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Eliseu
F. Mota Júnior
O
corpo humano é composto de órgãos, membros, ossos, músculos, articulações e de
toda uma fantástica aparelhagem psicossomática, mas a célula é a sua partícula
básica, composta de uma vintena de ácidos aminados, formando uma cadeia
compacta. Por sua vez, a função desses ácidos aminados fica na dependência de
aproximadamente duas mil enzimas específicas. As partes principais da célula
são o citoplasma, o núcleo e o DNA, envoltos por uma membrana que mantém a sua
coesão. A saúde humana repousa na estrutura molecular, pois toda enfermidade,
começando pelo núcleo, progride na medida em que as células vão se
reproduzindo.
Algo
semelhante ocorre no organismo social. Os indivíduos formam grupos nas escolas,
locais de trabalho, clubes, igrejas e outras instituições, mas a família é a
célula básica da sociedade, cujo núcleo são os filhos, mantida a sua união
pelos laços do casamento. Desse modo, quando ocorre a falência de uma família,
suas crianças sofrem o impacto do fracasso e levam adiante o caos social em que
estamos mergulhados, pois somente à custa de muito esforço conseguirão evitar a
sua própria desventura.
Diante
disso, observa-se logo que a sociedade somente conseguirá o equilíbrio quando a
família estiver estruturada sobre bases concretas, razão pela qual é importante
estudarmos o assunto à luz da Doutrina Espírita. Vejamos então algumas questões
de O Livro dos Espíritos
que podem auxiliar nessa reflexão:
P. Será contrário à lei da Natureza o
casamento, isto é, a união permanente de dois seres?
R.
“É um progresso na marcha da Humanidade.”
P. Que efeito teria sobre a sociedade humana a
abolição do casamento?
R.
“Seria uma regressão à vida dos animais.”
O
estado de natureza é o da união livre e fortuita dos sexos. O casamento
constitui um dos primeiros atos de progresso nas sociedades humanas, porque
estabelece a solidariedade fraterna e se observa entre todos os povos, se bem
que em condições diversas. A abolição do casamento seria, pois, regredir à
infância da Humanidade e colocaria o homem abaixo mesmo de certos animais que
lhe dão o exemplo de uniões constantes.
P. Transmitem os pais aos filhos uma parcela de
suas almas, ou se limitam a lhes dar a vida animal a que, mais tarde, outra
alma vem adicionar a vida moral?
R.
“Dão-lhes apenas a vida animal, pois que a alma é indivisível. Um pai obtuso pode ter filhos inteligentes e
vice-versa.”
P. Uma vez que temos tido muitas existências, a
nossa parentela vai além da que a existência atual nos criou?
R. “Não pode ser de outra maneira. A
sucessão das existências corporais estabelece entre os Espíritos ligações que
remontam às vossas existências anteriores. Daí, muitas vezes, a simpatia que
vem a existir entre vós e certos Espíritos que vos parecem estranhos.”
P. É tão desenvolvido, quanto o de um adulto, o
Espírito que anima o corpo de uma criança?
R.
“Pode até ser mais, se mais progrediu. Apenas a imperfeição dos órgãos infantis
o impede de se manifestar. Obra de conformidade com o instrumento de que
dispõe.”
P. São iguais perante Deus o homem e a mulher e
têm os mesmos direitos?
R.
“Não outorgou Deus a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de
progredir?”
P. Sendo iguais perante a lei de Deus, devem os
homens ser iguais também perante as leis humanas?
R.
“O primeiro princípio de justiça é este: Não façais aos outros o que não
quereríeis que vos fizessem.”
P. Assim sendo, uma legislação, para ser
perfeitamente justa, deve consagrar a igualdade dos direitos do homem e da
mulher?
R. “Dos direitos, sim; das funções, não. Preciso é que cada um esteja no
lugar que lhe compete. Ocupe-se do exterior o homem e do interior a mulher,
cada um de acordo com a sua aptidão. A lei humana, para ser eqüitativa, deve
consagrar a igualdade dos direitos do homem e da mulher. Todo privilégio a um
ou a outro concedido é contrário à
justiça. A emancipação da mulher acompanha o progresso da civilização. Sua
escravização marcha de par com a barbaria. Os sexos, além disso, só existem na
organização física. Visto que os Espíritos podem encarnar num e noutro, sob
esse aspecto nenhuma diferença há entre eles. Devem, por conseguinte, gozar dos
mesmos direitos.”
Fonte: O Clarim - Abril/1998 (Da Série Recordando Kardec)
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