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Bernardino
da Silva Moreira As primeiras concepções sobre o Universo
foram criadas pelos gregos, Anaximandro (c. 610-574 a.C), por exemplo, afirmava
que o Universo surgira da água e os seres humanos descendiam dos peixes; a Terra
seria um disco achatado e flutuante, circundado por tubos furados de névoa
luminosa, com um círculo de fogo por fora.
No séc IV a.C. foi a vez de Eudoxo de Cnido
(c. 406- c. 355 a.C.) que, aperfeiçoando as idéias de Pitágoras (c. 580
a.C. – c. 500 a.C.) criou o modelo geocêntrico do Universo, onde os planetas
eram corpos esféricos que se moviam em órbitas circulares e as estrelas estavam
fixas numa esfera externa. Aristóteles (384 a.C – 322 a.C.), no mesmo século, e
Ptolomeu (c.100 – c.178), 300 anos depois, também acreditavam que a Terra
ficava no centro do Universo.
Até o séc. XVI as idéias de Aristóteles e
Ptolomeu dominaram o pensamento ocidental até a época de Nicolau Copérnico
(1473 – 1543). Para ele, o Sol, e não a Terra, era o centro de todo o Universo.
Mais tarde, Giordano Bruno (1548-1600) afirmou que o Universo não tem centro
nem limites, e que as estrelas estão espalhadas através de um espaço infinito.
Morreu na fogueira por dizer a verdade.
Em 1920, baseando-se na teoria da
relatividade, Georges Lemaître (1894-1966) e Alexander Friedman (1888-1925)
propuseram, o modelo de um Universo finito, em constante expansão, com um
início determinado no tempo. Tudo teria começado com a explosão de um só
átomo, onde toda a matéria e energia se concentravam com densidade infinita. Em
1950, o físico Fred Hoyle (1915-2001) tentou ridicularizar a idéia com o
apelido de big bang (“grande estouro”). O termo acabou dando nome à teoria.
Em 1960 foi a vez dos defensores do modelo
multiverso, que criticam a teoria do big bang por não resolver um problema: se
o Universo é finito, o que há fora dele? Os defensores deste novo modelo
afirmam que existem inúmeros universos espalhados pelo espaço infinito, muitos
dos quais podem estar nascendo (em big bangs) ou morrendo (em big crunchs,
o oposto dos big bangs, quando a gravidade comprime todo o Universo num ponto
só) neste exato instante. Nesses universos paralelos, as leis da física podem
ser totalmente diferentes das nossas.
Em 2001 a teoria da ecpirótica (nomeada a
partir do grego ekpyrosis, “fogo desastroso”) diz que tudo surgiu do
choque de duas “membranas cósmicas” numa quarta dimensão do espaço, isto é, a
idéia mostra duas “membranas bidimensionais” que se chocam na terceira dimensão
que seria percebido por aqui como o big bang.
Em 09 de outubro de 2003, o jornal “O Globo”
baseado em estudo da revista “Nature”,
descreve o novo modelo de Universo, que seria segundo a jornalista Roberta
Jansen, um Universo finito, voltado sobre si mesmo, semelhante à forma geométrica
dodecaedro. Esse estudo foi coordenado pelo matemático Jeffrey weeks de Nova
York. O estudo sugere que a ilusão de infinitude é criada porque o Universo
seria parecido com uma sala de espelhos de 12 lados, na qual seriam vistas
cópias múltiplas dos mesmos astros.
E no modelo Espírita o Universo é finito ou
infinito? Para tirar essa dúvida vamos a questão 35 de “O livro dos Espíritos”
e com Kardec perguntaremos:
“O Espaço universal é infinito ou limitado?
Infinito. Supõe-no limitado: que haverá para
lá de seus limites? Isto te confunde a razão, bem o sei; no entanto, a razão te
diz que não pode ser de outro modo. O mesmo se dá com o infinito em todas as
coisas. Não é na pequenina esfera em que vos achais que podereis compreendê-lo.”
Kardec comenta a questão com seu bom-senso
costumeiro:
“Supondo-se um limite ao Espaço, por mais
distante que a imaginação o coloque, a razão diz que além desse limite alguma
coisa há e assim, gradativamente, até ao infinito, porquanto, embora essa
alguma coisa fosse o vazio absoluto, ainda seria Espaço.”
E o nada existe? Mais uma vez juntos com
Kardec indagaremos:
“O vácuo absoluto existe em alguma parte no
Espaço universal?
Não, não há o vácuo. O que te parece vazio
está ocupado por matéria que te escapa aos sentidos e aos instrumentos.”
Kardec comenta a questão com a lógica dos
Espíritos superiores:
“Para crer-se em Deus, basta se lance o
olhar sobre as obras da Criação. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar
da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o
nada pôde fazer alguma coisa.”
E para finalizar uma questão fundamental:
“O Universo foi criado, ou existe de toda a
eternidade, como Deus?"
É
fora de dúvida que ele não pode ter-se feito a si mesmo. Se existisse, como
Deus, de toda a eternidade, não seria obra de Deus.”
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