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Roberto
Mumme
Aprendemos dento da doutrina espírita que
o Evangelho é o norteador da conduta moral. No Evangelho Segundo o Espiritismo
estão as passagens e os ensinamentos do Cristo. Kardec trabalhou em segredo
nesta obra, envolvido pela espiritualidade Maior exatamente para que pudéssemos
ter uma ferramenta eficaz para nossas mudanças. Em algumas das suas paginas
temos vários espíritos trazendo suas contribuições para essa nossa melhora. Uma
delas é de Santo Agostinho, que nos fez refletir sobre a conduta ideal,
passamos então avaliar as experiências vividas dentro e fora da casa espírita .
Quando tomamos a crítica como uma forma de aprendizado, de análise de alguns
atos e atitudes, quando olhamos para nós mesmos, nosso melhoramento é muito
grande pois temos a oportunidade de aprendermos com os erros do próximo e
principalmente com os nossos.
Uma pergunta surgiu em minha mente,
porque nos é ensinado que devemos praticar o Estudo do Evangelho no Lar uma vez
por semana? Será que o estudo trará as transformações, as mudanças? Tudo
funcionará como um passe de mágica? Muitas respostas, muitas reflexões, um
assunto inesgotável,.como se diz dentro do Espiritismo: "Cada caso, um
caso."
O ser humano constrói o conhecimento
lendo estudando,ouvindo, debatendo.Este armazenamento de informações tornam-se
fichas dotadas de uma ordem alfabética e dentro do sistema da lembrança podendo
alcançá-la quando falar sobre a informação nela contida. Muitas dessas
informações acabam sendo distorcidas se não houver cuidado quando da construção
do conhecimento.
Dentro desta linha de raciocínio,
descobrimos que só o intelecto não produzirá nada eficaz se não houver um
desejo aliado a ele.Outras perguntas surgem: Como faço para aprender cada vez
mais? Onde poderei buscar os conhecimentos? Surgem algumas afirmações também:
"Estou indo bem" , "Já conheço bastante", "Já posso
falar em público", "Consigo convencer alguns com meu
conhecimento".
São muitas as formas de buscar o
conhecimento.
Buscamos, pois queremos entender a doutrina espírita. Buscamos, para entender
os fenômenos, esclarecê-los. Buscamos também nossas transformações. Buscamos
preencher um vazio que não sabemos explicar. São muitas as formas de buscar.
O Evangelho sendo um código de conduta
moral deve ser lido, estudado, repensado e seja sempre interpretado como uma
confrontação de nós mesmos. Desta forma conseguiremos sabermos quem somos , o
que precisamos aprender, transformar, melhorar.
Pronto já estamos nos sentindo espíritas, já fizemos algumas transformações. As
pessoas à nossa volta já percebem essas mudanças e surgem os elogios e nos
sentimos no caminho correto.
Essa confirmação nos faz buscar ainda mais o Espiritismo, buscar o conhecimento
mais abrangente, conhecer cada detalhe desta obra. Pesquisar o que ainda não
nos é muito claro e dentro da nossa verdade, descobrimos depois de algum tempo
que estamos prontos, mudados, transfigurados. Que nada mais precisamos. Que
nossas atitudes doravante sejam de levar este conhecimento amplo aos que estão
a nossa volta.
Dentro da casa espírita estaremos sempre rodeados de pessoas que estão no mesmo
processo de busca e mudanças. Passamos a ser referência, afinal nosso intelecto
tem conhecimento amplo da doutrina podendo ainda dar uma passeada por outros
assuntos abordados por ela, como filosofia, ciência e religião.
Quantos enganos !
Esquecemos o que realmente estudamos e conhecemos. Esse conhecimento é
doravante apenas uma informação, uma ficha, às vezes com uma distorção muito
grande, acreditamos que podemos conhecer o que a espiritualidade ainda não nos
revelou , por ainda não sermos capazes ou inteligentes o necessário para compreender
a revelação. Pensamos ser daí para diante profundo conhecedor da doutrina.
Quando falamos em público deixamos de ouvir o que dizemos, apenas buscamos as
fichas de informações em nossas mentes. É nesse estágio que passamos a falar
sobre o Espiritismo para os outros, não mais para nós. A "falsa humildade"
surge, nas frases : "Ainda não somos trabalhadores do Cristo",
"Não temos luzes ainda" , "Somos muito pequenos".
Se não bastasse, também a "falsa moralidade" nos pega de jeito, nos
transformamos a tal ponto que nada mais precisamos fazer, somos donos da
verdade, já não precisamos ouvir como no início, agora o conhecimento está
dentro de nós. De agora em diante só falamos, não ouvimos mais, nada precisamos
aprender. Tudo que pesquisamos se torna uma grande verdade em nossas
explanações, não temos mais a humildade como Kardec teve, dizendo na obra
"Gênese" que algumas colocações são ainda pesquisas e teorias.
Quantos enganos!
Esquecemos que ainda deveremos voltar muitas vezes, para reconstruir nosso
conhecimento distorcido pela nossa vaidade.
Acreditamos que somos uma sumidade.
Não nos recordamos do nosso começo no estudo da doutrina, quando sentíamos a
necessidade de nos transformar , que o sofrimento, os problemas tinham uma
única origem, nós mesmos.
Que nossa humildade em pedir socorro, ajuda , fez com que transformasse-nos em
pessoas melhores, que muito ainda temos que evoluir.
Quantos enganos!
Deixamos de ler nas entre linhas, deixamos de verificar que nosso orgulho nos
impede de aprender mais, que nossa vaidade nos faz perder tudo que adquirimos
quando fomos humildes.
Não acreditamos que ainda reencarnaremos muitas vezes.
O Orgulho e a vaidade , pai e mãe de todos as nossas mazelas, nos impede de ver
que deixamos esquecida esta ferramenta preciosa , A Doutrina Espírita, como
instrumento constante de renovação e aprendizado.
Quantos enganos!
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