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Edmundo Cezar
Doutrina Espírita é o
conjunto de ensinamentos codificados pelo professor Hipolyte Leon Denizar
Rivail, contida no pentateuco, quais sejam, O Livro dos Espíritos, O Evangelho
Segundo o Espiritismo, O livro dos Médiuns, A Gênese e o Céu e o Inferno.
Quando da publicação de O Livro dos Espíritos, Hipolyte utilizou o pseudônimo
de Allan Kardec, nome que utilizou numa encarnação passada como druida.
O Espiritismo tem
como fundamentos A existência de Deus, a Imortalidade da alma, a pluralidade
das existências ou reencarnações, a comunicabilidade com o mundo dos espíritos
e a pluralidade dos mundos habitados.
Espírita ou
espiritista é a pessoa que estuda esses ensinamentos e segue seus conceitos
filosóficos, com bases científicas e de resultado religioso. De forma mais
ampla esses conceitos são explicados na introdução de O Livro dos Espíritos, de
onde retiro o seguinte trecho:
"Diremos pois, que a Doutrina Espírita ou o Espiritismo
tem por princípios as relações do mundo material com os espíritos ou seres do
mundo invisível. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas ou, se o
quiserem, os espiritistas."
Movimento Espírita é
o espírita na prática do espiritismo.
Nestes conceitos
reside a nossa base sustentável e sólida, pois está enriquecida pelo pensamento
científico e acompanha o desenvolvimento da ciência, explicando-os e
conceituando-os a partir da codificação; como também, nestes conceitos, iniciam
todos os nossos problemas.
O Movimento Espírita
é realizado por nós, seres em estado de evolução, imperfeitos e em processo de
autocontrole de nossos vícios e virtudes. Em outras palavras: o Movimento
Espírita tem os mesmos vícios e virtudes que nós. Por esse aspecto cada instituição
espírita possui sua privacidade e forma de trabalho, orientada pelos órgãos federativos
que buscam manter a unidade do trabalho administrativo/doutrinário, mas que não
intervém de forma direta na administração das instituições.
Onde queremos chegar?
Já chegamos.
Quão mais dispostos os
participantes das instituições, estão de estudarem com disciplina a Doutrina
Espírita e de se reciclarem no caráter administrativo das instituições, com
melhor qualidade de informação poderemos divulgar os conceitos básicos da Doutrina
Espírita e promover a evangelização do homem de bem, objetivo primeiro dos
centros espíritas.
Nesse universo de
aspirações uma realidade nos sufoca: a escassez de mão de obra. O trabalho de
evangelização do ser urge mas não é apressado, no dizer de Bezerra de Menezes,
os centros crescem, as instituições se multiplicam, a sede de informações sobre
a vida após a vida aumenta nos leigos, mas ainda faltam trabalhadores. Com um
detalhe : muitos dos que estão a frente de atividades ainda não se qualificaram
e enfrentam com boa vontade e dedicação o seu fardo de trabalho.
Na prática podemos
dizer que certas funções como tesoureiros, presidentes de centro,
evangelizadores, coordenadores de departamentos, patrimônio, necessitam de conhecimentos
técnicos específicos para poderem realizar suas atividades. Muitos conseguem
junto aos órgãos federativos a sua formação mais outros precisam recorrer a profissionais
de fora do ambiente espírita para conquistar o seu crescimento técnico.
E nesse universo como
estamos com o Teatro Espírita?
É um pouco pior.
Na busca de se
instrumentalizar, os grupos ou departamentos dos centros, recorrem certas vezes
a profissionais de teatro que não têm compromisso com a temática espírita ou no
máximo são "simpatizantes", termo por sinal que não possui definição
na codificação de Kardec. No momento que esse profissional é convidado o grupo,
sem saber, passa pelo mais importante momento de sua existência.
O próximo passo pode
ser um enriquecimento pelo grupo da técnica teatral e aí, um grande passo foi
dado no sentido do aprimoramento do Movimento espírita realizada por esse
suposto grupo.
O próximo passo pode
ser também, uma série de conceitos confusos e inadequados à prática espirita do
teatro. Como não se tem referências, pode-se chamar uma pessoa que não tem, em
verdade, tanto preparo assim, ou tem, mas por desconhecer os mecanismos que
regem o grupo, a instituição e as pessoas, acabe por decretar o fim daquele tão
promissor movimento.
O que nos leva a
dedicar horas de nosso escasso tempo em ensaios de teatro espírita é a idéia e
a crença que possuímos na causa espírita. O único compromisso que o teatro tem
é a estética e o seu Deus é a liberdade. O teatro espírita tem um compromisso
sério com a idéia, com o tema, com a divulgação da Doutrina espírita e o seu
Deus é eterno, imutável, onipresente, onipotente e onisciente.
A temática abordada
deve ser sempre a temática doutrinária espírita, e se ainda restam dúvidas
sobre o que é isso, vamos voltar as obras básicas para estudá-las um pouco mais
e depois faremos teatro espírita. A forma artística e a qualidade técnica devem
ser buscada sempre, para que o produto possa ser aceito com beleza e prazer
pelos espíritas, não espíritas e pelos "simpatizantes". Mas não
devemos nos desviar de nosso caminho árduo que é o de falar da vida e da morte
como ela realmente é.
O CENTRO ESPÍRITA PRECISA DE
TEATRO?
Há uma fronteira
sutil entre fazer teatro no centro espírita e fazer do centro espírita um
teatro.
A casa espírita é uma
instituição singular, que possui bases doutrinárias em Kardec e regras
administrativas criadas e mantidas por seus integrantes, representados ou não
pela diretoria da instituição, a depender da complexidade de seu organograma.
Se nos deparamos com normas ou posturas pessoais que discordamos dentro da
instituição, devemos promover o debate fraterno entre os membros da
instituição, a fim da chegarmos à conclusões coerentes e afinadas com o ideal
espírita.
Grupos ligados, não
só ao teatro, mas a arte espírita, têm encontrado certas resistências ao trabalho
artístico dentro dos centros e o caminho de nossas soluções será sempre o
diálogo.
Temos que ter o
cuidado para que os ensaios das "peças" possam transcorrer dentro das
regras estabelecidas pela instituição, para que não venhamos a ferir
"postulados" e mudar o foco do trabalho artístico que é a idéia.
Cuidado com roupas a
utilizar, objetos que não se deve mexer, ruídos que não se podem fazer,
precisam ser "administrados" pelos coordenadores do grupo e por seus
participantes.
"__ Ah, mas o
presidente do centro não gosta de teatro!..."
Acontece. Nossos
teatros tradicionais têm muita dificuldade em levar público aos espetáculos,
porque acostumamos com a cultura de massa e esquecemos de ensinar nossos filhos
a ir ao teatro, ao circo, às livrarias, etc...
Algumas instituições
ainda não conhecem a possibilidade de utilização da teatralidade, não só em
nossas atividades sociais comemorativas espíritas, mas também como oportunidade
de crescimento dos participantes do grupo de teatro e de todos da instituição.
O fazer teatral
colabora no desenvolvimento da auto-estima, no desbloqueio de nossas inibições,
na geração de uma energia artística positiva que a espiritualidade não perde
oportunidade de utilizar no auxílio à enfermos, na evangelização do homem.
Conhecemos algumas
estórias de espíritos traumatizados pelo tempo, que tiveram seu trabalho de
"recomeço" iniciado à partir de ensaios e apresentações de peças
espíritas. O espetáculo "Além da Vida", 18 anos em cartaz, acumula
algumas dessas estórias.
É preciso observar de
forma bem auspiciosa, qual o direcionamento que a instituição propõe aos seus
trabalhos e onde pode-se ou não se encaixar o fazer teatral.
Se nossos corações
estiverem sinceramente preenchidos pela fraternidade e em nossas mentes brilhar
o ideal da reforma íntima através da evangelização, encontraremos o caminho da
"convivência pacífica" dentro e fora das instituições espíritas.
Fonte: Boletim GEAE Número - julho/2000
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