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Educação e Evolução: Liames e Interconexões

(Aplicação das Idéias de Herculano Pires ao Movimento Espírita)

 

 

Marcelo Henrique Pereira[1]

 

“Formai primeiro o espírito para instruí-lo depois.”

PESTALOZZI

“Os meios próprios para se educar a juventude são uma ciência bem distinta que se deveria estudar para ser educador, como se estuda a medicina para ser médico.”

RIVAIL

“Educar é decifrar o enigma do ser em geral e de cada ser em particular, de cada educando.”

HERCULANO

 

1. Introdução.

Instigante a proposta de alinhar os conceitos espíritas de Educação e Evolução (consciente). Há, em verdade, um laço estrutural entre ambas, visto que a primeira reveste-se no meio procedimental que desemboca, invariavelmente, na última.

Como característica marcante de todo trabalho de natureza técnico-científica, forçoso se torna, preliminarmente, apresentar os Conceitos Operacionais[2] para Educação e Evolução.

Educação é “[...] um elemento que não se costuma fazer pesar na balança e sem o qual a ciência econômica não passa de simples teoria. Esse elemento é a educação, não a educação intelectual, mas a educação moral. Não nos referimos, porém à educação moral pelos livros e sim à que consiste na arte de formar os caracteres, à que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto de hábitos adquiridos”.

Eis como Kardec (2001:331) a define, na obra pioneira espírita. Educação que se transmuda em Educação Espírita quando nela incutimos princípios e fundamentos espiritistas, em sua filosofia e em sua práxis.

Educação é, destarte, o processo contínuo de desabrochar faculdades latentes, domesticando ânimos, domando inclinações e fazendo refulgir os componentes positivos contidos no caráter do educando. Neste trabalho, usaremos Educação e Pedagogia como sinônimos, tendo em vista que os autores pesquisados não privilegiam a diferença temática entre os termos. Se necessário fosse estabelecer tal dicotomia, ficaríamos com o posicionamento de PIRES (1986:95-96): “Como assinala René Hubert em seu Tratado de Pedagogia Geral, a Educação precede à Pedagogia. Primeiro temos o fato educacional, depois o fato pedagógico. Assim, fácil é compreender que a Educação é o objeto da Pedagogia.”

Para entender-se o que é Evolução torna-se necessário enquadrar o conceito originário da filosofia espírita, definido este como Progresso, o qual recebe de KARDEC (2001:362) o seguinte delineamento: “O estado de natureza é a infância da Humanidade e o ponto de partida do seu desenvolvimento intelectual e moral. Sendo perfectível e trazendo em si o gérmen do seu aperfeiçoamento, o homem não foi destinado a viver perpetuamente no estado de natureza, como não o foi a viver eternamente na infância. Aquele estado é transitório para o homem, que dele sai por virtude do progresso e da civilização. A lei natural, ao contrário, rege a Humanidade inteira e o homem se melhora à medida que melhor a compreende e pratica.”

Evolução, assim, é o curso espiritual a que todos achamo-nos sujeitos, em percursos que serão proporcionais ao nosso interesse, dedicação e trabalho, perpassando os diversos níveis previstos na chamada “escala espírita”[3], que compreende ordens e classes especificamente caracterizadas.

A Educação Espírita passa, então, por Pestalozzi, Rivail e Herculano. Essa tríade, necessária e visível, desemboca no presente como a proposta de edificação da Pedagogia Espírita e da Universidade Espírita, como conseqüências inevitáveis e necessidades prementes.

A Pestalozzi[4] coube escolher o local para o plantio, entre tantos outros disponíveis, com base em seu tirocínio de que o ser já nasce com todas as “faculdades de natureza humana”, e a educação, enquanto instrução, no contato com as experiências pessoais, possa ser possível ampliar o conhecimento individual, por via dos sentidos, do intelecto e dos sentimentos[5].

Rivail[6], o cético, o cartesiano, cuja incumbência maior foi a de associar fé e razão[7], escolheu uma a uma as sementes, incumbiu o mister de lançá-las ao solo delineado por seu precursor, e, em face da multiplicidade de ambientes, num mesmo terreno, encontrou, tal qual o semeador da parábola evangélica, as nuances de solo e meio-ambiente diversificadas que, invariavelmente, tiveram destinos distintos.

Herculano[8] recebeu do Mestre a árvore, ainda em seus dias iniciais, exposta às intempéries, as ervas daninhas, aos predadores e aos humanos interesseiros, que tentavam escravizá-la ante seus anseios e desejos imediatistas. Podou-a, inúmeras vezes, percebendo as floradas e o exalar dos perfumes, inimitáveis. Provou o fruto, e viu que era bom, e tratou de informar ao mundo qual a sua serventia.

Nós, que aqui estamos, acompanhamos, historicamente, tal processo. Mais próximos de Herculano, por certo, lhe ouvimos diretamente dos lábios, ou examinamos-lhe os escritos e ensaios, maravilhando-nos ante a perspectiva de construir nossas vidas a partir da exploração conscienciosa dos frutos que nos foram legados. Não, entretanto, sem destinar à árvore frondosa e centenária, o cuidado – delicado e carinhoso – mas, forçosamente, o replantio, através de novas sementes e enxertos, em outras localidades.

Herculano, então, concebe a Pedagogia Espírita[9] como uma nova teoria da Educação, exigida por uma nova concepção da vida, baseada na realidade do Espírito. Distingue-se, pois, das outras pedagogias religiosas, por incorporar os dados da ciência espírita. (PIRES, 1986:94 e 125.)

Na seqüência procuraremos demonstrar a necessidade do resgate da concepção pedagógica espírita para a época contemporânea, a fim de que seja possível conceber a Educação Espírita para a Evolução Consciente.

2. A ousadia crítica de Herculano.

Para as experimentações da Pedagogia Espírita, Herculano lançou a revista Educação Espírita, através da qual, no dizer de MARIOTTI (1984:25), “[...] foram tratados os mais relevantes assuntos pedagógicos à luz do Espiritismo. Nesta revista, ficou demonstrado como a filosofia espírita possui um saber integral quanto aos novos horizontes que apresenta às ciências da Educação.”

Com o periódico, o Professor teorizou sobre novas técnicas educacionais, a par do contato com as mais elevadas esferas da educação e do ensino, demonstrando a Filosofia Espírita da Educação em suas bases e axiomas para projetar seu mais audacioso sonho: a Ciência Espírita da Educação, a partir do conhecimento, a fundo, das questões existenciais e inter-existenciais do Ser, porque “[...] uma pedagogia que só ensina, sem curar as feridas [muitas derivadas da ignorância espiritual] da alma, não é mais que um frio tecnicismo que apenas afeta à inteligência formal das coisas”. (MARIOTTI, 1984:26.)

Com ousadia, nosso filósofo chegou a propor a Pedagogia Espírita como contribuição à educação brasileira, num “[...] alerta para a necessidade de recuperarmos a dimensão espiritual no homem num projeto pedagógico que possa realizá-lo integralmente”, como lembra INCONTRI (2001:277).

Curiosamente, entretanto, o Movimento Espírita escolheu outro caminho e olvidou a proposta integral do filósofo paulista para conceber “catecismos”, “escolas dominicais”, ou, com mais profusão, a “evangelização” espírita infanto-juvenil.[10] Ou seja, simplificou a proposta para enquadrá-la no modelo gerencial religioso que as instituições espíritas adotaram, por influência direta da condição de país católico e da visão católico-espírita de seus dirigentes, como veremos no item 4 deste trabalho.[11]

A educação, assim, no ambiente e na filosofia espíritas, passou a ter, apenas, o conteúdo moral, baseando-se nas parábolas e ensinos de Jesus. Quanto ao “plano de curso”, nenhuma censura. Quanto à metodologia, objetivos e, principalmente, quanto à formação do educando, todas as críticas possíveis, de nossa parte. Afinal, esqueceu-se o caráter filosófico (de pensar e fazer pensar, construindo e reconstruindo teses) e as bases científicas (expressas na constante experimentação, os laboratórios de pesquisa), para enaltecer apenas as “conseqüências” morais.

Numa diagnose histórico-evolutiva da Educação Espírita, apesar do “desvio” de rota, há que referenciar-se o trabalho de pensadores do quilate de Eurípedes Barsanulfo (1880-1918), Anália Franco (1853-1919), Tomás Novelino (1901-2000), Pedro de Camargo (Vinicius) (1878-1966) e J.Herculano Pires (1914-1979), que, a seu turno muito realizaram para a disseminação da proposta de educação dos seres à luz do espiritismo.

Mas, conforme INCONTRI (2001:265), “[...] ninguém como Herculano, no Espiritismo brasileiro, desdobrou com tanta acuidade e erudição as idéias de Kardec, estabelecendo um diálogo único com a idéias em pauta na cultura contemporânea. Compreendendo o Espiritismo, como ele gostava de dizer, como “mundivivência” e, como projeto cultural, que deveria influenciar decisivamente todos os âmbitos da sociedade e do conhecimento, evidentemente tornou-se um crítico decidido de certos setores do movimento espírita brasileiro, que entendiam a doutrina apenas como mais uma religião.”

Todavia, a partir, principalmente da década de 1990, no Brasil, começaram a surgir alguns pensadores e pedagogos que, em seus escritos, falas e práticas, buscavam a volta a Kardec e a Herculano, retomando o curso evolutivo-existencial da Pedagogia Espírita. Citem-se, a propósito, Ney Lobo, Heloísa Pires e Dora Incontri[12].

Referidos pedagogos pensadores e muitos outros aprendizes buscaram resgatar a essência contida na obra de Herculano, calcada, sobretudo, em axiomas como este: “Encarada numa perspectiva espírita, a Educação nos apresenta dois aspectos fundamentais: é o processo de integração das novas gerações na sociedade e na cultura do tempo, mas é também o processo de desenvolvimento das potencialidades do ser na existência, com vistas ao seu destino transcendente.” (PIRES, 1986:113.)

Forçoso, então, se torna, conceituar e caracterizar a Pedagogia Espírita. É o que veremos a seguir.

3. Caracteres da Pedagogia Espírita.

A proposta pedagógica da Doutrina Espírita é muito clara: aproveitar o conteúdo individual que emana da bagagem espiritual de cada ser e educá-lo a partir de uma concepção cultural universalista e espiritual, em que sobressaem os seguintes caracteres: a) individualidade; b) imortalidade; c) reencarnatividade; d) progressividade; e) liberdade; f) experimentalidade; e, g) solidariedade.

Entendendo, amiúde, tais caracteres, temos:

a)      Individualidade – somos Espíritos, individualmente considerados, a partir do desenvolvimento do princípio espiritual. Segundo a teoria evolutiva espírita, somente na fase animal a individualidade se expressa para, na seqüência, assumir a condição de integralidade no estágio hominal.

b)      Imortalidade – somos imortais, e a morte física corresponde ao prelúdio de uma etapa existencial. Morte e encarnação, assim, podem ser consideradas poeticamente como duas faces de uma mesma moeda, a da vida espiritual do Ser.

c)      Reencarnatividade – ou palingenesia, corresponde ao regresso à vida física tantas quantas forem as vezes necessárias para o aprendizado e a experiência espirituais.

d)      Progressividade – marca indelével do percurso existencial do Ser, demonstrando que, a partir de sua existência, o espírito irá galgando etapas e degraus conforme lhe seja possível e adequado.

e)      Liberdade – cognominada, na teoria espírita, como livre-arbítrio, representa a maior conquista, em termos de direitos, do Ser, que escolhe livremente oportunidades e caminhos, sendo-lhe proporcional a responsabilidade pelas opções escolhidas.

f)        Experimentalidade – condição daquele que precisa das experiências para alcançar o progresso, de modo que nenhuma circunstância no palco das vidas sucessivas seja desconsiderada para o conjunto espiritual.

g)      Solidariedade – caractere moral da vida espiritual, demonstrando a necessidade do inter-relacionamento entre os seres e, neste aspecto, a ação positiva de uns para com os outros.

A partir destas noções, a Pedagogia Espírita considera, assim, como ponto de partida o Ser e suas vivências (atuais e pregressas), sendo que a disseminação dos conceitos espíritas deve atender aos imperativos da concordância com o espaço-tempo de sua condição atual (por isso a necessidade da atualidade dos conceitos), sem desmerecer os insights de existências pregressas, que desabrocharão naturalmente nas contingências do hoje e nos relacionamentos interpessoais. Em paralelo, importante é credenciar o educando na conquista de si mesmo, a partir da noção de que não perecerá nunca, conservando, ao contrário, sua condição de particularidade no ambiente cósmico, e isto só será possível com a superação das dificuldades de encarar o processo morte, estágio de transmudação para novas existências, nesta ou em outras dimensões. Das sucessivas oportunidades resultará, então, o progresso, a completude, que seguirá o curso desejado por cada ser, que ascenderá a seu turno com base nos resultados alcançados. Experimentará, assim, todas as situações possíveis e imagináveis, de acordo com a sua própria possibilidade (total) de escolha, aprendendo com todas e demonstrando estar ou não apto para novos labores. Entenderá, por fim, que sua existência se completa na do outro, por laços de afetividade e interdependência, de modo que precisará de uns e será complemento de outros, na teia de envolvimentos onde desponta o agir solidário e fraterno, como premissa, sempre.

Como descreve Heloísa PIRES (1992:122-123), “A Educação Espírita vai conscientizar o indivíduo da importância do Universo da antimatéria, mas vai fazê-lo compreender que a sua existência como encarnado é indispensável ao seu crescimento espiritual, ao desenvolvimento de suas potencialidades.”

Note-se que a aparente confusão entre as terminologias utilizadas pelos diversos autores (ora Educação, ora Pedagogia) não deve ser empecilho para o entendimento de que uma (ou outra) deve ser o processo de trabalho no sentido a credenciar os atores de uma nova fase no progresso individual e coletivo de nossa Humanidade.

Ideal se torna, então, apresentar o curso, o itinerário com seus requisitos para que a Educação (ou Pedagogia) Espírita alcancem o seu desiderato, qual seja o de ser a credencial para a Evolução Consciente dos seres.[13]

Em um de nossos trabalhos (1997:18) afirmamos que, por ser ciência “[...] a Pedagogia Espírita requer do aprendiz a disciplina na freqüência, o interesse no seu aprofundamento, a dedicação na realização das atividades pertinentes e o compromisso – íntimo e pessoal – de utilizar seus conhecimentos em favor de si mesmo, do próximo, do mundo.”

Assim, pouco a pouco, indivíduos conscientes vão assumindo “[...] os compromissos especiais traçados pela Psicologia do Comportamento nas ações determinadas pela emissão da palavra, pela execução dos atos em si e pela direção do pensamento”, como explicita BUENO (1997:18).

Herculano (2003:4) chega a apresentar a necessidade de uma nova educação que ele caracteriza como “de dimensões cósmicas e espirituais” para os novos tempos. Em complemento, ele acentua (1986:108) que sua destinação seria a de “[...] formar as criaturas para um mundo diferente deste em que nos encontramos, não nos colocamos fora da atualidade pedagógica, mas, pelo contrário, perfeitamente entranhados nela. Mas é preciso acentuar que esse mundo diferente não é apenas uma hipótese ou um sonho, caso em que estaríamos à margem da própria natureza do processo educacional, pois não se educa ninguém para a irrealidade. Esse mundo diferente está surgindo em meio do mundo atual, e o faz de maneira tão acentuada e acelerada que vem obrigando os pedagogos a acertarem os passos com ele, em toda a extensão da Terra.”

Esta nova Educação requer uma nítida transformação no “ambiente” espírita, marcadamente religioso, como decorrência do método educacional escolhido pelas entidades responsáveis pela divulgação espírita em nosso país e em outras localidades, notadamente a Federação Espírita Brasileira, que escolheu a denominação “evangelização espírita”.[14]

É sobre isto que falaremos logo a seguir.

4. Evangelização: Fase Superada.

A prática pedagógica tradicional no movimento espírita brasileiro, a que influenciou pessoas e instituições durante décadas estava firmado sobre a necessidade de incutir valores morais nos educandos a qualquer preço. Por isto, privilegiando um aspecto da Doutrina Espírita (o moral, cognominado por religioso), a teoria e as atividades pedagógicas acabaram assumindo a feição de “catecismo”, ou “evangelização”, que, em essência simbolizou “educar conforme o Evangelho”[15]. O roteiro para as “aulas” de evangelização espírita infanto-juvenil[16], assim, era a reprodução das máximas e dos ensinos de Jesus, interpretados segundo o viés espírita, tendo, por conseqüência, como base, o Evangelho segundo o espiritismo.

Não se questiona a validade do conteúdo moral de que a filosofia espírita reveste-se. Há, em verdade, um liame muito claro entre o conteúdo do Espiritismo e os ensinamentos de Jesus, embora aquela não se circunscreva apenas a estes. A filosofia espírita é mais abrangente e apóia-se nos elementos de natureza científica para permanecer válida e permanente, em nosso orbe. Quando, todavia, reduzimos o caráter espírita para a transmissão de conhecimentos e a realização de vivências, o maior prejudicado é o próprio educando que acaba recebendo uma formação míope ou parcial.

A conseqüência, entendemos nós, é a existência de adultos, hoje, derivados daqueles tempos, excessivamente “religiosos”, até dogmáticos, sem a necessária crítica espírita, desinteressados por aspectos fundamentais da ciência e da filosofia espiritistas, acorrendo às Casas Espíritas como se fosse a um templo religioso, para “adorarem a Deus” e receberem os benefícios da vibração, do passe, da água fluidificada e da conversação em tom evangélico.

Assim, no dia-a-dia do trabalho de evangelização, são cooptados colaboradores sem o mínimo preparo pedagógico, ou, então, com alguma experiência na cátedra em escolas leigas (geralmente professores aposentados), os quais transmitirão a crianças e jovens o “conteúdo” espírita.

O ponto fundamental, então, na dicotomia entre o que o movimento espírita chama de educação (leia-se evangelização) e a (real) educação espírita, é a questão da profissionalização do ensino e, como decorrência, a cobrança de valores a título de taxas ou mensalidades escolares. A distinção se dá a partir do fato de que, nas Instituições Espíritas tradicionais, o axioma “daí de graça o que de graça recebestes” (e tudo o que vem “de Deus” para nós é encarado como gratuito, como dom, e a sua capacitação só se dá em virtude da vontade d’Ele), impede qualquer retribuição pecuniária das “aulas” ou dos “ensinamentos”.

Complementarmente, tem-se que “A missão pedagógica do espírita, porém, não se dá apenas no plano moral. Em todos os setores de atividade, os espíritas devem também se esforçar pelo avanço intelectual de si mesmos e da comunidade a que pertencem. Promover a cultura elevada e proporcionar meios à instrução – isso faz parte integrante de seu programa de ação. É nesse sentido que se deve abrir aqui uma crítica ao movimento espírita brasileiro, que tem se preocupado muito mais com a caridade material do que com a caridade pedagógica. Dar pão e agasalho é bem mais fácil do que educar, mas educar é uma terapêutica global e uma solução social muito mais eficaz.” (INCONTRI, 2004: s. p.)

Herculano (1986:168), neste diapasão, argüi: “[...] É da cobrança das taxas que sairá a renda necessária à manutenção da Escola e ao pagamento de diretores, professores e funcionários. Mas, se houver pessoas capazes de compreender a importância dessas Escolas, e que disponham de recursos, poderão ajudar a alunos que não possam pagar. As doações serão necessárias e tão meritórias como as que se fazem para hospitais e outras obras assistenciais.”

Finalizamos, repisando o objetivo de nosso trabalho pedagógico espírita, sob a influência e a cátedra de Herculano: “A missão do Espiritismo não é esclarecer alguns indivíduos em meio à multidão, mas esclarecer as multidões, alargar o conhecimento humano, colocar os homens diante da realidade integral da vida para regenerá-los.”[17]

É, então, um trabalho grandioso e de natureza eminentemente cultural.

5. O Desafio Cultural do Presente: O Ambiente Universitário.

Há, assim, uma interface fundamental entre o Espiritismo e a Cultura. A proposta espírita é fundamentalmente de natureza cultural, de modo a contribuir decisivamente na ampliação do patrimônio cultural do espírito.

Acredita-se ser o Espiritismo uma síntese cultural, uma vez que ele abrange “[...] todas as áreas do conhecimento, seu ponto de unificação é justamente a Pedagogia. Não foi à toa que Kardec tenha sido educador e tenha recebido influência de Pestalozzi, um dos maiores educadores de todos os tempos. Melhor compreende o Espiritismo quem o compreende pedagogicamente.” (INCONTRI, 2004: s. p.)

Ora, em termos sociais, o melhor ambiente para a propagação da cultura espírita é, sem dúvida alguma, o cenário acadêmico, as Universidades onde se veiculam idéias e propostas em diversificadas áreas do conhecimento humano, um ambiente de natureza plural, onde teses podem ser apresentadas, com a possibilidade do contraditório – as antíteses – sem necessidade primordial de elaboração ou aceitação de sínteses. O que há de mais moderno nas ciências, nas línguas, nas artes é apresentado nas Universidades que abrem-se para o mundo, por meio das conexões que se formam entre pesquisadores de todo o mundo.

Eis porque em várias faculdades brasileiras têm surgido os chamados Núcleos Espíritas Universitários (NEUs), que buscam atrair os acadêmicos para o debate das idéias espiritistas, em um fórum adequado que privilegia a participação, a isonomia e a interconectividade dos princípios e fundamentos da Doutrina Espírita com as de outros ramos do conhecimento humano[18], notadamente aqueles que veiculam o objeto de estudo das demais ciências físicas ou sociais.

Todavia, o maior cuidado dos líderes espíritas deve ser empregado no sentido de evitar a transformação destes núcleos em meros “grupos de jovens espíritas”, no formato similar ao do adotado nas Instituições Espíritas e, muito mais grave ainda, a concentração de esforços no sentido de “fazer adeptos”, “convertendo” jovens universitários para a filosofia espírita.

O salutar é “expor” o pensamento espírita ao confronto com outras ideologias, propiciando a análise de pontos polêmicos, como, por exemplo, a visão de determinada ciência em relação a fatos (materiais, sociológicos, psicológicos, ou, até, transcendentais), em que seja possível perceber em que pontos possamos “estar à frente”, ou, certamente, em quais a “revelação” espírita, calcada em termos e cenários de meados do século XIX, possa ter sido suplantada pelo conhecimento material, carecendo de redesenho ou, como os cepeanos proclamam, de “atualização”.

A par disto, vemos, também, com muitos bons olhos, o surgimento de faculdades ou cursos superiores espíritas, que, no acurado senso de projeção do Professor, estariam assim configuradas: “As Escolas de Espiritismo devem ser organizadas como verdadeiras unidades do ensino superior, com todas as suas características. Poderão mesmo dividir-se, no seu desenvolvimento, em cursos especializados, como os das nossas atuais Faculdades de Filosofia. [...] As matérias e os processos de ensino terão tratamento universitário. Porque, sem essas condições, não seria possível dar ao ensino a eficiência necessária, nem fazer que as Escolas de Espiritismo atinjam o seu alto objetivo no plano cultural.”[19]

Mas, tais Universidades (ou Faculdades) Espíritas, que vemos desabrochar, ainda se fazem de modo tímido, no Brasil. Não se trata, entretanto, de conceber uma Universidade “dos” Espíritas, mantida e administrada por pessoas, grupos ou instituições espiritistas, ministrando cursos “técnicos”, ou de formação profissional comum e conhecida (Administração, Ciências Contábeis, Direito, Economia, Engenharia, Psicologia, etc.). Mas, opostamente, Faculdades de Ciências Psíquicas, Espirituais, Filosóficas, Psicológicas, todas com ênfase para o “conteúdo” espírita.[20]

Veja-se, a propósito, que Herculano anteviu, em projeto, o que podemos perfeitamente estar construindo hodiernamente, desde que nos disponhamos a edificar faculdades competitivas e de qualidade, seja para a apreciação espírita dos fatos, seja para o redirecionamento, em termos de objetivos, propostas e planos político-pedagógicos, de cursos superiores que guardem afinidade, sintonia ou relação com o espiritismo, citando-se, v. g., Pedagogia, Psicologia, Sociologia, Direito, Administração, Medicina e Enfermagem, entre outros.[21]

Ao tomarem contato e conhecerem, em essência, o pensamento e a proposta verdadeira do espiritismo, milhares de acadêmicos poderão perceber que “[...] o pensamento espírita – assumido como uma visão de mundo, um método de conhecer e, portanto, um novo paradigma – é justamente uma possibilidade original de filosofar, de fazer história ou ciência. E essa originalidade pode ser uma contribuição espírita à cultura brasileira e, ao mesmo tempo, uma contribuição brasileira à cultura internacional”, na dicção de INCONTRI (2004:4).[22]

Há, realmente, uma sintonia entre tais posições, e RIZZINI (2001:235), a este mérito, acrescenta: “As Escolas de Espiritismo nos moldes idealizados por Herculano Pires e que na sua visão elevariam em breve tempo o conhecimento doutrinário, então difuso e individual, de tipo exclusivamente autodidata, somente teriam possibilidade de tornar-se realidade no decorrer do terceiro milênio...”

Todos nós, espíritas, de berço ou não, somos autodidatas. Aos poucos, vamos nos imiscuindo no conteúdo espírita, “devassando o invisível” e interessando-nos pelo aprofundamento em conceitos e princípios que mais nos chamem a atenção, em dado momento da vida. Efetivamente, os bons Centros Espíritas do mundo adotam espaços de estudo em grupo, em turmas iniciais ou avançadas, onde há, inegavelmente, avanços. Seqüencialmente, cursos, seminários, simpósios, workshops, fóruns e similares, complementam o processo.

GARCIA (1998:39), numa adequada leitura da posição herculanista, assim apregoa: “[...] a própria Educação Espírita, a que se refere, pretende ele seja entendida como um processo global, com o suporte de uma Pedagogia Espírita, bem como na sua aplicação no segmento familiar, através dos pais, e no centro espírita, através de idealistas sinceros. Para o professor, o conhecimento espírita se tornou indispensável para a educação. Mais do que isso, tornou-se uma esperança de renovação da prática educacional.”

Mas, o que Herculano concebeu (e, infelizmente, não conseguiu edificar nem ver edificado) foi um sistema pedagógico linear, organizado e institucionalizado[23], tanto que menciona textualmente que as Escolas de Espiritismo assemelhar-se-iam às Faculdades de Filosofia e Escolas de Medicina de seu tempo, as quais, convenhamos, não se modificaram tanto assim.

Isto porque “[...] o Espiritismo tem que se abrir para o diálogo com o conhecimento atual. Por exemplo, Herculano Pires sabia fazer essa ponte entre o conhecimento espírita e toda a história da filosofia, filosofia contemporânea, ele sabia muito bem unir as coisas sem perder a fidelidade a Kardec, às Obras Básicas, à Doutrina Espírita. Às vezes certas pessoas perdem por não resistir à pressão do meio acadêmico.”[24]

E, admitamos, o grave problema para a efetivação do projeto de pedagogia espírita superior que enfrentamos é que não conseguimos definir os propósitos, os objetivos, as finalidades do Ensino Espírita Superior. Ouçamos o filósofo: “[...] As Escolas de Espiritismo são como as Escolas de Filosofia, de Medicina, de Engenharia, com a única diferença de que não formam especialistas profissionais, mas preparam alunos para a construção de um mundo melhor, de uma sociedade mais humana. Isso não impede que também os prepare noutro sentido, para o exercício da profissão de professor, diretor ou funcionário dessas mesmas escolas, ou ainda de assistentes para os hospitais espíritas, orientadores das editoras espíritas, jornais, revistas e publicações espíritas várias, e assim por diante.”

Ou seja, Herculano concebeu um sistema de retro-alimentação do próprio processo de ensino espírita e o de composição das instituições espíritas de seu tempo, em que, notadamente, os vieses de aplicação eram: pedagogia, assistência social (e, neste sentido, precipuamente, saúde) e jornalismo.

Note que o Professor esmera-se em “formar” uma classe de bem-preparados críticos espíritas, para qualificar as escolas, os hospitais (ou outros núcleos assistenciais) e os periódicos mantidos por (pessoas ou instituições) espíritas.

Nós, todavia, ousamos pensar mais à frente. Isto porque a grande necessidade do presente é a pluralidade, o envolvimento social, a formação de parcerias na Sociedade, a convivência alteritária[25] e ética[26], nos diversos ambientes de nosso tempo.

Então, há que se investir nas Faculdades Espíritas com múltiplas destinações: Medicina, Direito, Psicologia, Pedagogia, Administração, Ciências Contábeis, Engenharia, Economia, Nutrição, Odontologia, e tantas outras, definidas conforme critérios locais, com estudo de “nichos” de mercado, para que possam florescer, competindo de igual para igual no mercado. A diferença, fundamental, será, é evidente, a filosofia de trabalho, norteada pelos princípios espíritas, superando, por exemplo, a ênfase pela “competitividade a qualquer preço”, pela competição com ética, a ética espírita.

Eis, verdadeiramente, o “foco” do trabalho que está sob nossa tutela. Inserir-nos nos ambientes universitários para a construção da Educação Espírita para a Evolução Consciente.

6. Considerações Finais: Por uma Educação Espírita para a Evolução Consciente.

De modo derradeiro, o Professor (1986:112) sentencia, como se nos advertisse para a necessidade do trabalho dos dias atuais: “Agora, é a vez do Espiritismo. Os seus princípios constituem o código de uma vida, os alicerces de uma nova civilização. E só através da educação poderemos torná-los efetivos no mundo. Modelando os homens através das novas gerações ao fogo renovador da concepção espírita, estaremos realmente modelando o Mundo Novo, pois o mundo é feito à imagem e semelhança do homem. Integrar o Espiritismo no acervo da cultura que as gerações passadas nos deixaram, transformá-lo em vivência para o Mundo Novo, esse é o novo dever e só o poderemos cumprir através da educação. Procuremos compreender esta verdade, para que nossa grande luta possa atingir os seus objetivos.”

O grande diferencial, todavia, é a ênfase na práxis espírita que deflui da forma de encarar o próprio processo evolutivo. É certo que a filosofia espírita fez ruir a crença no determinismo divino, que prescrevia (e ainda prescreve para muitas consciências contemporâneas) a rota dos acontecimentos mundanos e espirituais. O Supremo Arquiteto, ao compor a dinâmica Lei cuidou de estabelecer um mecanismo auto-regente, cuja aplicação, automática e inexorável, alcança todos os atos humano-espirituais. O que precisamos superar, a nosso ver, na interpretação espírita dos axiomas espirituais é a crença de que “evoluiremos, a qualquer custo”, ou de que “o destino é a perfeição”, como se houvessem governadores e dirigentes espirituais controladores, os quais, ante “desvios de rota”, pudessem, logo a seguir, fazer retomar o curso, provocando acontecimentos reparadores e regeneradores. Ou seja, “apesar dos homens, o planeta evoluirá”, dando a entender que independentemente de nosso interesse, labor e comprometimento racional, a Terra (ou qualquer uma das moradas habitadas) estaria fadado a transformar-se, cumprindo a “sina” evolutiva.

Em tom pessimista, mas realista, o educando espírita até pode divisar, em face da problemática mundial vigente, a possibilidade da extinção da vida físico-material sobre o orbe, em decorrência da ganância, da individualidade exacerbada, do nacionalismo corrompido, e do culto às “chagas” egoísmo e vaidade. Caso isto aconteça, teremos: 1) a transferência automática dos Espíritos que ao plano estavam vinculados para outro(s) disponível(is), em novas reencarnações; 2) a aplicação compulsória do compêndio divino, para aferição de responsabilidades e apenações (“a cada um segundo suas obras”); e 3) a continuidade do processo de desenvolvimento individual, onde seja possível.

Isto, convenhamos, é a Evolução Consciente, porque parte da premissa de que o ser conhece o processo de crescimento e nele investe seus recursos, por interesse e necessidade pessoal. Evolução, assim, que flui naturalmente com o desabrochar de competências e habilidades, e que se torna ainda mais adequada quando se apóia em Mestres, que lhe prescrevem diretrizes e delineamentos, ou, como costumamos dizer entre os jovens, bússolas e roteiros (mapas), que facilitam o correto direcionamento.

A consciência, assim, na dicção de Kardec[27], deriva diretamente da inteligência, e, a partir do pensamento, o ser adquire a vontade de atuar, a ciência acerca de sua existência e de sua individualidade.

E o que fazer, então, no âmbito espírita e fora dele, no cenário mais amplo, a Sociedade, em favor da proposta de Educação Espírita para a Evolução Consciente?

Idealiza-se a construção de um novo processo comunicativo espírita, a partir do diálogo travado nos próprios ambientes espíritas e, partindo-se deles (ou não, visto que não é isto indispensável), inserindo-se crítica e participativamente nos diversos cenários sociais, formando parcerias e aderindo a movimentos pré-existentes, contribuindo com a visão espírita para a construção de “novos tempos”.

Resgatando os elementos da Pedagogia Espírita, com fulcro no magistral trabalho de Herculano, podemos traçar os fundamentos da Educação Espírita para a Evolução Consciente, que são os seguintes: 1) o ser interexistente e palingenésico[28]; 2) a criança como ponto de partida; 3) a vida eterna como dinâmica; 4) o mundo atual como o cenário do trabalho necessário; 5) a educação como tarefa preparatória e retroalimentadora; e, 6) o educador como parceiro.

Como princípios, outrossim, são alinhavados: 1) o amor como base das relações; 2) a liberdade de ação; 3) a igualdade com singularidade; 4) a naturalidade no comportamento; 5) a ação constutiva; e, 6) a educação integral.

Cremos, ainda, que o processo educativo está associado diretamente ao prazer, isto é, ao gosto, à vantagem, à satisfação que cada pensamento, palavra ou ação desencadeiam no ser. Aqui, a diferença está na seleção que a criatura realiza, tendo como pressuposto básico o seu grau de adiantamento. (Isso explica a tendência dos indivíduos em permanecerem como que imantados a certos procedimentos que lhe trazem determinado resultado prazeroso, –  ainda que momentâneo – a despeito das funestas conseqüências que possam vir a ser refletidas em sua saúde física e espiritual, com a repetitividade, como se verifica na grande diversidade dos vícios de conduta.)

O êxito do processo educativo espírita, assim, deve estar associado ao critério de possibilitar o exercício do prazer, seja pela adoção de vivências e dinâmicas de trabalho adequadas a cada faixa etária e especificidade de trabalho, como a associação com a cultura (produção literária) e a arte.

Neste sentido, propugna SCARPIN (2000: 18): “Tal deve ser, portanto, um dos objetivos precípuos da educação espírita. Mostrando aos homens a realidade da vida, ajuda-os a colocarem-se acima dos sentimentos do interesse pessoal. Através de sua concepção palingenésica do homem, fa-los-á interessarem-se pelo mundo em que vivem e por seu aprimoramento. Dada a compreensão das relações dialéticas entre o indivíduo e o meio, irá conduzi-los a um amplo e profundo trabalho de esclarecimento, tendente a modificar as instituições sociais, o modo de produzir e distribuir as riquezas, tornando-os condizentes com a dignidade da pessoa humana e com os reais interesses da humanidade. Trabalharão, enfim, para abreviar o amanhã, que acolherá, de braços abertos, “o socialismo com Jesus”, segundo a feliz expressão de Emmanuel.”

A Evolução espiritual, pessoal, particular, interna e interessada desembocará, no próprio paradigma espírita, no progresso coletivo, social, planetário, graças à ação eficiente dos homens de bem, tal qual a dicção evangélica apresenta.

É, pois, o alerta derradeiro, conforme MARIOTTI (1988: s. p.): “[...] A Educação Espírita torna o homem consciente quanto à sua natureza espiritual e transcendente, outorgando à inteligência uma série de direitos filosóficos no que diz respeito ao seu próprio Ser e existir. Pois, ao atingir consciência de que ele representa na Terra, com o indivíduo que raciocina sobre si mesmo, outorga-lhe não apenas a chamado exercício dos direitos humanos, mas também o direito existencial de ser um espírito imortal e em Evolução, dentro de um grande plano do universo.”

Não é outro, senão, o papel da Educação Espírita para a Evolução Consciente.

 

7. Referências Bibliográficas.

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FOELKER, Rita. Ensino filosófico e ensino religioso. <http://www.edicoesgil.com.br/educador/filosofia/filosofico.html > Consulta em 31.07.04.

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INCONTRI, Dora. Pedagogia espírita: Um projeto brasileiro e suas raízes histórico-filosóficas. São Paulo: FEUSP, 2001. 340 p.

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MOLLO, Elio. A luta de Herculano. <http://br.groups.yahoo.com/group/espiritismo-brasil/message/2633> Consulta em 31.07.04.

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PIRES, J. Herculano. Xavier. Francisco Cândido. Na hora do testemunho, São Paulo: Paidéia, 1978. 125 p.

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RIVAIL, Hippolyte León Denizard. Textos pedagógicos. Trad. Dora Incontri. São Paulo: Comenius, 1998. 96 p.

RIZZINI, Jorge. J. Herculano Pires: o apóstolo de Kardec. O homem, a vida, a obra. São Paulo: Paidéia, 2001. 288 p.

SCARPIN, Walter. Espiritismo e educação. Harmonia. N. 65. Mar. 2000. São José: Grupo Harmonia, 2000. 20 p.

SILVA, Ana Cláudia. Pestalozzi. Harmonia. Set. 2001. São José: ADE-SC, 2001. 20 p.

XAVIER, Francisco Cândido. PIRES, J. Herculano. Diálogo dos vivos. Espíritos diversos. São Bernardo do Campo: GEEM, 1974. 182 p.

XAVIER, Francisco Cândido. PIRES, J. Herculano. Na era do espírito. 3. ed. Espíritos diversos. São Bernardo do Campo: GEEM, 1976. 168 p.



[1] Mestre em Ciência Jurídica. Auditor Fiscal de Controle Externo do Tribunal de Contas de Santa Catarina e Professor Universitário (Graduação e Pós-Graduação). Diretor de Política e Metodologias de Comunicação da Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo (Abrade), Secretário para a Promoção da Juventude e Delegado da Confederação Espírita Pan-Americana (CEPA), Presidente da Associação de Divulgadores do Espiritismo de Santa Catarina (ADE-SC), e Vice-Presidente do Centro Cultural Espírita Herculano Pires, em São José – SC.

[2] Conceito Operacional é, para PASOLD (2002:229)  a “[...] definição estabelecida ou proposta para uma palavra ou expressão, com o propósito de que tal definição seja aceita para os efeitos das idéias expostas.

[3] Conforme item 100 e ss. de O livro dos espíritos.

[4] Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827), suíço, o precursor da educação do espírito.

[5] SILVA, Ana Cláudia. Pestalozzi. Harmonia. Set. 2001. São José: ADE-SC, 2001, p. 18. Referência baseada em CAMBI, Franco. História da pedagogia. Trad. Álvaro Lorencini. São Paulo: UNESP, 1999, pp. 418-419.

[6] Hippolyte León Denizard Rivail (1804-1869), francês, homem de letras e ciências, depois Codificador da Doutrina Espírita, adotando o pseudônimo de Allan Kardec.

[7] “Fé inabalável só o é a que pode encarar de frente a razão, em todas as épocas da Humanidade”, sua frase lapidar. (KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 118. ed. Brasília: FEB, 2001, p. 303.)

[8] José Herculano Pires (1914-1979), brasileiro, professor e filósofo.

[9] Dissemos, em um de nossos trabalhos: “Pedagogia Espírita é um neologismo criado pelo professor José Herculano Pires, consistindo em uma filosofia intimamente ligada à obra de Allan Kardec, destinada a orientar os professores, educadores ou evangelizadores espíritas.” (PEREIRA, Marcelo Henrique. A verdadeira pedagogia espírita. Harmonia. N. 36. Out. 1997. São José: Ed. do autor, 1997, p. 18.)

[10] Detalhamos esta cronologia no artigo “Fases da Evangelização Espírita Infanto-Juvenil no Brasil”. (PEREIRA, 2000: p. 18)

[11] FOELKER (2004: s. p.), sentencia: “O ensino do Espiritismo para crianças, jovens e adultos não poderá se revestir das características do ensino religioso, nem com este ser confundido, mas tem muito pontos em comum com o ensino filosófico: * por partir de questionamentos e hipóteses com os quais trabalhamos, buscando raciocínios e argumentos científicos que ajudem a chegar a conclusões; * por pedir reflexão, estudo, aprofundamento e imparcialidade na análise dos assuntos; * por não excluir possibilidades, nem limitar a liberdade de pensamento devido a concepções religiosas quaisquer.”

[12] Por justiça, também há alguns outros autores que têm lançado boas idéias complementares na construção da Pedagogia Espírita: Izabel Bueno, Lidiênio Barreto de Menezes, Walter Oliveira Alves, Marcus Alberto de Mario, Ricardo di Bernardi, além de alguns autores desencarnados como Emmanuel, Joanna de Angelis, Amélia Rodrigues, Benedita Fernandes, Camilo, Francisco Spinelli, Ivan de Albuquerque.

[13] MOLLO (2004:s. p.) chega a sentenciar a distinção entre Educação e Pedagogia Espíritas, nestes termos: “[...] a primeira sempre precede a segunda, que é uma teorização daquela, Herculano Pires afirma que a Pedagogia Espírita está implícita na codificação de Kardec. A visão da infância, a reencarnação, a compreensão interexistencial da vida, tudo isso forma a base dessa Pedagogia. Entretanto, torna-se preciso uma ordenação teórica nesses dados esparsos, acompanhada de um método prático de aplicação. Pronta essa sistematização, haverá uma Pedagogia Espírita possível, baseada nos princípios gerais da Doutrina, mas também fruto de uma necessidade histórico-cultural do momento. Amanhã poderá haver outra Pedagogia tão espírita quanto a primeira, mas diferente, porque será produto de outras circunstâncias.

[14] INCONTRI (2004: s. p.) chega a afirmar que “[...] educar espiritamente não é necessariamente educar para o Espiritismo.”

[15] Conforme afirmamos em PEREIRA (2004:s. p.).

[16] Termo adotado pela Federação Espírita Brasileira, em 1978, gerando o lançamento de uma “campanha permanente” no ano seguinte.

[17] Segunda edição da Revista “Educação Espírita”, citada por Heloísa PIRES (1992: 150).

[18] Tudo isto tendendo, em verdade para o pluralismo, que é, assim, descrito por INCONTRI (2001:270): “A Pedagogia Espírita, com isso, sem cair no ecletismo contraproducente e dispersivo e guardando o eixo estrutural de sua proposta, não despreza outras correntes que contribuem com teorias interpretativas a respeito do desenvolvimento do educando, como sujeito social ou biológico.”

[19] PIRES, Herculano. Pedagogia espírita. 2. ed. São Paulo: Edicel, 1986, p. 168.

[20] PIRES (1978:97), neste sentido, arremata: “[...] Para se conhecer e compreender o Espiritismo a fundo é indispensável um esforço de atualização cultural, sem o que não seria possível o estabelecimento de ligações entre fatos e conceitos aparentemente diversos. Daí a necessidade de criação e instalação da Universidade Espírita ou de várias delas, para que a instrução espírita possa atingir as suas verdadeiras dimensões.”

[21] Para isto, a Pedagogia Espírita, no Ensino Universitário, terá, na visão de BARCELOS (2000:18), “[...] de se desprender das amarras do materialismo e da visão puramente intelectual do homem, penetrando no vasto e complexo campo de aperfeiçoamento do sentimento humano.”

[22] INCONTRI, Dora. O espiritismo e a universidade. Opinião. N. 109. Porto Alegre: CCEPA, 2004, p. 4.

[23] Com o que ele chama de “[...] professores de Espiritismo, graus espíritas de ensino, diplomas de aprendizado espírita”. (PIRES, Pedagogia, cit., p. 166).

[24] INCONTRI, Dora. Entrevista para Mensageiro. <http://www.omensageiro.com.br/entrevistas/entrevista-45.htm>

[25] Sobre tal convivência, assim adverte INCONTRI (2001:313): “[...] o Espiritismo é uma alternativa interessante a ser incorporada à cultura contemporânea. Rebate o niilismo na base, propondo a dimensão espiritual do homem de forma mais evidente e escapa do fanatismo, porque se insere numa linha de respeito e tolerância à pluraridade religiosa e de pensamento e adota uma postura racional diante do Espírito, criando um novo paradigma de ciência e de religião. Essa alternativa, se posta em diálogo no mundo acadêmico, como foi nossa intenção nesse trabalho e, se trazida à baila do debate pedagógico, pode dar importante contribuição, para evitarmos esses extremos indesejáveis e reconduzirmos a escola à religiosidade, evitando a doutrinação e a discriminação.”

[26] “Trata-se de educar o homem integral, com racionalidade e espiritualidade, com sentimento e espírito científico, com capacidade estética e habilidade profissional - para realizar-se a si mesmo, ser útil à humanidade, cumprindo sua tarefa existencial e não meramente para servir a interesses de mercado ou interesses políticos alheios, extrínsecos à sua felicidade e à sua realização como ser humano e divino.” (INCONTRI, 2001:318.)

[27] Remissão ao comentário feito à questão 71 de O livro dos espíritos.

[28] Expressão que Herculano incorpora ao seu discurso, com inspiração no filósofo argentino Humberto Mariotti e que “[...] remete ao ser humano que reencarna muitas vezes no planeta, para realizar experiências e evoluir. Essas experiências forma sua cultura, que não pode ser desprezada pela Educação.” (GARCIA, 1998:42.)

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

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