como da Doutrina Espírita, a fim de conseguires a
reeducação e a felicidade daqueles que a Lei Divina te confiou para a tua e a
ventura deles.
Fonte:
Franco, Divaldo Pereira. Da obra: “Após a Tempestade”. Ditado pelo Espírito Joanna
de Angelis.
|