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Criminalidade Violenta

 

 

Eliseu F. Mota Jr

 

A história do crime é a própria história do homem, porque sempre acompanha a humanidade, que reage com a pena, desde leves flagelos físicos até a morte. Em suma, o delito é a transgressão das normas de conduta social, estabelecidas para permitir a vida comunitária, enquanto que a pena é a resposta da sociedade contra quem não obedece as regras mínimas de convivência. Os crimes violentos atormentam de tal forma as pessoas de bem, que estão previstos nos códigos penais de todos os povos, porque realmente proporcionam atrozes espetáculos de crueldade e insensibilidade, sobretudo nos casos de assassi­nato, rapto e seqüestro de crianças para fins sexuais ou para a obtenção de resgates, estupro, incêndio, inundação, genocídio e outros dessa natureza, e sempre foram punidos com muita energia e até com violência, incluindo, é claro, a pena de morte e a prisão perpétua com trabalhos forçados.

Só para citar apenas alguns poucos criminosos contemporâneos, recordemos o professor japonês Issei Sagawa, que em 1981 assassinou em Paris a estudante holandesa Rénée Hartevelt, mutilou o cadáver, cozinhou e comeu partes do corpo da vítima; o inglês Dennis An­drew Nielsen, ex-policial alcoólatra que em 1983 matou seis jovens; o norte-americano Mark David Chapman, assassino do beatle John Lennon; o russo Andrei Tchikatilo, professor de filologia que em 1990 foi preso depois de matar quatorze meninas entre os nove e quinze anos, e muitos mais que ocupam ainda hoje o noticiário.

No Brasil a coisa não é diferente, porquanto fatos recentes ocupam o noticiário cotidiano, mostrando que a criminalidade violenta é uma realidade sempre atual, com assassinatos de famílias inteiras, de crianças e jovens com indícios de canibalismo e rituais satânicos, além do incontrolável crime organizado, principalmente no tráfico de entorpecentes em São Paulo e no Rio de Janeiro, cujos chefes, mesmo recolhidos em penitenciárias de suposta segurança máxima, controlam quadrilhas dentro e fora das grades, que possuem armamento capaz de fazer frente a um exército, inclusive com mísseis de longo alcance, sem que as autoridades constituídas consigam controlar essa onda avassaladora de violência, gerando insegurança e angústia.

Criminosos violentos — Mas, afinal de contas, quem seriam os autores desses crimes violentos, que causam tamanha indigna­ção popular? Serão eles criminosos incorrigíveis e sem recuperação? As respostas a estas perguntas são fornecidas sob os mais diversos aspectos, mas a fisiognomonia, ou seja, o estudo do caráter e da personalidade das pessoas pelos traços fisionômicos, foi o primeiro passo na direção do atavismo, que mais tarde tentaria explicar toda a criminogênese a partir da formação antropomórfica dos criminosos, sobretudo por meio da frenologia ou análise do cérebro desses indivíduos tristemente famosos pelos seus crimes hediondos, como fez o psiquiatra italiano César Lombroso.

Mais tarde, com base nos estudos de Lombroso e outros especialistas na matéria, os criminosos foram classificados da seguinte forma: a) criminoso nato - já nasce delin­qüente, com deformações físicas e psíquicas; b) criminoso louco - indivíduo situado na zona que se estende entre a sanidade e a enfermidade psíquica; é irresponsável, com atrofia do senso moral e a consumação do crime não toca sua consciência; c) criminoso habitual - é produto do meio onde foi criado, pois começa sua vida criminosa bem cedo, praticando leves delitos punidos com penas de curta duração, que cumpre em prisões inadequadas, onde, em contato com outros delinqüentes, mais se corrompe, passando dos pequenos para os grandes crimes; d) criminoso ocasional – é um "fraco de espírito", sem firmeza de caráter e que normalmente vive na miséria; sob a influência de outras pessoas e a esperança de impunidade, acaba cometendo infrações penais mais graves; e) criminoso passional – quase sempre é honesto, mas temperamental e de sensibilidade exacerbada; delinqüe, em regra, na juventude, atua sem premeditar e sem dissimulação; é comum ele confessar a autoria do delito, dar sinais de arrependimento e suicidar-se.

Tais estudos criminológicos são baseados na hipótese de que o homem é apenas matéria, ou, quando muito, um corpo que tem alma. Vejamos então o assunto dentro da Doutrina Espírita, buscando situar os criminosos hediondos na Escala Espírita elaborada por Allan Kardec, constante dos itens 100 a 113 de O Livro dos Espíritos. Na verdade, eles não passam de Espíritos impuros, que dão conselhos falsos, semeiam a discórdia e a desconfiança e se mascaram de todas as maneiras para melhor enganar. Ligam-se aos homens de caráter bastan­te fraco para cederem às sugestões, a fim de induzi-los à perdição, satisfeitos em retardar-lhes o adiantamento, fazendo-os sucumbir nas provas por que passam. São os demônios, maus gênios, Espíritos do mal de alguns povos.

Quando encarnados são os criminosos hediondos, propensos a todos os vícios geradores das paixões mesquinhas e degradantes: a sensualidade, a crueldade, a traição, a hipocrisia, a cupi­dez, a avareza sórdida. Fazem o mal por prazer, as mais das vezes sem motivo, e, por ódio ao bem, quase sempre escolhem suas vítimas entre as pessoas honestas. São flagelos para a Humanidade, pouco importando a categoria social a que pertençam, e o verniz da civilização não os forra à infâmia e à desonra.

Isto explica a razão pela qual praticam crimes como o latrocínio, a extorsão, o estupro, o atentado violento ao pudor, o narcotráfico, a tortura, o terrorismo e outros crimes hediondos. Esta tese não afasta a responsabilidade daqueles que, encarnados ou desencarnados, influenciam a pessoa a uma eventual escolha pela criminalidade, e nem muito menos dos governantes e demais causadores das diferenças sociais, que explicam a existência de favelas e da miséria, sobretudo nos países em desenvolvimento. Cada um arcará com a própria carga daquela responsabilidade, na medida exata de sua culpa, sem que o criminoso possa esconder-se atrás dos  fatores criminógenos para livrar-se das conseqüências de seus crimes, pois tem o livre-arbítrio para a decisão final, de modo que, se escolheu praticar delitos, será responsabilizado tanto diante da legislação humana, como também perante a lei divina.

 

 

 

 

Pensamentos

 

 O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

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Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier  

 

 

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