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Vanda
Simões
Diante da situação
atual da humanidade temos nos perguntado a razão pela qual o homem permanece
envolvido em tantos sofrimentos. Poderíamos responder comodamente que isso faz
parte da evolução do Espírito e nada do que acontece está fora dos planos
divinos de organização do orbe. Seria correto, sem dúvida, se não considerássemos
o livre-arbítrio da criatura, chave que explica todos os caminhos e atalhos
pelos quais trilha o Espírito. Estudando detidamente o assunto em O Livro dos
Espíritos se pode compreender com facilidade porque não se pode tudo atribuir à
condição do Espírito e à necessidade que tem de passar pelos mundos de provas e
expiações. Se assim fosse, teríamos de admitir a doutrina das fatalidades que
anula a vontade do ser e o escraviza a uma divindade injusta e desarrazoada.
É sabido, através dos
ensinos dos Espíritos superiores, que a Terra é um planeta atrasado, ocupando o
segundo lugar na classificação dos mundos, na frente apenas dos mundos
primitivos. Nesse sentido é um planeta ainda novo e abriga Espíritos em igual
condição. Allan Kardec comparou a Terra a um hospital e, como tal, chegam a ele
os doentes ou necessitados de algum tipo de ajuda. Somos, portanto, seres
imperfeitos, inacabados, mais próximos do ponto de partida do que do de
chegada, não sendo razoável arrogar-nos como bons, como mestres, mesmo que se
tenha alguma condição de instruir outros nos vários campos do conhecimento
humano ou divino.
Resulta daí que se
deva ter um olhar de normalidade sobre a situação atual do planeta? Cremos que
não, afinal já se vão muitos séculos de esforço da Espiritualidade em mostrar
um caminho para a humanidade e ela não dá mostras de estar disposta a deixar
seus valores transitórios para se ocupar dos eternos. Também não se pode pôr tudo
na conta da ignorância, achando que o homem lenta e preguiçosamente um dia encontrará
seu caminho, pois hoje os meios de que dispõe para sua instrução estão à sua
inteira disposição e os avanços conquistados pela ciência nos últimos 50 anos superam
os quase quatro mil anos de estagnação.
Que pensar então? A
Doutrina Espírita trouxe para o homem graves revelações. Na verdade, retirou o
véu dos mistérios que envolviam as revelações anteriores trazidas por Jesus.
Esclareceu a origem do homem e as conseqüências que pode tirar de suas
experiências terrenas, como Espírito imortal que é. Não quer nada mais que
endereçar a criatura ao encontro de si mesma, estimulando o autoconhecimento e,
a partir daí, ter o surgimento de um novo homem, que gradativamente se molda ao
equilíbrio com o Criador, entrando definitivamente no entendimento das leis
divinas que regem o Universo. Mas isso leva um tempo.
Analisando as
situações, talvez com olhos vesgos ainda, podemos perceber que o que falta ao homem
nada mais é que o sentido de vida. Ele na verdade não sabe quem é, de onde vem
nem para onde vai, depois que seus olhos se fecharem definitivamente nesta
vida. E não procura saber. Vive da mesma forma em que vivia nas comunidades
pastoris do início da civilização, pois busca apenas atender suas necessidades
materiais. Apesar da maioria da população do planeta ter uma crença em que diz
se apoiar espiritualmente, e das pesquisas mostrarem que mais de 70% da
população do globo se diz espiritualista, percebe-se que essa convicção não
traz ao homem qualquer conseqüência de ordem moral, não tendo portanto nenhum
efeito sobre as mudanças de postura que deveria ter para que o mundo se
configurasse de melhor condição.
E porque assim de dá?
O que ainda lhe obscurece a razão é o orgulho que não o deixa ver além do que
quer enxergar. Falta-lhe a certeza da imortalidade, certeiro golpe de morte no
materialismo. A doutrina do nada nutre as idéias que comandam o mundo e arrasta
as almas ignorantes para os atalhos onde se defronta com a miséria moral, com a
dor e atrozes sofrimentos. Mas e a lei de causa e efeito? E Deus, estará fora
disso, de "braços cruzados" assistindo a humanidade se esfacelar? Ou
está aguardando que o homem decida por ele mesmo a hora em que finalmente se
dobrará às evidências?
A Doutrina Espírita
ensina que, apesar da inexorabilidade da Lei, é evidente que os caminhos do
homem são traçados por seu livre-arbítrio. Chegar mais cedo ou mais tarde à
perfeição é escolha sua. Avançar ou permanecer no mesmo lugar depende do seu
esforço. Deus oferece ao homem os instrumentos, mas o uso que fará deles é de
inteira responsabilidade da criatura. Essa é a razão pela qual o planeta se
encontra na condição de descontrole moral em que está. Por muitos séculos semeou
o grão podre, baseado em seus interesses poucas vezes nobres. Agora se depara
com o resultado disso no fim de um ciclo que têm se dado sob os olhares
estupefatos de quem se dá ao trabalho se ver além das circunstâncias.
O que moveu o homem
em todos esses anos foram o orgulho e o egoísmo, duas terríveis barreiras para
a emancipação do Espírito. O que o fará livre disso é a compreensão e
observação das leis de Deus, entre nós há 3500 anos. O avanço intelectual do
homem o têm deixado anestesiado para as coisas de Deus, e em um meio onde deveria
fomentar esse espírito de entendimento, já que o homem necessita do avanço intelectual
para ter um alcance do lado moral, falar dos ensinos de Jesus é dar um atestado
de ignorância. Mesmo entre os intelectuais espíritas, há um preconceito velado
pelos que se detém em examinar os ensinamentos da Lei para tirar disso as reais
conseqüências de instrução para o Espírito. São chamados pejorativamente de
evangélicos, como se essa condição configurasse um atraso. Mais uma vez o
orgulho a permear as ações e pensamentos.
Perguntamos: De onde
o homem tirará outra mensagem que possa conduzi-lo ao equilíbrio? Dos livros de
auto ajuda? Dos tratados das ciências do mundo? Dos livros de neurolinguística?
Das fantasias de Paulo Coelho? Dos ambientes infestados de orgulho e vaidade
das academias? Das psicografias de Espíritos das colônias transitórias? Dos
escritos de médiuns orgulhosos e vaidosos? Não! Pois, como disse o Espírito de
Verdade a Allan Kardec, "a verdade não pode ser interpretada pela
mentira". A mensagem está entre nós há tempos. Só precisamos compreendê-la
e tomá-la definitivamente como modelo de conduta.
Portanto, sigamos
neste grande hospital procurando o remédio certo. O médico, apenas um: Jesus
Cristo, o mestre. Mas não desanimemos, pois mesmo num hospital há diversidade
de pacientes. Há os doentes muito graves, os de condição menos graves, os com
doenças comuns, os em fase de convalescença e os de alta. Embora estes últimos
sejam poucos ainda, vivamos de forma a que possamos um dia aqui chegar na
condição de dedicados enfermeiros ajudando o médico na recuperação doentes da
alma. Mas ainda resta uma grande estrada a percorrer.
Fonte: www.novavor.org.br
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