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Richard
Simonetti
Desde as culturas mais remotas
encontramos referências à influência exercida por seres invisíveis.
Na antiga Grécia eram os deuses
que interferiam no destino humano, de conformidade com seus humores e
caprichos.
Na Idade Média consagrou-se a
idéia do demônio, ser rebelado contra Deus, especializado em atazanar os
homens, induzindo suas vítimas à perdição.
Sabemos hoje que os invisíveis
são as almas dos mortos, homens desencarnados, que agem de conformidade com
suas tendências e desejos.
O chamado plano espiritual é
apenas uma proteção da crosta terrestre. Começa exatamente onde estamos. Boa
parcela dos defuntos aqui permanece, exercendo sobre nós ampla e insuspeita
pressão psíquica.
Na questão 459, de ‘‘O Livro dos
Espíritos’’, os mentores que assistiam Kardec nos fornecem a notícia de que
essa influência é tão grande que não raro eles nos dirigem.
Algo para se pensar, não é
mesmo, caro leitor?
Muitas pessoas, nos Centros
Espíritas, são informadas de que seus problemas estão relacionados com a
presença de inimigos espirituais que as assediam buscando desforra por passadas
ofensas.
Em princípio está certo.
Problemas físicos e psíquicos
que resistem aos recursos da Medicina podem originar-se dessa influência, com a
possibilidade de se tornarem crônicos, porquanto os médicos ignoram as causas.
Cuidam precariamente dos efeitos.
Mas há um detalhe:
Nem sempre estamos às voltas com
vingadores.
Nem sempre essa pressão envolve
motivação passional.
São Espíritos presos à vida material,
aos seus vícios e interesses.
Sofrem por isso um adensamento
do corpo espiritual. Isto os leva a viver como se fossem encarnados, sentindo
necessidades relacionadas com alimentação, abrigo, sexo, vícios...
Daí ligarem-se aos homens,
nutrindo-se de seu magnetismo, e satisfazendo seus anseios nos domínios das
sensações.
Esses ‘‘hóspedes’’ não intentam
nos prejudicar.
A expressão mais correta seria explorar.
Exploram nosso psiquismo,
servem-se dos fluidos densos que lhes possamos oferecer.
É uma associação perturbadora,
porquanto nos sujeita aos seus desajustes. E nos exaure psiquicamente, já que
eles agem como autênticas sanguessugas espirituais.
Durante seu apostolado houve
freqüentes contatos de Jesus com tais Espíritos, chamados por seus
contemporâneos imundos, impuros, maus...
Vezes inúmeras os afastou de
suas vítimas, usando de sua irresistível força moral.
E o Mestre antecipava o
conhecimento espírita, ao dizer, textualmente (Mateus, 12:43- -45):
Quando o Espírito impuro tem
saído dum homem, anda por lugares áridos, procurando repouso; não o
encontrando, diz: - Voltarei para minha casa, donde saí.
E, ao chegar, acha-a
desocupada, varrida e adornada.
Então ele vai, e leva consigo
mais estes Espíritos piores do que ele, e ali entram e habitam.
O último estado daquele homem
fica sendo pior que o primeiro.
A casa a que se refere Jesus é a
mente humana, habitada por nossos pensamentos.
A estrutura, organização e
disposição dependem do morador ---- a vontade.
Uma casa escura ---- morador
deprimido.
Uma casa abafada ---- morador
pessimista.
Uma casa em desordem ----
morador confuso.
Uma casa iluminada ---- morador
feliz.
Uma casa arejada ---- morador
animado.
Uma casa bem arrumada ----
morador organizado.
Por que Espíritos desajustados
nos envolvem e influenciam tão facilmente?
Podemos responder com a velha
pergunta de algibeira:
Por que o cachorro entra na
Igreja?
Ora, entra porque a porta está
aberta!
Exatamente o que acontece com
essas entidades.
Aproximam-se de nós, envolvem-
nos, invadem nossa casa mental porque, segundo a expressão evangélica:
Está desocupada ---- vazia de ideais superiores, de
motivação existencial.
Está varrida e adornada ---- atraente para os invasores,
receptiva às suas sugestões.
A intervenção dos benfeitores
desencarnados e os recursos mobilizados no Centro Espírita promovem seu
afastamento.
Todavia, isso não é o bastante.
Fundamental que aprendamos a nos
defender, que tenhamos cuidado, porquanto pode ser que eles resolvam voltar e
venham acompanhados de outros iguais ou piores. O estrago será maior.
Necessário, portanto, fechar
a porta, impedir seu acesso.
Na questão 469, de ‘‘O Livro dos
Espíritos’’, Kardec pergunta aos mentores espirituais como podemos fazer isso.
A resposta é bastante
elucidativa: ‘‘ ---- Praticando o bem e pondo em Deus toda a vossa confiança
(...).’’
Quem se empenha em servir e tem
certeza da proteção divina resguarda a casa mental contra malfeitores e
desocupados do Além. Uma pergunta que deveríamos formular a nós mesmos:
Que tipo de gente recebemos em
nossa casa mental?
Não é difícil definir.
Basta analisar como estamos,
nossas emoções e sentimentos.
Talvez seja preciso despejar hóspedes indesejáveis e
convidar outros mais recomendáveis, em favor de nossa paz.
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