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Raul
Franzolin Neto
O homem em evolução sempre procura o
conhecimento como um meio necessário a sua própria existência. Como ser
racional ele deixa de seguir a instintos promovidos pelo ambiente onde vive
para, com o uso da razão, desenvolver a sua melhor forma de viver. A
complexidade desse processo permite que tudo ocorra de uma maneira que parece
ser sutil, simples e ao acaso. Somente é possível enxergar uma pequena luz
desse processo se for analisado com base na evolução do espírito. Evidentemente
os diferentes graus evolutivos de cada ser humano, promovem as diferentes
formas de busca do conhecimento conforme a necessidade de cada um. Na
sobrevivência num meio hostil, adquirem-se os conhecimentos imprescindíveis a
continuidade da vida. Toda doença tem sua cura graças ao conhecimento adquirido
em seu devido tempo, mas novos desafios aparecem indefinidamente, caso
contrário, a busca do conhecimento nessa área seria desnecessária. A
necessidade da nutrição para sobrevivência do corpo, faz com que o homem
caminhe no avanço tecnológico em busca da quantidade de alimento para a
manutenção da vida no planeta. Da mesma forma, observa-se a necessidade da
busca do conhecimento em todas as áreas de atuação da vida no homem na Terra. E
no comportamento individual e convivência do homem em sociedade?
O conhecimento é fruto da evolução
individual de cada pessoa. Assim, ele é gerado de acordo com que cada um deseja
no momento. Se um indivíduo tem sede e necessita de água, ele terá que beber de
alguma forma, mas muitos sabem que uma água limpa e potável é melhor do que uma
água suja e poluída. A evolução de bens materiais também ocorre conforme as
necessidades e o desejo de cada indivíduo.
Vamos analisar a vida sob três tipos básicos
evolutivos. Para uns a vontade predomina sobre a razão em todos os sentidos e a
vida parece caminhar como uma máquina programada para executar um serviço.
Vive-se assim conforme caminha a vida geral da comunidade. As pessoas agem
individualmente e raramente ela se preocupa com o próximo. Reza-se para não
aparecer dificuldades e faz-se tudo da maneira mais simples possível evitando o
aparecimento de qualquer problema ao seu lado. Entretanto, as dificuldades
estão presentes constantemente e promovem sofrimentos que parecem perpetuar
eternamente. São pessoas incapazes de enfrentar uma competição para uma
sobrevivência melhor. Acomodam-se passando longo tempo praticamente no mesmo
ponto. Tem medo até de pensar, ou seja, de usar a própria razão. A fé é quase
sempre inquestionável. Confia em Deus ou em Entidades Superiores e aguarda
passivamente o seu destino. As pessoas que vivem dessa maneira têm muita
dificuldade em competir pela própria sobrevivência e vivem em constante alerta
intuitivo.
Os indivíduos que vivem num segundo tipo
evolutivo, buscam o conhecimento da verdade através da certeza de que somente a
honestidade ou a forma de vida em comunidade sem prejudicar ninguém é o caminho
correto a se seguir. Não há o comodismo, luta pela sobrevivência questionando
sempre o papel do próximo. O homem deve desenvolver o seu potencial para ter o
direito de viver em sociedade. Aqueles que não procuram viver com seus próprios
passos, devem ser excluídos, pois não se pode admitir que um trabalhe mais em
favor de outro que tem a mesma possibilidade de trabalho. A competitividade é
marca definida nessa sociedade. Vive-se com conforto satisfatório ao padrão
local. O conhecimento é uma busca constante em favor do maior conforto
material, evitando os sofrimentos provocados pelo meio onde vivem. Mas o meio
age sempre em ação de novos desafios, promovendo um círculo vicioso. Por
exemplo, conhece-se a cura de uma doença e surge outra com características
intrínsecas apropriadas com um novo grau de dificuldade para solução.
Constroem-se locais mais confortáveis em detrimento da natureza e a própria
natureza se modifica lançando novos desafios para se manter adequados. Da mesma
forma, a fé é inquestionável e o único obstáculo para a reflexão coletiva é o
medo da morte e a possibilidade de um julgamento desfavorável permitindo a sua
vida em um local pior do que a que possui no momento.
No último tipo, os indivíduos nunca estão
satisfeitos com o que são e buscam o conhecimento da verdade a qualquer custo.
A vida parece ser momentânea e há uma preocupação maior não com o estado
individual das coisas e sim com a satisfação pessoal em ver a vida como um todo
em harmonia. A sua individualidade é considerada como essencial para o
Espírito, ou seja, a sua vontade própria é fundamental para a liberdade de pensamento.
A competitividade existe mas com respeito ao próximo, inclusive sacrificando-se
em determinadas situações. O conforto deve ser fruto do seu trabalho mas
preocupa-se com a necessidade geral onde vive. A fé é questionável e a razão é
a linha mestra de toda a sua conduta, pois confia na racionalidade do homem
como um dos mais fortes meios em favor da vida. A razão é considerada como
dádiva de Deus, ou se não, caminha em busca de outra forma de pensamento e nada
é aceito sem o crivo da sua própria razão.
Inúmeras outras variáveis certamente existem
entre esses três tipos de pessoas. Mas o que isso importa? A procura da verdade
é imprescindível a uma vida alegre e feliz.
O homem a caminho da verdade segue ao lado
da CIÊNCIA e a medida que o planeta evolui, a ciência desperta novos interesses
anteriormente desnecessários. O terceiro milênio será o marco de grandes
avanços da ciência em relação a verdadeira fonte de conhecimentos necessários a
evolução do homem. Dogmas e fé cega cairão por terra e a caracterização da
verdadeira vida, que é a do plano espiritual, despertará os grandes temas
científicos. O conhecimento do Espírito, a vida após a morte, a vida antes da
vida terrena, a vida em outros planetas, as fontes energéticas a serviço do
homem e da natureza, a atuação da medicina na auto-cura de doenças, a
comunicabilidade entre as diferentes formas de vida existentes no universo, o
auto-conhecimento e as relações de sociabilidade, etc., serão os temas
prediletos do conhecimento científico.
Nessa procura constante do conhecimento, é
importante que tomemos iniciativas a favor de uma vida melhor. Por analogia
podemos dizer que um grande campeão de xadrez é capaz de derrotar qualquer
iniciante facilmente. Mas para se jogar bem é preciso conhecer o jogo e aprender
suas regras. Depois gostar de jogar e começar a praticar e quanto mais se
praticar maior será a habilidade do jogador. Chegará um ponto que ele não
consegue derrotar outros adversários, mas aí todos os seus concorrentes
atingiram um verdadeiro estágio de superioridade no jogo em que o prazer de
jogar é plenamente compartilhado com novas idéias e como passou a amar o jogo
de xadrez ele passa a admirar, respeitar e incentivar todos aqueles que querem
ser um grande jogador de xadrez. Sabe-se que atropelamentos e desonestidade não
levam o jogador para frente, pois ele chegará num ponto e permanecerá por muito
tempo. Ao contrário, o amor ao jogo, a dedicação, a disciplina, a paciência e o
respeito são virtudes imprescindíveis ao bom desempenho do jogador. Assim,
precisamos bem compreender as regras da VIDA para podermos viver cada vez
melhor. O espiritismo, numa linguagem atualizada de Jesus Cristo e de outros
importantes pensadores que já passaram pela Terra, nos mostra as regras básicas
e nos incentiva a praticá-las nesta reencarnação. A reflexão, uma dádiva
Divina, é o nosso maior técnico e novos conhecimentos surgirão conforme novas
necessidades evolutivas.
Resta-nos agora duas perguntas para reflexão
de cada um. Em que ponto da caminhada evolutiva você está no momento? O que
você espera daqui para frente?...
Fonte: Boletim GEAE – junho/1998
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