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Carmen Imbassahy
Dizem os pensadores que,
antes de sabermos a causa, temos que conhecer os efeitos. Afinal, estes são as
provas daquela.
Se Deus é a causa de tudo, antes de sabermos o que é Deus, temos que descobrir
tudo e, de tudo, qual seja sua "criação" ou efeito e, desse tudo,
quase nada conhecemos, sequer o nosso próprio orbe, insignificante planeta da
imensidão cósmica do Universo.
Incluída nesse "tudo" encontra-se a vida em si, desde sua forma, a
mais elementar que se tenha ciência até os seres mais adiantados que habitam o
sistema universal, além da Terra. Sem dizer das partículas elementares atômicas
que uma corrente de físicos insiste em garantir que também representa algo
correlato com a vida universal.
O mais curioso disso tudo é que, a respeito da existência dos seres e das
coisas, há uma série de porquês que não encontram nenhuma resposta satisfatória
para isso, motivo pelo qual, os eternos infalíveis representantes do supremo
conhecimento transcendental criaram o dogma - "porque Deus quis" -
que tudo justificaria, se, de fato, tivesse amparo na razão.
E isto seria o primeiro passo para se negar Deus, se não fosse Ele tido como a
causa de tudo, apesar de dizerem que nem tudo existe. Todavia, nós existimos e,
como diria René Descartes, "penso, logo existo" - cogito, ergo sum -
no seu famoso "Le discours de la methode".
E ficaríamos neste eterno círculo vicioso se continuássemos a divagar a
respeito do desconhecido, já que Deus está neste rol.
Afinal, se Deus é causa, antes de querermos conhecer o que seja Ele, temos que
desvendar os segredos mais íntimos do Universo, afinal este é o efeito. E será
que o conhecimento humano está capacitado para saber o que vem a ser o Universo
e por que existe?
Logo, antes de imaginarmos o que possa ser deus, temos que saber o que vem a
ser a existência do nosso sistema cósmico. E aí é que o dogma emperra o conhecimento
humano, afinal, querem transformar Deus em "salvador do mundo" altamente
preocupado com os humanos, olvidando o resto do que existe dentro de todo esse
espaço sideral que os cerca cheio de astros altamente superiores ao planeta
Terra.
Realmente, confiemos na existência de Deus, mas, antes de pensarmos que nós,
míseras criaturas humanas, sejamos a preocupação exclusiva do Criador, lembremo-nos
de que fazemos parte de uma sábia Criação que nos leva à conclusão de que o
Universo só existe pela necessidade evolutiva de seus mundos integrantes,
incluindo deste a mais elementar forma atômica existente até os seres possivelmente
superiores que habitam este sistema universal de astros e matéria.
Pensemos, pois, que, antes de invocarmos o Grande Criador de todas as coisas,
como sendo uma Entidade exclusivamente preocupada com a existência dos humanos,
nós, seres da Criação, existimos para contribuir com o processo evolutivo do
Universo, o verdadeiro efeito cuja casa é Deus.
Para que uma sociedade se transforme numa coletividade em evolução, dentro dos
princípios doutrinários, torna-se preciso que cada qual de seus componentes
providencie sua própria transformação a fim de que a coletividade à qual
pertença, como uma praia cheia de grãos de areia, se torne pura por se
constituir de componentes sadios e aptos ao progresso evolutivo do nosso
sistema.
Aí, então, estaremos caminhando para conhecer o verdadeiro Deus
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