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Vanda
Simões
"
Porque, vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade
para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor. Porque
toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti
mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede que não
sejais mutuamente destruídos”. Paulo aos Gálatas, 5:13-15.
Liberdade é um estado
de alma que o homem têm perseguido por todos esses longos milênios de existência
neste planeta. Filósofos de todos os tempos tentaram estudar e interpretar a
alma humana, tendo este tema sempre como pano de fundo em suas incursões
teóricas sobre o sentido da vida e os mistérios da criação.
A frase de Jesus:
“Conhecereis a verdade e ela vos tornará livres” (Jo 8:32), tem sido lida e
interpretada com a superficialidade concernente ao pouco entendimento que se
tem da vida, da alma, da imortalidade e do Criador. Alguma coisa a mais esse
grande Mestre dizia que o homem ainda não alcançou até hoje e, por isso,
continua preso aos seus pequenos problemas relacionados com a transitoriedade
de sua vida.
Paulo de Tarso, o
maior divulgador da doutrina de Jesus e homem iniciado nas coisas divinas, bem
sabia o que significava essa liberdade. No texto acima, admoesta seus
discípulos acerca da responsabilidade de terem sido chamados a ela. Conhecendo,
porém, a natureza de seus seguidores, instrui no sentido de não usarem dessa
liberdade para dar vazão às imperfeições. Antes, diz ele, deveriam ser servos
uns dos outros. Da mesma maneira, o Cristo em seus discursos, falava que o
conhecimento da verdade nos tornaria livres, mas dizia também que o maior no
reino dos céus é aquele que mais serve. Ora, de que forma poderemos ser livres
e servos ao mesmo tempo?
Evidentemente que
essa sabedoria vai muito mais além do que alcança nossas vãs filosofias. O
homem terreno sente-se livre quando consegue libertar-se do jugo de outros
homens, de leis que possam cercear sua liberdade de pensar, agir, andar livremente
pelas ruas, exercer seus direitos de cidadania e outras tantas coisas que julga
importante para alcançar a aludida felicidade. Por essa razão lutaram entre si
por séculos e séculos, tendo como bandeira a liberdade, a igualdade e a
fraternidade, irmãs saídas da mesma matriz, qual seja a verdadeira Caridade
pregada por Jesus.
Na era da
pós-modernidade vemos, portanto, um homem livre, segundo os conceitos
adquiridos do mundo. Nada impede que ele emita sua opinião; pode ir e vir sem
que seja molestado; casa e descasa com a facilidade com que troca de roupa; põe
filhos no mundo como fazem os animais, sem se preocupar com as
responsabilidades da educação; desrespeita as autoridades e as leis
constituídas para discipliná-lo, sem nenhuma cerimônia (isso também entra nos
conceitos de liberdade do mundo); expõe suas mais baixas tendências sob a
proteção da lei de liberdade de expressão, aviltando lares e pessoas ainda em
formação, sem que seja incomodado em seus atos ensandecidos de falta de
respeito com o outro. E por aí vão as muitas ações dos homens livres deste
mundo. Estranha liberdade.
O fato é que todos os
homens foram chamados à liberdade. Mas não essa que o escraviza cada vez mais
em seus erros, plantando uma semente tão perniciosa para o equilíbrio do ser e
do ambiente em que vive, e sim aquela que ele alcança quando adentra na
compreensão, aprendizado e prática da Lei. A todos foi dada a inteligência,
desenvolvida ao longo de suas experiências na carne, para que pudesse alcançar
a necessidade de viver segundo a sadia moral trazida por Jesus ao mundo. Se o
homem usar dessa liberdade para dar vazão às suas imperfeições, estará
caminhando na contramão de seu progresso espiritual e, evidentemente, cavando
seu próprio destino de homem infeliz e fadado aos mundos de ignorância, por
muitos e muitos milênios.
Nenhum homem deste
planeta, salvo algumas exceções existentes em bolsões de atraso, poderá dizer
que não sabe o que é a fraternidade. Mesmo nos locais nos quais a mensagem
cristã não alcançou, existiram os mestres que vieram trazer a eles as noções de
irmandade, da necessidade de se conduzir por leis que norteiem suas condutas. A
Lei é uma só e, segundo o ensino de Paulo, ela se cumpre em um só preceito: o
amar uns aos outros. Se, no entanto, o homem fizer pouco caso disso e
conduzir-se segundo suas próprias concepções de vida egoístas e orgulhosas,
estarão se mordendo e devorando-se uns aos outros e, tal como diz o Apóstolo,
que cuidem para que não sejam mutuamente destruídos.
O veredicto de Paulo
parece se confirmar no ser humano da atualidade. A liberdade verdadeira não
pôde ser compreendida pelo homem terreno, que ainda hoje entende a vida com
começo, meio e fim. A verdadeira liberdade se baseia unicamente no conhecimento
das leis universais, ditadas por Deus para encaminhar o homem ao seu verdadeiro
estado de Espírito livre. Livre de suas imperfeições, livre da ação do Mal que
o arrasta aos mundos de inferioridade e o faz refém das conseqüências dos
próprios erros. Um homem livre do ódio, da maldade, do melindre, da
intolerância, da impaciência, da inveja, do ciúme, da ganância, da soberba, da
falta de compaixão, todos gerados do egoísmo e orgulho do ser, escravo de si
mesmo.
A verdade que liberta
é aquela que diz ao homem quem ele é, e mostra quem ele precisa ser. O caminho?
A Lei de Deus, a lei do amor. O exercício? A verdadeira Caridade. Aquela que
impele o homem a fazer aos outros o que gostaria que fizessem a ele. A
verdadeira liberdade é gerada do entendimento dessa sabedoria, da compreensão
do que seja o maior no Reino de Deus, no reino do Espírito. Aquele que melhor
serve é o que já compreendeu a lei do amor, ensinada por Jesus aos homens. E
melhor serve porque não está atrelado aos valores do mundo, que exige
reconhecimento e o tocar de trombetas diante de si. Melhor serve porque dá aos
outros de sua bondade, de sua misericórdia e compaixão, com naturalidade, sem
preocupações com as opiniões dos homens, não se importando se receberá da mesma
moeda, pois em seu coração reside apenas o desejo de servir ao seu irmão,
sabendo ele que fazendo isso estará servindo a Deus, em espírito e verdade. É
livre e servo ao mesmo tempo, segundo nos fala a sabedoria de um dos mestres
protestantes do passado, Martinho Lutero: “Um cristão é um senhor livre sobre
todas as coisas e não se submete a ninguém. Um cristão é um súdito e servidor
de todas as coisas e se submete a todos”. Que tem olhos de ver, e ouvidos de
ouvir, compreenderá.
Fonte: www.novavoz.org.br
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