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Caridade e Assistência Social

 

 

Eliseu F. Mota Jr.

 

Prosseguindo com o nosso propósito de analisar as finalidades de uma Casa Espírita, comparando o pensamento de Allan Kardec com o cotidiano do movimento espírita, recordamos que, segundo conseguimos entender através da leitura das obras básicas da Doutrina Espírita, os objetivos de um Centro Espírita são: a) o estudo da Doutrina Espírita; b) a divulgação da Doutrina Espírita; c) a prática da mediunidade para fins de desobsessão, e, d) a prática da caridade.

Já abordamos no mês passado a questão do passe. Agora, resolvemos averiguar como andam as coisas na área da caridade. Lamentavelmente, temos notado que inúmeras entidades consideradas espíritas confundem caridade com assistência social, ou seja, suas atividades primordiais giram em torno da manutenção de casas de sopa, dispensários para fornecimento de agasalhos e enxovais para recém-nascidos, cestas de alimentos, farmácias e outros bens materiais.

Ocorre que a verdadeira caridade, como veremos, não se resume à assistência social, pois se fosse assim nos países ricos, onde não há injustiça social, seria impossível ser caridoso, porque lá não existem pobres! Então, ninguém poderia praticar a "caridade", se esta ficar reduzida à esmola e ao assistencialismo.

 Para comprovar a assertiva de que caridade é gênero e assistência social é uma de suas espécies mais fáceis de praticar, basta recordarmos as seguintes passagens de O Livro dos Espíritos :

P. Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, tal como a entendia Jesus?

R. “Benevolência para com todos, indulgência com as imperfeições alheias, perdão das ofensas.”

A essa resposta dos Espíritos, Allan Kardec acrescenta que o "amor e a caridade são complementos da lei de justiça, porque amar ao próximo é fazer-lhe todo o bem que nos seja possível e que desejáramos que nos fosse feito. Tal é o sentido das palavras de Jesus: amai-vos uns aos outros como irmãos.

"A caridade, segundo Jesus, não está reduzida à esmola; compreende todas as relações que temos com nossos semelhantes, sejam eles nossos inferiores, iguais ou superiores. Ela nos prescreve a indulgência, porque de indulgência necessitamos nós mesmos, e nos proíbe que humilhemos os desafortunados, contrariamente ao que se costuma fazer. Apresente-se uma pessoa rica e todas as atenções e deferências lhe são dispensadas. Se for pobre, toda gente como que entende que não precisa preocupar-se com ela. No entanto, quanto mais lastimosa seja a sua posição, tanto maior cuidado devemos pôr em lhe não aumentarmos o infortúnio pela humilhação. O homem verdadeiramente bom procurar elevar, aos seus próprios olhos, aquele que lhe é inferior, diminuindo a distância que os separa."

P. O que devemos pensar da esmola?

R. “Condenando-se a pedir esmola, o homem se degrada física e moralmente: embrutece-se. Uma sociedade que se baseia na lei de Deus e na justiça deve prover à vida do fraco, sem que haja para ele humilhação. Deve assegurar a existência dos que não podem trabalhar, sem lhes deixar a vida à mercê do acaso e da boa-vontade de alguns.”

P. Então condenais a esmola?

R. “Não, pois não é a esmola que é censurável, mas quase sempre a maneira por que ela é dada. O homem de bem, que compreende a caridade segundo Jesus, vai ao encontro do desgraçado sem esperar que ele lhe estenda a mão."

Em conclusão, muito embora sejam louváveis os serviços de assistência social em muitas entidades, elas não podem ser, apenas por isso, transformadas  em Centros Espíritas. Com efeito, se uma entidade qualquer mantiver todos esses departamentos assistenciais, mas não estudar, divulgar e praticar o Espiritismo, poderá ser tudo — dispensário de pobres, farmácia popular etc. —, mas não será jamais uma verdadeira Casa Espírita, pois em muitos casos elas deixam até mesmo de lado as atividades doutrinárias para se dedicarem exclusivamente à "caridade material", que é a mais fácil de praticar, bastando enfiar a mão no bolso.

Por outro lado, se uma entidade realizar estudos, divulgação e prática da Doutrina Espírita, ainda que não tenha departamentos assistenciais, ela será uma Casa Espírita, e então seus dirigentes e freqüentadores, conhecendo a lei de justiça, amor e caridade, entenderão que a verdadeira caridade consiste em a pessoa tornar-se melhor consigo mesma, no lar (como pai, mãe, filho ou irmão), no trabalho, na escola e na sociedade em geral.

 

Fonte: O Clarim - Outubro/1998

 

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

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