|
Marcus Alberto De Mario
O Centro Espírita deve realizar
treinamentos, cursos, grupos de estudo que visem formar o trabalhador espírita
para a função que ele irá realizar, pois não se pode mais ficar à mercê do
voluntariado cego, sem preparo, desconhecedor do mínimo indispensável para boa
execução do serviço.
O Centro Espírita é uma escola de almas. Alma, na definição encontrada em "O Livro dos
Espíritos", é o Espírito encarnado. Não há referência quanto à idade física.
Do berço ao túmulo, todos somos espíritos reencarnados. A lógica, pois, nos
diz que o Centro Espírita deve estar preparado para atender o ser humano em
todas as suas etapas de crescimento do corpo físico - da infância à madureza. Há,
entretanto, ainda em "O Livro dos Espíritos", evidente preocupação de
Allan Kardec e dos Espíritos Superiores em sublinhar a importância do período
infantil no estágio reencarnatório, e a função da educação para renovação moral
da humanidade, que enfeixa encarnados e desencarnados. No capítulo sete da
segunda parte da obra básica, quando trata do retorno do Espírito à vida
corporal, diversas questões são tratadas a respeito da infância, das tendências
inatas, da influência do organismo físico, da origem das faculdades morais e
intelectuais, da lei de afinidade e outros temas ligados ao período infantil,
mostrando suficientemente o quanto é importante o trabalho educacional junto à
criança, que é um Espírito reencarnado. Compreendendo esse trabalho, os Centros
Espíritas criaram as Escolas Espíritas de Evangelização Infanto-Juvenil, com
estrutura pedagógica específica. Mas, o que é a evangelização? Por que esse
trabalho nem sempre é prioridade? A história do movimento espírita é uma
história de mediunidade e ação social através da caridade material -o chamado
serviço assistencial. A estrutura física de construção dos Centros Espíritas,
em sua grande maioria, não reserva espaço para atividades educacionais, que têm
de ser adaptadas. Esse é um primeiro problema. Também boa parte dos
evangelizadores são pessoas de boa vontade, mas sem formação específica. Esse é
um segundo problema. Também os dirigentes espíritas não estão efetivamente
conscientes de que o Espiritismo é doutrina de educação do ser, e, portanto,
não preparam o Centro Espírita para cumprir sua finalidade de escola de almas.
É o terceiro problema. O Centro Espírita deve realizar treinamentos, cursos,
grupos de estudo que visem formar o trabalhador espírita para a função que ele
irá realizar, pois não se pode mais ficar à mercê do voluntariado cego, sem
preparo, desconhecedor do mínimo indispensável para boa execução do serviço. E
quando se trata da educação moral e espiritual de companheiros reencarnados não
se pode "brincar de tentar fazer alguma coisa".
A educação, conforme entende o Espiritismo,
é a arte de manejar caracteres, é a formação de hábitos, tendo por base a
imortalidade da alma e os ensinos morais de Jesus, e essa educação deve fazer a
reforma moral do homem, sua auto-educação, trazendo para o inundo um homem
novo, consciente dos seus direitos e deveres. Se é importante a modificação da
estrutura física do Centro Espírita para atendimento às crianças, ainda de
maior importância é a adequação de suas finalidades para tão grandiosa tarefa,
onde o estudo da Educação do Espírito deve ocupar espaço de prioridade junto às
demais atividades que sejam executadas, sob pena, se assim não for feito, de o
Centro Espírita desviar-se de uma finalidade que é o próprio cerne da doutrina,
pois o Espiritismo é doutrina de educação como bem acentuam os Espíritos ao
dizerem a Kardec que "somente a educação pode renovar a humanidade"
(O Livro dos Espíritos, questão 796). A evangelização espírita infantil não
pode ficar em segundo plano, como apenas uma "aulinha dominical de moral
cristã", consideração essa irresponsável e de repercussão negativa,
tanto na sociedade humana terrena como na espiritualidade, onde as colônias espirituais,
conforme narram os companheiros desencarnados, mantêm de creches a
universidades, além de institutos escolares especiais para crianças
recém-desencarnadas, abortadas, desajustadas no psiquismo e outras. Onde os
ensinos cristãos à luz da reencarnação são trabalhados com amor. Os serviços de
educação junto à criança são a única maneira de o Centro Espírita realizar a
maior das finalidades do Espiritismo: transformar a todos em homens de bem. Por
esse motivo deve merecer da direção do Centro Espírita uma acolhida e estudo
mais profundo. Lembram que a educação não se dá apenas à criança mas também ao adolescente,
ao jovem, ao adulto, o que nos leva a compreender que as atividades de estudo
realizadas pelo Centro Espírita devem se caracterizar por dinamismo, facultando
ao freqüentador todas as possibilidades de conhecer o Espiritismo. Esses
estudos não podem dispensar a discussão dos temas cotidianos da vida à luz dos
princípios básicos da Doutrina, pois estudar a realidade que se vive é preparar-se
para bem vivê-la, sabendo porque se compreende. A criança é um espírito
reencarnado, e como tal deve ser considerada. As lições do Evangelho embasadas
na imortalidade, na reencarnação e na evolução do Espírito, devem ser ministradas
às crianças porque no estágio da infância o Espírito mais acessível à nossa
influência, quando podemos trabalhar seu caráter, dando-lhe diretriz no bem.
Com essas considerações queremos dizer que a evangelização da criança e do
jovem através dos ensinos espíritas, é a educação que entrega a esses espíritos
reencarnados as lições sublimes de Jesus à luz da alma imortal; é o amor em
conjunto com a reencarnação, esclarecendo a mente e iluminando o coração Por
esses motivos deve o Centro Espírita considerar a tarefa de evangelização como
prioridade, fonte de renovação humana para Uma sociedade melhor. Evangelizar é
mais que ensinar Evangelho. É traduzir a Boa Nova para o viver humano nas relações
sociais. É trabalhar a psicologia do indivíduo na luz do amor. É
sensibilizar os sentimentos para a ação no bem. evangelização faz parte do
processo de educação, na busca da formação integral do Espírito
desenvolvendo-lhe com harmonia todas potencialidades depositadas por Deus, como
bem definiu Pestalozzi, e essa visão necessita ser abraçada pelos
dirigentes espíritas, fazendo do Centro Espírita uma verdadeira escola almas.
Fonte: Dirigente Espírita - Março e Abril/2002
|