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José
Marcelo Gonçalves Coelho
Diferentemente dos orientais, nós, os representantes da
chamada civilização ocidental, dificilmente nos dedicamos a aprofundamentos em
torno das imensas potencialidades mentais de que dispomos.
A ciência acadêmica, materialista
por excelência, estabelece que o pensamento é um fenômeno meramente
fisiológico, decorrente da incessante atividade neuronial.
Em
tempos idos, acreditávamos que os pensamentos que emitíamos eram de nossa
exclusiva propriedade, razão pela qual permaneceriam, por assim dizer,
encarcerados em nossos cérebros.
Entretanto, nascida em berço europeu, a Doutrina
Espírita fez surgir, sobretudo pelas vias da razão, um novo conceito daquilo
que reputamos como sendo o mais importante atributo do Espírito.
A
questão 833 de O Livro dos Espíritos
nos esclarece que é pelo pensamento que o homem desfruta de uma liberdade sem
limites. A problemática que então se estabelece é a de não avaliarmos, com
total exatidão, a verdadeira amplitude das conseqüências de nossas produções
mentais.
André
Luiz, em sua obra Mecanismos da
Mediunidade, psicografada por Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, nos
afirma que pensar é o ato de emitir matéria mental. Assim sendo, o pensamento
deixa de ter um aspecto de invisibilidade para assumir a condição de matéria em
movimento. Mas...de que modo isso se processa?
Recorrendo
novamente à primeira obra basilar do Espiritismo, verificamos que Kardec, em
nota correspondente à questão 495, nos esclarece que é exatamente através do
fluido cósmico (presente em todo o universo) que os corpúsculos mentais se
movimentam. Por certo, não conseguimos visualizá-los com nossos olhos grosseiros, apenas lhes
sentimos os resultados, da mesma forma como divisamos claramente a luz do sol
refletida na Terra, mas, nunca, a movimentação das partículas que lhe deram
origem.
Importante
ressaltar que, em virtude das ondas emitidas por sua mente, o homem se mantém
enclausurado nas zonas inferiores da vida carnal, acometido por diversos males,
de ordem física e psíquica, decorrentes das vibrações deletérias com as quais
se ajusta.
Todavia,
é também a partir do pensamento que todos nós, seres eternos que somos, nos
candidatamos aos mais altos vôos em direção ao sublime caminho de luz que nos
cumpre trilhar.
Ademais, bem sabemos que toda vibração, de qualquer
matiz, ao ser lançada no espaço, certamente há de influenciar tantos outros
seres, encarnados e desencarnados, que, conscientemente ou não, nutrir-se-ão das mesmas emanações, num
fenômeno natural de afinização.
Lembremo-nos,
finalmente, que a tão falada reforma íntima, que se traduz por constante
renovação de atitudes, inicia-se, incontestavelmente, pela reformulação lenta e
gradual de nossa vida mental.
josemarcelo.coelho@bol.com.br
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