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Sérgio
Fernades Aleixo
A reencarnação de
Elias como João Batista é confirmada pelo estudo da semelhança existente entre
ambas as personalidades, pela análise da trama da vida das duas personagens e
pelos indicativos proféticos. Trata-se de espíritos austeros na fidelidade à
lei, ostentando o mesmo modo de viver e até de se vestir.
Diz a escritura que Elias “era um homem
vestido de pelos, e com os lombos cingidos dum cinto de couro” (2.º Rs 1:8), e
que João Batista “usava uma veste de pelos de camelo, e um cinto de couro em
torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre”. (Mt 3:4.)
A correspondência
cármica na trama da vida de ambos mais acentua a idéia palingenésica. O
espírito que animara a personalidade de Elias sofreu a pena de talião reencarnado
na figura de João Batista. Porque degolou sacerdotes de Baal, foi decapitado.
Os textos bíblicos e evangélicos provam isso.
“Disse-lhes Elias:
Agarrai os profetas de Baal! que nenhum deles escape: Agarraram-nos; e Elias os
fez descer ao ribeiro de Quisom, onde os matou. [...] Acabe fez saber a Jezabel
tudo quanto Elias havia feito, e como matara à espada todos os profetas.” (1.º
Rs 18:40; 1.º Rs 19:1.)
“Festejando-se o dia
natalício de Herodes, a filha de Herodias dançou no meio dos convivas, e
agradou a Herodes, pelo que este prometeu com juramento dar-lhe tudo o que
pedisse. E instigada por sua mãe, disse ela: “Dá-me aqui num prato a cabeça de
João, o Batista”. Entristeceu-se, então, o rei; mas, por causa do juramento, e
dos que estavam à mesa com ele, ordenou que se lhe desse, e mandou degolar a
João no cárcere; e a cabeça foi trazida num prato, e dada à jovem, e ela a
levou para a sua mãe.” (Mt 14:6-11.)
“Então Jesus lhe
disse: ‘Mete a tua espada no seu lugar; porque todos os que lançarem mão da
espada, à espada morrerão’.” (Mt 26:52.)
“Se alguém tem
ouvidos, ouça. Se alguém leva em cativeiro, em cativeiro irá; se alguém matar à
espada, necessário é que à espada seja morto. Aqui está a perseverança e a fé
dos santos.” (Ap 13:9-10.)
Exceto as obras de
Kardec, todas as de que tivemos notícias pecam por errônea interpretação da
cronologia profética de Elias.
Quando falou do
Batista, o mestre assegurou: “Este é de quem está escrito [em Malaquias 3:1]:
Eis aí, eu envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu
caminho diante de ti”. (Mt 11:10.) Assim, Jesus declarou cumprido o que fora
predito. O anjo, o mensageiro que viria antes do Cristo para lhe preparar o
caminho estava ali. Era seu primo João Batista! Jesus assumia, pois, a sua
condição de messias. Para melhor explicitar o sentido cronológico de outra
profecia de Malaquias, a última do Velho Testamento, Jesus revelou a antiga
identidade de seu precursor:
“[...] desde o tempo
de João Batista até o presente, o reino do céus é tomado pela violência e são
os violentos que o arrebatam; pois que assim o profetizaram todos os profetas
até João, e também a lei. Se quiserdes compreender o que vos digo, ele mesmo é
o Elias que há de vir. Ouça-o aquele
que tiver ouvidos de ouvir”. (O evangelho segundo o espiritismo. IV:10. Mt
11:12-15.)
Allan Kardec assim
desvelou o significado dessas palavras:
“Se o princípio da
reencarnação, conforme se acha expresso em S. João, podia, a rigor, ser
interpretado no sentido puramente místico, o mesmo já não acontece com esta
passagem de S. Mateus, que não admite equívoco: ele mesmo é o Elias que há de
vir. Não há aí figura, nem alegoria: é uma afirmação positiva. “Desde o tempo
de João Batista até o presente o reino dos céus é tomado pela violência.” Que
significam essas palavras, uma vez que João Batista ainda vivia naquele
momento? Jesus as explica dizendo: “Se quiserdes compreender o que digo, ele
mesmo é o Elias que há de vir”. Ora, sendo João o próprio Elias, Jesus alude à
época em que João vivia com o nome de Elias. “Até o presente o reino dos céus é
tomado pela violência”: outra alusão à violência da lei mosaica, que ordenava o
extermínio dos infiéis, para que os demais ganhassem a terra prometida, paraíso
dos hebreus, ao passo que, segundo a nova lei, o céu se ganha pela caridade e
pela brandura.
E acrescentou: Ouça
aquele que tiver ouvidos de ouvir. Essas palavras, que Jesus tanto repetiu,
claramente dizem que nem todos estavam em condições de compreender certas
verdades”. (O evangelho segundo o espiritismo. IV:11.)
Após conversar com
Moisés e Elias no alto de um monte, Jesus acentuou a Pedro, Tiago e João:
“[...] eu vos declaro que Elias já veio; mas eles não o reconheceram, e fizeram
dele o que queriam”. (Mt 17:12.) Mateus não hesitou em revelar seu entendimento
do fato, dizendo: “Então compreenderam os discípulos que se referia a João
Batista”. (Mt 17:13.) Se nome disso não é reencarnação, qual é?
Jesus, portanto,
confirmou o cumprimento da profecia de Malaquias 3:1 em João Batista. Além
disso, revelou que o mensageiro, o anjo mencionado nesse passo era o profeta
Elias, referido explicitamente em Malaquias 4:5. Porém, o mestre não disse já
estar cumprida em sua época esta última profecia:
“Eis que eu vos
enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor;
ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus
pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição”. (Ml 4:5-6.)
O único trecho das escrituras
que parece considerar cumprida essa profecia é o dizer do anjo Gabriel ao pai
do Batista:
“Não temas Zacarias,
porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, a
quem chamarás João, e terás gozo e alegria, e muitos se regozijarão por causa
de seu nascimento, porque ele será grande diante do Senhor e não beberá vinho
nem bebida forte; já desde o ventre de sua mãe será cheio de um espírito santo,
e converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor Deus deles. Ele irá diante
do Senhor com o espírito e o poder de Elias, para converter o coração dos pais
aos filhos, e converter os desobedientes, de maneira que andem na prudência dos
justos, a fim de preparar ao Senhor um povo dedicado”. (Lc 1:13-17.)
Informa o Prof. T.
Pastorino que o jesuíta M. Zerwick estuda a questão do en grego com o sentido
associativo, ou de companhia, que será sempre melhor traduzir por “com” ao
invés de “em”. Assim, é melhor dizer-se: “Ele (João) irá diante do Senhor com o
espírito e poder de Elias”. Isso, no dizer de Pastorino, “confirma a tese da
reencarnação de Elias na personalidade de João Batista”. (Sabedoria do
Evangelho. 1.º vol. p. 32.)
Quanto à segunda
vinda de Elias, só se pode concluir que Gabriel usou a última profecia do Velho
Testamento para revelar a identidade do mensageiro que iria diante do Senhor,
e, também, para explicitar a semelhança daquela missão na personalidade de João
Batista com a futura missão que o Cristo lhe daria. Nesta, sim, é que se
cumpriria a profecia de Malaquias 4:5-6 (ou 3:23-24). A palavra do mestre está
acima da de qualquer anjo!
Falando do presente,
Jesus disse ser o Batista a reencarnação de Elias. Contudo, segundo as melhores
traduções, como a de Sacy, utilizada por Kardec, também se reportou ao futuro:
“Ele porém — se o quiserdes aceitar — é Elias que há-de vir”. Nas traduções de
A. P. de Figueiredo, de M. de Matos Soares e de Dom V. M. Zioni não está
escrito “havia de vir” e sim, “há-de vir”. Igualmente em A bíblia de Jerusalém:
“deve vir”, e na Tradução do novo mundo das escrituras sagradas: “está
destinado a vir”. Em tempo, anotemos que, na norma culta do português do
Brasil, se escreve “há de”, diferentemente do português de Portugal: “há-de”.
O mestre citou
Malaquias 4:5-6 para revelar a antiga identidade do mensageiro que o precedeu e
indicar a nova missão deste no futuro. Mas só considerou cumprida a profecia de
Malaquias 3:1. As suas palavras no monte da transfiguração e o seu testemunho
sobre o Batista provam nossa tese: “É certo que Elias tem de vir e que restabelecerá
todas as coisas”. (A gênese. XVII:33. Mt 17:11.) O próprio Kardec demonstrou entender
o versículo como predição, fato posterior a João Batista:
“Elias já viera na
pessoa de João Batista. Seu novo advento é anunciado de maneira explícita; ora,
como não poderá voltar senão com um corpo novo, eis a consagração formal do
princípio da pluralidade das existências”. (A gênese. XVII:34. LAKE. 18.ª edição.
p. 330. Tradução de Victor Tollendal Pacheco. Apresentação e notas de J. Herculano
Pires.)
Não devemos pretender
que esse passo foi considerado pelo codificador como predição do evangelho só
porque, nele, Jesus prevê sua morte. Kardec intitulou essa profecia “advento de
Elias” e não, “morte de Jesus”. O tempo verbal em que expressou seu entendimento
não deixa dúvida. Não só falou da vinda de Elias como João Batista, mas da que
posteriormente a este ocorreria, para restabelecer todas as coisas. Por isso,
depois do seu comentário sobre o “advento de Elias”, Kardec interpretou a
“anunciação do Consolador” e integrou, uma na outra, ambas as profecias,
afirmando:
“[...] o Espírito de
Verdade viria tudo lembrar e, de combinação com Elias, restabelecer
todas as coisas, isto é, pô-las de acordo com o verdadeiro pensamento de seus
ensinos [os de Jesus]”. (A gênese. XVII:37.)
Em A gênese,
I:26, Kardec co-relacionou essas profecias: a segunda vinda de Elias e o
advento do Consolador. Isso prova que considerava esse advento como posterior a
João Batista. Eminentes prelados também viram dessa maneira. É o caso de M. de
Matos Soares: “A missão do Baptista, na primeira vinda do Salvador, é igual à
missão de Elias que há-de vir ao mundo na segunda vinda de Jesus”. E ainda E.
Tintori: “João é denominado Elias porque dotado do espírito e da virtude de
Elias e, outrossim, pelo fato de preceder a primeira vinda do Messias, como o
profeta Elias deverá preceder a segunda”.
A diferença entre a
interpretação tradicional e a de Kardec está no fato de que esta inclui a
reencarnação. Considera duas missões para um mesmo espírito em épocas diversas
e corpos distintos. As igrejas cristãs não admitem a palingenesia. Por isso, entendem
de outra forma a profecia. Mas é com acerto que identificam a vinda de Elias
antes da volta de Jesus. Só erram em não aceitar que se trata de uma segunda
vinda do mesmo profeta. A primeira ocorreu, pela reencarnação, em João Batista.
Por serem contra a palingenesia, essas igrejas têm de recorrer a interpretações
que se opõem às leis naturais. Pensam que Elias virá no mesmo “carro de fogo”
que ao céu o teria levado. Depois dele, voltará Jesus, para ressuscitar das
tumbas os mortos e realizar o juízo final... Passe de mágica, puro milagre.
Além de revelar que o
mensageiro que o antecedeu era a reencarnação do profeta Elias, Jesus deu a
conhecer a tarefa que esse espírito teria no futuro. Compreendemos que, sim,
Elias veio antes do Cristo. No dizer do mestre, porém, o antigo profeta viria
novamente à Terra, reencarnaria antes do “grande e terrível Dia do Senhor” a
fim de restabelecer todas as coisas. Para que não restem dúvidas, analisemos
esta pergunta dos discípulos a Jesus “ressuscitado”:
“Senhor, porventura
chegou o tempo em que restabelecereis o reino de Israel? E ele disse-lhes: Não
vos pertence saber os tempos nem os momentos que o Pai reservou ao seu poder”.
(At 1:6-7.)
Em oposição à
mentalidade racional de Jesus, seus discípulos, ainda presos aos complexos
míticos da época, entendiam que todas as profecias do mestre se realizariam em
pouco tempo e que se referiam apenas a Israel. Era uma visão própria do sociocentrismo
de que estavam impregnados, embora não fosse em nada correspondente à amplitude
de vistas da doutrina de Jesus, amplitude, aliás, patenteada na resposta que
lhes deu: “Não vos pertence saber os tempos nem os momentos que o Pai reservou
ao seu poder”. Já depois da ascensão do mestre ao céu, Pedro falou a muitos no
templo, profetizando:
“Arrependei-vos,
pois, e convertei-vos, para que os vossos pecados vos sejam perdoados; para que
venham os tempos da consolação diante do Senhor, e envie aquele Jesus Cristo
que vos foi pregado, o qual convém que o céu [retenha] até os tempos da
restauração de todas as coisas, de que Deus falou antigamente pela boca dos
seus santos profetas”. (At 3:19-21.)
Quando disse que
Elias viria para restabelecer, ou restaurar todas as coisas, o mestre se
referiu ao futuro realmente. Atos dos apóstolos,
como se pode ver, não deixa dúvidas acerca da época em que se daria esse grande
evento profético.
A restauração de
todas as coisas não dizia respeito aos códigos de uma sociedade cuja pátria se
constituísse nacional e fisicamente, e cujo estabelecimento fosse patrocinado
pela força de uma intervenção bélico-miraculosa de Deus. Relacionava-se à fraternidade
irrestrita de uma república universal de almas, viventes, alternadamente, na
Terra e no além, sob a égide de imutáveis leis de justiça, amor e bondade,
expressões de um Deus que é Pai comum de todas elas. O supremo mestre sabia
que, sendo modelo dessa proposta divina, sua doutrina, na verdade espiritual que
lhe constitui a essência mesma, não seria aceita pela maioria dos homens, senão
pela força de prejudiciais adaptações. Foi essa a violência cultural sofrida
pelo cristianismo desde que se tornou religião do Estado romano.
O restabelecimento de
todas as coisas era, nos domínios da presciência de Jesus Cristo, a futura e
necessária restauração de sua doutrina. O mestre se faria sentir espiritualmente,
acompanhado de seus mensageiros. Encarnados ou não, eles anunciariam a chegada
dos “tempos” e “momentos” que o Pai havia “reservado ao seu poder”, dos “tempos
da consolação diante do Senhor”. Deus nos enviaria novamente o seu amado filho
e tudo estaria restabelecido no coração dos que se cientificassem dessa
Verdade.
Nada, nada define
melhor do que isso o espiritismo! Pelo menos para quem lhe conhece de fato os
alcances e características. Sérios e perseverantes estudos das obras de Kardec
demonstram ser mesmo ele o Elias que estava destinado a vir para restabelecer
todas as coisas quanto ao cristianismo do Cristo. O codificador do espiritismo
deixou patenteada essa revelação em seus textos, apesar de o ter feito com a
mais absoluta discrição de sua têmpera cristã. Esse grave tema envolve seu
relacionamento espiritual com o próprio Jesus de Nazaré.
1.º — Prefácio de O
evangelho segundo o espiritismo. Lemos as seguintes palavras de O Espírito de
Verdade:
“Eu vos digo, em
verdade, que são chegados os tempos em que todas as coisas hão de ser
restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os
orgulhosos e glorificar os justos”.
Quem fala é
exatamente Jesus, o único espírito digno de se declarar a Verdade. (Jo 14:6.)
Para confirmação disso, basta consulta ao item 48 de O livro dos médiuns. Ao
refutar o “sistema unispírita”, Kardec trata Jesus por “Espírito da Verdade”,
“santo entre todos”. Em Obras póstumas (Imitação do Evangelho. Ségur, 9 de
agosto de 1863), Kardec ouve de um espírito amigo:
“Acaba a tua obra e
conta com a proteção do teu guia, guia de todos nós [...]. Conta conosco e conta
sobretudo com a grande alma do mestre de todos nós, que te protege de modo
muito particular”.
Ora! Profetizara
Pedro que, nos tempos do restabelecimento de todas as coisas, haveria
consolação diante do Senhor, a presença do próprio Jesus Cristo se faria
sentida. Evidentemente, trata-se do advento do Espírito de Verdade, “o
verdadeiro Consolador”. (A gênese.
I:42.)
2.º — Número 16 do
capítulo XXIII de O evangelho segundo o espiritismo. Allan Kardec,
parafraseando Jesus, afirma:
“[...] quando o campo
estiver preparado, eu vos enviarei o Consolador, o Espírito de Verdade, que
virá restabelecer todas as coisas, isto é, que dando a conhecer o sentido
verdadeiro das minhas palavras, que os homens esclarecidos poderão enfim compreender,
porá termo à luta fratricida que desune os filhos do mesmo Deus. Cansados,
afinal, de um combate sem resultado, que consigo traz unicamente a desolação e
a perturbação até ao seio das famílias, reconhecerão os homens onde estão seus
verdadeiros interesses, com relação a este mundo e ao outro”.
Note-se a preocupação
de Kardec com as contendas religiosas existentes mesmo no seio das famílias.
Segundo Malaquias 4:6, Elias viria
para converter o coração dos pais aos filhos e dos filhos aos pais.
3.º — Número 26 do
capítulo I de A gênese. Assim se exprime o querido mestre lionês:
“[...] o Cristo
acrescenta: “Muitas das coisas que vos digo ainda não as compreendeis e muitas
outras teria a dizer, que não compreenderíeis; por isso é que vos falo por parábolas;
mais tarde, porém, enviar-vos-ei o Consolador, o Espírito de Verdade, que restabelecerá
todas as coisas e vo-las explicará todas”. (S. João, caps. XIV, XVI; S. Mat.,
cap. XVII)”.
O codificador
menciona entre parênteses os capítulos do Evangelho segundo João nos quais
Jesus fala do Consolador e, também, o capítulo do Evangelho segundo Mateus no
qual o Cristo se refere ao segundo advento de Elias, assinalando-lhe a missão
de restabelecer todas as coisas. Se o codificador relacionou, assim juntos,
tais capítulos dos dois evangelistas é que, forçosamente, via neles uma
importante ligação. Qual?
4.º — Número 37 do
capítulo XVII de A gênese. Kardec, explicando a importante ligação existente
entre S. João, capítulos XIV e XVI, e S. Mateus, capítulo XVII, é quase
explícito em dizer que era uma reencarnação do espírito que outrora animou as
personalidades dos profetas Elias e João Batista:
“Sob o nome de
Consolador e de Espírito de Verdade, Jesus anunciou a vinda daquele que havia
de ensinar todas as coisas e de lembrar o que ele dissera. Logo, não estava
completo o seu ensino. E, ao demais, prevê não só que ficaria esquecido, como
também que seria desvirtuado o que por ele fora dito, visto que o Espírito de Verdade viria tudo lembrar e,
de combinação com Elias, restabelecer todas as coisas, isto é, pô-las de
acordo com o verdadeiro pensamento de seus ensinos”.
O Espírito de
Verdade, bem como seus comandados, estavam de combinação exatamente com Allan
Kardec. Era ele o codificador da terceira revelação da lei de Deus aos homens,
cuja finalidade central era o restabelecimento do cristianismo do Cristo.
5.º — Número 65 do
capítulo XVII de A gênese. Allan Kardec demonstra sua criticidade mesmo em
relação à doutrina apostólica, assim se exprimindo:
“[...] Jesus tinha
razão de declarar aos seus discípulos: ‘Há muitas coisas que não vos posso
dizer, porque não as compreenderíeis’, dado que o progresso das ciências era
indispensável para uma interpretação legítima de algumas de suas palavras. Certamente
os apóstolos, S. Paulo e os primeiros discípulos teriam estabelecido de modo
muito diverso certos dogmas se tivessem os conhecimentos astronômicos,
geológicos, físicos, químicos, fisiológicos e psicológicos que hoje possuímos.
Daí vem o ter Jesus adiado a complementação de seus ensinos e anunciado que
todas as coisas haviam de ser restabelecidas”.
Segundo o
codificador, o espiritismo é a complementação dos ensinos de Jesus. Não só os
restabelece como também os desenvolve. Ensina aquilo que os apóstolos, à época,
não puderam transmitir mais perfeitamente. E dizemos “à época” porque, a exemplo
de Jesus, eles também voltaram, quer desencarnada, quer reencarnadamente. É o
que revela o espírito do poeta alemão Henri Heine:
“Mais de um
patriarca, mais de um profeta, mais de um discípulo do Cristo, mais de um
pregador da fé cristã se encontram no meio deles [dos espíritas], porém, mais
esclarecidos, mais adiantados, trabalhando, não já na base e sim na cumeeira do
edifício”. (O evangelho segundo o espiritismo. XX:3.)
Quem tiver ouvidos,
ouça! Demonstramos aqui o verdadeiro caráter da revelação espírita, bem como,
dele inseparável, a autêntica têmpera da missão de Allan Kardec. Embora não a
fosse, o mestre lionês veio ao mundo mais uma vez, como outrora, a fim de
testificar da luz que ilumina todo homem: Cristo Jesus. (Jo 1:6,8.)
(In: Reencarnação, Lachâtre, 1999.)
Fonte: Site de
Sérgio Aleixo - www.sergioaleixo.com/
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