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Waldehir
Bezerra de Almeida
A divulgação da mensagem mais importante que o homem
já recebeu na Terra teve início com a palavra. Jesus usou-a com tanta
sabedoria, que ela se mantém ecoando até hoje, estremecendo a dureza de nossos
corações tal como as trombetas de Josué estremeceram os muros de Jericó. Dando
continuidade ao processo, os apóstolos saíram pregando a Boa Nova, usando a
palavra. Paulo levou a mensagem do Cristo aos gentios através do verbo
inflamado e objetivo, fundando igrejas no Oriente e no Ocidente. Sobrecarregado
de tarefas do apostolado, resolveu conversar com os seus convertido, usando a
palavra escrita, deixando para a posteridade as suas epístolas. No entanto,
jamais abandonou o púlpito para esclarecer e inflamar os corações dos gentios
com a sua fala convicta e fundamentada no conhecimento e na fé. Incontestável
é, portanto, a força da palavra. Por isso nos lembra o Espírito Joanna de
Ângelis:
- “Falando, heróis e santos reformularam os alicerces
da idiossincrasia ancestral, colocando alicerces para a Era Melhor.”(In
“Convites da Vida”, psicografado por Divaldo P. Franco).
Uma das mais importantes funções da Casa Espírita é
divulgar a Doutrina Espírita. Não se acende uma luz para pô-la debaixo do
alqueire. Ela deve semear a idéia que lhe deu origem e que lha dá vida. O
recurso que todas elas têm para esse mister é a palavra dos seus integrantes
(dirigentes e trabalhadores), e companheiros de ideal de outras co-irmãs.
A palavra é instrumento valioso para o elevado ministério
de intercâmbio das idéias entre os homens, isto por que “é por ela que os homens se aproximam e se ajustam para o serviço que
lhes compete e, pela voz, o trabalho pode ser favorecido ou retardado, no espaço
e no tempo.” (André Luiz, in Entre a Terra e o Céu, 8ª ed. FEB, pag. 137.)
É conveniente, portanto, que ela receba os cuidados necessários, tanto na forma
como na sua essência, para que sirva com robustez e fidelidade à tarefa de
divulgar e comunicar o Espiritismo, pois como afirma Emmanuel “Em toda
parte, a palavra é índice de nossa posição evolutiva. Indispensável
aprimorá-la, iluminá-la e enobrecê La.” (Vinha de Luz, 73.)
O trabalho de divulgar e comunicar O Espiritismo nas
Casas Espíritas tem o seu lugar de destaque, que são as reuniões públicas. É o
seu horário nobre: nelas se reúne o maior número de seus freqüentadores e
trabalhadores. É, também, naqueles momentos que estão presentes os que ali chegam
pela primeira vez. Uns, na esperança de ouvir uma palavra de esclarecimento e
consolo; outros, ansiosos por uma idéia que lhes aponte um novo norte para sua
vidas; e mais alguns, em busca de argumentos racionais que lhes convençam sobre
a afirmação de que a vida continua além do morte do corpo físico. Não é essa a
finalidade do Espiritismo?
É necessário e estratégico que à
exposição espírita se dê uma atenção toda especial para que não se transforme
em um discurso cheio de mesmice ou em aula antididática e maçante. Não deve ela
ficar ao sabor da improvisação daqueles que, embora de boa vontade, não se
preparem adequada e suficientemente, com o carinho e respeito que a Doutrina exige,
fazendo com que os que lhe ouvem acreditem que o Espiritismo não tem conteúdo e
que se distancia dos problemas atuais que afligem a todos. Cuidado também se
deve ter para que exposição não se transforme numa demonstração de eruditismo e
eloquência, não levando em consideração que entre os presentes somam-se aqueles
devidamente esclarecidos com os de pouca formação escolar, e, até mesmo, os que
não sabem ler nem escrever.
Para que a exposição espírita divulgue a comunique a Doutrina Espírita
com mais eficácia; para que ela esclareça e também console; para que, com sua
originalidade, beleza e simplicidade, faça novos adeptos, é necessário que
algumas providências e cuidados sejam tomados muito antes de sua realização.
Com a intenção de trocar experiências, dirigimo-nos, em especial,
àqueles que têm sob sua responsabilidade, administrar as exposições espíritas
públicas em sua instituição, pedimos licença para oferecer algumas sugestões de
procedimentos objetivando melhorar seu nível e adequá-las à sua finalidade.
1. Reuna-se com duas ou três pessoas envolvidas na
tarefa de divulgação da Doutrina Espírita, com vista ao estudo e montagem do
temário do próximo mês.
2. Escolha os temas a serem abordados levando em
consideração:
a) as efemérides espíritas do mês e outras
não-espíritas, mas que tenham conteúdo para se agregar à mensagem doutrinária;
b) a realidade cultural dos freqüentadores da Casa e
suas necessidades eventuais de melhor conhecer e debater determinados temas.
3. Vincule os temas escolhidos às Obras Básicas e a
outras complementares, fazendo as devidas anotações para informar ao expositor,
se for necessário.
4. Dê títulos aos temas escolhidos, de forma que tenham
um conteúdo apelativo para despertar o interesse do público e convidar o
expositor à reflexão. Evite títulos que afugentam os freqüentadores, como por
exemplo: O Aborto Delituoso! As
irmãs que já praticaram aborto ou que pretendam assim fazer ficarão
constrangidas em assistir tal exposição, com receio de serem indiretamente
denunciadas. No exemplo, o título poderia ser substituído com vantagem por: Você Tem Medo de Ser Mãe?
5. Contate com o expositor trinta dias antes do evento
e, em seguida, envie-lhe uma correspondência confirmando o combinado e
informando:
a) título do tema, dia e horário e o seu tempo
disponível para a exposição;
material
de apoio didático que a Casa possua e que estará à disposição dele, tal como:
quadro-de-giz, quadro branco, tripé para álbum seriado, retroprojetor, projetor
de “slides” etc;
b) e o mais importante: a idéia que deverá ser desenvolvida dentro do tema proposto. Este
cuidado facilita o expositor a preparar o seu trabalho e favorece a que o tema
seja tratado com originalidade para atender à ansiedade do público e dos trabalhadores
da instituição.
6. Agregue à exposição do dia mais um valor,
distribuindo mensagens que abordem o mesmo tema.
7. Na parte reservada às indagações do público, que
deverá sempre existir, pessoas da Casa farão perguntas, incentivando os mais
tímidos a participarem.
8. Não se esqueça de enviar uma carta de agradecimento
ao irmão expositor pelo trabalho prestado à divulgação do Espiritismo e dizendo
que espera contar com ele em próxima oportunidade.
9. Mantenha uma cadastro de todos os expositores que
cooperam com a Casa, com informações sobre seu maior interesse por uma das
áreas do Espiritismo (filosofia, ciência ou religião), e um registro das
exposições que realizou e em que data: servirá para que você peça que a repita
se achar interessante.
10. Evite convidar expositor, dando-lhe um “tema livre”:
tal procedimento deve ser um risco calculado.
Para finalizar, invocamos um
pensamento de Emmanuel a respeito do uso da palavra, para a reflexão de todos
aqueles que a usam para divulgar o Espiritismo.
“Se
não aclaramos a frase, se não apuramos o modo e se não educamos a voz, de acordo
com as situações, somos suscetíveis de perder as nossas melhores oportunidades
de melhoria, entendimento e elevação.”(Fonte Viva, item 43)
(Publicado
na Revista Internacional de Espiritismo, em agosto de 1997)
(*)
Preferimos o termo “exposição”, que
significa narração, explanação, desenvolvimento de um tema, definição e explicação,
ao invés de “palestra”, que tem o
significado de conversa, conferência ou discussão sobre tema científico. Em
nossa modesta opinião, o primeiro termo se adequa mais ao que fazemos na Casa
Espírita: definimos, narramos e explicamos, quando no desenvolvimento de um
tema espírita.
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