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Marcelo Henrique Pereira
“Formai
primeiro o espírito para instruí-lo depois.”
PESTALOZZI
“Os
meios próprios para se educar a juventude são uma ciência bem distinta que se
deveria estudar para ser educador, como se estuda a medicina para ser médico.”
RIVAIL
“Educar
é decifrar o enigma do ser em geral e de cada ser em particular, de cada
educando.”
HERCULANO
1. Introdução.
Instigante a proposta de alinhar
os conceitos espíritas de Educação e Evolução (consciente). Há, em verdade, um
laço estrutural entre ambas, visto que a primeira reveste-se no meio
procedimental que desemboca, invariavelmente, na última.
Como característica
marcante de todo trabalho de natureza técnico-científica, forçoso se torna,
preliminarmente, apresentar os Conceitos Operacionais
para Educação e Evolução.
Educação é “[...] um
elemento que não se costuma fazer pesar na balança e sem o qual a ciência
econômica não passa de simples teoria. Esse elemento é a educação, não a educação intelectual, mas a educação moral. Não nos
referimos, porém à educação moral pelos livros e sim à que consiste na arte de formar os caracteres, à que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto de hábitos
adquiridos”.
Eis como Kardec (2001:331)
a define, na obra pioneira espírita. Educação que se transmuda em Educação
Espírita quando nela incutimos princípios e fundamentos espiritistas, em sua
filosofia e em sua práxis.
Educação é, destarte, o processo
contínuo de desabrochar faculdades latentes, domesticando ânimos, domando
inclinações e fazendo refulgir os componentes positivos contidos no caráter do
educando. Neste trabalho, usaremos Educação e Pedagogia como sinônimos, tendo
em vista que os autores pesquisados não privilegiam a diferença temática entre
os termos. Se necessário fosse estabelecer tal dicotomia, ficaríamos com o
posicionamento de PIRES (1986:95-96): “Como assinala René Hubert em seu Tratado
de Pedagogia Geral, a Educação precede à Pedagogia.
Primeiro temos o fato educacional,
depois o fato pedagógico. Assim,
fácil é compreender que a Educação é o objeto da Pedagogia.”
Para entender-se o que é Evolução
torna-se necessário enquadrar o conceito originário da filosofia espírita,
definido este como Progresso, o qual recebe de KARDEC (2001:362) o seguinte
delineamento: “O estado de natureza é a infância da Humanidade e o ponto de
partida do seu desenvolvimento intelectual e moral. Sendo perfectível e
trazendo em si o gérmen do seu aperfeiçoamento, o homem não foi destinado a
viver perpetuamente no estado de natureza, como não o foi a viver eternamente
na infância. Aquele estado é transitório para o homem, que dele sai por virtude
do progresso e da civilização. A lei natural, ao contrário, rege a Humanidade
inteira e o homem se melhora à medida que melhor a compreende e pratica.”
Evolução, assim, é o curso
espiritual a que todos achamo-nos sujeitos, em percursos que serão
proporcionais ao nosso interesse, dedicação e trabalho, perpassando os diversos
níveis previstos na chamada “escala espírita”,
que compreende ordens e classes especificamente caracterizadas.
A Educação Espírita passa,
então, por Pestalozzi, Rivail e Herculano. Essa tríade, necessária e visível,
desemboca no presente como a proposta de edificação da Pedagogia Espírita e da
Universidade Espírita, como conseqüências inevitáveis e necessidades prementes.
A Pestalozzi
coube escolher o local para o plantio, entre tantos outros disponíveis, com
base em seu tirocínio de que o ser já nasce com todas as “faculdades de
natureza humana”, e a educação, enquanto instrução, no contato com as experiências
pessoais, possa ser possível ampliar o conhecimento individual, por via dos
sentidos, do intelecto e dos sentimentos.
Rivail, o
cético, o cartesiano, cuja incumbência maior foi a de associar fé e razão,
escolheu uma a uma as sementes, incumbiu o mister de lançá-las ao solo delineado
por seu precursor, e, em face da multiplicidade de ambientes, num mesmo
terreno, encontrou, tal qual o semeador da parábola evangélica, as nuances de
solo e meio-ambiente diversificadas que, invariavelmente, tiveram destinos
distintos.
Herculano
recebeu do Mestre a árvore, ainda em seus dias iniciais, exposta às
intempéries, as ervas daninhas, aos predadores e aos humanos interesseiros, que
tentavam escravizá-la ante seus anseios e desejos imediatistas. Podou-a, inúmeras
vezes, percebendo as floradas e o exalar dos perfumes, inimitáveis. Provou o
fruto, e viu que era bom, e tratou de informar ao mundo qual a sua serventia.
Nós, que aqui estamos,
acompanhamos, historicamente, tal processo. Mais próximos de Herculano, por
certo, lhe ouvimos diretamente dos lábios, ou examinamos-lhe os escritos e
ensaios, maravilhando-nos ante a perspectiva de construir nossas vidas a partir
da exploração conscienciosa dos frutos que nos foram legados. Não, entretanto,
sem destinar à árvore frondosa e centenária, o cuidado – delicado e carinhoso –
mas, forçosamente, o replantio, através de novas sementes e enxertos, em outras
localidades.
Herculano, então, concebe a
Pedagogia Espírita
como uma nova teoria da Educação, exigida por uma nova concepção da vida,
baseada na realidade do Espírito. Distingue-se, pois, das outras pedagogias
religiosas, por incorporar os dados da ciência espírita. (PIRES, 1986:94 e
125.)
Na seqüência procuraremos
demonstrar a necessidade do resgate da concepção pedagógica espírita para a
época contemporânea, a fim de que seja possível conceber a Educação Espírita
para a Evolução Consciente.
2. A ousadia crítica de Herculano.
Para as experimentações da
Pedagogia Espírita, Herculano lançou a revista Educação Espírita, através da
qual, no dizer de MARIOTTI (1984:25), “[...] foram tratados os mais relevantes
assuntos pedagógicos à luz do Espiritismo. Nesta revista, ficou demonstrado
como a filosofia espírita possui um saber integral quanto aos novos horizontes
que apresenta às ciências da Educação.”
Com o periódico, o
Professor teorizou sobre novas técnicas educacionais, a par do contato com as
mais elevadas esferas da educação e do ensino, demonstrando a Filosofia
Espírita da Educação em suas bases e axiomas para projetar seu mais audacioso
sonho: a Ciência Espírita da Educação, a partir do conhecimento, a fundo, das
questões existenciais e inter-existenciais do Ser, porque “[...] uma pedagogia
que só ensina, sem curar as feridas [muitas derivadas da ignorância espiritual]
da alma, não é mais que um frio tecnicismo que apenas afeta à inteligência
formal das coisas”. (MARIOTTI, 1984:26.)
Com ousadia, nosso filósofo chegou a propor a
Pedagogia Espírita como contribuição à educação brasileira, num “[...] alerta
para a necessidade de recuperarmos a dimensão espiritual no homem num projeto
pedagógico que possa realizá-lo integralmente”, como lembra INCONTRI
(2001:277).
Curiosamente, entretanto, o
Movimento Espírita escolheu outro caminho e olvidou a proposta integral do
filósofo paulista para conceber “catecismos”, “escolas dominicais”, ou, com
mais profusão, a “evangelização” espírita infanto-juvenil.
Ou seja, simplificou a proposta para enquadrá-la no modelo gerencial religioso
que as instituições espíritas adotaram, por influência direta da condição de
país católico e da visão católico-espírita de seus dirigentes, como veremos no
item 4 deste trabalho.
A educação, assim, no
ambiente e na filosofia espíritas, passou a ter, apenas, o conteúdo moral,
baseando-se nas parábolas e ensinos de Jesus. Quanto ao “plano de curso”,
nenhuma censura. Quanto à metodologia, objetivos e, principalmente, quanto à
formação do educando, todas as críticas possíveis, de nossa parte. Afinal,
esqueceu-se o caráter filosófico (de pensar e fazer pensar, construindo e
reconstruindo teses) e as bases científicas (expressas na constante experimentação,
os laboratórios de pesquisa), para enaltecer apenas as “conseqüências” morais.
Numa diagnose
histórico-evolutiva da Educação Espírita, apesar do “desvio” de rota, há que
referenciar-se o trabalho de pensadores do quilate de Eurípedes Barsanulfo
(1880-1918), Anália Franco (1853-1919), Tomás Novelino (1901-2000), Pedro de
Camargo (Vinicius) (1878-1966) e J.Herculano Pires (1914-1979), que, a seu
turno muito realizaram para a disseminação da proposta de educação dos seres à
luz do espiritismo.
Mas, conforme INCONTRI (2001:265), “[...] ninguém como
Herculano, no Espiritismo brasileiro, desdobrou com tanta acuidade e erudição
as idéias de Kardec, estabelecendo um diálogo único com a idéias em pauta na
cultura contemporânea. Compreendendo o Espiritismo, como ele gostava de dizer,
como “mundivivência” e, como projeto cultural, que deveria influenciar
decisivamente todos os âmbitos da sociedade e do conhecimento, evidentemente
tornou-se um crítico decidido de certos setores do movimento espírita
brasileiro, que entendiam a doutrina apenas como mais uma religião.”
Todavia, a partir,
principalmente da década de 1990, no Brasil, começaram a surgir alguns
pensadores e pedagogos que, em seus escritos, falas e práticas, buscavam a
volta a Kardec e a Herculano, retomando o curso evolutivo-existencial da
Pedagogia Espírita. Citem-se, a propósito, Ney Lobo, Heloísa Pires e Dora Incontri.
Referidos pedagogos pensadores e muitos outros
aprendizes buscaram resgatar a essência contida na obra de Herculano, calcada,
sobretudo, em axiomas como este: “Encarada numa perspectiva espírita, a
Educação nos apresenta dois aspectos fundamentais: é o processo de integração
das novas gerações na sociedade e na cultura do tempo, mas é também o processo
de desenvolvimento das potencialidades do ser na existência, com vistas ao seu
destino transcendente.” (PIRES, 1986:113.)
Forçoso, então, se torna,
conceituar e caracterizar a Pedagogia Espírita. É o que veremos a seguir.
3. Caracteres da Pedagogia Espírita.
A proposta pedagógica da
Doutrina Espírita é muito clara: aproveitar o conteúdo individual que emana da
bagagem espiritual de cada ser e educá-lo a partir de uma concepção cultural
universalista e espiritual, em que sobressaem os seguintes caracteres: a)
individualidade; b) imortalidade; c) reencarnatividade; d) progressividade; e)
liberdade; f) experimentalidade; e, g) solidariedade.
Entendendo, amiúde, tais
caracteres, temos:
a) Individualidade – somos Espíritos, individualmente
considerados, a partir do desenvolvimento do princípio espiritual. Segundo a
teoria evolutiva espírita, somente na fase animal a individualidade se expressa
para, na seqüência, assumir a condição de integralidade no estágio hominal.
b) Imortalidade – somos imortais, e a morte física
corresponde ao prelúdio de uma etapa existencial. Morte e encarnação, assim,
podem ser consideradas poeticamente como duas faces de uma mesma moeda, a da
vida espiritual do Ser.
c) Reencarnatividade – ou palingenesia, corresponde ao
regresso à vida física tantas quantas forem as vezes necessárias para o
aprendizado e a experiência espirituais.
d) Progressividade – marca indelével do percurso
existencial do Ser, demonstrando que, a partir de sua existência, o espírito
irá galgando etapas e degraus conforme lhe seja possível e adequado.
e) Liberdade – cognominada, na teoria espírita, como
livre-arbítrio, representa a maior conquista, em termos de direitos, do Ser,
que escolhe livremente oportunidades e caminhos, sendo-lhe proporcional a
responsabilidade pelas opções escolhidas.
f)
Experimentalidade
– condição daquele que precisa das experiências para alcançar o progresso, de
modo que nenhuma circunstância no palco das vidas sucessivas seja
desconsiderada para o conjunto espiritual.
g) Solidariedade – caractere moral da vida espiritual,
demonstrando a necessidade do inter-relacionamento entre os seres e, neste aspecto,
a ação positiva de uns para com os outros.
A partir destas noções, a Pedagogia
Espírita considera, assim, como ponto de partida o Ser e suas vivências (atuais
e pregressas), sendo que a disseminação dos conceitos espíritas deve atender
aos imperativos da concordância com o espaço-tempo de sua condição atual (por
isso a necessidade da atualidade dos conceitos), sem desmerecer os insights de existências pregressas, que
desabrocharão naturalmente nas contingências do hoje e nos relacionamentos
interpessoais. Em paralelo, importante é credenciar o educando na conquista de
si mesmo, a partir da noção de que não perecerá nunca, conservando, ao
contrário, sua condição de particularidade no ambiente cósmico, e isto só será
possível com a superação das dificuldades de encarar o processo morte, estágio
de transmudação para novas existências, nesta ou em outras dimensões. Das
sucessivas oportunidades resultará, então, o progresso, a completude, que
seguirá o curso desejado por cada ser, que ascenderá a seu turno com base nos
resultados alcançados. Experimentará, assim, todas as situações possíveis e
imagináveis, de acordo com a sua própria possibilidade (total) de escolha,
aprendendo com todas e demonstrando estar ou não apto para novos labores.
Entenderá, por fim, que sua existência se completa na do outro, por laços de
afetividade e interdependência, de modo que precisará de uns e será complemento
de outros, na teia de envolvimentos onde desponta o agir solidário e fraterno,
como premissa, sempre.
Como descreve Heloísa PIRES
(1992:122-123), “A Educação Espírita vai conscientizar o indivíduo da
importância do Universo da antimatéria, mas vai fazê-lo compreender que a sua
existência como encarnado é indispensável ao seu crescimento espiritual, ao
desenvolvimento de suas potencialidades.”
Note-se que a aparente
confusão entre as terminologias utilizadas pelos diversos autores (ora
Educação, ora Pedagogia) não deve ser empecilho para o entendimento de que uma
(ou outra) deve ser o processo de trabalho no sentido a credenciar os atores de
uma nova fase no progresso individual e coletivo de nossa Humanidade.
Ideal se torna, então,
apresentar o curso, o itinerário com seus requisitos para que a Educação (ou
Pedagogia) Espírita alcancem o seu desiderato, qual seja o de ser a credencial
para a Evolução Consciente dos seres.
Em um de nossos trabalhos
(1997:18) afirmamos que, por ser ciência “[...] a Pedagogia Espírita requer do
aprendiz a disciplina na freqüência, o interesse no seu aprofundamento, a
dedicação na realização das atividades pertinentes e o compromisso – íntimo e
pessoal – de utilizar seus conhecimentos em favor de si mesmo, do próximo, do
mundo.”
Assim, pouco a pouco,
indivíduos conscientes vão assumindo “[...] os compromissos especiais traçados
pela Psicologia do Comportamento nas ações determinadas pela emissão da
palavra, pela execução dos atos em si e pela direção do pensamento”, como
explicita BUENO (1997:18).
Herculano (2003:4) chega a
apresentar a necessidade de uma nova educação que ele caracteriza como “de
dimensões cósmicas e espirituais” para os novos tempos. Em complemento, ele
acentua (1986:108) que sua destinação seria a de “[...] formar as criaturas
para um mundo diferente deste em que nos encontramos, não nos colocamos fora da
atualidade pedagógica, mas, pelo contrário, perfeitamente entranhados nela. Mas
é preciso acentuar que esse mundo diferente não é apenas uma hipótese ou um
sonho, caso em que estaríamos à margem da própria natureza do processo
educacional, pois não se educa ninguém para a irrealidade. Esse mundo diferente
está surgindo em meio do mundo atual, e o faz de maneira tão acentuada e
acelerada que vem obrigando os pedagogos a acertarem os passos com ele, em toda
a extensão da Terra.”
Esta nova Educação requer uma nítida transformação no
“ambiente” espírita, marcadamente religioso, como decorrência do método
educacional escolhido pelas entidades responsáveis pela divulgação espírita em
nosso país e em outras localidades, notadamente a Federação Espírita
Brasileira, que escolheu a denominação “evangelização espírita”.
É sobre isto que falaremos logo a seguir.
4. Evangelização: Fase Superada.
A prática pedagógica
tradicional no movimento espírita brasileiro, a que influenciou pessoas e
instituições durante décadas estava firmado sobre a necessidade de incutir
valores morais nos educandos a qualquer preço. Por isto, privilegiando um
aspecto da Doutrina Espírita (o moral, cognominado por religioso), a teoria e
as atividades pedagógicas acabaram assumindo a feição de “catecismo”, ou “evangelização”,
que, em essência simbolizou “educar conforme o Evangelho”.
O roteiro para as “aulas” de evangelização espírita infanto-juvenil,
assim, era a reprodução das máximas e dos ensinos de Jesus, interpretados
segundo o viés espírita, tendo, por conseqüência, como base, o Evangelho
segundo o espiritismo.
Não se questiona a validade
do conteúdo moral de que a filosofia espírita reveste-se. Há, em verdade, um
liame muito claro entre o conteúdo do Espiritismo e os ensinamentos de Jesus,
embora aquela não se circunscreva apenas a estes. A filosofia espírita é mais
abrangente e apóia-se nos elementos de natureza científica para permanecer válida
e permanente, em nosso orbe. Quando, todavia, reduzimos o caráter espírita para
a transmissão de conhecimentos e a realização de vivências, o maior prejudicado
é o próprio educando que acaba recebendo uma formação míope ou parcial.
A conseqüência, entendemos
nós, é a existência de adultos, hoje, derivados daqueles tempos, excessivamente
“religiosos”, até dogmáticos, sem a necessária crítica espírita,
desinteressados por aspectos fundamentais da ciência e da filosofia
espiritistas, acorrendo às Casas Espíritas como se fosse a um templo religioso,
para “adorarem a Deus” e receberem os benefícios da vibração, do passe, da água
fluidificada e da conversação em tom evangélico.
Assim, no dia-a-dia do
trabalho de evangelização, são cooptados colaboradores sem o mínimo preparo
pedagógico, ou, então, com alguma experiência na cátedra em escolas leigas
(geralmente professores aposentados), os quais transmitirão a crianças e jovens
o “conteúdo” espírita.
O ponto fundamental, então,
na dicotomia entre o que o movimento espírita chama de educação (leia-se
evangelização) e a (real) educação espírita, é a questão da profissionalização
do ensino e, como decorrência, a cobrança de valores a título de taxas ou
mensalidades escolares. A distinção se dá a partir do fato de que, nas
Instituições Espíritas tradicionais, o axioma “daí de graça o que de graça
recebestes” (e tudo o que vem “de Deus” para nós é encarado como gratuito, como
dom, e a sua capacitação só se dá em virtude da vontade d’Ele), impede qualquer
retribuição pecuniária das “aulas” ou dos “ensinamentos”.
Complementarmente, tem-se
que “A missão pedagógica do espírita, porém, não se
dá apenas no plano moral. Em todos os setores de atividade, os espíritas devem
também se esforçar pelo avanço intelectual de si mesmos e da comunidade a que
pertencem. Promover a cultura elevada e proporcionar meios à instrução – isso
faz parte integrante de seu programa de ação. É nesse sentido que se deve abrir
aqui uma crítica ao movimento espírita brasileiro, que tem se preocupado muito
mais com a caridade material do que com a caridade pedagógica. Dar pão e
agasalho é bem mais fácil do que educar, mas educar é uma terapêutica global e
uma solução social muito mais eficaz.” (INCONTRI, 2004: s. p.)
Herculano (1986:168), neste
diapasão, argüi: “[...] É da cobrança das taxas que sairá a renda necessária à
manutenção da Escola e ao pagamento de diretores, professores e funcionários.
Mas, se houver pessoas capazes de compreender a importância dessas Escolas, e
que disponham de recursos, poderão ajudar a alunos que não possam pagar. As
doações serão necessárias e tão meritórias como as que se fazem para hospitais
e outras obras assistenciais.”
Finalizamos, repisando o
objetivo de nosso trabalho pedagógico espírita, sob a influência e a cátedra de
Herculano: “A missão do Espiritismo não é esclarecer alguns indivíduos em meio
à multidão, mas esclarecer as multidões, alargar o conhecimento humano, colocar
os homens diante da realidade integral da vida para regenerá-los.”
É, então, um trabalho
grandioso e de natureza eminentemente cultural.
5. O Desafio Cultural do Presente: O Ambiente
Universitário.
Há, assim, uma interface
fundamental entre o Espiritismo e a Cultura. A proposta espírita é
fundamentalmente de natureza cultural, de modo a contribuir decisivamente na
ampliação do patrimônio cultural do espírito.
Acredita-se ser
o Espiritismo uma síntese cultural, uma vez que ele abrange “[...] todas as
áreas do conhecimento, seu ponto de unificação é justamente a Pedagogia. Não
foi à toa que Kardec tenha sido educador e tenha recebido influência de
Pestalozzi, um dos maiores educadores de todos os tempos. Melhor compreende o
Espiritismo quem o compreende pedagogicamente.” (INCONTRI, 2004: s. p.)
Ora, em termos sociais, o
melhor ambiente para a propagação da cultura espírita é, sem dúvida alguma, o
cenário acadêmico, as Universidades onde se veiculam idéias e propostas em
diversificadas áreas do conhecimento humano, um ambiente de natureza plural,
onde teses podem ser apresentadas, com a possibilidade do contraditório – as
antíteses – sem necessidade primordial de elaboração ou aceitação de sínteses.
O que há de mais moderno nas ciências, nas línguas, nas artes é apresentado nas
Universidades que abrem-se para o mundo, por meio das conexões que se formam
entre pesquisadores de todo o mundo.
Eis porque em várias
faculdades brasileiras têm surgido os chamados Núcleos Espíritas Universitários
(NEUs), que buscam atrair os acadêmicos para o debate das idéias espiritistas,
em um fórum adequado que privilegia a participação, a isonomia e a
interconectividade dos princípios e fundamentos da Doutrina Espírita com as de
outros ramos do conhecimento humano,
notadamente aqueles que veiculam o objeto de estudo das demais ciências físicas
ou sociais.
Todavia, o maior cuidado
dos líderes espíritas deve ser empregado no sentido de evitar a transformação
destes núcleos em meros “grupos de jovens espíritas”, no formato similar ao do
adotado nas Instituições Espíritas e, muito mais grave ainda, a concentração de
esforços no sentido de “fazer adeptos”, “convertendo” jovens universitários
para a filosofia espírita.
O salutar é “expor” o pensamento
espírita ao confronto com outras ideologias, propiciando a análise de pontos
polêmicos, como, por exemplo, a visão de determinada ciência em relação a fatos
(materiais, sociológicos, psicológicos, ou, até, transcendentais), em que seja
possível perceber em que pontos possamos “estar à frente”, ou, certamente, em
quais a “revelação” espírita, calcada em termos e cenários de meados do século
XIX, possa ter sido suplantada pelo conhecimento material, carecendo de
redesenho ou, como os cepeanos proclamam, de “atualização”.
A par disto, vemos, também,
com muitos bons olhos, o surgimento de faculdades ou cursos superiores
espíritas, que, no acurado senso de projeção do Professor, estariam assim
configuradas: “As Escolas de Espiritismo devem ser organizadas como verdadeiras
unidades do ensino superior, com todas as suas características. Poderão mesmo
dividir-se, no seu desenvolvimento, em cursos especializados, como os das
nossas atuais Faculdades de Filosofia. [...] As matérias e os processos de
ensino terão tratamento universitário. Porque, sem essas condições, não seria
possível dar ao ensino a eficiência necessária, nem fazer que as Escolas de
Espiritismo atinjam o seu alto objetivo no plano cultural.”
Mas, tais Universidades (ou
Faculdades) Espíritas, que vemos desabrochar, ainda se fazem de modo tímido, no
Brasil. Não se trata, entretanto, de conceber uma Universidade “dos” Espíritas,
mantida e administrada por pessoas, grupos ou instituições espiritistas,
ministrando cursos “técnicos”, ou de formação profissional comum e conhecida
(Administração, Ciências Contábeis, Direito, Economia, Engenharia, Psicologia,
etc.). Mas, opostamente, Faculdades de Ciências Psíquicas, Espirituais,
Filosóficas, Psicológicas, todas com ênfase para o “conteúdo” espírita.
Veja-se, a propósito, que
Herculano anteviu, em projeto, o que podemos perfeitamente estar construindo
hodiernamente, desde que nos disponhamos a edificar faculdades competitivas e
de qualidade, seja para a apreciação espírita dos fatos, seja para o redirecionamento,
em termos de objetivos, propostas e planos político-pedagógicos, de cursos
superiores que guardem afinidade, sintonia ou relação com o espiritismo,
citando-se, v. g., Pedagogia, Psicologia, Sociologia, Direito, Administração,
Medicina e Enfermagem, entre outros.
Ao tomarem contato e
conhecerem, em essência, o pensamento e a proposta verdadeira do espiritismo,
milhares de acadêmicos poderão perceber que “[...] o pensamento espírita –
assumido como uma visão de mundo, um método de conhecer e, portanto, um novo
paradigma – é justamente uma possibilidade original de filosofar, de fazer
história ou ciência. E essa originalidade pode ser uma contribuição espírita à
cultura brasileira e, ao mesmo tempo, uma contribuição brasileira à cultura
internacional”, na dicção de INCONTRI (2004:4).
Há, realmente, uma sintonia
entre tais posições, e RIZZINI (2001:235), a este mérito, acrescenta: “As
Escolas de Espiritismo nos moldes idealizados por Herculano Pires e que na sua
visão elevariam em breve tempo o conhecimento doutrinário, então difuso e
individual, de tipo exclusivamente autodidata, somente teriam possibilidade de
tornar-se realidade no decorrer do terceiro milênio...”
Todos nós, espíritas, de
berço ou não, somos autodidatas. Aos poucos, vamos nos imiscuindo no conteúdo
espírita, “devassando o invisível” e interessando-nos pelo aprofundamento em
conceitos e princípios que mais nos chamem a atenção, em dado momento da vida.
Efetivamente, os bons Centros Espíritas do mundo adotam espaços de estudo em
grupo, em turmas iniciais ou avançadas, onde há, inegavelmente, avanços.
Seqüencialmente, cursos, seminários, simpósios, workshops, fóruns e similares,
complementam o processo.
GARCIA (1998:39), numa
adequada leitura da posição herculanista, assim apregoa: “[...] a própria
Educação Espírita, a que se refere, pretende ele seja entendida como um
processo global, com o suporte de uma Pedagogia Espírita, bem como na sua
aplicação no segmento familiar, através dos pais, e no centro espírita, através
de idealistas sinceros. Para o professor, o conhecimento espírita se tornou
indispensável para a educação. Mais do que isso, tornou-se uma esperança de
renovação da prática educacional.”
Mas, o que Herculano
concebeu (e, infelizmente, não conseguiu edificar nem ver edificado) foi um
sistema pedagógico linear, organizado e institucionalizado,
tanto que menciona textualmente que as Escolas de Espiritismo assemelhar-se-iam
às Faculdades de Filosofia e Escolas de Medicina de seu tempo, as quais, convenhamos,
não se modificaram tanto assim.
Isto porque “[...] o
Espiritismo tem que se abrir para o diálogo com o conhecimento atual. Por
exemplo, Herculano Pires sabia fazer essa ponte entre o conhecimento espírita e
toda a história da filosofia, filosofia contemporânea, ele sabia muito bem unir
as coisas sem perder a fidelidade a Kardec, às Obras Básicas, à Doutrina Espírita.
Às vezes certas pessoas perdem por não resistir à pressão do meio acadêmico.”
E, admitamos, o grave
problema para a efetivação do projeto de pedagogia espírita superior que
enfrentamos é que não conseguimos definir os propósitos, os objetivos, as
finalidades do Ensino Espírita Superior. Ouçamos o filósofo: “[...] As Escolas
de Espiritismo são como as Escolas de Filosofia, de Medicina, de Engenharia,
com a única diferença de que não formam especialistas profissionais, mas
preparam alunos para a construção de um mundo melhor, de uma sociedade mais
humana. Isso não impede que também os prepare noutro sentido, para o exercício
da profissão de professor, diretor ou funcionário dessas mesmas escolas, ou
ainda de assistentes para os hospitais espíritas, orientadores das editoras
espíritas, jornais, revistas e publicações espíritas várias, e assim por
diante.”
Ou seja, Herculano concebeu
um sistema de retro-alimentação do próprio processo de ensino espírita e o de
composição das instituições espíritas de seu tempo, em que, notadamente, os
vieses de aplicação eram: pedagogia, assistência social (e, neste sentido,
precipuamente, saúde) e jornalismo.
Note que o Professor
esmera-se em “formar” uma classe de bem-preparados críticos espíritas, para
qualificar as escolas, os hospitais (ou outros núcleos assistenciais) e os
periódicos mantidos por (pessoas ou instituições) espíritas.
Nós, todavia, ousamos
pensar mais à frente. Isto porque a grande necessidade do presente é a
pluralidade, o envolvimento social, a formação de parcerias na Sociedade, a
convivência alteritária e
ética, nos
diversos ambientes de nosso tempo.
Então, há que se investir
nas Faculdades Espíritas com múltiplas destinações: Medicina, Direito,
Psicologia, Pedagogia, Administração, Ciências Contábeis, Engenharia, Economia,
Nutrição, Odontologia, e tantas outras, definidas conforme critérios locais,
com estudo de “nichos” de mercado, para que possam florescer, competindo de
igual para igual no mercado. A diferença, fundamental, será, é evidente, a
filosofia de trabalho, norteada pelos princípios espíritas, superando, por
exemplo, a ênfase pela “competitividade a qualquer preço”, pela competição com
ética, a ética espírita.
Eis, verdadeiramente, o
“foco” do trabalho que está sob nossa tutela. Inserir-nos nos ambientes
universitários para a construção da Educação Espírita para a Evolução
Consciente.
6. Considerações Finais: Por uma Educação Espírita
para a Evolução Consciente.
De modo derradeiro, o
Professor (1986:112) sentencia, como se nos advertisse para a necessidade do
trabalho dos dias atuais: “Agora, é a vez do Espiritismo. Os seus princípios
constituem o código de uma vida, os alicerces de uma nova civilização. E só
através da educação poderemos torná-los efetivos no mundo. Modelando os homens
através das novas gerações ao fogo renovador da concepção espírita, estaremos
realmente modelando o Mundo Novo, pois o mundo é feito à imagem e semelhança do
homem. Integrar o Espiritismo no acervo da cultura que as gerações passadas nos
deixaram, transformá-lo em vivência para o Mundo Novo, esse é o novo dever e só
o poderemos cumprir através da educação. Procuremos compreender esta verdade,
para que nossa grande luta possa atingir os seus objetivos.”
O grande diferencial,
todavia, é a ênfase na práxis espírita que deflui da forma de encarar o próprio
processo evolutivo. É certo que a filosofia espírita fez ruir a crença no
determinismo divino, que prescrevia (e ainda prescreve para muitas consciências
contemporâneas) a rota dos acontecimentos mundanos e espirituais. O Supremo
Arquiteto, ao compor a dinâmica Lei cuidou de estabelecer um mecanismo
auto-regente, cuja aplicação, automática e inexorável, alcança todos os atos humano-espirituais.
O que precisamos superar, a nosso ver, na interpretação espírita dos axiomas
espirituais é a crença de que “evoluiremos, a qualquer custo”, ou de que “o
destino é a perfeição”, como se houvessem governadores e dirigentes espirituais
controladores, os quais, ante “desvios de rota”, pudessem, logo a seguir, fazer
retomar o curso, provocando acontecimentos reparadores e regeneradores. Ou
seja, “apesar dos homens, o planeta evoluirá”, dando a entender que
independentemente de nosso interesse, labor e comprometimento racional, a Terra
(ou qualquer uma das moradas habitadas) estaria fadado a transformar-se,
cumprindo a “sina” evolutiva.
Em tom pessimista, mas
realista, o educando espírita até pode divisar, em face da problemática mundial
vigente, a possibilidade da extinção da vida físico-material sobre o orbe, em
decorrência da ganância, da individualidade exacerbada, do nacionalismo
corrompido, e do culto às “chagas” egoísmo e vaidade. Caso isto aconteça,
teremos: 1) a transferência automática dos Espíritos que ao plano estavam
vinculados para outro(s) disponível(is), em novas reencarnações; 2) a aplicação
compulsória do compêndio divino, para aferição de responsabilidades e apenações
(“a cada um segundo suas obras”); e 3) a continuidade do processo de desenvolvimento
individual, onde seja possível.
Isto, convenhamos, é a Evolução
Consciente, porque parte da premissa de que o ser conhece o processo de
crescimento e nele investe seus recursos, por interesse e necessidade pessoal. Evolução,
assim, que flui naturalmente com o desabrochar de competências e habilidades, e
que se torna ainda mais adequada quando se apóia em Mestres, que lhe prescrevem
diretrizes e delineamentos, ou, como costumamos dizer entre os jovens, bússolas
e roteiros (mapas), que facilitam o correto direcionamento.
A consciência, assim, na
dicção de Kardec,
deriva diretamente da inteligência, e, a partir do pensamento, o ser adquire a
vontade de atuar, a ciência acerca de sua existência e de sua individualidade.
E o que fazer, então, no
âmbito espírita e fora dele, no cenário mais amplo, a Sociedade, em favor da
proposta de Educação Espírita para a Evolução
Consciente?
Idealiza-se a construção de
um novo processo comunicativo espírita, a partir do diálogo travado nos
próprios ambientes espíritas e, partindo-se deles (ou não, visto que não é isto
indispensável), inserindo-se crítica e participativamente nos diversos cenários
sociais, formando parcerias e aderindo a movimentos pré-existentes,
contribuindo com a visão espírita para a construção de “novos tempos”.
Resgatando os elementos da
Pedagogia Espírita, com fulcro no magistral trabalho de Herculano, podemos
traçar os fundamentos da Educação Espírita para a Evolução Consciente, que são
os seguintes: 1) o ser interexistente e palingenésico;
2) a criança como ponto de partida; 3) a vida eterna como dinâmica; 4) o mundo
atual como o cenário do trabalho necessário; 5) a educação como tarefa preparatória
e retroalimentadora; e, 6) o educador como parceiro.
Como princípios, outrossim,
são alinhavados: 1) o amor como base das relações; 2) a liberdade de ação; 3) a
igualdade com singularidade; 4) a naturalidade no comportamento; 5) a ação
constutiva; e, 6) a educação integral.
Cremos, ainda, que o
processo educativo está associado diretamente ao prazer, isto é, ao gosto, à vantagem, à satisfação que cada
pensamento, palavra ou ação desencadeiam no ser. Aqui, a diferença está na
seleção que a criatura realiza, tendo como pressuposto básico o seu grau de
adiantamento. (Isso explica a tendência dos indivíduos em permanecerem como que
imantados a certos procedimentos que lhe trazem determinado resultado
prazeroso, – ainda que momentâneo – a
despeito das funestas conseqüências que possam vir a ser refletidas em sua
saúde física e espiritual, com a repetitividade, como se verifica na grande diversidade
dos vícios de conduta.)
O êxito do processo
educativo espírita, assim, deve estar associado ao critério de possibilitar o
exercício do prazer, seja pela adoção de vivências e dinâmicas de trabalho adequadas
a cada faixa etária e especificidade de trabalho, como a associação com a
cultura (produção literária) e a arte.
Neste sentido, propugna SCARPIN (2000: 18): “Tal deve
ser, portanto, um dos objetivos precípuos da educação espírita. Mostrando aos homens
a realidade da vida, ajuda-os a colocarem-se acima dos sentimentos do interesse
pessoal. Através de sua concepção palingenésica do homem, fa-los-á
interessarem-se pelo mundo em que vivem e por seu aprimoramento. Dada a
compreensão das relações dialéticas entre o indivíduo e o meio, irá conduzi-los
a um amplo e profundo trabalho de esclarecimento, tendente a modificar as
instituições sociais, o modo de produzir e distribuir as riquezas, tornando-os
condizentes com a dignidade da pessoa humana e com os reais interesses da
humanidade. Trabalharão, enfim, para abreviar o amanhã, que acolherá, de braços
abertos, “o socialismo com Jesus”,
segundo a feliz expressão de Emmanuel.”
A Evolução espiritual, pessoal,
particular, interna e interessada desembocará, no próprio paradigma espírita,
no progresso coletivo, social, planetário, graças à ação eficiente dos homens
de bem, tal qual a dicção evangélica apresenta.
É, pois, o alerta
derradeiro, conforme MARIOTTI (1988: s. p.): “[...] A
Educação Espírita torna o homem consciente quanto à sua natureza espiritual e
transcendente, outorgando à inteligência uma série de direitos filosóficos no
que diz respeito ao seu próprio Ser e existir. Pois, ao atingir consciência de
que ele representa na Terra, com o indivíduo que raciocina sobre si mesmo,
outorga-lhe não apenas a chamado exercício dos direitos humanos, mas também o
direito existencial de ser um espírito imortal e em Evolução, dentro de um
grande plano do universo.”
Não é outro, senão, o papel da Educação Espírita para
a Evolução Consciente.
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INCONTRI (2004: s. p.) chega a
afirmar que “[...] educar espiritamente não é necessariamente educar para o Espiritismo.”
PIRES (1978:97), neste sentido,
arremata: “[...] Para se conhecer e compreender o Espiritismo a fundo é
indispensável um esforço de atualização cultural, sem o que não seria possível
o estabelecimento de ligações entre fatos e conceitos aparentemente diversos.
Daí a necessidade de criação e instalação da Universidade Espírita ou de várias
delas, para que a instrução espírita possa atingir as suas verdadeiras
dimensões.”
“Trata-se de educar o homem
integral, com racionalidade e espiritualidade, com sentimento e espírito científico,
com capacidade estética e habilidade profissional - para realizar-se a si
mesmo, ser útil à humanidade, cumprindo sua tarefa existencial e não meramente
para servir a interesses de mercado ou interesses políticos alheios,
extrínsecos à sua felicidade e à sua realização como ser humano e divino.”
(INCONTRI, 2001:318.)
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