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Dr. Indoval Moreli Heiderick*
"E este, onde quer que
o apanha, despedaça-o ele espuma, e range os dentes, e vai se secando; e eu
disse aos teus discípulos que o expulsassem, e não puderam." Marcos 9 - v.
18.
Apesar de nos faltar comprovações
científicas, há fortes evidências de que o Processo Obsessivo, que é
caracterizado por manipulações e interposições de fluidos tóxicos, exerce papel
importante na fisiopatogenia das doenças no corpo físico e espiritual, e às
vezes evoluindo com quadros gravíssimos.
I –
INTRODUÇÃO
Não temos a pretensão de criar confrontos
entre a Ciência Médica e a Doutrina Espírita, mas sim apresentar oportunidades
de reflexões objetivas, visando o aprofundamento de questões específicas. É chegada
a hora em que a ciência deve ser respeitada pelos espíritas e aquela
compreender a importância dos fundamentos da Doutrina na elucidação dos fatos,
porquanto, até então todos têm falhado, apesar de toda capacitação de recursos
técnicos e humanos.
Vivemos um momento de grandes aflições, onde
a busca pelos valores materiais, visando suprir as necessidades do Ser, de
maneira equivocada, tem trazidos muitos desequilíbrios, com intensas
perturbações de ordem física e mental. A propósito, o prof. Ives Lecrubie,
psiquiatra francês, em entrevista concedida ao Comitê Brasileiro para Prevenção
e Tratamento da Depressão, relatou que de 3 à 6% da população do planeta sofre
de estados depressivos e que há uma tendência de 1% de casos novos a cada ano,
conforme dados recentes da Organização Mundial de Saúde.
Do ponto de vista da Doutrina Espírita,
sabemos que o Ser Espiritual encarnado é constituído de:
- Espírito: É a sede da consciência do Ser. É o princípio inteligente
do Universo. É o campo das causas. Cada Espírito é uma unidade
indivisível.
- Perispírito: É o envoltório semi-material, fluídico, do Espírito. É
uma substância vaporosa aos olhos, retirada do fluido cósmico universal de
cada globo. É o intermediário entre o corpo físico e o Espírito. É o campo
dos efeitos.
- Corpo Físico: É um conglomerado de fluidos ponderáveis. É energia
condensada, constituída por células, tecidos, órgãos, sistemas e
aparelhos.
O Ser Espiritual, centelha divina,
consciência cósmica, caminha no Universo em busca do aprendizado, e isto se faz
de modo mais específico, através das reencarnações, usando para isto o seu
perispírito, que é o agente modelador do corpo físico.
Estabelecido o processo reencarnatório, o
Ser tem a oportunidade de exercitar-se em função do seu livre arbítrio, assumindo
condutas e comportamentos, através de pensamentos, palavras e atos, que se
traduzem em aquisições de energias. Assim sendo “a semeadura é livre e a
colheita obrigatória”. Com certeza estaremos todos sujeitos a medidas
educativas das Leis Divinas, que sempre estiveram em disponibilidade.
Não podemos esquecer a palavra do
Codificador, quando afirma que “O Espiritismo é capaz de incorporar à sua
Doutrina tudo aquilo que depois de passar pelo crivo da razão e resistir à
pesquisa científica, seja útil e benéfico ao homem”.
II -
HISTÓRICO
Hipócrates, 460 A.C., relacionava doenças
nervosas com as alterações dos humores.
Na Idade Média já relacionavam doenças
nervosas com processos demoníacos.
Em todas as épocas da história da
civilização humana, tivemos os obsidiados, e em alguns casos envolvendo Seres
que se celebrizaram por seus atos, Citaremos alguns: Nabucodonosor II, rei dos
Caudeus, pastava no jardim do palácio, como um animal. Tibério, envolvido por
muitos espíritos cobradores, cometeu muitos equívocos, com muita maldade.
Muitos “endemoniados” foram tratados na época de Jesus. Calígula e Gengis-Khan
marcaram presença em função de seus desatinos. Domício Nero, em função de
grandes desequilíbrios, entre tantos equívocos, mandou assassinar a mãe e sua
esposa, e depois as encontrava em desdobramentos. Celline, depois de gravar no
metal as imagens de sua própria vida, apunhalava os transeuntes à noite, de
tocaia. Dostoyevski sofria de ataques epiléticos. Maupassant, em um ataque de
loucura, cortou a própria garganta e depois morreu, indiferente à tudo.
Nietzche perambulou pelos asilos de alienados. Van Gogh cortou as orelhas num
momento de insanidade e as enviou de presente para sua amada, findando
posteriormente a vida, com um tiro. Shumann, notável compositor, atirou-se ao
Reno, foi salvo pelos amigos e internado num hospício, onde acabou seus dias.
Edgar Allan Poe sucumbiu arrasado pelo álcool e tendo visões infernais.
A medicina, em todas as épocas, tentou
ajudar esses Seres, inclusive na fase inicial de seus estudos. Especificamente
no campo da Psiquiatria, alguns estudiosos já relacionavam algumas doenças de
origens nervosas e mentais, sendo induzidas pela influência dos espíritos;
todavia, os preconceitos da época impediram que as pesquisas avançassem.
Lembremo-nos ainda do grande missionário
João Evangelista, que nos aponta no Apocalipse, cap. XXI – v. 8: “Quanto aos
tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicários
e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte terá o
lago que arde com fogo e enxofre”.
Com certeza todos estarão sujeitos a grandes
sofrimentos, em função de merecimentos, o que independe da categoria social e
intelectual do indivíduo, apresentando-se como obsidiados, psicóticos,
psicopatas, etc.
III -
CONCEITOS
Na conceituação do Codificador: “trata-se do
domínio que alguns espíritos podem adquirir sobre certas pessoas. São sempre
espíritos inferiores que procuram dominar, pois os bons não exercem nenhum
constrangimento. A obsessão apresenta caracteres diversos que é necessário
distinguir, e que resultam do grau do constrangimento e da natureza dos efeitos
que produzem”. (Allan Kardec – Livro dos Médiuns – Item n.º 237).
Na avaliação de Manuel Philomeno de Miranda:
“A obsessão, sob qualquer modalidade que se apresente, é enfermidade de longo
curso, exigindo terapia especializada, de segura aplicação e de resultados que
não se fazem sentir apressadamente.” (Divaldo Pereira Franco – Nos Bastidores
da Obsessão).
Segundo Suely Caldas: “É a obsessão,
cobrança que bate às portas da alma. É um processo bilateral. Faz-se presente
porque existe de um lado o cobrador, sequioso de vingança, sentindo-se ferido e
injustiçado, e de outro o devedor, trazendo impresso no seu perispírito as
matizes de culpa, o remorso ou do ódio que não se extinguiu.” (Suely Caldas
Schubert – Obsessão-Desobsessão).
Considerando a complexidade do assunto,
entendemos a obsessão como sendo a influência energética, nociva, causada por
um ou mais espíritos, que de forma consciente ou não, manipula ou inocula
fluidos tóxicos, de maneira contínua e persistente.
IV –
CAUSAS
Sob o ponto de vista global, podemos afirmar
que as causas da obsessão se alicerçam em nossas imperfeições, quais sejam:
vícios, paixões exacerbadas, perversões sexuais, crimes, ganância, apegos
excessivos à pessoas e objetos, que nos colocam em estado de sintonia
vibratória com os espíritos desencarnados em função da afinidade moral, estando
então o Ser sujeito a reajustes e resgates específicos.
Na visão de Emmanuel e Scheila, apresentadas
através das obras psicografadas por Francisco C. Xavier, as possíveis causas de
obsessão são:
- a cabeça e mãos desocupadas;
- a palavra irreverente;
- a boca maledicente;
- a conversa inútil e fútil, prolongada;
- a atitude hipócrita;
- o gesto impaciente;
- a inclinação pessimista;
- a conduta agressiva;
- o apego demasiado a coisas e pessoas;
- o comodismo exagerado;
- a solidariedade ausente;
- tomar os outros por ingratos ou maus;
- considerar nosso trabalho excessivo;
- o desejo de apreço e reconhecimento;
- o impulso de exigir dos outros mais do que de nós mesmos;
- fugir para o álcool ou drogas estupefacientes.
Na análise do Livro dos Médiuns, feita por
Ney Prieto Peres (Boletim MEDNESP n.º 2 – dezembro de 1992), são apontadas as
seguintes causas de obsessão:
- vingança de espíritos contra pessoas que lhes fizeram sofrer nessa
ou em vias anteriores;
- Desejo simples de fazer os outros sofrerem, por ódio, inveja,
covardia;
- Para usufruir dos mesmos condicionamentos que tinham quando na vida
física, induzem seus afins a cometê-los;
- Apegos às pessoas pelas quais nutriam grandes paixões quando em
vida;
- Por interesses em destruir, desunir, dominar, provocar o mal,
manter distúrbios, partindo de espíritos inteligentes das hostes
inferiores.
Na avaliação de nosso mentor espiritual
André Luiz (Evolução Em Dois Mundos, psicografado por Francisco C. Xavier, 11ª
edição, 1989, pg. 130) caminhamos pelo universo “sentidos e reconhecidos pelos
nossos afins, temidos e hostilizados ou amados e auxiliados pelos irmãos que
caminham em posição inferior à nossa. Isto porque exteriorizamos, de maneira
invariável, o reflexo de nós mesmos, nos contatos de pensamento a pensamento,
sem necessidade das palavras para simpatias ou repulsões fundamentais.” O mesmo
mentor, (Mecanismos da Mediunidade – Francisco C. Xavier – Waldo Vieira, 13ª
edição, 1994, pg., 82-83) nos diz “É o pensamento contínuo fluxo energético,
incessante, revestido de poder criador inimaginável, (...). A corrente mental,
segundo anotamos, vitaliza particularmente todos os centros da alma e,
consequentemente todos os núcleos endócrinos e junturas plexiformes da usina
física, em cuja urdidura dispõe o Espírito de recursos para os serviços da
emissão e recepção ou exteriorização dos próprios pensamentos e assimilação dos
pensamentos alheios.”
V –
MECANISMOS
É necessário que compreendamos que a
obsessão existe entre os espíritos encarnados e desencarnados, reciprocamente,
e inclusive pode ter o seu início logo após a fecundação, no ventre materno,
quando se estabelece o processo reencarnatório que com certeza acontecerá em
função de débitos, merecimentos e seu projeto espiritual. Assim sendo, em
sintonia com as Leis Universais, o Ser, estará sujeito a manipulações e
inoculações de fluidos tóxicos a nível de seu campo eletromagnético com
agressões específicas a seu corpo perispiritual e mental, repercutindo no corpo
físico. É comum o espírito que quer obsidiar, acompanhar as suas vítimas anos a
fio, antes do nascimento e até depois do desencarne.
Ensina-nos André Luiz (No Mundo Maior –
Francisco C. Xavier, 9ª ed., 1981, pg.63) que os “Nervos, zona motora e lobos
frontais, no corpo carnal, traduzindo impulsividade, experiência e noções
superiores da alma constituem campos de fixação da mente encarnada ou
desencarnada.”
Enquanto a medicina à partir de 1964, com
Donald e Klen – EUA, inicia a nova fase de pesquisas, procurando evidenciar a
relação entre as doenças mentais e nervosas com as privações de
neurotransmissores cerebrais, o nosso mentor André Luiz (Evolução Em Dois
Mundos, Francisco C. Xavier, 11ª ed,1989, pg. 117-118) nos ensina que “...os
verdugos comumente senhoreiam os neurônios do hipotálamo, acentuando a sua
própria dominação sobre o feixe amielínico que o liga ao córtex frontal,
controlando as estações sensíveis do centro coronário que aí se fixam para o
governo das excitações e produzem nas suas vítimas, quando contrariados em seus
desígnios, inibições de funções viscerais diversas, mediante influência
mecânica sobre o simpático e o parassimpático. No tocante à criatura humana, o
obsessor passa a viver no clima pessoal da vítima, em perfeita simbiose
mórbida, absorvendo-lhe as forças psíquicas, situação essa que, em muitos
casos, se prolonga além da morte física do hospedeiro, conforme a natureza e a
extensão dos compromissos morais entre credor e devedor.”
Já Bezerra de Menezes (Loucura Sob Novo
Prisma, 2ª ed., 1987, cap. III) diz que nos casos de loucura propriamente dito,
se rompe a harmonia de ação da alma e do cérebro, do ser pensante e do órgão da
manifestação do pensamento. O cérebro, pois , perturbado em sua função e não
podendo transmitir integralmente o pensamento como formulou a alma, determina
loucura. Seria a loucura com lesão cerebral. Neste caso temos a incapacidade
material do cérebro para receber e transmitir fielmente as cogitações do
Espírito. Nos casos de loucura em que Esquirol não encontrou lesão cerebral, é
a loucura psíquica, moral ou por obsessão, onde o processo acontece sempre por
influência dos espíritos. A alma aqui formula os seus pensamentos como sempre,
sem a mínima perturbação, e, de sua parte o cérebro está nas melhores condições
para transmiti-los. O que determina, não a perturbação mental, porque a alma
não enlouquece, mas a perturbação na transmissão do pensamento, pois é a
interposição de fluidos do Espírito obsessor, entre a agente e o instrumento,
de modo que fica interrompida a comunicação regular dos dois. A alma pensa, mas
seu pensamento não pode utilizar-se do cérebro, senão imperfeitamente, por
estar truncado, alterado em função da barreira posta pelo obsessor no empenho
de produzir essa perturbação que se toma por loucura. Aqui temos a
impossibilidade das cogitações do Espírito chegarem integralmente ao cérebro.
Temos, portanto, que tanto na loucura quanto na obsessão, o Espírito é lúcido,
e que tanto num caso como no outro o mal consiste na irregularidade da
transmissão ou manifestação do pensamento. A ação fluidica do obsessor sobre o
cérebro, se não for removida a tempo, dará necessariamente em resultado o sofrimento
orgânico daquela víscera, tanto mais profundo quanto mais tempo estiver sob a
influência deletéria daqueles fluidos.
VI –
EFEITOS
Uma vez instalada a obsessão, podemos
concluir que a mesma se caracteriza por um processo dinâmico, onde em uma fase
inicial temos a intoxicação fluídica no perispírito, que acompanha o Ser desde
sua criação, constituindo seu padrão vibratório. Decorre sempre das
imperfeições morais, o que permite uma interferência de espíritos, e em alguns
casos, levando o paciente a perder a vontade e o livre arbítrio.
Considerando o grau de intoxicação a nível
de nosso campo eletromagnético, trazido de vidas passadas, o acumulado na
presente encarnação e não havendo buscas pessoais específicas e nem a
introdução de uma terapêutica eficaz, com certeza entraremos na segunda fase do
processo, que é caracterizado pelas disfunções orgânicas de toda a sorte, com
manifestações de sinais e sintomas generalizados, tanto no corpo físico como no
mental, todavia sem elucidação diagnóstica por exames complementares. Se o Ser
continua a caminhada, sem procurar restabelecer a harmonia e sem buscas
objetivas, fatalmente passarmos à terceira fase, onde teremos alterações das
estruturas das celulares do corpo físico tais como: fibrosites, neoplasias
benignas ou malignas, septicemias, etc.
A propósito, Allan Kardec (A Gênese, 29ª
ed., FEB, pg. 305) relata que “Nos casos de obsessão grave, o obsidiado fica
como que envolto e impregnado de um fluido pernicioso, que neutraliza a ação
dos fluidos salutares e os repele...” Ainda nos orienta o Codificador (mesma
obra, pg. 285), que “Sendo o perispírito dos encarnados de natureza idêntica à
dos fluidos espirituais, ele os assimila com facilidade, como uma esponja se
embebe de um líquido. Esses fluidos exercem sobre o perispírito uma ação tanto
mais direta quando, por sua extensão e irradiação, o perispírito com eles se
confunde. Atuando esses fluidos sobre o perispírito, este, a seu turno, reage
sobre o organismo material com quem se acha em contato molecular. Se os
eflúvios são de boa natureza, o corpo ressente uma impressão salutar; se são
maus, a impressão é penosa. Se os eflúvios maus são permanentes e enérgicos,
podem ocasionar desordens físicas; não é outra a causa de certas enfermidades.”
Considerando o sistema nervoso, em seu todo,
como organismo de sustentação aos fluidos espirituais, podemos concluir que o
processo obsessivo, em sua fase inicial, estará sempre voltado ao campo das
energias, e posteriormente ao corpo físico, com danos irreversíveis ao mesmo, e
em alguns casos, podendo levar o indivíduo ao desencarne.”
VII –
CLASSIFICAÇÃO
Considerando as diversas faces que envolvem
os mecanismos da obsessão, apresentamos, sob ponto de vista didático, a
presente classificação, visando a melhor compreensão do processo obsessivo.
- QUANTO À FORMA DE AÇÃO:
- ATIVA
– Ocorre quando o Ser espiritual que faz a obsessão tem a consciência do
que executa, e assim o faz em função de objetivos específicos.
- PASSIVA – Acontece quando o Ser espiritual que executa o processo
obsessivo não tem consciência do que faz. Age pelas leis de afinidade dos
fluidos.
- QUANTO À LOCALIZAÇÃO:
- FÍSICA
– É o caso em que o obsessor age manipulando e inoculando fluidos tóxicos
a nível de perispírito, repercutindo no corpo físico e promovendo o
adoecimento dos órgãos.
- PSÍQUICA – Neste caso o obsessor atua na manipulação e inoculação de
fluidos tóxicos à nível do psiquismo, especificamente naquilo que
entendemos como sendo atributos do Espírito, tais como pensamento,
atenção, concentração, percepção, etc. Quando ocorre a influência,
perturbando a transmissão do pensamento, fica alterada a comunicação entre
o agente e o instrumento.
- QUANTO À INTENSIDADE: (Livro dos Médiuns, cap. XXIII, item 238).
- SIMPLES – É um processo que se dá em função da manipulação de fluidos de
pouca densidade, apresentando-se como pequenas intoxicações, levando ao
corpo físico e mental sinais e sintomas de pouca intensidade.
“Verifica-se quando um Espírito malfazejo se impõe a um médium,
intrometendo-se contra sua vontade, nas comunicações que recebe...”
- FASCINAÇÃO – É um processo mais grave, considerando a manipulação de fluidos
que se dá à nível de pensamento, com a interposição dos mesmos. “É uma
ilusão produzida pela ação direta do Espírito sobre o pensamento do
médium, e que paralisa de alguma forma seu julgamento com respeito às
comunicações. O médium fascinado não crê enganado. Neste caso participam
espíritos ardilosos, muito inteligentes, que usam de todos os recursos
para envolverem suas vítimas. Ninguém está livre deste tipo de
obsessão...”.
- SUBJUGAÇÃO – Processo bastante grave que envolve o domínio completo do
pensamento e da vontade do Ser. “É uma opressão que paralisa a vontade
daquele que a sofre e o faz agir ao seu malgrado. Numa palavra, a pessoa
está sob um verdadeiro jugo”.
A subjugação pode ser moral ou corporal. No primeiro caso o Ser é
obrigado a tomar decisões frequentemente absurdas e comprometedoras. No
caso da subjugação corporal, o indivíduo é constrangido a praticar os
atos mais ridículos possíveis, apesar de Ter plena consciência do que
faz, e fá-lo contra a sua vontade. Há neste tipo de obsessão, manipulação
e interposição de fluidos muito densos onde o Ser apresenta alterações
das funções mentais pela ação intencional de outra mente, onde a razão
declina, a vontade enfraquece, os sentimentos se deterioram e os hábitos
mudam (Bezerra de Menezes).
- QUANTO AO TIPO
- AUTO-OBSESSÃO – Neste caso o Ser é responsável por todos os sinais e sintomas
que apresenta, considerando ser ele o mentor intelectual de todos os seus
equívocos, passados e presentes. Assim sendo, em dado momento da vida,
começa a tomar consciência dos fatos e a partir daí exercita-se em
culpas, que geram cobranças. Então teremos os conflitos interiores, com
os pensamentos fixado em alguma coisa, tanto em vigília como em
desdobramento. Após a instalação do quadro, caminha com desinteresse
total pela vida, isola-se e apresenta baixas vibrações em seu campo
eletromagnético, permitindo a partir deste momento a afinização com
irmãos em grandes desequilíbrios, grandes cobradores, evoluindo assim com
graves quadros específicos que se enquadram nas doenças nervosas e
mentais.
- HETERO-OBSESSÃO – É um quadro que se caracteriza pela influência
de espíritos encarnados ou desencarnados junto a outros seres que também
podem estar em condições iguais. Este processo pode ser ativo ou passivo,
com ação direta no corpo físico ou mental e sua intensidade pode variar
de leve, moderada a grave, dependendo o merecimento do Ser envolvido.
Podemos classificá-la em quatro situações:
- Obsessão entre os encarnados – muito comum, principalmente nos
relacionamentos entre os membros da família, considerando que o lar é o
ambiente propício a reajustes e resgates. Teremos então esposas
dominadoras, mães neuróticas, maridos desajustados e incompreensíveis,
filhos rebeldes, etc., criando assim um meio de ódios, raivas,
violências, ciúmes, invejas, com grandes desequilíbrios em que os seres
se bombardeiam mutuamente pelos pensamentos.
- Obsessão de encarnados para com os
desencarnados – é um processo
muito mais frequente que se possa imaginar. Os espíritos desencarnados
partem para a Pátria Espiritual e deixam aqui seus entes queridos, os
amigos com os quais estavam envolvidos por vícios ou paixões e outras
afinidades. Neste novo plano desejam fazer mudanças de comportamento e
de condutas, traçando novos rumos; todavia, por vezes, sentem-se
“chamados”, atraídos por pensamentos, palavras e atos dos encarnados e
muitas das vezes ficam imantados ao seu campo eletromagnético.
- Obsessão de desencarnados para com os
encarnados – é a
interferência de espíritos desencarnados junto aos encarnados, em função
de ligações afetivas, paixões, ódios, vinganças, etc., trazendo-lhes
grandes desarmonias, tanto a nível do corpo físico como mental,
promovendo junto ao Ser, uma série de sinais e sintomas, com doenças
específicas.
- Obsessão de desencarnados para com os
desencarnados – este tipo de
obsessão ocorre em condições idênticas aos outros. No mundo espiritual
os seres se ligam em função das afinidades, desejos e paixões, e a
partir daí temos um grande número de espíritos que são dominados e
escravizados por outros espíritos.
VIII
–DIAGNÓSTICO
Se pretendemos Ter algum sucesso no
tratamento do processo obsessivo, o primeiro passo é termos um bom diagnóstico,
sob todos os aspectos. Apesar de todos os esforços, às vezes é difícil fazer um
diagnóstico diferencial especifico, considerando que os sinais e sintomas são
idênticos, tanto na loucura propriamente dita, com lesões cerebrais, quanto nos
processos obsessivos onde há apenas perturbação na transmissão do pensamento.
Ressaltando o importância de cada setor envolvido nas propostas é preciso que a
casa espírita respeite as orientações dos profissionais da área de saúde,
evitando equívocos como: fazer diagnósticos, trocar e/ou suspender medicamentos
e às vezes tornar os pacientes mais ou menos graves que verdadeiramente o são.
Também compete à medicina ao tratar os seus pacientes, admitindo as hipóteses
da obsessão, ainda que não comprovada cientificamente, pedir ajuda às casas
espíritas que exercitem as suas atividades com objetivos sérios, seguindo os
postulados do Mestre Jesus e os preceitos da Doutrina Espírita.
Necessitamos, para isto, de uma boa anamnese
sob o ponto de vista médico, o que deverá ser feito por profissionais
especializados na área da saúde mental, especificamente neurologistas,
psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais, e sob o ponto de vista
espiritual muita humildade, seriedade e estudos para avaliação dos casos, não
se esquecendo da valiosa, benéfica e desinteressada ajuda dos mentores
espirituais.
Características que contribuem para o diagnóstico
da obsessão, segundo o Codificador (Livro dos Médiuns, cap. XXIII, item 243).
- Insistência de um Espírito em se comunicar, queira ou não o médium;
- Ilusão que, não obstante a inteligência do médium, o impede de
reconhecer a falsidade e o ridículo das comunicações recebidas;
- Crença na infalibilidade e na identidade absoluta dos espíritos que
se comunicam e que, sob nomes respeitáveis e venerados, dizem falsidades
ou absurdos;
- Aceitação pelo médium dos elogios que lhe fazem os espíritos que se
comunicam por seu intermédio;
- Disposição de se afastar das pessoas que podem esclarecê-los;
- Levar a mal crítica das comunicações que recebe;
- Necessidade incessante e inoportuna de escrever;
- Qualquer forma de constrangimento físico, dominando-lhe a vontade e
forçando-o a agir ou a falar sem querer;
- Ruídos e transtornos contínuos ao redor do médium, causados por ele
ou tendo ele por alvo.
Como contribuição para o diagnóstico da
obsessão, não podemos esquecer das avaliações do mentor espiritual, Manuel
Fhilomeno de Miranda (Nos Bastidores da Obsessão), quando apresenta algumas
considerações:
- Quando você escuta nos recessos da mente uma idéia torturante que
teima por se fixar, interrompendo o curso do pensamento;
- Quando constante imperiosa e atuante força psíquica interferindo
nos processos mentais;
- Quando verifique a vontade sendo dominada por outra vontade que
parece dominar;
- Quando experimente inquietação crescente, na intimidade mental, sem
motivos reais;
- Quando sinta o impacto do desalinho espiritual, em franco
desenvolvimento, acautele-se, porque você se encontra em processo
imperioso e ultriz de obsessão pertinaz.
IX –
TRATAMENTO
Em nossa proposta de tratar o paciente, sob
o ponto de vista espiritual, temos de considerar a obsessão como sendo um
processo dinâmico, tendo em mente a importância de se instituir um tratamento
mais abrangente, onde deve participar a casa espírita, as ciências médicas e
psicológicas, visando estabelecer a harmonia do Ser o mais breve possível,
evitando-se assim a cristalização dos fluidos tóxicos em seu campo
eletromagnético, o que fatalmente produzirá lesões nos órgãos do corpo físico.
Considerando que nem os resultados são
imediatos, não devemos nos esquecer da importância de um diálogo franco e aberto
com a família, principalmente tendo o cuidado de não induzir falsas esperanças
e curas miraculosas, e sim direcionar orientações específicas, apontando todas
as dificuldades que o caso possa apresentar.
Temos a consciência de que a obsessão é um
processo bilateral, onde de um lado temos o cobrador, que pelo seu pouco
desenvolvimento moral, acha eu tem o direito de julgar, dar sentenças e
executá-las e, por isto, é muito infeliz, enfermo carecendo também da terapia
do amor e compreensão. Por outro lado, temos o obsidiado vivendo as culpas,
cobranças, em função dos seus equívocos. Ambos precisam de tratamento
específico.
A –
TRATAMENTO MÉDICO
Sob o ponto de vista médico e psicológico,
quando pretendemos tratar um paciente obsidiado não podemos esquecer dos recursos
existentes na medicina e na psicologia, para usá-los em função dos sinais e
sintomas específicos de cada paciente. Pessoalmente acatamos a orientação do
psiquiatra Dr. Wilson Ferreira de Melo (Boletim da AMESP – Dez 1984):
- Quimioterapia – sedativos, anti-depressivos e medicamentos de ação
central;
- Eletrochoques – muito raramente, apenas nos casos de difícil
remissão (casos catatônicos) ou de extrema resistência à quimioterapia;
- Psicoterapia – segundo as técnicas usuais, de escolha do terapeuta,
aliada sempre que possível à noção de reencarnação;
- Psicanálise profunda – calcada na reencarnação;
- Hipnose médica – com regressão de memória, se possível à vidas
anteriores;
- Terapia ocupacional – manter o paciente ocupado em trabalho que o
atraia e interesse, de modo a mantê-lo afastado de seus pensamentos
doentios;
- Ludoterapia –divertimentos sadios e cultivo de esportes (ginástica,
natação, e outros tipos de exercícios);
- Musicoterapia – o senso musical talvez seja o último eu o doente
mental perde e deve ser cultivado com carinho;
- Reeducação – através de contatos frequentes com assistentes sociais
e palestras educativas;
- Medidas gerais – incentivar o paciente a imprimir direção construtiva
ao seu pensamento, para isto, empregar a sua força de vontade que aos
poucos vai se desenvolvendo.
Ainda sob o ponto de vista médico,
ressaltamos a importância da homeopatia, acupuntura e florais, não medindo
esforços no sentido de levar o indivíduo a uma busca objetiva diante da vida,
sem culpas, sem cobranças, valorizando a sua alta estima, o pensamento positivo
e a força de vontade.
B –
TRATAMENTO ESPIRITUAL
Quando falamos desse tipo de tratamento
estamos sugerindo o uso de técnicas aprimoradas que envolvem os conceitos e os
conhecimentos das manipulações dos fluidos. Assim sendo, achamos por bem
recordar alguns ensinamentos importantes contidos na obra do Codificador (A
Gênese, 29ª edição, 1986, cap. XIV):
Item 13 – “Os fluidos espirituais, que constituem
um dos estados do fluido cósmico universal, são a bem dizer, a atmosfera dos
seres espirituais; o elemento donde eles tiram os materiais sobre que
operam;...”
Item 14 – “Os espíritos atual sobre os
fluidos espirituais, não manipulando-os como os homens manipulam os gases, mas
empregando o pensamento e a vontade. Para os espíritos, o pensamento e a força
de vontade são o que é a mão para o homem. Pelo pensamento eles imprimem
aqueles fluidos tal ou qual direção, os aglomeram, combinam ou dispersam,
organizam com eles conjuntos que apresentam aparência, uma forma, uma coloração
determinada; mudam-lhes as propriedades, como um químico muda a dos gases ou
dos corpos, combinando-se segundo certas leis”.
Item 15 – “Sendo os fluidos o veículo do
pensamento, este atua sobre os fluidos como o som sobre o ar; eles nos trazem
os pensamentos como o ar nos traz o som. Pode-se pois dizer, sem receio de
errar, que há nesses fluidos, ondas e raios de pensamentos que se cruzam sem se
confundirem, como há no ar ondas e raios sonoros... Há mais: criando imagens
fluidicas, o pensamento se reflete no envoltório perispirítico como num
espelho...Desse modo é que os mais secretos movimentos da alma repercutem no
envoltório fluídico...
Item 16 – “...Sendo esses fluidos o veículo
do pensamento e podendo este modificar-lhes as propriedades, é evidente que
eles devem se achar impregnados das qualidades boas ou más dos pensamentos que
fazem vibrar, modificando-se pela pureza ou impureza dos sentimentos. Os
pensamentos corrompem os fluidos espirituais, como os miasmas deletérios
corrompem o ar respirável.”
Item 17 – “... Os fluidos não possuem
qualidades sui generis, mas adquirem no meio onde se elaboram, modificam-se
pelos eflúvios do meio, como o ar pelas exalações, a água pelas camadas de sais
que atravessa... Sob o ponto de vista moral traduzem o cunho dos sentimentos de
ódio, inveja, ciúme, orgulho, egoísmo, violência, hipocrisia, bondade,
benevolência, amor, caridade, doçura., etc. Sob o aspecto físico são
excitantes, calmantes, penetrantes, adstringentes, irritantes, dulcificantes,
soporíferos, narcóticos, tóxicos, reparadores, expulsivos; tornam-se forças de
transmissão, de propulsão, etc.
Item 18 – “... O pensamento do encarnado
atua sobre os fluidos espirituais como o dos desencarnados; ele se transmite de
Espírito para Espírito pelas mesmas vias e, conforme seja bom ou mal, saneia ou
vicia os fluidos do ambiente. ...Os fluidos viciados pelos eflúvios dos maus
espíritos podem se depurar pelo afastamento destes, mas o seu perispírito será
sempre o mesmo, enquanto o Espírito não modificar a si próprio.”
Item 19 – “Assim se explica os efeitos que
se produzem nos lugares de reunião. Uma assembléia é um foco de irradiação de
pensamentos diversos. É como uma orquestra, um coro de pensamentos, onde cada
um emite uma nota”.
Item 20 – “O pensamento, portanto, produz
uma espécie de efeito físico que reage sobre o moral, fato este que só o
espiritismo podia tornar compreensível.
Item 22 – “O perispírito é o traço de união
entre a vida corpórea e a vida espiritual. É por seu intermédio que o Espírito
encarnado se acha em relação contínua com os desencarnados... O perispírito é o
órgão sensitivo do Espírito, por meio do qual este percebe coisas espirituais
que escampam aos sentidos corpóreos.”
Item 31 – “A cura se opera mediante a
substituição de uma molécula malsã por uma molécula sã. O poder curativo
estará, pois, na razão direta da pureza da substância inoculada; mas depende
também da energia, da vontade que, quanto maior for, tanto mais abundante
emissão fluídica provocará e tanta maior força de penetração dará ao fluido.”
Item 33 – “A ação magnética pode produzir-se
de muitas maneiras:
1º - Pelo próprio fluido do magnetizador; é
o magnetismo propriamente dito ou magnetismo humano, cuja ação se acha adstrita
à força e sobretudo à qualidade do fluido;
2º - Pelo fluido dos espíritos atuando
diretamente e sem intermédio sobre um encarnado, seja para curar ou acalmar um
sofrimento, seja para provocar o sono sonambúlico, espontâneo,...”
3º - Pelos fluidos que os espíritos derramam
sobre o magnetizador, que serve de veículo para esse derramamento. É o
magnetismo misto, semi-espiritual, ou se o preferirem, humano-espiritual.”
Item 34 – “É muito comum a faculdade de
curar pela influência fluídica e pode desenvolver-se por meio do exercício; mas
a de curar instantaneamente pela imposição de mãos, essa é mais rara e o seu
grau máximo deve-se considerar excepcional
Após as considerações feitas acima, sobre o
tratamento espiritual, sempre seguindo os postulados de Jesus e os preceitos da
Doutrina Espírita podemos também citar:
- Reunião doutrinária – é
de suma importância que o obsidiado participe, quando apresentar condições
para isto, bem como toda a sua família, considerando a oportunidade que
terão para ouvir palestras edificantes, sob todos os aspectos, levando
assim ao crescimento moral e espiritual.
- Reunião de desobsessão –
a reunião tem por objetivo atender aos irmãos necessitados, envolvidos no
conflito. No caso do obsidiado, tem por finalidade a análise das
parasitoses mentais e do corpo físico. No caso do obsessor, ele terá a
oportunidade de comparecer à reunião, onde deverá ser recebido com muito
amor, visando a doutrinação, para que possa compreender os erros do irmão
e assim encontrar forças para perdoar.
- Passe – é uma técnica
chamada fluidoterapia. É de muita importância no tratamento desses irmãos,
considerando a oportunidade de manipulação de fluidos, retirando fluidos tóxicos
e interpondo fluidos benéficos. Os passes poderão ser espirituais, em
função do magnetismo de irmãos desencarnados que participam dos trabalhos,
e humanos, através do magnetismo do próprio passista encarnado.
- Água fluidificada – de
grande importância no reequilíbrio do Ser, considerando que nela são
introduzidos fluidos benéficos que prestarão sua contribuição.
- Culto cristão no Lar – é
muito importante para todos, considerando a oportunidade de leitura do
evangelho e a reflexão sob o mesmo e as preces que poderão ser feitas,
permitindo crescimento interior, o exercício da fé, gerando transformações
a nível de renúncias de viciações e paixões inferiores, permitindo a
vigilância do Ser em seus pensamentos, palavras e atos.
- Cirurgias espirituais –
é uma técnica de grande valor para o restabelecimento do Ser e que será
usada em seu benefício, desde que haja merecimento e a vontade do Pai.
- Deixar bem claro para todos, que o tratamento espiritual oferecido
na Casa Espírita não dispensa tratamento médico.
Ressaltamos a importância das transformações
do Ser, visando as melhores condições de seu campo eletromagnético. É
conveniente recordar os ensinamentos do Codificador quando nos diz que “os
espíritos inferiores não podem suportar o brilho e a impressão dos fluidos mais
etéreos. Não morreriam no meio desses fluidos porque Espírito não morre, mas
uma força instintiva os manteriam afastados dali como a criatura terrena se
afasta de um fogo muito ardente ou de uma luz muito deslumbrante.” (A Gênese,
cap. XIV, item 11).
X –
PROGNÓSTICO
Apesar de todos os avanços da medicina, com
o seu arsenal de terapias modernas e da boa vontade das Casas Espíritas, com
seus médiuns e mentores espirituais, todos falharão, em consequência de
reajustes que estarão sujeitos em face de merecimentos diante das Leis
Cármicas.
O prognóstico, de modo geral, poderá ser bom
ou ruim, considerando todos os fatores envolvidos, especialmente o interesse do
obsidiado em profundas transformações íntimas e a boa vontade da família em
dar-lhe toda a assistência possível sob todos os aspectos.
Relatamos aqui observações do Dr. Alberto
Lyra, psiquiatra, membro da AMESP, quando nos diz que o diagnóstico pode estar
certo, mas os resultados dos tratamentos nem sempre são animadores, quando os
consideramos:
- Incuráveis;
- Curáveis, com permanência de resíduos neuróticos, psicóticos ou
psicopáticos;
- Cura total, com ajustamento satisfatório psicológico e social da
personalidade.
Temos ainda a esperança de melhorar o
prognóstico desses pacientes, principalmente ao lembrarmos do nosso mentor
espiritual Emmanuel (O Consolador), quando nos diz que “Os homens, em verdade,
aprenderam a química com a natureza, copiaram as suas associações desenvolvendo
a sua esfera de estudos e inventaram uma nomenclatura reduzindo os valores
químicos, sem lhes aprender a origem divina, O concurso científico é sempre
útil quando oriundo da consciência esclarecida e da sinceridade do coração.
Importa considerar, todavia, que a ciência do mundo se não deseja continuar no
papel de comparsa da tirania e da destruição, tem a absoluta necessidade do
Espiritismo, cuja finalidade divina é a iluminação dos sentimentos, na sagrada
melhoria das características morais do homem. A medicina do futuro terá de ser
eminentemente espiritual, posição difícil de ser atualmente alcançada, em razão
da febre maldita do ouro; mas os apóstolos dessas grandes realidades não
tardarão a surgir nos horizontes acadêmicos do mundo, testemunhando o novo
ciclo evolutivo da humanidade.”I
XI –
PROFILAXIA
Podemos aceitar a hipótese da profilaxia da
obsessão, quando nos propomos a realizações sérias, a nível de grandes
transformações internas, visando o crescimento e o aperfeiçoamento moral,
estabelecendo uma vida de serenidade, seriedade e humildade em busca da paz. Não
podemos esquecer que teremos paz em função da quitação dos nossos débitos com a
nossa consciência.
Ressaltamos, ainda, que todos os processos
de iniciação devem ser precedidos dos postulados de Jesus e dos preceitos da
Doutrina Espírita.
Lembremos também dos ensinamentos de
Hahnemann (Loucura Sob Novo Prisma – Adolfo Bezerra de Menezes, 2ª ed., pg.
152, FEESP) quando nos afirma que “Esse planeta tem uma atmosfera, que tanto
mais se eleva e se difunde no espaço, quanto maior for a esfera moral de cada
um, constituindo assim planetas de primeira, segunda e terceira grandeza.
Trabalhe cada um por elevar a atmosfera que o envolve, e breve, muito breve, as
revelações do mundo dos espíritos elevados virão dissipar as trevas que ainda
envolvem a Terra.”
Em relação à nossa conduta, André Luiz (No
Mundo Maior, Francisco C. Xavier, 9ª ed., pg. 49 e 59) nos diz que “O gênero de
vida de cada um, no invólucro carnal, determina a densidade do organismo
perispíritico após a perda do corpo denso. Ora, o cérebro é o instrumento que
traduz a mente, manancial de nossos pensamentos. Através dele, pois, unimo-nos
à luz ou à treva, ao bem ou ao mal. O cérebro é o órgão sagrado da manifestação
da mente, em transito da animalidade primitiva para a espiritualidade humana.”
André Luiz também (Nos Domínios da
Mediunidade - Francisco C. Xavier, 17ª ed., pg. 48) nos ensina que “Pensamentos
de crueldade, revolta, tristeza, amor, compreensão, esperança ou alegria,
teriam natureza diferenciada com características e pesos próprios, adensando a
alma ou sutilizando-a, além de lhe definirem as qualidades magnéticas.”
XII –
CONCLUSÃO
Afirmamos que obsidiados sempre existiram em
todas as épocas, apenas receberam denominações diferentes, em virtude do
progresso da humanidade.
Apesar de todos os esforços e estudos já
realizados, há muito o que fazer, considerando a mensagem de Bezerra de Menezes
(psicografada por Divaldo P. Franco – Brasília, 09/11/91), quando nos diz que
“A decadência da ética e a revolução que se apresenta como indispensável para
as novas propostas e valorização da criatura humana asfixiam a identidade
superior do Espírito, reduzindo-a a escombros que se demoram no letargo das
paixões inferiores. Momento difícil este, em que a criatura sente-se aturdida,
sem parâmetros para selecionar os valores que lhe devem conduzir o
comportamento. Instante grave, em que as injunções penosas cerceiam os ideais
de enobrecimento, relegando-os a plano secundário. Hora apocalíptica, em que as
tentações de alto e pequeno porte contaminam os menos preocupados com a verdade
e os pouco distraídos das responsabilidades mais elevadas. É também, o momento
do chamamento para a decisão que deve caracterizar aqueles que, ao ouvirem
Jesus, comprometam-se com Ele em regime de totalidade.”
O Codificador nos afirma que “A ciência e a
religião são duas alavancas da inteligência, uma revela as leis do mundo
material e a outra revela as leis do mundo moral...
A Doutrina Espírita, aliada às Ciências
Médicas, poderão se entender, não se contradizendo, mas de mãos dadas,
caminhando juntas, buscando todos os recursos disponíveis no sentido de
abrandar o sofrimento do Ser” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, 117ª ed.,
cap. I, item 8).
Bezerra de Menezes nos afirma que “a ciência
nadará em um oceano de incertezas, enquanto acreditar que a loucura depende
exclusivamente do cérebro. A ciência precisa distinguir as causas físicas das
morais, para poder aplicar às moléstias os meios correlativos” (Loucura Sob
Novo Prisma, 2ª ed., 1987).
Considerando a complexidade do assunto, de
forma alguma tivemos pretensão de esgotá-lo, e sim de prestar uma singela
contribuição à reflexão.
XIV –
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Palavras
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17ª edição, 1988, FEB, RJ
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SCHUBERT,
Suely Caldas – Obsessão-Desobsessão, 9ª edição, 1994.
YAMAMURA,
Ysao – Manuel de Ortopedia nº 13, Medicina Chinesa – Acupuntura.
*Trabalho implementado pelo
Médico acima, com especialidade em Ortopedia e Traumatologia. Foi Presidente da
Associação Médico-Espírita do Estado do Espírito Santo, no periodo de . Diretor
Mediúnico do Grupo de Fraternidade Espírita “Irmã Clotildes”- (Rua Marcondes de
Souza,90/94) - Vitória-ES-Brasil.
Fonte:
Portal do Espírito
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