Terra Espiritual
 

'Discutindo a espiritualidade!'

Home

Espiritismo

Religiões

Sociedades Secretas

Links

Webmasters

 

www.terraespiritual.org

 

Menu

 

Aconteceu

Arte Espírita

Artigos

Biografias

Centro Espírita em Destaque

Centros Espíritas do Ceará

Chat Espírita

Doutrina

Enquete do mês

Entrevista do mês

Espiritismo e ciência

Espiritismo e filosofia

Espiritismo e religião

Eventos

Filmes espiritualistas

Liga dos Historiadores e Pesquisadores Espíritas (LIHPE)

Livro do mês

Mensagens

Obras básicas - Download

O Evangelho no Lar

Parapsicologia e espiritismo

Perguntas e Respostas

Sala Filosofia Espírita

Sobre a Divulgação Espírita

Transcomunicação

Vocabulário Espírita

 

 

 

 

 

 

 

Aparências

 

 

Vinícius Lousada

 

“A verdadeira pureza não está somente nos atos; está também no pensamento, porquanto aquele que tem puro o coração, nem sequer pensa no mal.(...)”[1]

 

Vivemos num momento em que se valoriza sobremaneira as aparências. Na sociedade de consumo, contaminada pelo espírito do capital, pela gana desvairada de acumulação das coisas, mais do que nunca é preciso fazer de tudo um produto e desenvolver imagens que cativem o consumidor, que mexam com seus desejos e construam, mesmo que falaciosamente, necessidades de usufruto disto ou daquilo.

Todos nós conhecemos pessoas que vivem de compras, compram tudo o que vêem pela frente. Buscam freneticamente adquirir utensílios de ponta, eletrodomésticos de última geração, o carro do ano, mesmo que seja para pagar em suaves prestações para “umas dez encarnações”.

Não que eu seja contra a conquista honesta de conforto ou partidário de um falso voto da pobreza; porém, infinidade de criaturas observam como se vestem os artistas de televisão ou qual o produto que, mediante bem urdida propaganda, apresenta-se como a solução para as suas problemáticas, confiando-se cegamente ao que a mídia sugere.

Há um frenesi instaurado nesta era da informação aligeirada, destituída de reflexão, dando-se valor demasiado à embalagem dos produtos, olvidando-se seu conteúdo; e no que diz respeito às pessoas, o juízo de valor também cede à aparência.

Exalta-se a beleza exterior propondo estereótipos que são verdadeiras torturas psicológicas para os indivíduos sem significado existencial, que se confiam aos ditames do mundo das modas passageiras.

A religião do consumo tem ampliado seus adeptos, inclusive invadindo os arrais que se afirmam cristãos, transformando a fé em negócio, ação religiosa em “plano de carreira” para a conquista do reino terrestre, quando Jesus Cristo propunha aos seus discípulos: “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino (o de Deus) e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.”[2]

O que deveria ser um apelo à conversão real da criatura aos ensinos do doce Nazareno passa a ser um programa de “pequenas igrejas, grandes negócios”, com a aparência de culto a Deus, que conforme a raiz etimológica do verbo latino colere, se configuraria numa proposta de “honrar” ou “venerar” o Criador e não numa preocupação sórdida com as finanças alheias.

Com um marketing “invejável”, as “merco-religiões”, ou seja, as alternativas religiosas que se conduzem na lógica insana do mercado, estabelecem em sua ideologia de prosperidade uma aparência palatável aos que não sabem para onde vão, que estão desesperados atravessando variadas crises, deixando-se arrebatar pela retórica e glorificação de posturas que preconizam o exterior, preterindo as Leis do Criador.

Tenho por hábito, quando o tempo me faculta, ir em algumas livrarias só para “namorar” livros que contribuam com meu crescimento pessoal, que me esclareçam sobre alguma temática de meu interesse. Percebo nessas inserções literárias um fenômeno interessante: há um investimento das editoras na beleza das capas, numa certa arte na produção das encadernações. Isto indica que mais uma vez o “rótulo” dita o que é relevante ou não para aqueles que ainda podem comprar livros, quando não possuem criticidade, é claro.

Classificados de empregos exigem boa aparência como quesito fundamental, bom visual para lidar o cliente, é claro. E cá entre nós, diante da política de maximização da lucratividade adotada diabolicamente pelo mundo dos negócios, penso que esta seja a seção mais lida nos jornais nesses dias de crise ou, ao menos, que muita gente se alfabetiza por ali...

Vejamos como as aparências ainda nos dominam: Não existem pessoas que deixam a fachada da casa “um brinco”, enfeitam o jardim, mas tem total descaso pelo interior de sua moradia? Não sabemos de casamentos infelizes que são disfarçados em cortês convivência para manter a imagem social? Ainda aí o império do ter sobre o ser, do que deve parecer com o que realmente o é.

Desde pequenos, através da linguagem dos adultos, introduzimos em nosso psiquismo os valores socialmente aprovados, incorporamos posturas de nossa cultura e, de certa forma, sem determinismo, introjetamos exemplos.

Nas nossas lutas no movimento espírita, ou em movimentos sociais de qualquer matiz, a coisa não é diferente. Descobrem-se códigos, normativas comportamentais que, em acanhada visão, poderiam garantir o “sucesso” das relações e, assim, passa-se a reproduzir discursos  e comportamentos em sintonia com a “maré”, sem de fato, conhecer o que se fala maduramente. Tudo mais uma vez, a serviço do parecer ao invés de ser.

Citam-se livros e autores dos quais foram lidos somente a orelha da capa. Copiam-se trechos daqui e dali para ilustrar falas empoladas e em nome da ciência força-se correlações com o Espiritismo que mais são um engessamento de saberes do que descobertas sérias, não representando a opinião da maioria da comunidade científica responsável.

Há a insensatez dos que, sem conhecimento de causa, se crêem vaidosamente como vanguardeiros, autorizando-se a dar sua opinião sobre temas dos quais os pesquisadores e especialistas estão traçando apenas as primeiras letras.

Outros dão sopas aos pobres e não suportam seus  companheiros de tarefa....

Em nossa proposta de reflexiva, não-fundamentalista e aberta ao diálogo com outros saberes sem ser descaracterizada, não podemos nos permitir a sedução pelas aparências, adotando comportamentos hipócritas, de pseudo-sabedoria ou posturas caricatas de santidade falsa compostas por falas suaves e trejeitos angelicais que se desfazem ao sabor do melindre.

Quem quiser fingir para si mesmo, como fazemos nos “regimes de segunda-feira”, tudo bem, não penso que tenhamos de ser fiscal do comportamento alheio.

Mas, a moral proposta por Jesus Cristo é insuperável e pede-nos reflexão e conversão autênticas, sendo esta última uma mudança de direção na vida com base no paradigma descortinado pela Religião dos Espíritos, provocando uma ruptura com a cultura do parecer e aparecer para efetivarmos em nossa historicidade pessoal a experimentação da ética espírita, o que nos compromete com a ação cristã junto aos que sofrem.


[1] O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. VIII, item 6.

[2] Mateus 6:33.

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

 Home   l   Espiritismo   l   Religiões   l   Sociedades Secretas   l   Links   l   Webmasters

Copyright 2003 Terra Espiritual. All Rights Reserved.

Nedstat Basic - Free web site statistics